A GRANDE TREPADA: 40 Anos de Trepada! (ENTREVISTA)

Completando 6 Anos de militância pelo Rock, o Coletivo Rockarioca comemora essa luta na 34ª edição do Rockarioca Convida que terá shows de duo Morcegula e a Grande Trepada, banda que completa 40 Anos e com quem a Rock Press conversou na Coluna 1,2,3,4…

ENTREVISTA: Michael Meneses!
FOTOS: Olivie (Morcegula), Ana C.Bandarra Ana Paula Moniz, Divulgação e Acervo Pessoa
l (A Grande Trepada).

Realizando eventos mensais desde o final da pandemia o Coletivo Rockarioca se faz presente e mantém a cena underground ativa no Rio de Janeiro. A iniciativa quase sempre acontece às quinta-feiras e sempre no aconchegante e receptivo La Esquina (Lapa/RJ).

Antes dos shows, o surgimento…

Atuando de forma virtual no ano de 2000, o coletivo surgiu em meio a pandemia, promovendo nas redes uma série de ações em prol do rock carioca, com o fim do isolamento social vieram os shows, que ocorrem toda 2ª quinta-feira do mês no La Esquina na Lapa/RJ. Desde então, foram 34ª edições do evento promovendo mais de 70 apresentações de bandas e DJs. E tem mais, o Coletivo realiza ainda o Festival Rockarioca na Audio Rebel no mês de Outubro.

O idealizador do Coletivo, o músico, produtor, DJ, Fotógrafo… Pedro Serra, que para esta edição de aniversário do Rockarioca, promove show das bandas Morcegula e A Grande Trepada, dois nomes relevantes da cena independente, duas forças do psychobilly do Rio de Janeiro. Conheça as bandas:

MORCEGULA: “Um duo casal interestadual formado no rock’n’roll high school num formato diferente” Assim tem início o release oficial do evento ao apresentar esse duo formato por Rebeca Li, mineira de Uberlândia, que canta e toca bateria em pé sem pratos, e pelo carioca Henrique Badke, que canta e toca uma guitarra Flying V.

O som do Morcegula é uma soma de 3 acordes com 3 tambores e quem já viu sabe que essa soma resulta em uma fusão explosiva de um rock and roll forte, com letras em português.

Em sua discografia, álbuns físicos e virtuais lançados em 2024, 2025 e o recente terceiro trabalho, intitulado de “Desmodus Profundus”.
No palco, o duo traz a experiência de uma recente turnê com 11 shows na Europa e agora é a vez de rodar o Brasil, incluindo o Rockarioca Convida. CONTATO: @Morcegula

A GRANDE TREPADA: Já falamos na Rock Press, quando uma banda brasileira segue em atividade por alguns poucos anos, ela só por isso construiu uma importante história, quando ela ultrapassa algumas décadas a grandeza dessa história é algo para poucos, afinal 40 Anos não são apenas 4 semanas, são gerações.

40 anos é o tempo de história da banda A Grande Trepada que também atende por Big Trep, banda atualmente formada por Mauk Garcia e Leandro Carburador (guitarras e vocais), Edu Vilamaior (baixo e vocal) e Robson Riva (bateria e vocal).
Ao longo desses anos a banda lançou discos, K7s, participou de coletâneas, sendo seu primeiro trabalho em vinil lançado em 1989 com três faixas no disco “Devil Party”, a 1ª coletânea de rockabilly/psychobilly do Brasil e lançada pelo selo independente Devil Discos (SP).

