MORAES MOREIRA: De Amor e de Paz!

O primeiro a soltar a voz em cima do trio elétrico. Cantor, compositor e instrumentista dos MORAES_MOREIRA_Rock_in_Rio_2013_FOTO_Jonathan Bramussimaiores do país. Co-fundador dos Novos Baianos. Amigo de Tom Zé, pai de Davi, parceiro insubstituível do poeta Luiz Galvão, companheiro de guitarras de Pepeu. Moraes Moreira era do frevo, do rock, do choro, da bossa, do samba e do baião. Uma carreira solo com mais de 20 álbuns e dezenas de hits como “Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira”, “Brasil Pandeiro”, “Festa do Interior”, “Chão da Praça”, “Besta é Tu”, dentre tantas outras.
 

MORAES MOREIRA:
De Amor e de Paz!

TEXTO: Cadu Oliveira
FOTOS: 
Jonathan Bramussi, Felipe Corrêa,
Leoni Foto VER+Fotografias e Rômulo Correa

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A Bahia, terra de todos os santos, é a mãe de diversos gigantes da música popular brasileira. Um deles partiu, no último 13 de abril, por volta das 6 horas da manhã, MORAES_MOREIRA_Rock_in_Rio_2013_FOTO_Leoni_Foto_VER+Fotografiassozinho em sua casa no Rio de Janeiro, após sofrer um infarto agudo do miocárdio. Assim, aos 72 anos, Moraes Moreira se despediu da vida, deixando um legado imortal de amor ao violão e carnaval.

Batizado Antônio Carlos Moreira Pires, Moraes é natural de Ituaçu, interior da Bahia. Chegou à Terra no dia 8 de julho de 1947 para encher a música popular brasileira de alegria. Seu primeiro encontro com a música foi tocando sanfona de doze baixos, animando festas de São João na cidade. Só mais tarde foi encontrar o violão, enquanto estudava Ciências na faculdade de Caculé, localizada na região sudeste do território baiano. Acabou em Salvador para estudar no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia, onde conheceu os futuros integrantes dos Novos Baianos, além de se tornar amigo de Tom Zé, com o qual aprendeu a tocar violão. "Moraes, você foi meu aluno, e que aluno prodígio! Há mais de meio século. Aprendeu logo tudo que eu podia ensinar de violão, em pouco tempo tocava melhor que eu," disse o músico, despedindo-se de Moraes em sua conta no Instagram.

Ali, na UFBA, Moraes provou o doce mel do Rock n’ Roll. Em 1968, montaram um espetáculo que deu origem a formação da banda que ajudou a estabelecer totalmente a Bahia no mapa do rock nacional. O nome da peça era Desembarque dos Bichos depois do Dilúvio Universal. E o conjunto formado todo mundo conhece, contém nomes famosos como o de Moraes, mais os de Baby Consuelo na voz, Pepeu Gomes na guitarra, Paulinho Boca de Cantor, e composições de Luiz Galvão. Os Novos Baianos fizeram história.

O primeiro álbum do grupo veio em 1970, chamado “É Ferro na Boneca”. Um disco de rock com pegada aventureira Novos_Baianos_Acabou_Chorare_Vinil_Polysomque fecha o Lado B com a canção “De Vera”, apresentada pelo grupo no V Festival da Música Popular Brasileira da Rede Record. Mas, a grande pedrada do grupo ainda estava por vir, e veio. Em 72 lançam “Acabou Chorare” (FOTO), o disco indicado pela revista Rolling Stone como o número um da lista dos 100 melhores álbuns da música brasileira.  Ali, sem dúvidas, também tem rock, mas junto acrescenta-se uma pitada inexplicável de psicodelia, samba e inovação que simplesmente seduziu o Brasil e o mundo.

A essa altura o grupo alugou um sítio em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio dMORAES_MOREIRA_Rock_in_Rio_2013e Janeiro, e foram morar, todos juntos: jogando bola, fazendo fumaça e criando (filhos) e música. Nesse lugar, certa vez, apareceu um senhor de violão em punho, pronto para conversar sobre arranjos, arpejos, ganjas, melodias, gastronomias e harmonias. Achou tudo isso por lá: era João Gilberto, que passou a ser um dos mentores da banda. “Acabou Chorare” é uma fila de canções imortais como: “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente, “Preta Pretinha”, “Mistério do Planeta”, “A Menina Dança” e todas mais! Este álbum tem uma história ímpar e um legado incomensurável dentro da história da música popular nacional.

Moreira seguiu na banda até os idos de 1975, quando partiu em carreira solo. Com isso, mergulhou fundo na música do carnaval da Bahia, onde nunca deixou de se apresentar. Notabilizou-se como primeiro a cantar no Trio Elétrico com Dodô e Osmar. E lançou mais de 20 álbuns, permanecendo vivo e ativo no cenário do cancioneiro soteropolitano. 

Há alguns anos, a trupe dos Novos Baianos se reencontrou no palco fazendo turnê por todo o Brasil. O show no Rio teve cobertura da Rock Press e pode ser lido no link: AQUI. Moraes é personagem marcado por bom humor e perspicácia tanto rítmica quanto lírica.   

Das Águas Claras ao Rock in Rio...
Festival_das_Aguas_Clara_II_Iacanga_SP_1981Parte de sua trajetória foi ter tocado em diversos festivais de música e arte pelo Brasil, entre os quais, quatro edições do Rock in Rio (1985, 1991, 2001 e em 2013, edição onde foram realizado os clicks dessas fotos). “Moraes Moreira: a personificação da alegria. Um novo baiano que passou pelo planeta deixando um império musical de 40 discos. Misturou rock com frevo, hip hop com repente nordestino”, disse a página oficial do Rock in Rio, ao se despedir do cantor, no Facebook. Falando em festivais, Moraes Moreira esteve presente na segunda edição do Festival das Águas Claras, evento pioneiro entre os festivais de Rock no Brasil e que ganhou um excelente documentário, intitulado de “O Barato de Iacanga” (2019). Com direção de Thiago Mattar, o filme mostra imagens raras de Moraes Moreira nos bastidores do festival.
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Legado...
Nos últimos anos, a discografia de sua carreira solo (foto) e dos Novos Baianos, ganharam reedições em discos de vinil 180 gramas pela Polysom, em formatos LPs e compactos, e todos tiveram grande procura por partes de fãs e colecionadores.

Em sua MORAES_MOREIRA_Rock_in_Rio_2013_FOTO_Romulo_Correadespedida, Baby lembrou que Moraes foi o “primeiro integrante do grupo a seguir para a eternidade”, disse emocionada, confortando amigos, produtores e familiares. Elba Ramalho, Fafá de Belém, Margareth Menezes e diversas outras personalidades da música manifestaram seus votos de luto pela morte do cantor. Na Gávea, vizinhos aplaudiram e colocaram músicas de Moraes para tocar, assim que souberam da notícia do falecimento. Por motivo da pandemia de Covid-19, os parentes não puderam divulgar local e horário do velório, respeitando a necessidade de evitar aglomerações. Não fosse isso, certamente veríamos um velório repleto de lágrimas, mas também uma multidão de fãs cantando e chorando o repertório inteiro de “Acabou Chorare”. – Cadu Oliveira!

 

 

 

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