Para celebrar seus cinco anos de atividades, o Coletivo Rockarioca promoveu shows fervorosos da cantora Kátia Jorgensen e da banda Picassos Falsos. Foi o encontro da “Bucetaça Verdadeira” com os “Supercariocas” no palco do La Esquina (Lapa/RJ). Saiba como foi na matéria que segue!
TEXTO: Nilton Jr.
FOTOS: Michael Meneses! e Aimée Ayres

Para comemorar seus (primeiros) cinco anos, o Coletivo Rockarioca produziu uma noite especial, promovendo um encontro de gerações no La Esquina, unindo os veteranos do Picassos Falsos, com uma das revelações da cena atual, a cantora Kátia Jorgensen. Completando o baile, o DJ e ilustrador Renato “Mosh” Lima (velho conhecido da College Rock Party e outros eventos), nas carrapetas.
Tão logo a casa abriu, e pelo público até então presente, notava-se que teríamos uma casa cheia. Coube ao DJ Renato Lima animar a geral com synthpop e pós-punk mesclando clássicos e pérolas desconhecidas nacionais e internacionais, com The Cure, Tóquio, Violeta de Outono e outros. O astral estava excelente, com o público ora conversando, ora sacolejando com as pedradas do set. Mas vamos aos shows…
KATIA JORGENSEN E SUA ÓPERA ROCK “CANÇÕES PARA ODIAR“


“Ouvir dizer que vocês estavam esperando os Picassos Falsos? Mas antes vocês vão ter que ver minha bucetaça verdadeira!” Com essa fala arrancando aplausos, risos e ovações, Kátia e sua Hater-Band assumem as rédeas. Num show milimetricamente pensado e teatral, porém, não menos visceral, a cantora e os músicos vêm com figurinos e cenários que ilustram a ópera rock “Canções Para Odiar”. Adotando de início um ar blasé e assumindo uma persona de “Odete Hateman”, ela diz que a “Kátia ficou em casa chorando por causa de macho” e era ela quem iria contar a história. O tom blasé ficou só na introdução e o que vimos foi o seu excelente disco de 2024 ganhar vida e vigor ao vivo, na voz e no corpo da performer e de seus músicos.
Sobre a Hater-Band vale a pena gastar um tempinho falando desses rapazes. Os cavalheiros dão um senhor apoio à dama, dando a ela o devido suporte, sem roubar a cena e ao mesmo tempo, sem se intimidarem ou encobrir uns aos outros. A banda formada por Rafael Oliveira (guitarra), André “Nervoso” (bateria) e Rafael Figueira (substituindo Chico Vaz, no baixo) fizeram uma cama onde a nossa estrela deitou e rolou para cantar e contar suas desavergonhadas, desapaixonadas, porém intensas e realistas histórias de paixões e desilusões amorosas, numa performance que por vezes me fez lembrar os melhores momentos de Peter Gabriel no Genesis; porém com uma entrega maior (e melhor) que a do lendário vocalista britânico.

E nisso, o cenário e figurino dos artistas ajudam a contar essa história, fazendo um contraste entre um clima brega e soturno. Sabendo explorar as limitações do espaço, a idealização do cenário e figurino contrastava corações de celofane rosa com um tapete de coração aos pés do palco, com as roupas dos músicos, com o preto dominando mais algum detalhe em rosa, para dar o tom brega com uma rosa na lapela, um toque de glitter no rosto, uma banda pink na cabeça.
Como bem resumiu o editor da Rock Press, minutos depois do show: “Se o disco é bom, o show é melhor ainda!” Atesto e dou fé! E, comentar sobre o som da casa. Sempre excelente e nítido, nessa noite teve um problema com uma das caixas de retorno que emitia um ruído irritante (no jargão técnico, crackelando), o que não tirou o brilho da noite. Apesar dessa inconveniência, o som para o público chegava alto e nítido, na medida certa, igual a um chopp bem tirado.
PICASSOS FALSOS:
OS SUPERCARIOCAS CHEGARAM!

Depois das honras feitas e trabalhos abertos, chegou o momento dos veteranos. Com trinta anos de carreira e uma trajetória respeitável (leia aqui a entrevista do baixista Luiz Henrique Romangnoli), o quarteto nascido na Tijuca vem celebrar sua trajetória na festa de cinco anos do Rockarioca. Então, foi uma comemoração em dobro e até em triplo se levarmos em conta que o próprio Pedro Serra disse que o Rockarioca Convida está há dois anos na casa, o La Esquina.
E que festa, senhores! Com uma postura mais low profile, a banda formada por Humberto Effe (voz, violão e letras), Gustavo Corsi (guitarra), o já citado Luiz Henrique Romagnoli (baixo) e Lourenço Monteiro (bateria), e, já ataca com “Supercarioca” (faixa-título do cultuado segundo disco, de 1988), e “Retinas” (um petardo misturando rock e repente nordestino do mesmo disco), já botou todo mundo para interagir. Com um repertório que privilegiou o clássico disco já citado, a banda não deixou de passear por outros trabalhos, incluindo tanto faixas como “Bonnie e Clyde”, “Quadrinhos” (trilha sonora do seriado “Armação Ilimitada”, da TV Globo), “Carne Osso” (que proporcionou uma catarse animal no show), “Contrastes” e outras do seu autointitulado disco de estreia, de 1987; e do disco ‘Nem tudo que se pode Ver’ (2017).