No palco, tocaram em diversas cidades do Brasil e em festivais na Argentina. Sem dúvida é o maior nome do rockabilly/psychobilly carioca, mas nunca deixando de buscar influências em outros estilos, como blues, jovem guarda, garage rock, punk… A Rock Press aproveitou os 40 anos da banda e a apresentação no Rockarioca Convida para conversar com Mauk Garcia, nesta entrevista que segue na Coluna 1,2.3.4…

A GRANDE TREPADA

40 Anos de Trepada!

1 – ROCK PRESS / MICHAEL MENESES: 40 anos não são 40 dias. Conta um pouco a história da banda aos leitores da Rock Press… (influências, estilo, história, outras bandas, singles, shows, discografia…)

Mauk Garcia/ A GrandeTrepada: A banda começou ali pelo meio de 1986. Eu e meu irmão mais velho resolvemos montar uma banda junto com o meu primo Edu e um amigo na batera , o Nery. Quem também participou dessa ideia original da banda foi o Luiz Skunk . Ele participou de alguns ensaios onde a gente fazia as músicas de maneira espontânea. Com ele fizemos 3 músicas: “Homem-Aranha”, “Alejandro Cresce” & “Sonhei com você”. A única que a gente gravou foi “Sonhei com você” e infelizmente ele não conseguiu participar da gravação do disco, já que ele veio a falecer no ano que nós estávamos gravando o “Rockabilly Voodoo” . Durante os primeiros anos nós gravamos duas Demos, a 1ª foi em dois canais ao vivo e a 2ª num gravador Tascam 4 canais respectivamente em 1987 e 1988. Todas duas tocaram em programas das Rádios Fluminense e Estácio . “Surf Drácula” chegou a ser a 5ª música mais executada da rádio Fluminense. Nessa época tocamos em todas as casas possíveis do Rio e fomos pra São Paulo onde tocamos no Retrô, Madame Satã, 1⁰ Campeonato de topetes em São Caetano e também tocamos no Programa Boca Livre do Kid Vinil na TV Cultura, essa apresentação rendeu o convite pra participar da coletânea “Devil Party” com 3 músicas “Surf-Drácula “, “Dó Ré Mi Fá Baby”. Também estavam na coletânea KÃES VADIUS, K-BILLYS & KRYPITONITAS. Nós ficamos com essa formação de quarteto até dezembro de 92, quando entrou o Nelson Milesi que era vocalista e guitarrista do Kongo, banda de SKA e Reggae aqui do Rio.

Nós já tínhamos começado a gravar o K7 “Rockabilly Voodoo” que atualmente a gente chama de “Voodoo tapes” . O cassete saiu em setembro e o disco só saiu em julho 95 e nós regravamos todo o disco, quer dizer todo cassete. Na época como o cassete, o “Voodoo Tapes” havia sido gravado em 8 canais, a Polvo, que era a gravadora, achou que deveríamos regravar algumas num outro estúdio com mais canais e tecnologia adat . Acabamos já gravando tudo menos “Chila-Ila-Úla” que entrou a versão do K7. Entre a gravação do K7 e o CD tivemos nossa primeira baixa, Nery saiu da banda e entrou no lugar o Fábio Teixeira, que ficou com a gente de 1993 até 1996, quando terminamos de gravar os álbuns “Cachaça Beat” e “Canções que a vitrola nos ensinou Vol.1” (só de covers). Nessa época também tocamos no Circo Voador abrindo para o Die Toten Rose e no lançamento do Filme “Back Beat”. Durante as gravações desses discos, Léo, nosso vocalista e meu irmão, resolveu pular fora do barco, ainda antes do Fábio, então eu e Edu resolvemos assumir os vocais e somente algumas canções ficaram com o registro de voz do Léo. Em 1997 fizemos shows com o Lourenço Monteiro na bateria pois, até essa época, eu e Edu tinhamos uma banda chama Os Esquizóides com ele e o Edsdo Milesi, o Dj Edinho. No final de 1987 após colocar um tijolinho no caserno Boa Chance … hehehe que ironia … procurando por um baterista, né, que deu certo, o Robson Riva apareceu e uma semana depois fizemos nosso 1⁰ show com ele, detalhe: ensaiamos umas horas antes do show e foi ótimo. Em 99 lançamos um CD com gravações ao vivo, covers e Demos chamado “13 Anos de Anonimato” e em 2000 um ao vivo na Rádio… que Chamamos de “Assassinei minha Radiola”, todos esses dois de maneira bem artesanal e independente, com pouquíssimas cópias. Também no ano de 2000 tivemos a saída do Nelson e passamos a atuar como trio. Mas antes dele sair participamos de uma coletânea chamada “Dance with a Chainsaw” com uma regravação de “Midnight Madness” e de um Tributo ao Meteors com uma versão de “Bad Boy”. Em 99 tocamos no festival “Psycho atack over BH”, depois no “1⁰ Campeonato Mineiro de Surf” e algumas vezes no “Psycho Fest” e “Psycho Carnival” de Curitiba.

