OSCAR 2021: Como foi a premiação!

O evento de premiação do Oscar 2021 trouxe o esperado destaque para Chloe Zao e Nomadland e umaOSCAR_2021_VENCEDORES cerimônia que, apesar da promessa de ser mais ágil e enxuta, acabou sendo tão longa quanto a de anos anteriores não afetados pela pandemia.

OSCAR 2021:
Como foi a premiação!

TEXTO: Nilvio Pessanha
FOTOS: Divulgação

A cerimônia de entrega do Oscar 2021 teve a participação do cineasta Steven Soderbergh na produção e apresentou nítidas inovações para driblar o desafio de realizar um evento desse porte em meio à pandemia de Covid-19. A solenidade ocorreu em dois espaços diferentes, o Dolby Theatre e a Union Station, além de alguns indicados que acompanharam a entrega dos prêmios por meio de links diretos disponibilizados pela academia. A plateia bem diminuída em relação a anos anteriores, só continha os concorrentes aos prêmios, com direito a um acompanhante.
 
A cerimônia: Nomadland como destaque...
Repetindo a mesma fórmula do ano passado, vários atores e atrizes se revezaram na apresentação, como a atriz e diretora Regina King que abriu a cerimônia falando do julgamento do policial que matou George Floyd. Quem teve uma fala que misturou tom político com descontração foi o ganhador do Oscar de melhor ator coadjuvante, Daniel Kaluuya. Ele lembrou da importância e dos atos de Fred Hampton, o líder dos Panteras Negras assassinado por autoridades estadunidenses, figura histórica que interpretou em “Judas e o Messias Negro”. No final do seu discurso, agradeceu por estar vivo e lembrou que seus pais transaram para isso acontecer. Outro discurso marcado por um tom mais crítico foi Travon Free, roteirista do melhor curta de animação. Ele homenageou vítimas da violência policial: “Hoje a polícia vai matar três pessoas. E amanhã a polícia vai matar três pessoas e no dia seguinte, a polícia vai matar três pessoas porque, em média, a polícia na América todos os dias mata três pessoas. O que equivale a cerca de 1.000 pessoas por ano. E essas pessoas são desproporcionalmente negras.” (Isso porque ele não conhece as polícias militares que atuam no Brasil).
 
Embora tenha apresentado inovações que foram positivas para a realização do evento em meio a uma pandemia, ainda houve momentos arrastados e longos. E as três longas horas não combinaram com prometida cerimônia mais ágil. Pelo menos as piadinhas sem graça alguma e muitas vezes até constrangedoras ficaram praticamente de fora dessa vez. Porém, sem dúvida alguma, um dos momentos de maior descontração da noite foi Glen Close se requebrando. Já uma cena que nasceu como um meme clássico.

Discursos emocionantes e carismáticos...
Contrastando com alguns momentos um tanto quanto sacais na cerimônia, tivemos também discursos que chamaram atenção por motivos distintos. O diretor Thomas Vinterberg, que foi receber a estatueta de melhor filme internacional por “Druk”, dedicou o prêmio à sua filha, Ida Vinterberg, morta num acidente de carro: “É um milagre que acabou de acontecer e você faz parte desse milagre. Talvez você esteja mexendo os pauzinhos em algum lugar, não sei. Mas este prêmio é para você" . Outro discurso marcante da noite foi o de Yuh-Jung Youn, que foi premiada como melhor atriz coadjuvante por “Minari”. Ao receber a estatueta, mostrou simpatia e carisma.
 
A noite de Nomadland e da Netflix...
Um dos primeiros prêmios da noite foi o de melhor roteiro adaptado. Muitos esperavam que fosse para Chloe Zao pelo roteiro de “Nomadland”, porém, foi para Christopher Hampton e Florian Zeller, por “Meu pai”. Entretanto, não foi nada que deixasse a diretora e roteirista chinesa triste. “Nomadland” saiu com três estatuetas na noite. E são logo três dos principais prêmios, melhor filme, melhor atriz para Frances Mcdormand e melhor direção para a própria Chloe Zao, sendo a segunda mulher e a primeira não branca a vencer um Oscar. A Netflix viu seu “Mank”, que tinha dez indicações, levar apenas duas estatuetas, mas se tem alguém que não tem do que reclamar é a empresa de streaming. Saiu da noite como o estúdio mais premiado com sete Oscars.
 
Surpresa e anticlímax...
Algo inusitado foi a inversão da ordem da entrega dos prêmios de melhor filme e de melhor ator. O Oscar de melhor filme é tradicionalmente o último a ser entregue. Porém, os organizadores resolveram mudar e deixar por a premiação de melhor ator por último. O resultado foi um misto de surpresa e anticlímax. Enquanto todos esperavam Chadwick Boseman, o grande favorito, ser agraciado com o prêmio e encerrar com uma grande comoção, pelo fato de o ator ter falecido no ano passado, o Oscar foi dado para Anthony Hopkins, por sua atuação bastante elogiada em “Meu Pai”. O pequeno detalhe é que o ator britânico de 83 anos não estava presente à cerimônia. Através de um vídeo, publicado em redes sociais, o próprio Hopkins admitiu que não esperava vencer o prêmio.

Foi um final bem anticlimático para uma cerimônia que parece ter prometido mais do que entregou. - Nilvio Pessanha.

OS VENCEDORES:

Filme: Nomadland 
Direção: Chloé Zhao, de Nomadland
Ator: Anthony Hopkins, de Meu pai 
Atriz: Frances McDormand, de Nomadland
Ator coadjuvante: Daniel Kaluuya, de Judas e o messias negro 
Atriz coadjuvante: Youn Yuh-jung, de Minari 
Trilha sonora: Trent Reznor, Atticus Ross e Jon Batiste, por Soul
Melhor som: Nicolas Becker, Jaime Baksht, Michelle Couttolenc, Carlos Cortés e Phillip Blath, por O som do silêncio 
Canção original: Fight for you, de Judas e o messias negro
Filme internacional: Druk - Mais uma rodada, Dinamarca
Roteiro adaptado: Christopher Hampton e Florian Zeller, por Meu 
Roteiro original: Emerald Fennell, por Bela vingança 
Efeitos visuais: Andrew Jackson, David Lee, Andrew Lockley e Scott Fisher, por Tenet.
Fotografia: Erik Messerschmidt, por Mank
Edição: Mikkel E.G. Nielsen, por O som do silêncio
Animação: Soul
Curta de animação: Se algo acontecer... te amo
Curta-metragem de ficção: Dois estranhos
Documentário: Professor polvo
Documentário de curta-metragem: Collete
Figurino: Ann Roth, por A voz suprema do blues
Cabelo e maquiagem: Sergio López Rivera, Mia Neal e Jamika Wilson, por A voz suprema do blues
Design de produção: Donald Graham Burt e Jan Pascale , por Mank 

 

Nilvio Pessanha é morador do bairro de Campo Grande na zona oeste carioca, agitador cultural, coordenador do cineclube Cine Rua ZO, professor de língua portuguesa e literatura no município e do estado do Rio de Janeiro, pai do Francisco, vascaíno, é membro dos podcasts Trincheiras da Esbórnia (OUÇA AQUI!) e Cine Trincheiras (CONHEÇA AQUI)!  

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