PREVENÇÃO - Um protocolo para o novo coronavírus

Jornalista e músico, Augusto Licks, escreve artigo sobre a pandemia Covid-19. O texto é Solidariedade_ARTE_ por_Robson_Granadoresultado de uma pesquisa criteriosa realizada por ele ao longo de várias semanas com cuidadosa seleção de fontes, evitando as lamentáveis “fake news” que, infelizmente, agora também atacam a área da saúde. O material contém informações importantes que sugerem um protocolo de medidas a serem adotadas como medidas de prevenção e cuidados a serem tomados também no caso de suspeita de contaminação. De forma altruísta, Augusto Licks, disponibilizou o resultado de seu trabalho para a publicação na Rock Press. O texto foi publicado originalmente no jornal O Progresso, da cidade de Montenegro/RS.

PREVENÇÃO - Um protocolo para o novo coronavírus

20 de Março 2020
TEXTO:
Augusto Licks
ARTE:

Robson Granado

Diante do momento de tensão que temos atravessado, muitas pessoas vêm se empenhado a trabalhar e colaborar de alguma forma na orientação e prevenção sobre o coronavírus nos oferecendo informação responsável e de qualidade. Uma dessas pessoas é o músico e jornalista Augusto Licks que realizou uma pesquisa com acompanhamento diário durante várias semanas sobre a evolução da pandemia Covid-19. Como contribuição espontânea para ajudar as pessoas a entenderem melhor a situação que estamos vivendo, ele preparou um artigo com todo o cuidado jornalístico e profissional que se faz necessário para um tema e situação dessa natureza que o nosso país e o mundo atravessam no momento. Portanto, houve muito critério para a obtenção e utilização de fontes confiáveis, e filtros para evitar “fake news”. O material contém informações importantes que sugerem um protocolo de medidas a serem adotadas sobre o que devemos ou não fazer como medidas de prevenção e cuidados a serem tomados também no caso de suspeita de contaminação. De forma altruísta, Augusto Licks, disponibilizou o resultado de seu trabalho para a publicação na Rock Press.

O texto foi publicado originalmente no jornal O Progresso, da cidade de Montenegro, interior do Rio Grande do Sul, sua terra natal. A Rock Press agradece encarecidamente a Augusto Licks pela nobre atitude em prol da humanidade e pela cessão do texto para nosso portal. Segue abaixo o artigo na íntegra:

PREVENÇÃO - um protocolo para o novo coronavírus – Por Augusto Licks

Solidariedade_ARTE_ por_Robson_GranadoO momento impõe prioridades imediatas, pois estamos todos ainda tentando nos situar em relação a uma situação que é nova: o mundo, tal qual conhecíamos até semanas atrás, mudou, uma "chave" foi virada. Faz-se necessário aceitar isso sem negacionismo e sem subestimar, e autoridades que contrariem isso deveriam ser denunciadas e responsabilizadas. Claro, é importante evitar pânico, mas não se pode maquiar a realidade com informações inexatas ou manipuladas que podem ter consequências graves para a saúde de todos. Informação existe até demais, então é necessário filtrar, separar joio do trigo. Minha recomendação é que procuremos todos nos manter informados, mas com fontes confiáveis e atualizadas: CNN International, New York Times, Washington Post, Folha de SP, Globo, ou sites de instituições diretamente ligadas ao estudo e tratamento da pandemia, como as universidades Johns Hopkins e Harvard: https://coronavirus.jhu.edu/ e https://www.health.harvard.edu/diseases-and-conditions/coronavirus-resource-center

Portanto, se alguém lhe enviar um link ou dica por WhatsApp ou e-mail, só dê importância e crédito se vier junto a origem comprovada da informação ou ao menos algum argumento que inspire confiança e bom senso. Algumas "fake news" são tão bem elaboradas que parecem convincentes, como um recente relatório falsamente atribuído ao Stanford Hospital. Nossa política já foi infestada por esse problema de informações falsas, mas nossa saúde não pode ser. Quase todos esses órgãos de comunicação confiáveis já disponibilizam gratuitamente os conteúdos relacionados ao contágio dessa nova forma de coronavírus e sua consequente doença Covid-19.

ENTENDENDO MELHOR:
Não tenho a pretensão de ter todas as respostas para as muitas perguntas que continuam desafiando a comunidade médica mundial, este aqui é apenas um esforço de organizar o que existe de informação válida. Após análise diária da evolução dessa catástrofe ao longo de semanas, a síntese que surge como óbvia é a percepção de que principalmente na preocupação com idosos (o grupo mais ameaçado) deve-se seguir um rigoroso protocolo de prevenção. É uma lista de medidas que a princípio talvez consideremos difícil e até impossível de cumprir, mas é necessário irmos nos acostumando a elas, pois é tudo que temos.

