Os estadunidenses do Mudhoney celebram quase quarenta anos de carreira num show eficiente e cirúrgico no Circo Voador. A tour talvez tenha sido a última chance de ver a banda em solo brasileiro. Abrindo a noite, as bandas Grindhouse Hotel (São Paulo) e Frogslake (São Gonçalo/RJ) e discotecando, DJ Julio Ele Mesmo! Saiba como foi na matéria que segue…

Mudhoney, Grindhouse Hotel, Froglake e DJ Julio Ele Mesmo
Circo Voador – Lapa – Rio de Janeiro/RJ
Sábado – 22 de Março de 2025
TEXTO: Leozito Rocha
FOTO: Nem Queiroz
No embalo de um sábado promissor muita gente pegou seu transporte predileto e mirou o mítico Circo Voador. A noite prometia, claro. Era dia de Mudhoney no palco. Algo que não acontece há tempos em terras brasilis.

A banda formada por Mark Arm, Steve Turner (os dois líderes), Guy Maddison e Dan Peters subiu ao palco por volta das 23:05 da noite. Com a promessa de um show que abordaria seus quase quarenta anos de estrada. Mas, antes de tudo duas bandas abriram com a missão de entreter o público.
Primeiro foram os rapazes de São Paulo, da banda Grindhouse Hotel (foto ao lado), com um som referente ao Stoner Rock. A banda estava ciente da responsabilidade daquele palco, e logo reconheceram o já falado lado “Mítico do Circo Voador”. Revelaram que nem tinha roupa para tocarem ali, tamanho o peso daquele palco. A Grindhouse Hotel possui um EP e um disco lançado na carreira. O Circo ainda não estava cheio, porém os presentes curtiram do começo ao fim, em um set que teve direito à uma versão de “Nearly Lost You” do Screaming Trees. Vale conhecer a banda. #Recomendamos.

Na sequência, diretamente de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, veio o pessoal do Frogslake (foto acima). A banda traz influências do garage rock e do grunge. Nesse instante mais gente havia chegado e a banda foi bem aplaudida. O vocalista do Frogslake chegou a mencionar o último show que assistiu do Mudhoney, onde ele (segundo contou) foi empurrado do palco no meio da apresentação. Nas palavras dele: Uma experiência do caralho! (Risos).
Entre as bandas o DJ Julio Trindade, ou para os íntimos: “Julio Ele mesmo” brindou todos com boa música. A agenda do Julio vive cheia e ele aproveitou para mostrar serviço no espaço.
MUDHONEY NO PALCO DO CIRCO VOADOR!


Quando não mais as pessoas poderiam esperar, foi anunciada a atração principal. Mark Arm e sua trupe adentraram lentamente e foram tomando, cada um, seu lugar. A turnê está cansativa e isso tem afetado um pouco os músicos. Prova disso foi a temperatura do show. Eles começaram de maneira lenta, com canções menos aceleradas e aos poucos iam aumentando a velocidade. Tudo bem regulado e no ritmo deles.
De cara, eles abriram com “If” e emendaram com “Move Under” (último disco) e “Get Into Yours” sem deixar espaço. Emendando a la Ramones mesmo, As guitarras de Mark e de Steve estavam nervosas e com raiva. O guitarrista principal não é um virtuoso nem dado muito a solos, porém sabe bem a dose certa de riffs e frases certeiras nas canções. A banda sempre zelou por excelentes discos e músicas bem trabalhadas e potentes.
O set list esteve bem distribuído, conforme citado, reunindo boa parte da trajetória deles e reunindo quase todos os álbuns de carreira.Canções como “Nerve Attack”, “Good Enough”, “Sweet Young Thing” foram exaltadas pelos fãs e cantadas a plenos pulmões. No meio da galera lá abriu-se uma grande roda. Ali cada um dançava, esbarrava e “brigava” como um punk fazia nas antigas. Tudo como manda o figurino. Em clima de amizade.
“Suck You Dry”, “Into the Drink” e “Touch Me I’m Sick” colocaram o público em êxtase e garantiram muitos sorrisos e afeições em quem lá estavam. O Mudhoney oscila em acelerar o show e depois reduzir um pouco o ritmo. Foi assim até o fim. Meio que dosando bem e administrando a performance. Mas, sinceramente quase ninguém ligou para isso… O importante era testemunhar e degustar a gig.

“Beneath the Valley of the Underdog”, “Here Comes Sickness” (com solo de Dan Peters) e “Chardonnay” também estiveram presentes. E, mesmo com essa revisitação toda houve espaço para canções mais novas como “Almost Everything” e “Little Dogs”, por exemplo, tiradas do último disco deles, o ótimo “Plastic Eternity” de 2023.
Para que o leitor (a) entenda, o Circo esteve lotado no show e ainda fora dali. No entorno dentro, me refiro. Público variava em assisti-los e vez em quando sentar para tomar uma cerveja. Há um telão em frente as mesas para ninguém perder nada. Muito papo, muita gente conhecida da noite carioca, inclusive. O Mudhoney arrasta artistas, produtores, DJs e críticos musicais. A conversa esteve boa e o tema quase sempre passava pela relevância da banda e shows do passado históricos. Podemos dizer que foi uma noite passada a limpo e um reencontro de uma época gostosa e criativa da música. Ninguém quis perder a experiência.

Foram mais de vinte e cinco canções. Além de quatro outras no BIS. Em quase duas horas de apresentação. Tivemos solo de bateria, solos de guitarra, berros do vocalista, pessoas subindo ao palco e dando um mosh, rodinha punk, letras cantadas, gente dançando por todos os lugares, celulares e câmeras registrando tudo, banda suada, etc. Ou seja: tudo que um show de rock precisa ter.
Foi emocionante assistir a tudo e perceber que o sábado valeu muito a pena. E, cada um que de lá saiu chegou em casa horas depois realizado e certo de que testemunhou um show de música. De grandes músicas!

A banda vinha de apresentações em Curitiba/PR, São Paulo e ainda passou por Belo Horizonte/MG, onde a Rock Press marcou presença (leia aqui). Também se faz importante mencionar que a passagem do Mudhoney no Rio de Janeiro foi mais uma iniciativa da Tomarock Produções. – Leozito Rocha.
LEOZITO ROCHA – É radialista, pesquisador musical, escritor e amante de cinema. Colaborador de sites musicais, curador de rádio, editor e apresentador do “O Som do Leozito” na Internova Rádio (OUÇA), e observador incurável. Seu facebook é aqui!
NEM QUEIROZ – É Poeta, letrista, fotógrafo, cantor, escritor, artista plástico e DJ. Pesquisador e colecionador de música, rato de cinema, teatro, sebo/livraria, centros culturais e shows! Intitula-se como “O Fotógrafo Observador” quando se aventura a resenhar para sites e afins. Ele mora aqui.
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