Nome consagrado do grunge, o Mudhoney retorna ao Brasil em nova tour pela América do Sul em março de 2025. Curitiba (20/03), no Tork N’ Roll, São Paulo (21), no Cine Joia, Rio de Janeiro (22), no Circo Voador e em Belo Horizonte (23), na Autêntica. Saiba mais na matéria que segue.

TEXTO: Larissa Oliveira
COLABOROU: Michael Meneses!
FOTOS: Divulgação
Um dos quartetos mais sujos do grunge de Seattle, Mudhoney, vem ao Brasil pela sétima vez. E se celebramos o legado de grandes bandas de Seattle como Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden, não podemos esquecer de Mudhoney, uma banda formada com a mesma brutalidade do que seria classificado como grunge. Não lembrar do Mudhoney seria no mínimo injusto!
Resistência, Raw Power
e Influência Atemporal!
Antes do Mudhoney, Mark Arm (vocalista e guitarrista) e Steve Turner (vocalista) formaram Green River em 1984 e lançaram o EP “Come on Down”, considerado por muitos o primeiro álbum da história do grunge, mas a banda foi dissolvida três anos depois.

Em 1988, Mark Arm, Steve Turner, Matt Lukin (baixo) e Dan Peters (bateria) se unem na primeira formação do Mudhoney com influências de garage rock, Black Flag, Black Sabbath e claro, a mais notável, The Stooges. No mesmo ano, estreiam com o EP, “Superfuzz Bigmuff”, com muito fuzz, letras sarcásticas e os vocais tensos de Mark Arm. Esse combo se tornaria a marca inconfundível do estilo e inspiraria fortemente Nirvana, com Kurt Cobain listando o EP na sua famosa lista de discos favoritos.
Além disso, o álbum foi produzido por Jack Endino, considerado o nome chave por trás dos discos mais clássicos do grunge, e lançado pela também fundamental gravadora SubPop. Além da icônica “Touch me I’m Sick”, outras grandes faixas do EP são ‘In ‘n’ Out Of Grace’ e ‘Sweet Young Thing Ain’t Sweet no More’.

O álbum de estreia veio no ano seguinte 1989, intitulado de “Mudhoney” e novamente encabeçado por Endino e SubPop. O álbum traz faixas essenciais como “Here Comes Sickness”, que com certeza fará o público gritar essas músicas a plenos pulmões, nos shows pelo Brasil, outra que vai agradar geral é ‘You Got It’.
Every Good Boy Deserves Fudge é a maior prova do amor dos rapazes pelo garage rock e por bandas como Spacemen 3. O disco é tão divertido, carregado de fuzz e traz os gritos bem característicos de Mark Arm (bem inspirados em Iggy Pop) quanto os trabalhos anteriores da banda. Porém, Every Boy tem um quê de mais solto e não se importa em passar nenhuma mensagem que possa trazer uma transformação pessoal. O que você precisa para ouvir o disco é aumentar o volume e se deixar pelos refrães que grudam na cabeça como “Let it Slide” e “Into the Drink”. Vale ler o texto sobre o disco na Coluna Discão da Rock Press (AQUI)!
Mudhoney conta com 11 álbuns de estúdio, sendo que o ‘Piece of Cake’ de 1992 se destaca pela faixa “Suck You Dry”, seu clipe rodava na MTV e apresenta uma estética da década de 1990, com jovens vestindo jeans e camisas de flanela, pulando e agitando em uma apresentação da banda.
Plastic Eternity – O Novo Álbum!

Mudhoney sempre gostou de letras irreverentes, por vezes trazendo críticas ácidas de forma divertida como em ‘Hate the Police’ e na crítica ao mundo digital no disco ‘Digital Garbage’ de 2018, o mais político deles. Essa consciência se manteve no último lançamento deles, ‘Plastic Eternity’ de 2023, gravado na pandemia.
Mudhoney segue ampliando o leque de temáticas, e mesmo quando elas são menos sérias e mais baladas, como no single ‘Little Dogs’, que retrata a alegria trazida pelos cães, o grupo consegue surpreender com um som de qualidade, sem se repetir, mesmo que reconheçamos a marca da banda nos primeiros segundos.
O que mantém o quarteto irreverente também é ter resistido ao rótulo grunge e ter se conectado com os problemas do seu tempo. Por exemplo, a faixa ‘Flush the Fascists’ do último álbum, é uma crítica à onda fascista que tomou o mundo nos últimos anos. ‘Human Stock Capital’ veio após Mark Arm ver um negacionista na TV durante a pandemia do COVID e ter passado mal com isso. É importante ver uma das poucas bandas resistentes do grunge de Seattle engajado e ainda produzindo sons fora da caixa, ainda assim, outras bandas que buscam emular o som sujo e cru dos anos 90, passam por Mudhoney, mesmo que indiretamente, tornando sua influência atemporal. Um exemplo disso é o trio punk feminino e conterrâneo Childbirth, que trazia riffs divertidos, com toques de psicodelia e letras sarcásticas.
Mudhoney
América do Sul – Tour 2025
Apesar de serem veteranos no Brasil, cada vinda remeterá lembranças da juventude dos fãs, afinal o país e o mundo estão em constantes mudanças. Além do Brasil a banda também se apresenta em Buenos Aires na Argentina e por aqui, as apresentações estão confirmadas em Curitiba (20/03), no Tork N’ Roll, São Paulo (21), no Cine Joia, Rio de Janeiro (22), no Circo Voador) e Belo Horizonte (23), na Autêntica). A iniciativa é da Maraty Produções, produtora do jornalista André Barcinski e do produtor Leandro Carbonato. Ainda há ingressos disponíveis para todas as cidades.
Em todas as apresentações a expectativa de que geral poderá bater muita cabeça ao som dos clássicos como ‘Touch Me I’m Sick’ e curtir os sons do álbum Plastic Eternity. Em São Paulo, o show de abertura será com a banda Apnea (leia entrevista aqui).
Na noite em Belo Horizonte (23/03), a atração extra será o casal de DJs Ju Semedo (DJ Jujuba) e Luiz Ramos (DJ CtrlZ). O publico mineiro que for apaixonado pelo rock alternativo dos anos 90, com certeza vão agitar com o repertorio dos DJs.
Já na capital carioca os shows de abertura estão a cargo da Frogslake e da Grindhouse Hotel em noite que ainda conta com DJ Julio EleMesmo. Conheça um pouco as bandas.

