SOFTSWITCH – O post-punk Made in Canadá - ENTREVISTA

Com o EP “Happiness” (2019), a banda canadense de noise Post-Punk, Softswitch, remete à era nostálgica do fim Softswitch_Divulgaçãodos anos 1970 e início dos 1980 com notórias influências do Wire e Big Black. “Happiness”, também ganhou uma versão em K7 vermelha, e foi mixado por Steve Albini, engenheiro de som dos álbuns, “In Utero” (Nirvana), e “Pod” (Breeders). Softswitch apresenta uma música notável, não só porque eles fogem do mainstream, mas também pelo fato de unirem ideias na base do espírito DIY. Assim como cantam na faixa “Isosceles”: (“é um tipo de coisa que começa pequeno o suficiente e depois cresce”). Batemos um papo com a baterista Suzy Keller na Coluna 1,2,3,4... da Rock Press.

SOFTSWITCH:
O post-punk Made in Canadá

ENTREVISTA: Larissa Oliveira
FOTOS: Divulgação

Softswitch_Divulgação

Formada na culturalmente agitada cidade de Winnipeg, capital da província de Manitoba, no Canadá, o Softswitch é por Ryan McPherson (baixo e vocal), Marisa Halek (sintetizador), Suzy Keller (bateria) e Rob Hill (guitarra). Softswitch, cedo ou tarde, iria nos lembrar que a música sempre terá esse poder de reunir mentes brilhantes e criativas em um manifesto uno e atemporal. Conheci a baterista, Suzy Keller, através da minha página Riot Grrrl no Facebook. Suzy foi muito gentil, falou comigo, e vocês pode conhecê-los melhor por meio da entrevista que segue e que também será publicada no Fanzine da autora, o “I Wanna Be Yr Grrrl” em edição especial sobre o bandas undergrounds.

1 - Larissa Oliveira / Rock Press: Primeiramente, gostaria de agradecer à banda pela oportunidade e dizer a vocês que estou impressionada pelo resultado criativo que obteve ao trabalhar em um álbum old school, ainda assim, autêntico. Como tudo isso começou? Conta para a gente como Softswitch ganhou vida. 
Softswitch_DivulgaçãoSuzy Keller / Softswitch: Coloquei um anúncio no grupo do Festival Not Enough, em Winnipeg, procurando parceiros para começar uma nova banda. Estava querendo fazer algo post-punk, krautrock ou algo parecido. Ryan (baixo e vocal) estava tocando em diferentes bandas e a enviou uma mensagem via Facebook, que foi para pasta “outras” de mensagens do Facebook e que não foi visualizada até um ano inteiro depois. Naquele tempo Ryan tinha começado outra banda, quando a mensagem foi finalmente visualizada e respondida ele concordou em ensaiar juntos. Suzy também conhecia Rob (guitarrista) que também estava em outra banda, mas que andava e fazia som com a gente. Então isso é tudo que fizemos por um tempo. Nós nos encontrávamos uma vez por mês ou perto disso, e tomávamos chá, nos servíamos com biscoitos e tocávamos por um tempo. Decidimos fazer uma séria tentativa de montar algumas músicas e assim as coisas foram se encaixando.

2 - ROCK PRESS: O lendário engenheiro de som, Steve Albini, mixou o EP de estreia da banda em Chicago. Albini não apenas representa uma grande influência na cultura punk, como também trabalhou em álbuns imponentes como o “Surfer Rosa” (1988) do Pixies e o “In Utero” (1993) do Nirvana. Como essa aproximação ocorreu? Fale um pouco sobre o processo de gravação do álbum.
Suzy Keller: Nosso guitarrista Rob tinha planos de encontrá-lo em Chicago por motivos profissionais próprios, mas ele teveSoftswitch_Happiness_EP algum tipo de iluminação e perguntou se Steve teria vontade de mixar algumas de nossas faixas, garantindo que elas seriam gravadas apropriadamente. Ele concordou, o que foi incrível, mas isso significou que ainda teríamos que terminar de escrever as músicas e gravá-las. Então, nós tínhamos por volta de 10 semanas de preparação para um fim de semana no Exchange District Studios, em Winnipeg. A única maneira de fazer isso funcionar seria gravarmos ao vivo, portanto nós tivemos que tornar tudo mais humanamente possível. Nós praticamos constantemente. Tínhamos quatro músicas para gravar, e estávamos esperando finalizar ao menos duas para que não passássemos vergonha. Iniciamos com os instrumentos e depois com camadas de guitarra extras, e então com os vocais. Nós tivemos três de nossas músicas feitas por instrumentos e overdubs no primeiro dia, e o restante no segundo dia. Algumas semanas depois fomos ao encontro de Steve em Chicago. Steve Albini é um profissional habilidoso. Seu trabalho foi feito incrivelmente rápido. Ele logo pegou nossas instruções gerais no início da sessão, ouviu cada faixa e comentou algumas sugestões sobre o que ele iria fazer e se estávamos confortáveis com elas ou não. Ele foi incrivelmente preciso com as palavras enquanto discutia o que era tanto específico quanto gratificante em relação ao trabalho, embora ele seja Steve Albini e estivesse falando com você sobre o som da sua voz enquanto vocês sentam juntos, escutando a sua música, foi tudo surreal de maneira bem agradável. Mais tarde, enviamos as fitas para Bob Weston no Serviço de Mastering de Chicago. Ele foi super educado e extremamente profissional e nos deu conselhos excelentes sobre sonoridade e foi muito paciente. Nós trabalhamos com Bob por e-mail.

