PROTAGONISMO NEGRO!

Na coluna Imagem Social, a socióloga Tania Lima ressalta a música negra cantada e sentidamano_brown_rock_in_rio_2019_foto_michael_meneses_credito_obrigtorio na sua cadência e movimento; traz luz ao protagonismo negro e suas experiências de sobrevivência muitas vezes identificadas no seu canto. Um sentimento, presente na arte de nomes como, Gilberto Gil, Wilson Simonal, Mano Brown (foto) e tantos outros ícones da música.


IMAGEM SOCIAL:
Protagonismo Negro

TEXTO: Tania Lima
FOTO: Michael Meneses


Estava aqui pensando no que escrever. Não que eu não tivesse algumas ideias na cabeça, mas exatamente por isso me sinto confusa, embora confiante. Pronto, já sei! Falarei de música. O perfil aborda este conteúdo, então bora falar de música; mas falarei da música negra, porque sou negra e porque ela tem um quê encantador...

Vamos lá, pense na sonoridade, cadência e movimento; agora feche os olhos e escute a voz do intérprete negro; sua voz provavelmente é forte, rouca e te remete á vários tipos de sensações e pensamentos.

Agora imagine sua figura: também forte, alta, imponente. A música por si só nos leva a vários lugares e estágios de pensamentos: ficamos tristes, saudosos e, às vezes, até empoderados. A música negra, com licença poética, tem um perfil diferente. Geralmente ela revela de forma contundente e porque não fidedigna a dor de um preto que sofre por causa das mazelas preconceituosas que viveu durante toda a sua vida.

E por favor, não venha me dizer que é o tal do “Mi Mi Mi”... porque esta declaração já está absolutamente ultrapassada.
Os pretos (assim como os brancos que cantam as suas glórias) cantam suas experiências de sobrevivência frente o racismo, seus atos de resistência e sua forma de manter-se vivo física e emocionalmente, uma verdadeira cartilha de como fugir das armadilhas racistas.

Posso até citar alguns aqui, só para não sair como mentirosa: “Voz Ativa”  (Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue) – Racionais MCs, “Tributo a Martin Luther King”  (Wilson Simonal e Ronaldo Bôscoli) – Wilson Simonal, “A Mão da Limpeza” (Gilberto Gil) – Gilberto Gil, “O Canto das Três Raças” (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro) – Clara Nunes.

Só para citar alguns. Não desfaço de sentimentos, então não estou dizendo que a música branca não tem sentimento, porque todos sabem que música não tem cor; mas enalteço a coragem do povo preto de usar a música para proteger sua identidade e avançar na sensibilidade das pessoas, tentando provocar reflexão e humanidade.

Não deve ser fácil cantar a dor, digo isso porque não canto nada, de alguma maneira sinto o quanto essas pessoas são agraciadas por conta deste dom, ou será talento (uma grande interrogação aqui) e a partir dela – a dor – traduzir o sofrimento em música. Agora pensando aqui, talvez este seja o grande ofício da música: transportar todos os sentimentos principalmente aqueles que ferem de morte, para um outro plano. Isso me fez lembrar dos gêneros musicais e de sua importância para identificação do sentimento que queremos externar em determinado momento. Existem diferentes estilos musicais no Rock and Roll: Punk, Heavy, Hard, HC, Surf Music, Folk Rock, Soul, Rock Progressivo, Garage Rock e muitos outros.

Musicalidades distintas, que em comum reúnem as mesmas dores, dores de amor, partida, conquistas... mas do seu jeito. Estão no mesmo mar, porém, em barcos diferentes. E assim segue a vida, de barco em barco, entre o prazer e a dor, entre rock e samba! - Tania Lima.

 

Tania Lima - Formada em Administração, Sociologia, possui lato sensu em Docência do Ensino Superior. Alegre por natureza e militante em causas sociais, em prol do movimento afro e nunca se cansa de lutar!
 

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