Já é tradição do verão carioca, todo mês de janeiro acontece no Bar O Pecado Mora ao Lado (RJ), o Festival Bonde Verão. A iniciativa é da Bonde Music e acontece aos sábados (03, 10, 17 e 24). Os ingressos estão a venda, com entrada gratuita para PCDs e pessoas trans. Abrindo a edição 2026, Macaco Sapiens, PCP, Trama e a banda Quadrilha Neolatina com quem conversamos, nesta primeira entrevista do ano na Coluna 1,2,3,4… da Rock Press.

ENTREVISTA: Michael Meneses!
FOTOS e IMAGENS: Divulgação

O ano de 2026 mal começou e já temos shows de rock rolando, um deles, é o tradicional, Festival Bonde Verão, que todo mês de janeiro, em meio o calor carioca, típico dessa época, algumas das 16das mais atuantes bandas do cenário autoral do Rio de Janeiro. Nos intervalos dos shows, DJs comandam o som mecânico. Os ingressos estão com preço promocional na compra antecipada, PCDs e pessoas trans terão passe livre em todas as datas do evento.
Acontecendo sempre aos sábados, a iniciativa terá início neste sábado (03), com as bandas Macaco Sapiens, Partido da Classe Perigosa (PCP), Quadrilha Neolatina e Trama (veja programação completa abaixo).

Uma das atrações da noite de abertura é o quarteto, Quadrilha Neolatina, banda cria da zona oeste carioca, que mistura com louvou, Hard-Core com Quadrilha Junina.
A formação atual conta com; Sérgio Azedo (batera e voz), Tony (vocal), Vulto (guitarra) e Espantalho (baixo). Todos músicos veteranos da cena rock no Rio de Janeiro.
Rock Press, aproveitou a ocasião para bater um papo com Sérgio Azedo, que falou dos planos da banda para 2026 e um pouco da sua história na cena carioca. Leia, na entrevista que segue na coluna 1,2,3,4… da Rock Press:
QUADRILHA NEOLATINA – ENTREVISTA
1 – ROCK PRESS / MICHAEL MENESES: Quadrilha Neolatina é uma banda formada por músicos com bagagem pelo rock suburbano carioca. Conta um pouco a história da banda e seus projetos passados aos leitores da Rock Press…

Sérgio Azedo (foto ao lado): Formei a Quadrilha Neolatina em 2010, na época, chamei meu amigo Zé Batera para tocar uns Gonzagão e Amelinha em ritmo porradeira. Fizemos o primeiro show na Cohab de Realengo, no meio de uma praça para poucas pessoas que ficaram meio sem saber o que era aquilo (risos). A formação foi mudando rolou um entra e sai de gente. Chegou o Bruno, que animou de fazer um rockcaipira e juntou conosco para continuar o trabalho. A parada começou a ficar muito percussiva e animamos. Com a entrada do Bruno a banda começou a fazer mais show. Ele chamou o Godinho que já tocou em um monte de banda e comigo no Filhotes, também convidou o Ricardo Fester (ex-Ataque Periférico) e assim, fizemos ótimos shows. Na época a banda tinha dois bateras, um deles ficava na percussão. Cachorrão chegou atacando na guitarra depois da saída do Godinho. Quem também passou pela banda no início, foi o Phill, (baixo), e assim como o Tony, foi fundador da Gangrena Gasosa (original). Gravamos o clip Anarkiê com o Arcy e vou contar: Chamamos uma quadrilha de verdade para participar, mas eles cobraram uma grana preta aí tivemos que fazer do nosso jeito, mas rolou! Participamos do MT Rock e foi foda demais. Já estavam na banda o Tony Vomitu e o André Kiss nosso espantalho e baixista. Logo depois Cachorrão mete o pé e entra o Vulto, nosso guitarrista mascarado. Gravamos as demos “Anarkiê” e depois a demo “A Quadrilha Só Existe Por Causa de Você”. Antes do Quadrilha, passei pelas bandas Filhotes, Pau de Arara Carioca e Seu Azedo que era meu projeto punkbrega antes do João Gordo (risos). Todas essas bandas atuaram ativamente no circuito do Rio de Janeiro e tinha uma boa bagagem no underground.


2 – ROCK PRESS: Como vocês definem o som da banda e expliquem o visual dos músicos?
Sérgio Azedo: Nosso estilo é punk+metal+caipira+doido. Som para dançar quadrilha com guitarra pesada e vocal gutural amassando os ouvidos. Influências claras de Luiz Gonzaga, Amelinha, Genival Lacerda, Renato Teixeira, Zé Ramalho, Dead Kennedys, Dorsal Atlântica, Sepultura, Cólera, Ratos de Porão e etc. Sempre adorei as quadrilhas de rua aqui do subúrbio carioca, ficava fascinado pela dança doida dos caras, que batiam o pé forte no chão levantando a poeira e gritando muito. Na minha antiga banda, a Filhotes de Chihuahua, já tinha essa pegada de caipira com hardcore, a gente tocava “Forró de Cabo a Rabo” do Luiz Gonzaga, mas queria mais, eu era um punk quadrilheiro frustrado por não poder dançar quadrilha de rua. Sobre o visual cada um é livre para usar o que acha melhor, mas considero que todos possuem uma entidades, tipo o Espantalho baixa e a sombra vem com ele trazendo o nosso guitarrista Vulto que é sombrio e barulhento.
3 – ROCK PRESS: Vocês são cria do underground. Como você está vendo a atual cena independente brasileira?
Sérgio Azedo: Vejo com bons olhos, ótimas bandas e bons eventos. Aqui na zona oeste toda semana tem show é só querer curtir que tem. Em todo o Rio de Janeiro, a cena tá forte, porém, falta a galera ter curiosidade de ver o novo cenário independente. Claro que tem rolado sacanagem com muitas bandas, falta os organizadores de eventos dar valor para molecada e velharada que se matam para fazer o rock não morrer. Pau no cu dos exploradores! (risos). Outra coisa, vejo uma juventude com camisas de bandas famosas, mas que não estão antenadas com o underground, estão apenas conectadas com essas bandas famosas e por isso o cover sobressai. Nada contra o cover, mas é um fato!
4 – ROCK PRESS: A banda é uma das atrações da primeira noite do Festival Bonde Verão. Quais as expectativas para o show?
Sérgio Azedo:Pô! Estamos felizes pelo convite do André Paumgartten e esperamos colocar a galera para dançar quadrilha no palco neste show do dia 3 de janeiro do Festival Bonde Verão, vamos chegar com os pés na porta e colocar o povo para dançar quadrilha com muita distorção e vocais guturais (risos). André já é uma figura conhecida do underground. Em 2003, ele produziu uma coletânea na qual minha ex banda, o Filhotes, participou. Todas as bandas gravaram, músicas bem POPs, foi foda e gravamos a música “Tô Nem Aí” da Luka. Ficou muito maneiro.

