OZZY OSBOURNE ETERNO!

Poucos dias após emocionar o mundo em seu show de despedida, Ozzy Osbourne se despediu do mundo na manhã dessa terça-feira (22). O “Mad-Man” estava em sua casa e ao lado de sua família. Rock Press teve a honra de receber um texto do ilustre Paulo Sisinno (Fluminense FM e Revista Metal), que escreveu sobre como era ouvir Ozzy/Sabbath nas décadas de 1970/80. Também convidamos jornalistas, fãs, músicos e amigos para depoimentos sobre o eterno Ozzy.

Ozzy Osbourne Ao Vivo no Rio de Janeiro em 2008! – FOTO: Michael Meneses!

TEXTO: Paulo Sisinno e Michael Meneses!
DEPOIMENTOS: Michael Meneses!
FOTOS e IMAGENS: Divulgação

“OZZY, OZZY, OZZY…”

Felizes somos nós que vivemos em uma mesma época da história cultural da humanidade em que viveu Ozzy Osbourne. Afinal, seu legado artístico vai além do Black Sabbath ou da sua fase solo, também se encontra em filmes, séries e livros. Isso sem falar, de quanto sua obra e sua vida de Ozzy inspirou músicos, escritores, cineastas e artistas em geral…

Nascido na cidade de Birmingham (UK) e batizado de John Michael Osbourne em 3 de dezembro de 1948. Inspirado pelos Beatles Ozzy, ao lado de Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward fundaram o Black Sabbath e assim mudaram a história do Rock a partir do final dos anos 1960. Importante dizer, que a banda não foi a primeira a colocar temas sombrios em suas composições, mas certamente foram a banda que teve mais visibilidade com essa temática. 

No Final dos anos 1970, Ozzy “foi saído” do Black Sabbath, e deu início a uma bem-sucedida careira solo, enquanto ao Sabbath recomeçou com outros vocalistas e formações, onde apenas o guitarrista Tony Iommi esteve presente em todas. Com a passar dos anos Ozzy e Sabbath se reuniram em ocasiões especiais, discos, turnês de reuniões e despedidas.

O derradeiro encontro, ocorreu no show de despedida de Ozzy dos palcos, ocorrido no último 5 de julho de 2025, e intitulado “Back To The Beginning” um megaevento no Villa Park, estádio do Aston Villa time de Birmingham. Ozzy se apresentou com o Black Sabbath e em carreira solo. O evento reuniu importantes nomes do rock, como, Metallica, Guns N´ Roses, Anthrax, Slayer, Alice In Chains, entre outras bandas e músicos. Uma festa digna de sua importância.

Em sua apresentação solo, Ozzy cantou “I Don’t Know”, “Mr. Crowley”, “Suicide Solution”, “Mama, I’m Coming Home” e “Crazy Train” e com o Black Sabbath “War Pigs”, “N.I.B.”, “Iron Man” e “Paranoid”. Por conta do seu estado de saúde, Ozzy cantou sentado em um trono e cantou como um HERÓI!

Falando em Herói, seu último grande feito foi a doação da quantia de 140 milhões de euros arrecadados com “Back To The Beginning”, cujo destino será o Hospital Infantil de Birmingham, Acorns Children’s Hospice e o Cure Parkinson’s Trust.

Até o fechamento dessa matéria, a causa oficial de sua morte não havia sido divulgada, porém, Ozzy sofria do Mal de Parkinson. Faleceu em 22 de julho de 2025, aos 76 anos em sua casa em Birmingham. Segue comunicado da família: “É com mais tristeza do que palavras podem expressar que temos que informar que nosso querido Ozzy Osbourne faleceu esta manhã. Ele estava com sua família e cercado de amor. Pedimos a todos que respeitem a privacidade da nossa família neste momento.”

Mais que um Rockstar, Ozzy também foi um sobrevivente, se despede em carne, mas seu legado segue vivo e inspirador, como um dos grandes nomes da cultura e do rock de todos os tempos. – Michael Meneses!

SALVE OZZY!
Por Paulo Sisinno

O que posso falar sobre Ozzy Osbourne? E sobre a morte do “Príncipe das Trevas”? Não tenho nem palavras para expressar isso.