Em 2003, como trio, gravamos o “Meia Noite Insana” e após gravarmos o Robson saiu, sendo substituído pelo Fernando Oliveira. Com essa nova formação fomos convidados pra tocar na Argentina (fotos acima) e abaixo e tocamos em dois festivais: o “BA Stomp” em Buenos Aires; organizado pelo Nico do História del Crimen e Motorama, e num Festival em Rosário. Gravamos um EP chamado “Entre La Puerta Y El Látigo”, com 3 canções nossas em Espanhol e uma versão do Sonics de “Strychnine”. Em 2007 o Bjørn Hovland tocou guitarra com a gente e em 2008 o Leandro “El Carburator” entrou no lugar dele e toca com a gente até hoje. E em algum momento depois da gravação do álbum “Sem Destino” de 2011, onde comemoramos os 25 anos de banda, o Fernando deixou a banda e o Robson voltou, e toda vez que não pode tocar, o Daniel Lago fez a bateria…. Bem, toda vez não, o Daniel Machline também tocou bateria, até o Davi Duarte fez isso (risos), sendo que o Davi também gravou conosco para o tributo de 100 ANOS do Luiz Gonzaga nossa versão de “ A Morte do Vaqueiro”. Pra comemorar os 30van9s de banda o Felipe David Rodrigues, com quem eu já tinha feito o clipe de “No Olho do Furacão“ do Mauk & Os Cadillacs Malditos e no Filme “ A Balada do Provisório”, fez o documentário “30 anos de anonimato” e por fim, mas não, o final gravamos em 2020, antes da Pandemia, o EP Um Coração Onde Ninguém Vive”, e estamos ainda tocando por aí… Esse foi um breve resumo… Até o Gustavo Seabra da Pelvs tocou bateria com a gente…(Risos).

2 – ROCK PRESS: A Grande Trepada ou Big Trep? Por que se usa esses dois nomes?
Mauk Garcia: Quando rolou o nosso primeiro show, que só aconteceu em 21/06/87, o Tom Leão foi ver e quando ele foi dar a notinha sobre o show na coluna dele, o editor ou a editora disse que não poderia colocar o nome A Grande Trepada no jornal, então ele ligou pra gente e perguntou se a gente não tinha um apelido e aí foi criado Big Trep. O curioso é que o mesmo jornal colocava A Grade T. no mesmo caderno no tijolinho da sessão de cinema que na época divulgava os filmes pornôs.

3 – ROCK PRESS: Além da GrandeTrepada, você tem outras bandas, fale delas… e falando em 40 anos, como vocês estão vendo a cena independente atual?
Mauk Garcia: Bem, atualmente eu toco com A Grande Trepada, com o Mauk e os Cadillacs Malditos, com o The Dead Suns, com os Estranhos Românticos, com o Second Come e sozinho, como Mauk Garcia. Mas já gravei com Os Esquizoides e o Lunik 9. Quanto a cena atual, acho que hoje em dia é mais fácil para você registrar o seu trabalho gravando e lançando singles e álbuns por via das plataformas. A grande questão é como atingir o público divulgando e fazendo os shows, como atrair essa galera.

4 – ROCK PRESS: A banda é atração da edição de aniversário de 6 anos do Rockarioca Convida. O que podemos aguardar para esse show?
Mauk Garcia: Essa é fácil, muito suor e música.