3 - ROCK PRESS: Ainda falando de Steve Albini, uma de suas bandas punk, Big Black (1981-1987) abordava temas de cunho político como racismo e misoginia. Países como Estados Unidos, Brasil e Rússia, têm estado sob o poder de autoridades repressivas e a música, ainda é uma poderosa fonte contra valores impostos. Artistas têm promovido eventos como #hardcorecontraofascismo / #metalcontraofascismo... em cidades brasileiras, assim como também lançado videoclipes em oposição ao sistema político atual, como os vídeos do Pussy Riot. No entanto, nós ouvimos que as coisas são diferentes no Canadá uma vez que o governo acolhe ideias liberais como igualdade de gênero. É essa a realidade do país? Se sim, vocês acreditam que como músicos punk rock, não há nada a contestar? 
Suzy Keller: Uau! Nós esperamos dar uma resposta significativa! Concordamos que os artistas canadenses têm geralmente maior liberdade em se expressar do que outros de muitos lugares, não há dúvidas sobre isso. Também somos de origens privilegiadas e assim, não somos experts em nenhum desses tópicos. Sobre o Canadá ser tão bom quanto se propaga, não é bem assim. Particularmente, sentimos que é necessário reconhecer as falhas contínuas de nosso país em concretizar seus comprometimentos com os povos indígenas que vivem nas fronteiras, e que nosso governo está, na verdade, violando ativamente territórios indígenas não distribuídos por causa de oleodutos. Então na medida do possível, sentimos que essa não é a postura certa para o Canadá ou para a gente. Se formos falar alguma coisa sobre isso é que cada sociedade deveria ouvir as vozes marginalizadas e suas minorias. Na  medida em que fazemos música, estamos numa posição de sorte por sermos capazes de passar nosso tempo livre sendo artistas fazendo arte barulhenta em nome da mesma. Reconhecemos que arte é inerentemente política, então tentamos ser conscientes respeitosamente em relação à mensagem que estamos enviando, mas nunca começamos a partir de uma posição em que temos uma mensagem específica.

4 - ROCK PRESS: Há uma grande influência de bandas noise e post-punk no novo EP. Big Black, The Fall e Wire são algumas das que pude perceber. Quais outras bandas influenciam Softswitch? 
Suzy Keller:
Nós todos compartilhamos influências e gostos em comum, mas algumas de nossas bandas preferidas incluem: Shellac, Joy Division, Protomartyr, Unwound, Slint, Brian Eno, Roxy Music, Sonic Youth, Neu!, Can, e This Heat.

5 - ROCK PRESS: Deixem uma mensagem final aos leitores da Rock Press e do Fanzine I Wanna Be Yr Grrrl e nos conte sobre os futuros planos da banda!
Softswitch_Happiness_Fita_K7Suzy Keller: Nós absolutamente apreciamos o interesse em nossa banda! Agora mesmo, nós estamos curtindo compartilhar nosso EP e interessados em gravar material novo no futuro. 

#Recomendamos...
Independente de estilos, o Canadá sempre revelou ao mundo excelentes nomes no Rock e na Cultura Pop em geral. Portanto, sobre a Softswitch, reconhecemos como uma inspiradora revelação da cena canadense e cabe a Rock Press dizer: #Recomendamos! Larissa Oliveira*.

Contatos:
E-MAIL:
softswitchband@gmail.com
FACEBOOK: https://www.facebook.com/softswitch
BANDCAMP: https://softswitch.bandcamp.com/releases 
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/softswitchband/

*Larissa Oliveira é professora de inglês, fanzineira e atuante no movimento Riot Grrrl em Aracaju/SE. Você pode adquirir o Fanzine “I Wanna Be Yr Grrrl” escrevendo para: iwannabeyrgrrrlzine@hotmail.com 

CONTATO ROCK PRESS: 

Envie News e sugestões de pautas da sua banda, selo, fanzine, HQ, gravadora, editora, livro, HQ, distro, arte, produtora de show e evento, cinema, cultura alternativa e Underground em geral. A/C: MICHAEL MENESES - michaelmeneses@portalrockpress.com.br 
 

Envio material físico das suas bandas, zine, livro, filme e demais produções para:

PORTAL ROCK PRESS:
CAIXA POSTAL: 30443
Rio de Janeiro/RJ - Brasil
CEP: 21351 - 970

TWITTER:
 https://twitter.com/portalrockpress
FACEBOOK: https://www.facebook.com/portalrockpress
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/portalrockpress/

Portal Rock Press