5 – Quais os planos para 2026? E, deixe uma mensagem aos leitores da Rock Press…
Sérgio Azedo: Queremos gravar um novo álbum e clips e continuar tocando nosso rock doido por aí. Também trabalhamos para fazer de 2026 um ano irado, tudo deve se encaixar e tocar fora do Rio de Janeiro é uma meta, pois a banda precisa expandir e mostrar o trabalho em outros lugares. É preciso se jogar. Foda é a idade, pois não somos mais tão jovens, mesmo assim não perdemos a garra. Também iremos participar do tributo à coletânea Ataque Sonoro, que conta com produção do meu grande amigo Wilson Castro Rocha Jr., gravamos “Anarquia Oi” do Garotos Podres. Foi uma honra, pois já tocamos com eles na Lona Cultural Hermeto Paschoal em Bangu/RJ, no evento do menino Carlos da BeMagic. Um abraço para todos que se arriscaram no caipira+metal+core da Quadrilha Neolatina.
Recomendamos…
Pouco antes dessa entrevista ir ao ar, tomamos conhecimento que existe a possibilidade da coletânea, “Pop Que Pariu” (2003), ser relançada em 2026 nas plataformas digitais, em nos formatos CD e Fita K7. O disco reuni clássico da música POP brasileira tocado por bandas independentes do Rock Brasil, incluindo DeFalla, Pic-Nic, Jimi-James, Zumbi do Mato e o próprio Filhotes. Entre artistas POPs homenageados, Latino, Sandy & Junior, Wanessa Carmargo, Rouge, KLB, Luka, Kelly Key e outros Vamos Aguardar.
Chegando ao seu terceiro ano consecutivo, o Festival Bonde Verão, se assegura não como um evento esporádico, mas como uma iniciativa que anual que incorpora o calendário cultural alternativo do Rio de Janeiro, fortalecendo o rock autoral e a diversidade musical. #Recomendamos. – Michael Meneses!
CONTATOS PARA SHOWS:
Quadrilha Neolatina – (21) 993092518
FESTIVAL BONDE VERÃO 2026

SERVIÇO:
PROGRAMAÇÃO:
03 de janeiro: Macaco Sapiens + PCP + Quadrilha Neolatina + Trama
10 de janeiro: 808 Punks + Dinheiro e Droga + Recuse Resista + Sudano
17 de janeiro: As Beattas + Boa Noite Cinderela + Contraclasse + Natitude
24 de janeiro: Ataque Periférico + Disstantes + Switchback + Visão Turva
LOCAL: O Pecado Mora ao Lado – Rua Hilário Ribeiro, 196 – Praça da Bandeira – RJ/RJ
DATA:Todos os sábados de janeiro de 2025 às 20h.
INGRESSOS: Antecipados no site da Sympla e no dia dos shows na bilheteria do O Pecado Mora ao Lado.
IMPORTANTE: PCDs com identificação oficial não pagam entrada.
PRODUÇÃO e INFO: Bonde Music
E-MAIL: contato@bondemusic.com.br
MICHAEL MENESES – É o editor da Rock Press deste 2017, criador do Selo Cultural Parayba Records, fotojornalista desde 1993, foi fanzineiro nos anos 1980/90, jornalista e cineasta de formação, pós-graduado em artes visuais. Fotografa e escreve para diversos jornais, revistas, sites e rádios ao longo desses últimos 30 anos, também realiza ensaios fotográficos de diversos temas, em especial música, jornalísticos, esporte, sensual, natureza... Pesquisa, e trabalha com vendas de discos e mídias físicas em geral. Michael Meneses é carioca do subúrbio, filho de pai paraibano de João Pessoa e de mãe sergipana de Itabaiana. Vegetariano desde 1996. Em junho de 2021 foi homenageado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo vereador Willian Siri (PSOL/RJ), com monção honrosa por iniciativas no audiovisual e na cultura suburbana. Torce pelo Campo Grande A.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Atualmente, dirige o filme, “VER+ – Uma Luz chamada Marcus Vini, documentário sobre a vida e obra do fotojornalista Marcus Vini. Com a Parayba Records, realiza o Parayba Rock Fest, um evento multicultural na Areninha Cultural Hermeto Paschoal em Bangu/RJ, no subúrbio carioca. Recentemente abri sua loja de discos a Discontração, que além de discos de Vinil e CDs, também vende DVDs, HQs, Livros e cultura pop em geral. Além disso, é maluco de carteirinha e adepto ao “Faça Você Mesmo”.