A banda Anacrônicos é umas das atrações do “Dia do Rock na Rua Ceará – O Berço do Rock Alternativo Carioca” evento produzido pela Bonde Music e que acontece próximo sábado (12/07). Além disso, a banda está lançando um novo single. Rock Press conversou com a Anacrônicos na Coluna 1,2,3,4…

Entrevista: Michael Meneses!
FOTOS: Yuri Sepúlveda / Divulgação

Anacrônicos é uma banda carioca formada por amigos de infância: De um lado, Zé e Bernardo corriam livres pela rua aos 6 anos, Bernardo e Pedro brincavam de Beatles com 8 anos. Pedro aprendeu a tocar bateria, usando em panelas e caixas de papelão.
No final dos anos 80 criaram a banda Andanças (foto ao lado), projeto que gravou uma demo em fita rolo e fez alguns shows pelo então circuito alternativo.
Duas décadas se passaram, e em 2018 Maurício Hildebrandt (guitarra e voz), Bernardo Palmeiro (guitarra e voz), José Sepúlveda (baixo e voz) e Pedro Serra (bateria), se reencontraram para formar o Anacrônicos, adicionando novas influências ao seu caldo setentista e oitentista, como grunge e rap-rock.

Na discografia, o EP Lado A em 2023 (ouça aqui), recentemente lançaram o single “Febre Amarela” (escute aqui), prometem para setembro de 2025, o um novo EP. No palco, apresentações no histórico Dia do Rock em julho de 2024 na Rua Ceará, Festival Rockarioca, entre outros locais.
Falando em shows, a bandas toca em setembro no La Esquina e em outubro no Parayba Rock Fest 2025, antes, show no próximo dia 12 de julho no “Dia do Rock na Rua Ceará – O Berço do Rock Alternativo Carioca”, um evento que vai reunir 20 bandas autorais do cenário carioca. Rock Press conversou com a banda na entrevista que segue…
1 – Michael Meneses / Rock Press: Anacrônicos é uma banda formada por músicos veteranos da cena independente do Rio de Janeiro. Conta um pouco a história de vocês…

Anacrônicos: No meio das brincadeiras de infância e das primeiras descobertas musicais, surgiu a nossa banda “Andanças”, nos anos 80. A gente não só tocava um som legal, mas também carregava décadas de amizade e parceria. O grupo era formado por Maurício Hildebrandt (guitarra e voz), Bernardo Palmeiro (guitarra e voz), José Sepúlveda (baixo e voz) e Pedro Serra (bateria), e é a prova de que a música pode ser aquela ligação que nunca se perde entre amigos de infância. Naquela época, a banda chegou a gravar uma fita demo em Brasília com o Álvaro Alencar e o Tom Capone. Mas, no começo dos anos 90, a vida seguiu caminhos diferentes, e a gente acabou se separando musicalmente – mas a amizade continuou firme e forte, sem nunca se perder.
Nosso reencontro musical se deu em 2018, quando renomeamos a banda: Anacrônicos nasceu da convergência de trajetórias de músicos veteranos que, após anos marcando presença nos bastidores e palcos do cenário independente do Rio de Janeiro, sentiram a necessidade de criar algo que refletisse tanto suas raízes quanto suas inquietações artísticas. Cada integrante traz consigo passagens por projetos diversos, festivais underground, bares emblemáticos e colaborações que ajudaram a moldar a identidade da música alternativa carioca.
A banda surgiu do desejo de unir influências clássicas e explorar novos timbres sem perder a essência do rock. O nome “Anacrônicos” surge justamente dessa postura — de não se prender a tendências ou à lógica linear do tempo, mas sim de assumir a influência de diferentes fases do rock, do blues, da psicodelia e até da música brasileira, em uma mistura original e atemporal.
Maurício e Bernardo, nas guitarras e vocais, trazem a harmonia e a rivalidade saudável de quem cresceu tocando juntos. Zé, no baixo, é a base que mantém o grupo firme, enquanto Pedro, na bateria, dita o ritmo com precisão e energia contagiante. A pluralidade de vozes permite que as composições ganhem camadas distintas, criando uma dinâmica rica e cheia de personalidade.
Mais do que uma banda, “Anacrônicos” é uma celebração da amizade e da paixão pela música. Cada show, cada ensaio, cada nova canção é um capítulo dessa história que começou na infância e que, como boa música, só melhora com o tempo. Seja em um pequeno bar ou em um palco maior, o que define o grupo não é apenas o som, mas a conexão que só existe entre quem cresceu lado a lado – e decidiu, juntos, fazer do mundo um lugar mais musical.
2 – Rock Press: Vocês acabaram de lançar o single, “Febre Amarela” falem dessa música e dos próximos projetos…