Para o mundo do Rock, a morte de Ozzy Osbourne, significa a morte de uma parte imensurável da história do Heavy Metal. Ozzy foi um ícone absoluto deste gênero musical; um modelo inescapável para vocalistas de Rock Pesado!

Para mim, pessoalmente, a morte do Ozzy é sentida como a morte de um irmão mais velho, quase um pai. Quem me conhece, sabe que sou um roqueiro fanático, especialmente conhecido pela minha paixão por Rock Pesado, ao ponto de meu apelido quando trabalhava na Fluminense FM ser “Heavy Metal”.

Nascido nos anos 60, comecei a curtir (MUITO!) Rock desde o comecinho da década de 70. Fui um roqueiro precoce, me apaixonei pelo estilo quando ainda era menino, os Beatles ainda estavam em atividade, Elvis idem. Peguei o início do Heavy Metal, com os primeiros discos do Black Sabbath, Uriah Heep, Lucifer’s Friend e outros. Ozzy foi verdadeiramente meu primeiro ídolo no gênero.

Como a maioria dos adolescentes da década de 70, eu tinha posters do Ozzy nas paredes de meu quarto e sonhava em ser um cantor de Rock para imitar o jeito (inimitável) de Ozzy. O Black Sabbath sempre foi meu grupo predileto de todos os tempos e o Ozzy é parte inseparável da magia do som do Sabbath.

Como escrevi antes, sou um roqueiro “jurássico” (prefiro este termo a “antigo”, Risos!). Sou de uma época que a nova geração de rockers mal consegue imaginar, pois para quem nasceu com a internet no cotidiano, a realidade do mundo pré-internet parece bizarra.

Pois então, na minha juventude não havia internet, TV a cabo e claro, telefone celular! A gente só assistia TV do nosso país, não se imaginava o que rolava na programação televisiva em outros países. Aliás, para quem não sabe, a programação das TVs não estava no ar durante 24 horas. De madrugada, acabava a programação; você recebia um “boa noite”; a imagem sumia e começava o barulho de chiado. Os insones que fossem à luta e insones como eu, acabavam dormindo ao som do chiado da TV.

O que o Ozzy tem a ver com isso? Nada; só estou tentando passar uma noção de como era o mundo nos anos 1970/80, antes da internet.

Quem é da mesma época e, também roqueiro como eu, sabe que os artistas estrangeiros não vinham ao Brasil, não vinham à América Latina e ponto. As turnês mundiais eram restritas aos EUA, Europa e Asia.

Houve casos raríssimos de nomes do Rock internacional que vieram ao Brasil antes do Rock in Rio de 1985: Alice Cooper (1974), Rick Wakeman (1975) e Genesis (1977), Queen (1981), The Police (1982), Kiss e Van Halen (1983), são os únicos que me lembro.

Quanto à produção musical dos artistas, o público só ouvia aquilo que era lançado em território nacional. Para conhecer álbuns que não eram lançados no mercado brasileiro (e eram muitos, inclusive dos artistas famosos), era preciso comprar no exterior. Repito: uma realidade inimaginável para quem nasceu com a internet. Por isso é muito difícil para quem vive os dias atuais imaginar o êxtase e a ansiedade que se apossaram dos roqueiros nacionais quando se anunciou um megafestival reunindo nomes consagrados do primeiro patamar do Rock mundial, como AC/DC, Scorpions, Whitesnake, Iron Maiden, Queen, Yes e… Ozzy Osbourne! Isso foi o que representou a primeira edição do Rock in Rio para os fãs brasileiros daquela época. Algo de outro mundo, de outra dimensão!

Eu, mega fã de Ozzy (e destes outros artistas que citei), fui às raias da loucura com a chance de ver um show do “Madman”.

Na época do primeiro Rock in Rio, trabalhava na rádio Fluminense (a “Maldita”), onde tocava Ozzy/Sabbath em doses generosas nos horários em que fazia a programação musical. Pouco tempo depois, também trabalhei como editor na revista Metal (ver foto acima, de uma revista que editei), publicação nacional especializada em Rock Pesado, e o Ozzy/Sabbath estavam sempre em pauta.