FROGSLAKE – Formada por China (vocal e guitarra), Alessandra (baixo), Pletz (guitarra) e Rogger (bateria) e com mais de 10 anos de atividade esse quarteto é um dos nomes mais representante do rock na cidade de São Gonçalo e estado do Rio de Janeiro. Com influências diretas do grunge, destaque para “Take Me Out” (2022), trabalho produzido por Billy Maia (DNMT Rec.) e masterizado pelo mestre Jack Endino.

GRINDHOUSE HOTEL – Outra atração da noite no Circo Voador, é o stoner rock com pitadas de hard rock da banda paulista Grindhouse Hotel. Formando por Leandro Carbonato (voz e guitarra), Roger Marx (baixo), Luiz Natel (guitarra) e José Monaco (bateria). Aos cariocas, vale conferir!
Recomendamos…
A volta do Mudhoney ao Brasil se dá num momento mais do que necessário, quando outras bandas tão resistentes (ao tempo e no sentido político) vêm ao país no mesmo mês de março, como Garbage e L7, e uma vez que atravessamos um período de incertezas políticas já que a extrema-direita segue em ascensão e precisamos levar o protesto antifascista às artes. Mudhoney com certeza fará um show surpreendente, com a mesma energia revolucionária e caótica de sempre. Bandas como Mudhoney mostram que não existe validade para fazer um som irreverente, punk, criar algo, e fazer da sua arte um ato de resistência política. – Larissa Oliveira.
Mudhoney – Tour Brasil 2025
SERVIÇO:

CURITIBA/PR
LOCAL: Tock N’ Roll
DATA: Quinta-Feira, 20 de março de 2025
INGRESSOS: Antecipados no site da Meaple (aqui).
SÃO PAULO/SP – Cine Joia – 21 de Março
DATA: Sexta-feira, 21 de março de 2025
LOCAL: Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade – SP/SP
INGRESSOS: antecipados no site da Fastix (aqui).
RIO DE JANEIRO/RJ
Mudhoney + Frogslake + Grindhouse Hotel + DJ Julio EleMesmo
DATA: Sábado, 22 de março de 2025 (Abertura dos Portões às 20h).
LOCAL: Circo Voador – Rua dos Arcos s/nº – Lapa/RJ
INGRESSOS: No site da Eventim (aqui), e na bilheteria do Circo Voador. sempre 2h antes da abertura dos portões.
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos (14 a 17 anos somente acompanhados pelos responsáveis).
REDES SOCIAIS DO CIRCO VOADOR:
SITE: www.circovoador.com.br
X: https://twitter.com/circo_voador
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/circovoador/
FACEBOOK: https://www.facebook.com/circovoadorlapa
BELO HORIZONTE/MG
LOCAL: Autêntica – Rua Alvares Marciel, 312, Santa Efigênia – Belo Horizonte/MG
DATA: Domingo, 23 de março de 2025 (domingo)
INGRESSOS: antecipados no site da Sympla (aqui).
LARISSA OLIVEIRA – Sergipana morando atualmente em Belo Horizonte/MG, é pedagoga e professora de idiomas (Inglês e Francês), escritora e editora dos Blogs A Redoma de Vidro e Mulheres da Geração Beat (e Women of the Beat Generation), escrevendo também para o Cine Suffragette e Portal Rock Press. Atua como zineira bilíngue e riot grrrl no @iwannabeyrgrrrlzine e como tradutora de artigos e livros. Não vive sem praia, CDs e batom.
MICHAEL MENESES – É o editor da Rock Press deste 2017, criador do Selo Cultural Parayba Records, fotojornalista desde 1993, foi fanzineiro nos anos 1980/90, jornalista e cineasta de formação, pós-graduado em artes visuais. Fotografa e escreve para diversos jornais, revistas, sites e rádios ao longo desses últimos 30 anos, também realiza ensaios fotográficos de diversos temas, em especial música, jornalísticos, esporte, sensual, natureza... Pesquisa, e trabalha com vendas de discos de vinil, CDs, DVDs, livros e outras mídias físicas. Michael Meneses é carioca do subúrbio, filho de pai paraibano de João Pessoa e de mãe sergipana de Itabaiana. Vegetariano desde 1996. Em junho de 2021 foi homenageado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo vereador Willian Siri (PSOL/RJ), com monção honrosa por iniciativas no audiovisual e na cultura suburbana. Torce pelo Campo Grande A.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Atualmente, dirige o filme, “VER+ – Uma Luz chamada Marcus Vini, documentário sobre a vida e obra do fotojornalista Marcus Vini e em julho de 2024, realizou a quarta edição do Parayba Rock Fest.
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