ONDE É QUE ESTÁ MEU ROCK’N’ROLL? #FascistasNãoPassarão - Por: Larry Antha

Tem texto novo de Larry Antha, na coluna “Injecting Drugs”, aqui na Rock Press. Em pauta, a invasão fascista no mundo dos “camisas pretas”, no qual 8 entre 10 “metaleiros” têm se revelado fascistas, ou sempre estiveram por aí, e só agora resolveram sair do “armário”. A análise convida o leitor a tentar elucidar este mistério quase distópico, em que “falsos roqueiros”, alheios às letras politizadas de artistas como Ratos de Porão, Rage Against The Machine e Roger Waters, ironicamente saem pelas ruas “travestidos de camisas pretas” e são a favor de regimes ditatoriais e moralistas.

ONDE É QUE ESTÁ MEU ROCK’N’ROLL?
#FascistasNãoPassarão

TEXTO: Larry Antha
ARTE: Jorginho

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Como dizia o grande Arnaldo Baptista, a mente brilhante por trás dos Mutantes, que tinha um fã confesso como Kurt Cobain que fez questão de lhe deixar um singelo bilhete (foto), quando o Nirvana passou pelo Brasil no Hollywood Rock de 1993: Bilhete_de_Kurt_Cabain_para_Arnaldo_Baptista_dos_Mutantes“Onde é que está meu Rock’n’Roll?”.
 
Mas não é esta a questão. Esta história do bilhete entre Kurt Cobain e Arnaldo Baptista, acredito eu, é conhecida por grande parte dos leitores do Portal Rock Press. Só quis começar explicando o título, porque ele é quase um presságio de nossos dias atuais. Não venho aqui, para como dizem; “colocar fogo no parquinho”. O meu lance é, na verdade, “colocar fogo nos fascistas”. Mais primeiro precisaremos voltar um pouco no tempo para tentar, junto com o leitor, entender: Que porra é essa, Brasil?
 
De uns tempos para cá, tem se percebido um grande número de roqueiros fascistas, ou na verdade eles sempre estiveram por aí, só que muitos precisavam que um Roger Waters estampasse em letras garrafais num pano de fundo em seu show: “FASCISTAS”. (relembre os shows do músico Roger Waters, no Rio de Janeiro, em 2012 AQUI e em 2018 AQUI!). Para que muitos começassem a “sair do armário”.
 
E então, para espanto de muitos, se iniciou uma corrente de um bando de acéfalos nadando num rio de bosta, que insistia em bater no peito e dizer: “mas rock não tem nada a ver com política!”. Vários deuses do rock começaram a tremer em suas tumbas. E a coisa só foi piorando. “E viva o sertanejo! Parei com rock!”. Recentemente, os fãs do Rage Against The Machine se manifestaram surpresos ao descobrir que banda tinha letras políticas. O cara bateu cabeça à toa! Saca a letra de “Killing in the name”: “Alguns daqueles que estão no poder/ São os mesmos que queimaram cruzes/ Matando em nome de/ E agora você faz o que te mandaram/ Aqueles que morreram estão justificados/ Por usarem o distintivo...”. “Para tudo! É isso mesmo?”. “Mamãe passa a minha camisa do Iron Maiden, que hoje é dia de rock!”. É isso?
 
Digo isto, de forma nenhuma fazendo crítica ao Maiden, por todos os seus trabalhos prestados ao rock, mas somente para frisar que boa parte, ou quase sua totalidade de “fascistas do rock” são os chamados “Metaleiros”, que, sinceramente, terão que buscar outra denominação, sem crítica nenhuma ao gênero tão importante e vital na sustentação dos pilares do Rock’n’Roll. Peguei pesado! Menos Larry! Mas quando falei em “tacar fogo nos fascistas”, falava muito sério. Desculpem-me os amigos “metaleiros”, que tenho certeza também sentem e/ou devem sentir vergonha destes “falsos metaleiros” fantasiados de camisas pretas por aí. Mas, irmãos, a barra está pesada demais em seu departamento/seção. Não quero de forma nenhum ser mal interpretado. Entendam. Mas é bizarro entrar no Instagram do João Gordo/Ratos de Porão, e vê-lo batendo boca com “fãs do Ratos de Porão”, acusando-os de traidores por ser contra o Impeachment/golpe que tirou a Presidenta Dilma Rousseff. Caraleos! Os Ratos de Porão lançaram discos básicos como “Brasil” e “Anarkophobia”, e pelo visto ninguém entendeu porra nenhuma! Estava tudo lá: “Amazônia Nunca Mais”, “Farsa Nacionalista”, “Máquina Militar”, “Igreja Universal”, etc. Como assim? Será que esses fãs nunca pararam pra prestar atenção nas letras? “Aids! Pop! Repressão, O que eu fiz pra merecer isto?"  Ah! Sim! Esqueci! “Rock não tem nada a ver com política!”. Perdoe-lhes, Pai! Eles não sabem o que fazem! Acho que essa galera realmente acreditou que o Ozzy come morcegos, e ele deve ser, para muitos, completamente diferente do pai amoroso que tenho certeza que ele é. Sendo ele maluco ou não.
 