Agradeço a atenção dos leitores! Abraços e saudações “metálicas”! Agora, em tributo ao grande ídolo, uma das pessoas que mais admiro na vida, vou reouvir toda a discografia do Sabbath com Ozzy e seus discos da carreira solo. Muito obrigado por sua Arte, Ozzy! Graças a você, sou como sou (para o bem e para o mal, sem culpa nem remorso)!HEAVY METAL É A LEI! SALVE OZZY, ETERNO! – Paulo Sisinno.

DEPOIMENTOS:

Leo Rocha – Diretor de palco/produtor técnico/técnico de som de shows e eventos – Rio de Janeiro/RJ Finalzinho dos enormes jejuns de shows internacionais, cá estava eu montando palco para o grande rei das trevas. Terceira vez do Ozzy no Brasil o feito se repetiu curiosamente se repetiu pelas próximas três vezes consecutivas: 2011 e 2013. E olha que sorte: primeira em 2008 foi uma espécie de Mini-Ozzy-Fest juntamente com Korn e BLS e a última em 2013 na reunião do Black Sabbath com Megadeth como banda de abertura. Uma das coisas que mais me impressionaram no primeiro contato foi como era alto o volume do som do Ozzy, era absurdamente alto. E vejam que curioso, até então o único artista que tinha um volume parecido era o Dio. Seria uma espécie de disputa silenciosa entre os dois!? Felizmente tenho uma saúde de ferro e sequer tenho dor de cabeça, mas nas três vezes que trabalhei nos shows do Ozzy e nas duas com Dio, quase fiquei com dor de cabeça provavelmente por causa de tão alto era o volume de palco deles. Normalmente temos muito pouco contato com artista em si. Um pouco mais com músicos e bastante com a equipe que acompanham eles. E uma coisa é unânime entre todos que faziam parte da trupe de Ozzy: ele era isso mesmo que vemos nos vídeos, uma pessoa completamente simples, doce e divertida. Sem máscaras e até mesmo sem filtros. Exatamente como as grandes personalidades da história.

Ayrton Mugnaini Jr. – Jornalista, escritor, pesquisador de música popular em geral, radialista, compositor, músico, tradutor e ciente da importância da produtividade – São Paulo/SP para o mundo.GRANDE PSICOZZY, é um dos personagens mais icônicos do rock. E, bom inglês que era, sabia rir de si mesmo, não só em nomes trocadilhescos de bandas como Blizzard Of Ozz como também no programa de TV The Osbournes. Não sou grande fã de heavy metal, mas sempre (no meu caso, desde 1971) gostei de algumas gravações do Black Sabbath com Ozzy. E achei muito interessante quando, ao me descobrir fã dos Kinks e dos Troggs em 1978, vi muita influência destas bandas sobre o Sab: riffs insistentes, andamento arrastado e um “não cantor” bastante expressivo. O próprio Ozzy sempre disse que gravações como “You Really Got Me” e “Wild Thing” foram “very important” para ele. (Lembremos que “I Want You” dos Troggs, de 1966, já soa proto-Sabbath e que a pesadaça “Feels Like A Woman” foi produzida sabem por quem? Rodger Bain.). Como todo personagem famoso e marcante, Ozzy tem seu folclore: “comedor de morcegos”, grande intérprete de letras sobre magia negra e loucura, confusão com dois homônimos de, literalmente, outras bandas (Mike Ossy Osborne da inglesa Magic Lanterns e Ossie Osborne da estadunidense Coven) e, com tudo isso, bom marido e pai de família. E, invertendo a frase bíblica, “a carne é fraca, mas o espírito é forte”. Muito bom Ozzy ainda ter conseguido fazer um show de despedida para seu público de todo o mundo. Na minha segunda fita independente, de 1985, gravei um arranjo de “Iron Man” para violão erudito e “Os Metaleiros Também Amam”, parceria com Carlos Melo, cita Ozzy nominalmente. E lembro de meu filho, aos cerca de quatro anos de idade, ouvindo o riff de “Iron Man” e exclamando “Guitar Hero!”, obviamente por causa do jogo de pseudo-guitarristas… “Do you feel alriiiiiight?”

