NAÇÃO ZUMBI: Trinta anos de Afrociberdelia, um álbum histórico! – DISCÃO

Banda pernambucana completa trinta anos do seu segundo disco, Afrociberdelia, e prepara uma linda celebração com dois shows no Circo Voador. Saiba mais na coluna “Discão” da Rock Press.

TEXTO: Leozito Rocha
FOTO: Divulgação e
Larissa Zanchetta

O segundo disco da Nação Zumbi, Afrociberdelia (1996), completa esse ano, no dia 15 de maio, trinta anos de idade. Sendo o sucessor do classudo “Da Lama aos caos” (1994) a responsabilidade era enorme. Chico Science, um dos fundadores (ao lado de Jorge Du Peixe e Fred 04 – Mundo Livre) do movimento que ficaria conhecido como mangue beat estava no auge. Se o primeiro disco foi o catapultador do coletivo pernambucano para o país, Afrociberdelia consolidou a importância dos músicos junto à MPB.

A história de Pernambuco na nossa música nos traz figuras como Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Dominguinhos, Lenine, entre outros. Alguns movimentos dos mais variados como bossa nova, tropicalismo, jovem guarda e tal surgiram e sempre trouxeram expoentes com eles. O mangue beat, talvez, tenha sido o último importante movimento feito no Brasil. E, não tem como refutar que Chico Science foi o principal porta voz dele. O músico mostrou ao país toda batida, cultura e potência do mangue. Foi algo irreversível no começo dos anos 90. Infelizmente, Chico morre em 1997, meses depois do disco lançado e desaparece do mesmo jeito que veio: um meteoro!

A própria Nação Zumbi teve que digerir essa perda (acidente de carro) e decidir se seguiria ou não com a carreira. O Mundo Livre S/A, outra banda expoente do movimento também ficou abalada, mas assim como a Nação optaram por continuar. Para o bem da música e de uma geração inteira que bebeu do mangue e ficaram marcados desde então por esse movimento tão potente e incrível que tomou conta de público, crítica e músicos em geral.

Com a formação clássica: Chico, Jorge Du Peixe, Dengue, Lúcio Maia, Pupilo (entrou nesse segundo disco), Gilmar Bolla 8, Gira e Toca Ogam, a banda entrou em estúdio (Nas Nuvens – RJ) com a estreia na produção de Eduardo Bid (Liminha fora o produtor do “Da Lama aos Caos) por sugestão e ideia de Chico Science. Se no primeiro trabalho a sonoridade deles foi como uma apresentação pedagógica nesse a presença da bateria, da percussão e dos arranjos mudaram. Muitos consideram esse trabalho menos coeso, porém mais sólido, maduro e próximo do que os músicos tinham em mente na criação das canções.

Muitas participações também ajudaram a construir esse extraordinário trabalho. Tivemos Gilberto Gil e Marcelo D2 em “Macô”, Fred 04 (Mundo Livre S/A) em “Samba do Lado”, Cadão Volpato (Fellini) em “Criança de Domingo”, Marcelo Lobato (O Rappa) em “Um Satélite na Cabeça” entre outros. A versão original saiu com 13 faixas, mas a Polysom relançou em vinil em 2010 uma versão com faixas adicionais. Coisa fina, hein?

Podemos destacar as canções “O Cidadão do Mundo” (um groove incrível), “Etnia” (hip hop e maracatu na essência), “O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no Céu” (título genial) ou “Corpo de Lama” (Lúcio Maia rouba a cena aqui). Claro que “Manguetown” puxou o trabalho. Foi uma porrada nas rádios e, sobretudo na MTV Brasileira. O clipe dirigido por Gringo Cardia passava diariamente na época. Até hoje é uma referência. Ah sim, “Maracatu Atômico” foi a cereja do bolo. Sem a menor dúvida. Muitos fãs foram arrebatados depois de escutar a versão da Nação Zumbi para a música de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. E, olhe que essa canção foi regravada por músicos como Caetano Velloso, Gilberto Gil ou Sérgio Mendes!! Mas, até hoje a versão da Nação Zumbi é considerada a mais criativa e poderosa!

Aqui vai uma curiosidade: gravar e incluir a canção “Maracatu Atômico” não era desejo de Chico nem da Nação Zumbi. A Sony Music (gravadora) teve que persuadir Chico e cia. com muito papo e lábia. Hmmm… Quem diria?

Deixo uma menção honrosa para “Sobremesa”. Um trabalho incrível de Lúcio Maia (Guitarra), Dengue (Baixo) e Jorge (Alfaia) mandando ver! Afrociberdelia é uma aglutinação de música afro, tecnologia e psicodelia. Sentiram? Coisa fina…

Para comemorar, Recomendamos…
E, como falamos acima sobre comemorações e shows… Teremos nos dias 8 e 9 de maio dois shows imperdíveis dos 30 anos desse disco no icônico Circo Voador no Rio de Janeiro. Com a abertura de Mintcho Garrammone na sexta e de BNegão e os Seletores de Frequência no sábado. Além do DJ Lencinho colocando som entre as apresentações no sábado. #Recomendamos! – Leozito Rocha.

SERVIÇO:
NAÇÃO ZUMBI – “Afrociberdelia – 30 anos”
SHOWS DE ABERTURA: Mintcho Garrammone (na sexta) e BNegão + DJ Lencinho (no sbado)
DATA: Sexta e sábado, 08 e 09 de maio de 2026 (Abertura dos portões 20h).
LOCAL: Circo Voador – Rua dos Arcos, s/nº – Lapa – RJ/RJ
INGRESSOS ESGOTADOS
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos (14 a 17 anos somente acompanhados pelos responsáveis).

REDES SOCIAIS DO CIRCO VOADOR:
SITE: www.circovoador.com.br
X: https://twitter.com/circo_voador
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/circovoador/
FACEBOOK: https://www.facebook.com/circovoadorlapa

LEOZITO ROCHA – É radialista, pesquisador musical, escritor e amante de cinema. Colaborador de sites musicais, curador de rádio, editor e apresentador do “O Som do Leozito” na Internova Rádio (OUÇA), e observador incurável. Seu facebook é aqui! e seu instagram é: @leozito_rocha4.

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