Anacrônicos: “Febre Amarela” é o 1º single do 2º EP dos Anacrônicos. A música é um pícaro-rock-rap-psicodélico que mistura The Cars e Fausto Fawcett com o Beastie Boys e Os Mutantes. A letra aborda diferentes delírios febris pré-pandemia e os efeitos da loucura coletiva sobre origens e consequências da febre amarela culminando no assassínio dos macacos. O single foi gravado nos estúdios La Cueva e Audio Rebel, foi mixado e masterizado por JR Tostoi no Lab Tostoi. A capa é da Ana Paula Moniz.
Logo vamos lançar um segundo single que conta com uma participação muito especial de uma artista que admiramos e curtimos demais. Na sequência virá o segundo EP que tem um total de cinco músicas, três inéditas além destes dois singles e traz outras participações muito especiais.
Planejamos ainda filmar um vídeo clipe de “Febre Amarela” e fazer shows até o final do ano para divulgar o trabalho e assim que possível vamos voltar ao estúdio para gravar o material do terceiro EP que já está todo composto.”
3 – Rock Press: Vocês têm outros projetos, falem desses trabalhos e do Coletivo Rockarioca…

Anacrônicos: O Maurício trabalha como administrador e tem um projeto onde ele grava em home studio composições autorais próprias sempre com a participação de algum músico convidado seja tocando algum instrumento ou fazendo a mixagem da faixa. O Bernardo é diretor e editor de audiovisual, o Zé é professor universitário e Coordenador do Observatório da Laicidade na Educação-OLE/UFF e o Pedro trabalha como editor de imagens e toca no Estranhos Românticos e produz o Rockarioca (saiba mais aqui).
4 – Rock Press: Como vocês estão acompanhando a cena independente atual? Quais os pros e contras do cenário atual?
Anacrônicos: A cena atual do rock do Rio – não só carioca, mas de todo o Estado – está fervendo. Tem MUITA música boa e original sendo feita. E é interessante porque não é um estilo único, como o Manguebit era no Recife. É um rock misturado com um monte de coisa – tem rock-mpb, rock-indie, rock-rap, rock-surf, rock-eletrônico, rock-psicodélico, rock-baião, rock-hardcore, rock-metal, rock-garage, rock-psychobilly, rock-soul, rock-funk, rock-pop… E dessas misturas está saindo muita coisa boa!
Além disso, está rolando uma movimentação e união grande entre os artistas e coletivos como o Rockarioca, o Rio + Rock, o Cariocaos…, jornalistas e casas de show da cidade, formando uma cena vibrante. Nós tocamos naquele evento histórico no ano passado na Rua Ceará, por onde passaram 5 mil pessoas interessadas no que está rolando de novo, foi sensacional! O Pedro ficou mais de 12 horas lá, teve que ser arrastado para casa (risos). E esse ano vai ser ainda maior, com 20 bandas no sábado – inclusive nós – e mais 100 no domingo. Apesar do contrário de vocês da Rock Press a mídia ainda não ter percebido, a gente está sentindo que esse momento do rock no Rio é muito especial, lembrando o movimento que rolou nos anos 80 – e a gente pode falar, porque viveu aquilo e a banda teve uma 1ª fase no final da década de 80.
5 – Rock Press: A banda é uma das atrações do evento Dia do Rock – Rua Ceará O Berço do Rock Carioca. Fale desse evento, da agenda da banda e deixe uma mensagem aos leitores da Rock Press…
Anacrônicos: Estamos animadíssimos com o Dia do Rock – aliás, está ficando tão grande que já virou Semana do Rock, né? Afinal, começa na quinta com o Rockarioca Convida com shows de Frogslake e Canto Cego no La Esquina; na sexta tem Katia Jorgensen e Dani Vallejo no Garage (na própria Rua Ceará); no sábado tem o Dia do Rock produzido pela Bonde Music com 20 bandas excelente (inclusive nós, modéstia à parte, risos) em palcos na rua com som e luz bons – além de grafite ao vivo, desfile de pin-ups, exposição de motos e oficinas e mostra de fotografia, produção e projetos, e no domingo tem o Dia do Rock das 100 bandas, em 12 palcos diferentes. Isso vai ser demais!!
Galera, o recado que a gente tem é o seguinte: venham pros shows! Porque não tem nada melhor que assistir shows bons de rock de perto, ouvindo e vendo bem o artista, pulando e dançando, vivendo o seu tempo! Essa galera que fica sentada no sofá vivendo no passado e dizendo que não se faz mais música boa, não sabe de nada!