Cris Gadelha – Vocalista e baixista da banda Gadelha Superdrive – Rio de Janeiro/RJ –“Se hoje um estilo inteiro de música pesada existe há mais de 50 anos, e eu posso tocar esse estilo, devo agradecer eternamente a um moleque – que diziam não ter futuro – ter deixado um anúncio numa loja de música em Birmingham no ano de 1968 procurando por uma banda para tocar. Esse garoto, junto com outros três desajustados, ganhou o mundo e virou a face do Heavy Metal com o Black Sabbath, conquistando gerações, inclusive um outro moleque nascido anos depois, em 1990 – eu! Jamais vou esquecer da primeira vez que ouvi os acordes de “Sabbath Bloody Sabbath”, do disco homônimo, comprado num sebo perto do colégio onde estudava. Não sabia o que esperar daquilo, mas tinha gostado da capa. Parecia um mundo novo de música, nunca tinha ouvido algo que soasse tão pesado e, se hoje faço Heavy Metal, agradeço eternamente a Ozzy Osbourne e sua linda e louca história. Obrigado por tudo, Príncipe, ou porque não, agora Rei das Trevas. O Heavy Metal e eu agradecemos e saudamos seu eterno rei para sempre.

Rogério Bigbross – Produtor cultural / Bigbross Produtora – Salvador/BA – Lembro exatamente do dia em que comprei o álbum Paranoid do black Sabbath, tinha um caixote LPs usados no chão da loja ele me chamava me abaixei e fui passando os discos ele apareceu com aquela capa horrível não tinha caveiras nem demônios nela só uma imagem distorcida, lembro de um voz dizer é tal banda e outra voz dizer me leve, conhecia a tal banda de nome e comprei, levei pra casa e fui pro quarto, acendi umzinho e coloquei o disco, primeira faixa War Pigs apaguei a luz por impulso e ouvir a mesma faixa muitas vezes, ouvi o disco todo umas 30 vezes nessa noite, faixa após faixa sem alterar a sua ordem. foi aí que começou tudo para mim. obrigado pela sua companhia nesses quase 40 anos que se passaram desse dia até hoje.

Sergio de Carvalho – Espaço Nectar – Rio de Janeiro/RJ – Minhas referências sobre o Ozzy foram através dos primeiros álbuns do Black Sabbath. O disco que mais me marcou foi Master Of Reality que ouvi assim que foi lançado em 1971, virei fã a partir desse instante. Foi também um dos motivos que me estimularam a começar a tocar esse tipo de som numa época que pouca gente conhecia aqui no Brasil. As informações eram escassas, lembro que a primeira matéria publicada em português sobre o Black Sabbath foi numa edição do Jornal Rolling Stone no ano de 1972 (ainda tenho essa edição comigo). Nesse mesmo período eu já curtia outras bandas similares (Led Zeppelin, Deep Purple, Humble Pie, Mountain, Grand Funk Railroad…etc) mas nenhuma delas fazia aquele tipo de som do Sabbath. Esse pioneirismo foi um dos grandes diferenciais. Sempre me liguei mais no som que faziam e não naquele papo de morcego e príncipe das trevas. Quando Ozzy iniciou sua carreira solo na década 80, não acompanhei, pois foi justamente nesse período que fui morar na roça sem luz elétrica. Posteriormente tive a grata oportunidade de assistir ao vivo dois inesquecíveis shows do Black Sabbath com o Ozzy no vocal. No mais, diria que o mundo do rock poderia ser dividido em antes e depois do surgimento deles.