Diferente de algumas epidemias de gripe/influenza, a Covid-19 pode até apresentar sintomas típicos de gripe ou resfriado no início, mas seu perigo maior é o comprometimento que causa aos pulmões, que podemos classificar como um tipo de pneumonia viral. 

Existem duas formas de contágio, uma delas é mais direta, quando alguém infectado tosse ou espirra perto de outra pessoa que então recebe o vírus pelo ar. A outra forma é indireta, quando alguma superfície infectada é tocada pela mão de alguém que depois distraidamente toca a cabeça com a mesma mão. Uma grande dificuldade é saber o tempo em que o vírus sobrevive nas superfícies, pois isso é muito variável e depende de cada tipo de superfície. Pode ser por 4 horas em cobre, 24 horas em papelão, ou entre 2 e 3 dias em plástico ou aço inox. No ar, o vírus pode permanecer até 3 horas, embora geralmente caia mais rapidamente, alguns falam em 10 minutos. Também não se sabe ao certo o efeito que diferentes condições climáticas têm sobre o vírus, como exposição ao sol, calor, frio, umidade do ar. Ao longo do noticiário das últimas semanas houve suposições de que frio e ar seco podem facilitar a propagação do vírus, à semelhança do que acontece com surtos sazonais de gripe, mas isso não significa necessariamente que a doença não existirá no calor.

Por todo o planeta, laboratórios se empenham em testes já com humanos na tentativa de desenvolver soluções específicas para a Covid-19, seja vacina ou medicação antiviral eficaz. Alguns progressos até já começam a ser anunciados, mas na prática provavelmente não teremos vacinas publicamente acessíveis ainda em 2020. 

Sendo assim, o que nos resta é prevenção. O conceito essencial de prevenção que se impõe é de que todas formas de contato físico nosso com o mundo exterior devem ser eliminadas ou extremamente abreviadas. Para muita gente, não será fácil ou mesmo possível conseguir isso. Vamos então ao protocolo, as medidas que autoridades de saúde e instituições acadêmicas consideram pertinentes:

SE PRECISAR SAIR DE CASA:
- Lembrar de nunca tocar a cabeça com as mãos (a máscara, se conseguir achar no comércio, pode ser um escudo para isso, embora se diga que a máscara em si não protege muito contra o vírus de maneira geral, o que acredito ser orientação para evitar que a população consuma todos estoques e não sobre para médicos/as e enfermeiros/as). Diz-se que apenas pessoas infectadas devem usar uma máscara para evitar a propagação do vírus, mas a pesquisa também aponta que 2/3 do contágio provém de pessoas assintomáticas.
- Levar sempre álcool gel 70% (se conseguir achar no comércio) e usar quando não puder lavar 2 vezes as mãos com sabão (que é mais eficaz).
- Em maçanetas e outros pontos públicos de contato como teclados de cartão magnético e caixas eletrônicas, deve-se usar alguma forma descartável de proteção (luva, guardanapo, saquinho plástico), e imediatamente jogar no lixo. Não usar transporte coletivo, optar por caminhar se a distância permitir. No carro, passar álcool gel na direção.

SE PRETENDE VIAJAR:
- Repense muito bem, e procure adiar a viagem se for por transporte coletivo (avião, trem, ônibus, navio). Até porque o cancelamento desenfreado imposto por diferentes países e companhias já faz com que passageiros fiquem "ilhados" sem poder seguir viagem. Automóvel pode ser uma opção, desde que tomadas todas precauções já mencionadas.
- Se precisar viajar por transporte coletivo OBRIGATORIAMENTE, por motivo de força maior, sugiro que as medidas de prevenção de contágio sejam adotadas com rigor máximo, até para higienizar externamente a bagagem após desembarcar. Como máscaras só cobrem boca e nariz, um gorro pode proteger a cabeça e os ouvidos.
- Cobrir boca/nariz/ouvido, seja com máscara ou alguma peça de vestuário, ajuda a reter umidade nas vias respiratórias, o que é bom de maneira geral em ambientes de ar condicionado que causam ressecamento (um ditado popular diz que "campo seco é incêndio ...").

EM CASA:
- Ao voltar para casa, tirar os sapatos antes de entrar e jogar toda roupa direto na máquina de lavar ou tanque com sabão, higienizar o celular (água e sabão com cuidado de não entrar água nos orifícios do aparelho, ou aplicar álcool gel), e tomar um banho completo.
- Entregas a domicílio de farmácia e mercado devem ser imediatamente higienizadas, lavando-se com água e sabão ou ao menos passando álcool gel.
- Evitar visitas, caso contrário ao menos lembrar de não cumprimentar físicamente e guardar 2 metros de distância do visitante.
- Não compartilhar objetos, não passar um objeto para as mãos de outra pessoa e vice-versa.
- Como proceder com diaristas, babás, ou domésticas? Tecnicamente, a solução (para quem pode) é acolher como moradora temporária, a observar restrições iguais às dos demais moradores. Na impossibilidade disso, o correto eticamente é dar licença remunerada. 
- Recomenda-se dormir bem, alimentar-se bem, e ativar a circulação com exercícios. Esse trio manterá o sistema imunológico. Aparelhos do tipo "elíptico" substituem caminhar e não causam impacto físico. 