Dia do Rock na Rua Ceará
O Berço do Rock Alternativo Carioca

A Anacrônicos é uma das 20 bandas do cast do “Dia do Rock na Rua Ceará – O Berço do Rock Alternativo Carioca”, inciativa promovida pela Bonde Music. Além dos shows, na mesma data haverá grafites ao vivo, exposição fotográfica com imagens que conta a história do Garage Art Cult, concurso de pin-ups e encontro de motos clássicas.
O evento ainda vai promover uma série oficinas, palestras e workshops que vão acontecer nas quartas-feiras de todo mês de julho. As inscrições são gratuitas, porém, é preciso se inscrever no link abaixo. A produção, receberá doações de roupas e cobertores no local. Veja programação abaixo.
RECOMENDAMOS…
A região da Rua Ceará é histórica para a cena Rock Independente, em especial na década de 1990, época em que revelou bandas cariocas e nacionais, entre as quais Planet Hemp, Matanza, Los Hermanos e outras. Recentemente a rua foi reconhecida como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.
Quanto a nós da Rock Press, podemos dizer que: #Recomendamos – Michael Meneses!
CONTATOS ANACRÔNICOS: https://linktr.ee/anacronicos
Dia do Rock na Rua Ceará
O Berço do Rock Alternativo Carioca
SERVIÇO:

LOCAL: Nordicas MC – Rua Ceará, esquina com Rua Lopes de Sousa – logo após a linha férrea – Rio de Janeiro/RJ
DATA: 12 de julho de 2025, a partir das 12h.
BANDAS:
Metais Pesados
Macaco Sapiens
Desfile de Pin-Ups
Maverick Benedicto
Boa Noite Cinderella
Korja
Chucky Ramyrez
77 Idols
Texuga
Switchback

Vicejo
Anacrônicos
Coice de Galo
Velho Jou
Tornokrê
Pic-nic
Iguanas X
808 Punks
Nebulosa
A Última Gangue
Granmostarda
PROGRAMAÇÃO COMPLETA DE PALESTRAS E WORKSHOPS:
09/07 (19h) – Monique Ferreira – Produzir é Conectar: o impacto do fator humano na produção de eventos
16/07 (19h) – André Paumgartten – Como escrever projetos culturais para editais.
23/07 (19h) – Letícia Lopes (Lety) – Som das Minas: Capacitação em Técnicas de Áudio para Mulheres – Nível Básico.
30/07 (19h) – Michael Meneses – Fotografia de Shows e Eventos Culturais
INSCRIÇÕES AQUI!
INFO: (21) 98259-1974 ou contato@bondemusic.com.br
MICHAEL MENESES – É o editor da Rock Press deste 2017, criador do Selo Cultural Parayba Records, fotojornalista desde 1993, foi fanzineiro nos anos 1980/90, jornalista e cineasta de formação, pós-graduado em artes visuais. Fotografa e escreve para diversos jornais, revistas, sites e rádios ao longo desses últimos 30 anos, também realiza ensaios fotográficos de diversos temas, em especial música, jornalísticos, esporte, sensual, natureza... Pesquisa, e trabalha com vendas de discos de vinil, CDs, DVDs, livros e outras mídias físicas. Michael Meneses é carioca do subúrbio, filho de pai paraibano de João Pessoa e de mãe sergipana de Itabaiana. Vegetariano desde 1996. Em junho de 2021 foi homenageado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo vereador Willian Siri (PSOL/RJ), com monção honrosa por iniciativas no audiovisual e na cultura suburbana. Torce pelo Campo Grande A.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Atualmente, dirige o filme, “VER+ – Uma Luz chamada Marcus Vini, documentário sobre a vida e obra do fotojornalista Marcus Vini e realiza o Parayba Rock Fest que terá sua próxima edição dias 25 e 26 de outubro de 2025.