OSCAR 2020: Análise dos principais indicados, os preteridos e alguns pitacos!

A Rock Press faz um check-up da cerimônia do Oscar 2020 que acontece neste domingo (9/2) e Democracia_em_Vestigem_Brasil_no_Oscarque terá o domínio da Netflix; a volta de Martin Scorsese; um filme sul-coreano como um dos grandes destaques; um filme de guerra como um dos grandes favoritos; e o Brasil voltando a ter um representante, com "Democracia em Vertigem", acirrando ainda mais a polarização política no país. Além de críticas à Academia por falta de diversidade nas indicações.

 

 

OSCAR 2020:
Análise dos principais indicados, os preteridos e alguns pitacos!

TEXTO: Nilvio Pessanha
FOTOS: Divulgação

Oscar_Banner

JokerIndependente dos prêmios dados pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na cerimônia do Oscar 2020, no próximo domingo, um dos maiores vencedores é a Netflix. Se o badalado filme “Coringa" (foto) foi agraciado com pomposas 11 indicações à estatueta dourada, o serviço de streaming teve nada mais nada menos do que 24 indicações, somando seus oito filmes indicados: “O Irlandês” (10), “História de um Casamento” (6), “Dois Papas" (3), “Democracia em Vertigem” (1), “Perdi meu corpo” (1), “Indústria Americana” (1) e "A vida em mim" (1) – este último é indicado a Melhor Curta Metragem de Documentário.

“O Irlandês” (Foto) e “História de um Casamento” foram indicados a O_Irlandês_Netflix_no_Oscar_2020melhor filme, mas enfrentam a dura concorrência do já citado “Coringa”, “Era uma vez em... Hollywood”, e “1917”, que venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme e também o prêmio do Sindicato dos Produtores. Algo inusitado para a categoria de Melhor Filme é um longa de língua não inglesa como “Parasita” (ROCK PRESS resenhou, leia AQUI...) estar entre os indicados, que ganhou o prêmio de Melhor Elenco pelo Sindicato dos Atores’ além da Palma de Ouro em Cannes. A película sul-coreana também está indicada a Melhor Filme Estrangeiro e mais quatro outras categorias. Completam a lista de indicados para Melhor Filme “Ford vs Ferrari", “Jojo Rabit" e “Adoráveis Mulheres".

Na categoria de Melhor Diretor não há um favorito. A briga entre Martin Scorcese, Quetin Tarantino, Todd Phillips e Sam ERA_UMA_VEZ_EM_HOLLYWOOD_Indicados_ao_Oscar_2020Mendes será muito acirrada. Bong Joon Ho, diretor de "Parasita", pode ser uma espécie de azarão. Diferente do que acontece na estatueta de Melhor Ator. Joaquim Phoenix parece surgir como o grande favorito pela sua performance como Coringa. O ator já ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme Dramático e o prêmio do Sindicato dos Atores de Melhor Ator Principal. Phoenix concorre com Leonardo DiCaprio (“Era uma vez em... Hollywood”), Adam Driver (“História de um Casamento”), Jonathan Price (“Dois Papas”) e Antonio Banderas (“Dor e Glória”).

A atriz Renée Zellweger, a exemplo de Joaquim Phoenix, venceu os prêmios de Melhor Atriz em Filme Dramático no Globo de Ouro e o do Sindicato dos Atores de Melhor Atriz em Filme Dramático, por sua atuação em “Judy: Muito Além do Arco-Íris”, cinebiografia onde ela vive a atriz, cantora e dançaria Judy Garland. Scarlett Johansson concorre por sua atuação em “História de um Casamento”, junto com Charlize Theron por “Escândalo”, Saiorse Ronan em “Adoráveis Mulheres” e Cynthia Erivo em “Harriet”.

A categoria de ator coadjuvante não traz nenhuma novidade entre os indicados. Temos os veteranos Anthony Hopkins, Al Pacino, Joe Pesci e Tom Hanks disputando contra Brad Pitt, o mais novo, mas que está longe de ser um rosto novo no cinema e que a julgar pelas premiações do Globo de Ouro e do Sindicato dos Atores, também é o favorito. Já com as atrizes coadjuvantes, temos uma veterana como favorita ao Oscar, Laura Dern.  Apesar dos seus mais de quarenta anos de carreira, está em sua primeira indicação, também vem sendo muito elogiada e já levou premiações como o Globo de Ouro e o prêmio do Sindicato dos Atores. Porém, nada impede que outras atrizes corram por fora como Scalett Johansson, por sua atuação em "Jojo Rabbit" (e sim, ela foi indicada a Melhor Atriz por um filme e Melhor Atriz Coadjuvante por outro) e Margot Robbie, por o “Escândalo”.

Brasil no Oscar...

Democracia_em_Vertigem_no OSCAR_2020

Temos ainda o Brasil sendo representado na cerimônia do Oscar por “Democracia em Vertigem”, da diretora Petra Costa, que foi indicado para  o Oscar de Melhor Documentário. Não é um dos favoritos, entretanto, já é uma vitória para a produção cinematográfica nacional ter um filme indicado num momento em que a arte sofre tantos ataques no país. Vale lembrar também que o filme “Dois Papas” está na disputa em três categorias, (roteiro adaptado, melhor ator e ator coadjuvante), é dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, diretor de filmes como o cultuado “Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio Sobre a Cegueira”. O que não deixa de ser mais uma representatividade brasileira na cerimônia do Oscar.

Dois_Papas_no Oscar_2020

Falta de diversidade, preteridos e pitacos...