Marcos Hermes – Fotógrafo e Diretor – São Paulo/SP – Ozzy sempre foi muito importante pra mim, desde a infância! Na real eu o descobri primeiro como artista solo, na época do Bark At The Moon, depois ele veio ao Rock in Rio, usou a camisa do Mengão, e claro, na sequência lançou uma série de bons álbuns. Logo me tornei músico e descobri que ele tinha uma banda chamada Black Sabbath. Como naquela época tudo isso acontecia de forma lenta, pré internet, me apaixonei pelo quarteto de Birmingham e até hoje é uma das minhas bandas do coração. Profissionalmente Ozzy foi uma influência enorme, tanto na atitude, música, e na imagem. Uma referência enorme para minha geração de fotógrafos. Aliás, tive o prazer de fotografá-lo inúmeras vezes, desde 1995 até 2018, com destaque para tour latina do Black Sabbath, divulgando o álbum 13. Com eles fui ao Chile, Argentina e rodei 3 capitais brasileiras – com direito a um encontro com a banda e foto com Mr. Osbourne me enforcando, com carinho é claro. Ozzy é eterno!

Nilton Jr. – Professor de História do município do Rio, roadie e etnomusicólogo. Baixista da banda Selflab e guitarrista da Quântico Romance. – Rio de Janeiro/RJ – O dia que todo roqueiro temia e não queria.Falar da relevância de Ozzy e seus companheiros do Sabbath, é chover no molhado. Vindos de uma cidade na época industrial e cinzenta, brincando em escombros de prédios bombardeados, eles foram os “errados que deram certo” bem antes de Chorão e seus parceiros do Charlie Brown Jr. Assim como os Beatles, vieram de uma cidade nada glamurosa e eram de origem trabalhadora. O próprio Ozzy trabalhava num matadouro na época em que respondeu ao anúncio para fazer um teste no Sabbath. Ele tinha urgência de fazer sucesso e sair de um emprego que odiava, além de fugir do destino que parecia reservado para ele: na melhor das hipóteses, trabalhar na fábrica da cidade! E foi na base do tudo ou nada que Ozzy levou sua vida. Mas prefiro falar desta estranha sensação que está atingindo as pessoas de várias idades no planeta. A de alguém muito querido e admirado, mesmo que nunca tenhamos trocado uma palavra com ele, se foi. Para quem vive e ama o rock e o heavy metal, perder Ozzy é quase como perder alguém da família. Aquele parente doido, engraçado e imprevisível, mas ao mesmo tempo genial. E esse sentimento está presente em cada homenagem na Black Sabbath Bridge, em Birmingham, na internet ou até naquele papo meio cabisbaixo que você tem com os amigos relembrando o último show que você foi dele ou lamentando nunca ter ido. Morre John Michael, mas a lenda Ozzy continua viva nos seus discos solo e com o Sabbath, nas participações em filmes e, acima de tudo, na imagem dele tocando sentado no seu trono negro com sua banda e depois com seus velhos parceiros de Birmingham, no estádio do seu time do coração. Rest in Power Ozzy Osbourne!

Wilson Oliveira – Doutor em Memória Social. Professor UNESA e PPGCINE-UFF – Rio de Janeiro/RJ – Primeiro, quero agradecer o convite e dizer de cara  que acho chato demais quando falam do Ozzy e lembram só do uso excessivo de drogas. Ele viveu e aproveitou mais que muita gente que não usa as drogas ilegais ou o álcool. Ele sempre soube se reinventar, se recuperar e a grande lição é de um cara que ensinou para gente como se recuperar, como ser sincero e mesmo com muita grana e ser simples. Lições que temos que levar tanto para vida como um todo, como para vida de artista, professor…  Ele não era um grande cantor, sabia disso, não era um grande compositor, sabia disso. Mas, era um grande performance. Era uma espécie de gênio no todo de um espetáculo. Por não ser perfeito, recorria à amigos, Lemmy Kilmister compôs para ele. Fez parcerias com grandes guitarristas, talvez, por isso goste ainda mais de Ozzy ainda, Tony Iommi, Randy Rhoads, Jake E. Lee, são referências, e tantos outros e nem preciso fala do Zakk Wylde. Um cara que além de Grammy ganhou Emmy, foi fazer televisão e fez um reality show devidíssimo e ao mesmo tempo uma comedia dramática pelo seu estado, mas ele não tinha vergonha de aparecer, e porque aquele estado a gente tem que se interrogar. Enfim, fica a música por isso ele não morre.