Sobre as músicas escolhidas desse disco, vale a pena citar a excelente versão de “Pavão Mysterioso”, clássico dos anos setenta na voz do cantor cearense Ednardo. Na versão de estúdio, essa teve a participação do guitarrista e produtor Jr. Tolstói (Vulgue Tolstoi, Lenine, Estranhos Românticos). Coube ao guitarra Gustavo Corsi a nada fácil missão de segurar a peteca sozinho. E conseguiu com louvor! As texturas e camadas que ele faz sozinho na guitarra são impressionantes, alternando sons mais pesados e psicodélicos. Vale lembrar o trabalho da cozinha entre Luiz e Lourenço que fazem a pista de dança ou decolagem ideal para tanto Gustavo quanto Humberto viajarem ou dançarem, chamando a plateia para celebrar com eles essa trajetória.
SALDO FINAL

E assim foi a noite: uma celebração aos cinco anos do Coletivo Rockarioca, com à opera rock de Kátia e sua Hater-Band, e aos trinta anos dos veteranos supercariocas do Picassos Falsos que mostraram que ainda tem lenha para queimar e sabem como poucos entreter e reger uma plateia.
Reconhecemos também, o mérito do DJ, Produtor e baterista Pedro Serra (Anacrônicos e Estranhos Românticos, na foto ao lado), que toda segunda quinta-feira do mês, realiza esse excelente evento La Esquina, sempre com bandas autorais. Longa vida ao Coletivo Rockarioca, sua realização, o Rockarioca Convida e envolvidos no projeto!
RECOMENDAMOS:
E já fica a dica, o próximo Rockarioca Convida será dia 11 de setembro com show da Cheyenne Love e da Mobile Drink. #Recomendamos! – Nilton Jr.
NILTON Jr. – É professor de história da rede municipal do Rio de Janeiro, roadie e etnomusicólogo. Também é baixista da banda Selflab e guitarrista da banda Quântico Romance. Um pernambucano criado no Rio de Janeiro, botafoguense, suburbano, colaborador do Portal Rock Press e pai da Gabi, futura biomédica.
AIMÉE AYRES – Coleciona e rabisca frases na parede e admira fotografia desde a infância nos anos 1990. Sonhava em ser escritora, se formou na UFF como Cientista Social. Trabalhou como recepcionista, adestradora de cães, atendente de bar, e cursou Escrita Criativa na PUCRS em 2019. No início de 2020, ingressou na área cultural estagiando na Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul. Aprendeu na prática, com apoio e supervisão de Marcelo Paes de Carvalho, amigo e CEO da InCartaz Filmes, onde atuou como assistente de produção e produtora entre 2020 e 2024. Elaborou e produziu o projeto Poesia pelos Ayres, contemplado pela SECECRJ, elaborou, produziu e coordenou a oficina de fotografia do projeto voltado para pessoas LGBTQIA+ “VER A RUA”, através da Lei Paulo Gustavo em São Gonçalo/RJ, onde reside. É produtora da banda Risca Faca e com a banda produziu o evento Navalhada. Em 2025 elaborou e produziu a turnê da Risca Faca, que circulou por 04 cidades do estado do RJ, projeto aprovado no edital “Esse tal de Rock’n’Roll”, da SECECRJ.
MICHAEL MENESES – É o editor da Rock Press deste 2017, criador do Selo Cultural Parayba Records, fotojornalista desde 1993, foi fanzineiro nos anos 1980/90, jornalista e cineasta de formação, pós-graduado em artes visuais. Fotografa e escreve para diversos jornais, revistas, sites e rádios ao longo desses últimos 30 anos, também realiza ensaios fotográficos de diversos temas, em especial música, jornalísticos, esporte, sensual, natureza... Pesquisa, e trabalha com vendas de discos de vinil, CDs, DVDs, livros e outras mídias físicas. Michael Meneses é carioca do subúrbio, filho de pai paraibano de João Pessoa e de mãe sergipana de Itabaiana. Vegetariano desde 1996. Em junho de 2021 foi homenageado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo vereador Willian Siri (PSOL/RJ), com monção honrosa por iniciativas no audiovisual e na cultura suburbana. Torce pelo Campo Grande A.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Atualmente, dirige o filme, “VER+ – Uma Luz chamada Marcus Vini, documentário sobre a vida e obra do fotojornalista Marcus Vini e realiza o Parayba Rock Fest que terá sua próxima edição dias 25 e 26 de outubro de 2025.