Nesta parte, abandonarei a impessoalidade do texto para assumir um tom mais opinativo e pessoal. A Academia recebeu muitas críticas pelas indicações desse ano refletirem pouca diversidade. Negros, por exemplo, terão pouquíssima representatividade na cerimônia. Somente a atriz, cantora e compositora britânica Cynthia Erivo foi indicada. Inclusive, se ela ganhar o Oscar de Melhor Atriz, será apenas a terceira artista negra a ganhar o EGOT (Emmy, Grammy, Oscar e Tony), se juntando a John Legend e Whoopi Goldberg que são os únicos negros de um seleto grupo de 16 artistas. Lembrando que Cynthia concorre por dois prêmios, Melhor Atriz e Melhor Canção, Stand Up, da qual é compositora. Ambos os prêmios são pelo mesmo filme, “Harriet”.

No que tange à representatividade, realmente são válidas as críticas. Acho que, por exemplo, a atuação de Lupita Nyong em “Nós", do diretor Jordan Peele, foi monstruosa e merecia uma indicação. Outra artista negra que poderia ter sido indicada foi a cantora Beyoncé, por sua canção “Spirit”, da trilha do live action de “Rei Leão”.

Outra reclamação na questão da representatividade foi o fato de não ter nenhuma mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção. E realmente acho que o trabalho de Greta Gerwig à frente de “Adoráveis Mulheres” seria digno de uma indicação. 

1917_no_Oscar_2020

Arriscando alguns pitacos, na minha opinião, o melhor filme de 2019 é, sem dúvida, “Parasita", (foto) que é o vencedor da Parasita_Oscar_2020Palma de Ouro em Cannes, mas acho que o Oscar de Melhor Filme ficará entre “1917” e “Coringa", com o favoritismo pendendo para o primeiro por ser o típico filme que a Academia gosta de premiar. Já na estatueta de Melhor Direção, acho que fica entre Sam Mendes e Martin Scorsese, embora, eu novamente estarei na torcida por Bong Joon Ho, pela sua direção em Parasita. Porém, o Oscar para Scorsese seria mais do que merecido.

Para melhor ator, apostaria em Joaquim Phoenix que vem abocanhando todas as premiações, e não vejo a Academia dando o Oscar para ninguém diferente dele por sua atuação esplendorosa em “Coringa". Assim como Renée Zellweger deve ficar com o prêmio de Melhor Atriz, ela está totalmente imersa no papel de Judy Garland. Para Ator Coadjuvante, o Oscar deve ficar com Brad Pitt, mas acho que só a indicação já foi um bom prêmio para a atuação dele. Por mim, fecharia os olhos e faria “uni duni tê” entre Al Pacino e Joe Pesci para ver quem venceria. Ambos são grandes merecedores com trabalhos ótimos em “O Irlandês”. Entre as atrizes coadjuvantes, parece provável que o Oscar vá para Laura Dern, pelas premiações, como O Globo de Ouro, e pela sua ótima atuação em “A História de um Casamento”.

Olhando para o prêmio de Melhor fotografia, novamente fico entre o que acho que deveria ganhar e o que penso que ganhará. Para mim, a fotográfica de “O Farol" (ROCK PRESS resenhou, leia AQUI...) O Farol no Oscar 2020é primorosa e deveria levar o Oscar. O filme de Robert Eggers foi, por sinal, bastante esnobado pela Academia, merecia melhor atenção. No entanto, devem premiar “1917” como Melhor Fotografia. No campo do roteiro, acho que “Adoráveis Mulheres” deve levar o de Melhor Roteiro Adaptado, e “Parasita” o de Melhor Roteiro Original.

Como este é um texto para um veículo de Rock, um pitaco sobre o Oscar para Melhor Trilha Sonora Original não podia ficar de fora. E “Coringa” me parece ser o favorito. É de longe o filme em que a trilha, composta pela violoncelista islandesa Hildur Gudnadottir, mais funciona como elemento narrativo da história. A musicista, que já fez turnê com bandas como Animal Collective, foi premiada no Critic's Choice Awards pelo seu trabalho à frente da trilha do longa. Além disso, a trilha também conta com músicas como "Everybody Plays the Fool", "Smile", "Rock 'N' Roll (Part 2)" e “White Room", um dos eternos hinos do Cream composta pelo baterista Jack Bruce, ajudam a construir o desenvolvimento do personagem.

Nosso cinema estará representado pelo documentário de Petra Costa, “Democracia em Vertigem”, mas, seria uma grande surpresa se levasse. Minhas apostas para a estatueta de Melhor Documentário caem sobre “Indústria Americana", documentário da Netflix que mostra um bilionário chinês reabrindo uma antiga fábrica da General Motors e empregando pessoas e todos conflitos culturais que são inevitáveis, além da precarização do trabalho. 

Concordando ou não com as indicações, elas estão aí. As críticas sobre a questão da representatividade são justas e mostram que a Academia continua com dificuldades nesse quesito. Mas nunca é demais lembrar que o Oscar, por vezes se mostra um prêmio muito mais comercial, muito mais guiado pelo lobby dos estúdios do que realmente pela arte cinematográfica em si. De qualquer forma, só nos resta aguardar o domingo, dia 9 de fevereiro, e conferir. #Recomendamos! - Nilvio Pessanha*.

 

Nilvio Pessanha*, é vascaíno, pai do Francisco (um menino de 9 anos muito bonito), professor de língua portuguesa e literatura no município e do estado do Rio de Janeiro, morador de Campo Grande na zona oeste carioca e agitador cultural no subúrbio e podcaster em Trincheiras da Esbórnia (OUÇA AQUI!).

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