Dejair Benjamim – Vocalista do Tchandala e Benjamim Saga – Aracaju/SE – O mundo perdeu mais que um ícone. Perdemos uma entidade, uma lenda que transcendeu o tempo e moldou o som das sombras. Ozzy Osbourne não foi apenas a voz do Black Sabbath — ele foi o grito da humanidade em desespero, foi a gargalhada insana diante da dor, foi o metal em sua essência mais crua e verdadeira. Como artista, sempre me inspirei na coragem que Ozzy teve de ser imperfeito, intenso, autêntico. Ele mostrou que fraquezas também são força quando expostas com verdade. E foi assim que ele viveu — uma alma inquieta que jamais se curvou, nem diante da doença, nem diante da crítica. Que o eco da sua voz ressoe eternamente nas paredes invisíveis do tempo. E que todos nós, músicos e fãs, sejamos fiéis guardiões desse legado. Descanse, Ozzy. O palco do céu ganhou seu vocalista principal.

André Paumgartten – 808 Punks, B+P, artista solo e produtor cultural – Rio de Janeiro/RJ – A primeira vez que vi o Ozzy foi no primeiro Rock in Rio. Tinha 11 anos e fiquei com medo. Toda a história do morcego e a mística que surgiu junto. Poucos depois, me atraí pelas capas dos discos solo e cheguei aos discos do Sabbath. A essa altura, ele já tinha se tornado referência de tudo que eu gostava e queria ser! Era tipo um super-herói — e os efeitos de voz que ele usava já estavam ali desde os anos 70. Quanto mais descobria sobre ele, mais a admiração crescia. Até a série controversa me fez sentir parte daquela família louca e maravilhosa! Ele talvez não tivesse tanta voz quanto seus sucessores no Sabbath, mas sempre foi o cara certo para banda. Mostrou que nem sempre o melhor é quem tem mais voz. Rock e metal também são carisma, presença de palco e boas histórias. É isso que faz heróis como o Ozzy se tornarem eternos! Esses são os meus preferidos!

Hélio Ribera – Produtor Cultural, professor de artes visuais, artista plástico. – Rio de Janeiro/RJ Por incrível que pareça, meu primeiro disco com músicas do Black Sabbath não era do Black Sabbath, mas do Ozzy. “Speak Of The Devil” é um album solo ao vivo, porém com músicas da banda. Sendo um moleque que já ouvia Police, Clash, Stones e Queen desde o final dos 70, tive nesse álbum de 82 o meu momento de insight com o trevoso. Três anos depois, no Rock in Rio de 85, assisti a primeira apresentação do Ozzy no Brasil praticamente em baixo do palco. Um show incrível, dentro de um evento que era a realização do sonho de alguém que achou Van Halen e Kiss em 83 uma viagem ao paraíso. A performance do Ozzy se destacava, na minha percepção, por não se levar a sério. Dois momentos me são vivos na lembrança. Ele veio com um balde pra jogar na galera. Era papel picado. E na despedida, quando eu esperava por uma maldição do príncipe das trevas, ele simplesmente mandou um “God Bless You”. Acho que deu certo. Hoje eu devolvo pra ele, com meu muito obrigado: Deus Te Abençoe sempre, Ozzy.

Michael Meneses! – Fotojornalista, Editor Rock Press e Selo Parayba Records – Rio de Janeiro/RJ – Fui um carioca que morou a década de 1980 em Aracaju/SE e conheci Ozzy em 1986, com o Brasil ainda em clima do Rock in Rio 1985. Suas aparições em Revistas como Metal e nos posters da Somtrês foram determinantes na minha formação cultural, fotográfica, educacional, humorística, libertaria e em minha vida como um todo. Ainda na década de 1980, ouvir “Speak of the Devil” disco Ao Vivo apenas com canções do Black Sabbath e lançando em 1982. O disco foi o cartão de visita definitivo na escolha dos meus primeiros discos do Sabbath. O primeiro foi “Vol: 4”, um presente da minha mãe e comprado em uma manhã de sábado na então recém-inaugurada Lojas Brasileiras de Aracaju. Ouvi aquele disco me mostrou que estava diante de algo diferente, onde, “Tudo Se parecia com Black Sabbath, mas Black Sabbath não se parece com nada” essa definição me foi apresentada anos depois pelo amigo Vitor Hugo (da banda Coldblood). Tempos depois, meu pai que já morava aqui no Rio me mandou uma mesada, com o dinheiro comprei os três primeiros LPs do Sabbath. Minha mãe ligou para meu pai na esperança de que ele me chamasse a atenção, para ela, minha mesada era para comprar “algo que me desse um futuro” como roupas, ou comida. Meu pai falou que o dinheiro era meu e que poderia comprar o que quisesse, mesmo assim mandou: “Manda ele Comer Discos!” Até hoje essa frase ecoa na memória de algumas pessoas.