Mas, voltando ao debate, quando o Rage Against The Machine fala para reagir contra a máquina, é justamente pensando nesta divisão que nunca foi justa. E nunca será. E resumidamente todo governo ou artista que se preze terá sempre as políticas sociais em suas pautas/letras/posturas. Na boa! Como dizia o Chico Science: “De que lado você samba/ De que lado você vai sambar?”. O que vocês acham que é certo? Devemos lutar a favor destas bases, genuinamente humanistas, ou vestir o capuz da Ku Klux Klan e sair pelas ruas com uma camisa preta do Bolsonaro, se passando por partidário da canonização de Adolf Hitler? É fogo nos fascistas! Se riga cabeçon! (como dizia aquela velhinha oriental fofa num comercial de TV Relembre).
 
Mas vamos lá! Titio explica de novo. Vamos tentar entender essa bagaça. Acho que a culpa de tudo é do Kurt Cobain. Ele não tinha nada que ter dito que Os Mutantes é a melhor banda brasileira de todos os tempos. “(...) Mas também quem é Kurt Cobain? Nirvana nem é legal! Se pelo menos fosse um Pearl Jam. Pô! Pearl Jam é mais legal! Pelo menos Pearl Jam tem solo de guitarra...”. Eu juro que ouvi esse papo na Radio Cidade! A chamada “Rádio Rock”. Acho que tudo começou/terminou ali. Um bando de playboys babacas em um programa de rádio, tirando onda de metaleiro (falsos metaleiros) vomitando em cima da obra do Kurt Cobain com o argumento de que “para o gosto deles o Nirvana não é lá essas coisas...”. Vai tomar no cuuuuuu! E para de falar merda! Se até o próprio Pearl Jam no documentário da banda “Twenty”, de 2011, fala que a banda não seria muita coisa sem o exemplo do Kurt Cobain, e sem o toque sobre responsabilidades com o sucesso, e que aquela história de rivalidades entre as bandas era mais pra ser zoada, porque eles tinham coisa melhor pra se ocupar. Explicação dada pelo próprio Eddie Vedder no documentário. Então quem és tu na fila do angu para dizer que: “Nirvana não é lá essas coisas...”. Tu não entendeu nada, compadre! Vai ouvir Bruno e Marrone! (nada pessoal com os caras), e para de falar merda. Daí pra dizer que Roger Waters está misturando música com política, e que Bolsonaro é o “seu presidente”, é um pulo.
 
E como muitos ainda insistem em dizer: “Pelo menos a gente tirou o PT!”. Parabéns! Agora chupa, Pearl Jam! - Larry Antha.

Leia os outros textos da coluna INJECTING DRUG POR LARRY ANTHA AQUI!

LARRY ANTHA - Foi vocalista da banda Sex Noise nos anos 90, lançando, entre demos e participações, dois CDs; a coletânea ‘Paredão’, pela EMI-Odeon, e o CD ‘Uno Palmo d’Lacraya’ pela Tamborete/DeckDisc. Em 2011, lançou pela Editora Multifoco seu primeiro livro: ‘Memórias não póstumas de um punk’. A partir de 2012, publicou, um livro a cada dois anos. Nesse meio tempo participou do projeto 100Tauro 100Tado que lançou álbum pela Caravela/Warner. Voltou à cena com a banda LoveJoy que deu origem à BlastFemme e à Katina Surf, sua nova banda. No final de 2018, recebieu dois prêmios literários do Ministério da Cultura sobre o Bicentenário de Independência do Brasil, com os textos inéditos “Elucubrações Vazias” e “O Ladrão e o Jurista”. Enquanto isso, a Katina Surf, lançou os singles “Gangue da Mostarda”, “Livre pra encontrar uma nova ilusão”, e “Pá pá pá (do vazio)”. Larry Antha apresenta toda sexta-feira às 17h, o programa Novo Velho Punk, pela Cabare Radio!
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