MEDICAÇÃO SUPLEMENTAR PREVENTIVA:
- Medicações talvez sejam úteis para o sistema imunológico, embora não exista muito detalhamento de comprovação científica. Há quem diga (como um médico entrevistado no Fantástico) que não se "melhora sistema imunológico", ele é o que é e só pode piorar, não melhorar. Pelo sim pelo não, existem sugestões complementares como inibidoras de risco que incluem suplementos de vitamina C, vitamina D3, e Zinco, e até vacinas anti-gripal e pneumo13. Mesmo que estas vacinas não protejam especificamente contra o contágio pelo novo coronavírus, elas podem ter o efeito de reduzir a chance de sintomas severos. Há também recomendações de produtos que talvez sejam disponíveis no exterior mas não aqui. Na dúvida, acho que tudo vale, mas sugiro se informar bem, procurar saber a lógica de cada recomendação, e seguir aconselhamento médico.
- Pesquisas recentes desaconselham o uso de anti-inflamatórios que contenham ibuprofeno, alegadamente por ser um facilitador da entrada de vírus nas células. Como em tudo, seria importante que houvesse confirmação por mais pesquisadores. Para atenuar dores, nos Estados Unidos recomendam paracetamol, que é um produto norte-americano. Lá são proibidos medicamentos à base de dipirona (metamizole), produto alemão originalmente comercializado como Novalgina. É comum brasileiros viajarem aos EUA carregando sortimentos de Neosaldina e Buscopan, sabendo que lá não encontrarão equivalentes.

EM CASO DE SINTOMAS:
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Recomenda-se só procurar atendimento médico emergencial quando houver sintomas de febre alta e falta de ar. Isso não significa que pessoas sem estes dois sintomas não possam estar infectados pelo coronavírus podendo desenvolver a doença Covid-19. O que acontece é que o sistema de saúde em geral, público ou particular, não está preparado para uma pandemia como essa, não tem condições de atender também as pessoas com sintomas mais brandos. Além disso, há o risco de uma pessoa com sintomas de gripe comum ou resfriado acabar se contagiando com o novo coronavírus. A meu ver, tanto o estado como a iniciativa privada não deveriam economizar esforços e recursos para ampliar as condições hospitalares como o número de leitos e de aparelhos de respiração mecânica, o que já deveriam ter planejado há muito tempo.

PARA QUEM PODE:
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Uma alternativa a se considerar é tirar férias numa localidade pequena, pelo percentual menor de risco de contágio. Isso talvez compense a menor infra-estrutura médico-hospitalar de uma localidade pequena, considerando-se que a imensamente maior infra-estrutura de uma metrópole já está saturada antes mesmo de a pandemia se instalar a pleno.

RESUMO: 
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Prevenir, prevenir, prevenir, de todas as formas. É o que temos a fazer nos próximos meses, pois remediar será difícil. Talvez passando o inverno possamos enxergar sinais de achatamento da curva de sustentação da pandemia, que é o esperado meio-caminho para a desejada curva de declínio que configuraria o desenho de um sino, que caracteriza a evolução típica de epidemias. Com rigor nas medidas de prevenção, talvez consigamos poupar muitos brasileiros e brasileiras, especialmente maiores de 60 anos e/ou com saúde debilitada, de consequências terríveis que já devastam países como a Itália. – Augusto Licks. 


1_augusto_guitarplayer_2Augusto Licks - é músico e jornalista. Como jornalista, foi editor de rádio e TV em Porto Alegre, colunista de O Estado de São Paulo Online, e atualmente colabora com o jornal O Progresso de sua cidade natal, Montenegro/RS. Como músico foi o guitarrista da fase de sucesso dos Engenheiros do Hawaii, manteve uma importante parceria com o cantor e compositor Nei Lisboa, é autor de trilhas para cinema e teatro, além produtor musical. Apresentou-se em centenas de shows no Brasil, incluindo eventos como Rock In Rio e Hollywood Rock, e em países, como Rússia, Japão e Estados Unidos. Em 2019, os jornalistas Fabricio Mazzoco e Silvia Remaso escreveram o livro Contrapontos: Uma biografia de Augusto Licks (Editora Belas Letras), sobre sua vida e obra. A Rock Press publicou uma resenha sobre a biografia que você pode conferir no link: http://portalrockpress.com.br/contrapontos-%e2%80%93-uma-biografia-de-augusto-licks

Robson Granado - é jornalista, artista plástico, professor universitário e eventualmente colabora com textos e imagens aqui na Rock Press.

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Posted by Michael Meneses 20/03/2020 Categories: Augusto Licks coronavírus Covid-19 Editora Belas-Letras Engenheiros do Hawaii Nei Lisboa