5 – ROCK⁩ PRESS: Passado o Rockarioca Convida, quais os planos da banda? E, aproveitando, deixe um recado final aos leitores da Rock Press
Mauk Garcia: O plano é continuar tocando e gravar mais um disco ou melhor, mais alguns discos. Como diz a canção, “Ainda tenho muito ritmo nesses ossos”… E escute A Grande Trepada você ainda vai ter uma.

CONTATOS A GrandeTrepada:
TEL/WhatsApp: (21) 972449-4999
FACEBOOK: https://facebook.com/bigtrep
INSTAGRAM: https://instagram.com/mauk_e_oscadillacsmalditos
SPOTIFY: https://open.spotify.com/artist/31V8LVCCAuFI7X4FviQIOJ?si=h7jglTTEQa2YcvRRTlfMEg&utm_source

Recomendamos

Que esse show promete ser histórico, não temos dúvida, ainda mais por já estarmos sabendo que a apresentação da Grande Trepada terá participações especiais como: Nelson Milesi (Finis Africae) e Gilber T (BNegão).

Também não podemos deixar de mencionar o palco da festa, o La Esquina, um espaço que parece ter sido feito para eventos independentes, isso sem deixar de oferecer um bom atendimento, conforto…

E outra, a edição de julho do Rockarioca Convida é o pontapé inicial para a edição 2026 do Festival Dia Mundial do Rock que contará com mais de 100 bandas. #Recomendamos. – Michael Meneses!

Rockarioca Convida 34ª Edição

SERVIÇO:
SHOWS: Morcegula + A Grande Trepada
LOCAL: La Esquina – Av Mem de Sá, 61 – Lapa – Rio de Janeiro/RJ
DATA: quinta-feira 9 de julho de 2026. Horários: casa abre às 19h30, 1º show às 20h30 e festa do La Esquina às 23h.
INGRESSOS: Antecipados no site da Sympla (AQUI), e na bilheteria da casa no dia do evento.

PRODUÇÃO e INFO: Coletivo Rockarioca.
EVENTO NO FACEBOOK

REDES SOCIAIS ROCKARIOCA:
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INSTAGRAM: https://www.instagram.com/rockarioca/
DEEZER: https://www.deezer.com/us/playlist/8307060022
SPOTIFY: https://open.spotify.com/playlist/18CFuMO7fQTKlxAkg6Jhuk?si=7e75fe80e7404d3c


MICHAEL MENESES
 – É o editor da Rock Press deste 2017, criador do Selo Cultural Parayba Records, fotojornalista desde 1993, foi fanzineiro nos anos 1980/90, jornalista e cineasta de formação, pós-graduado em artes visuais. Fotografa e escreve para diversos jornais, revistas, sites e rádios ao longo desses últimos 30 anos, também realiza ensaios fotográficos de diversos temas, em especial música, jornalísticos, esporte, sensual, natureza… Pesquisa, e trabalha com vendas de discos e mídias físicas em geral. Michael Meneses é carioca do subúrbio, filho de pai paraibano de João Pessoa e de mãe sergipana de Itabaiana. Vegetariano desde 1996. Em junho de 2021 foi homenageado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo vereador Willian Siri (PSOL/RJ), com monção honrosa por iniciativas no audiovisual e na cultura suburbana. Torce pelo Campo Grande A.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Atualmente, dirige o filme, “VER+ – Uma Luz chamada Marcus Vini”, documentário sobre a vida e obra do fotojornalista Marcus Vini. Com a Parayba Records, realiza o Parayba Rock Fest, um evento multicultural na Areninha Cultural Hermeto Paschoal em Bangu/RJ, no subúrbio carioca. Administrador da loja de discos Discontração, que além de discos de Vinil e CDs, também vende DVDs, HQs, Livros e cultura pop em geral. É maluco de carteirinha e adepto ao “Faça Você Mesmo”.

Uma resposta

  1. Bom que ainda existe rock no Rio de Janeiro, palcos para eventos e um canal como esse pra divulgar. Salve!

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