Em 1995, Ozzy voltou ao Brasil e tive a chance de o assistir Ao Vivo, algo que aconteceu outras vezes em careira solo e com Black Sabbath. Na foto ao lado, sentei-me na calçada da Fama do Rock In Rio na cobertura do festival em 2017. Diferente da maioria que vivia lembrando dele por ele ter mordido um morcego, eu tinha orgulho de saber que ele tinha se tornado Vegano, e não gostava muito de ver ele ser chamado de “Principe das Trevas”. Gosto é gosto!

Nas 24 horas antes da morte de Ozzy, muitas coisas sobre ele me passaram pela cabeça, fiz até uma lista em meu Instagram e no facebook. Segue algumas:

– Há quase 40 anos falo, (quem me conhece sabe), que meu primeiro filho terá o nome de JOHN MICHAEL OSBOURNE. Uma homenagem ao próprio, ao John Lennon, ao Michael Jackson que inspirou o meu nome e a mim mesmo. A ideia veio ao ler a Revista Metal, (foto ao lado), e saber que Ozzy é meu xará! (risos).

– Reconhecer que os livros “Eu Sou Ozzy” é “Dr. Ozzy” foram verdadeiros livros de autoajuda para mim. Ambos me divertiram horrores, porém a biografia “Eu Sou Ozzy”, me vez entender melhor a morte do meu pai.

– Por fim, ao assistir clipes do Black Sabbath na noite de segunda-feira ME PERGUNTEI onde eu estaria quando tomar conhecimento da sua morte!? Odeio esses pensamentos, sonhos… e pouco tempo depois a pessoa morre. Mas, respondendo minha pergunta, estava descendo a escada do meu prédio e assim todos esses pensamentos vieram a torna. Ozzy Presente!

PAULO SISINNO: Programador e Produtor Musical especializado em Rock e Heavy Metal na Rádio Fluminense FM, de 1982 a 1987, Ex-editor da Revista Metal e Professor.

MICHAEL MENESES – É o editor da Rock Press deste 2017, criador do Selo Cultural Parayba Records, fotojornalista desde 1993, foi fanzineiro nos anos 1980/90, jornalista e cineasta de formação, pós-graduado em artes visuais. Fotografa e escreve para diversos jornais, revistas, sites e rádios ao longo desses últimos 30 anos, também realiza ensaios fotográficos de diversos temas, em especial música, jornalísticos, esporte, sensual, natureza... Pesquisa, e trabalha com vendas de discos de vinil, CDs, DVDs, livros e outras mídias físicas. Michael Meneses é carioca do subúrbio, filho de pai paraibano de João Pessoa e de mãe sergipana de Itabaiana. Vegetariano desde 1996Em junho de 2021 foi homenageado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo vereador Willian Siri (PSOL/RJ), com monção honrosa por iniciativas no audiovisual e na cultura suburbana. Torce pelo Campo Grande A.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Atualmente, dirige o filme, “VER+ – Uma Luz chamada Marcus Vini, documentário sobre a vida e obra do fotojornalista Marcus Vini e realiza o Parayba Rock Fest que terá sua próxima edição dias 25 e 26 de outubro de 2025.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Facebook

- Anúncios -

Instagram

Twitter

O feed do Twitter não está disponível no momento.

Youtube