MANDE NOTÍCIAS DO MUNDO DE LÁ...: Reflexões de antes da pandemia

Larry Antha aborda, em sua coluna, o caminho encontrado por bandas e Confronto_Foto_MICHAEL_MENESES_Credito_Obrigátoriomúsicos do underground brasileiro que têm feito carreira fora do país. Tentamos entender como Confronto (fofo), Boogarins, Oruã, BNegão, Autoramas, Baiana System, Lê Almeida, entre outros, tocam em outras praias, e são quase desconhecidos em seu próprio quintal.
 

MANDE NOTÍCIAS DO MUNDO DE LÁ...
Reflexões de antes da pandemia

TEXTO: Larry Antha
ARTE: Jorginho
FOTOS:
Michael Meneses, Pedro Margherito e Divulgação

De uns tempos para cá, se tornou comum bandas do underground brasileiro realizarem carreira MANDE_NOTÍCIAS_DO_MUNDO_DE_LÁ_por_Larry Antha_arte_por_Jorginho_20_07_2020fora do país. Já que o mar não está para peixe, que encontremos outros mares para navegar. Assim fez, na virada Confronto_Foto_MICHAEL_MENESES_Credito_Obrigátoriodo milênio, a banda carioca de Thrash-Metal Confronto. Tida como uma das maiores bandas do gênero ativas na América Latina, e tendo Felipe Chehuan (foto) à frente, eles ainda têm tempo de gerenciar entre uma turnê e outra, um Pub na Baixada Fluminense chamado Gato Negro Pub. Com mais de 10 discos lançados, o Confronto fez tantos shows fora do país, que muita gente desconhece o seu tamanho em seu próprio quintal, tanto que é possível encontrar a história da banda no Wikipédia em alemão, e não em português.
 
Outros que despontaram primeiro fora do país, para depois cair nas graças dos undigrudis brazucas, foram os goianos dos Boogarins (Foto: Pedro Margherito). Com seu indie-rock-neo-psicodélico-progressivo-krautrock-tropicalista, os Boogarins consBoogarins_Facebook_foto_Pedro_Margheritoeguiram a façanha de romper a barreira da língua e cantar em português para multidões mundo afora, sem que para isso fosse preciso entender suas letras. Na verdade, algo subjetivo até para quem fala português. O fato é que os Boogarins já se apresentaram em festivais de música por todo o mundo: Rock in Rio Lisboa, Primavera Sound, Coachella, Lollapalooza, South by Southwest, entre outros. Isso sem contar com a sua participação no cultuado programa de rádio de Seattle KEXP, e na indicação ao Grammy Latino em 2016, por Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa.
 
E ainda tem gente por aí dizendo que o rock morreu. O rock underground está mais vivo do que nunca. Prova disso é a ascensão Autoramas_divulgaçãometeórica da banda carioca de Disco-Punk, BlastFemme, que em pouco mais de um ano, faturaram no Prêmio Gabriel Thomaz de Música, o prêmio de ‘Hit do ano’ com a música ‘Obrigado pela parte que me Tocas" Melhor disco de rock alternativo’, e de quebra, elas que ainda contavam com o genial guitarrista Igor de Assis em sua troup, arranjaram tempo para desbravar a China em uma heróica tour pelo país asiático, em meados de 2019.
 
Gabriel Thomaz, o criador do Prêmio que leva seu nome, além de frontman da antológica, Autoramas, é uma espécie de baluarte do underground nacional, com um dos nomes mais requisitados para os diversos festivais alternativos pelo Brasil, além de ter horas e horas de milhagens, com repetidas turnês pela Europa, e até Japão.
 
BNegão é outro que volta e meia está pela Europa levando seu Hip-Hop-Ragga-Punk-Dancehall, assim como os super atômicos da Baiana System, do carismático Russo Passapusso, que de tão gigantes, conseguiriam o ineditismo de ter uma música na abertura de uma novela da Rede Globo (Segundo Sol), e mesmo assim permanecer desconhecidos do grande público.
 
Não podemos esquecer também do pioneirismo de bandas como Cólera, Sepultura, Ratos de Porão e Jason que desbravaram a Europa e meio mundo algumas vezes, muito antes de toda esta movimentação. E, recentemente um dos pilares do punk paulista, Os Inocentes, do também plebeu (Plebe Rude) Clemente Tadeu Nascimento, fizeram sua primeira tour pela Europa, prometendo voltar o quanto antes. Mas, sigamos! Por outro lado, à parte dos grandes festivais, mas comendo pelas beiradas, o quarteto paulistano Fellini, um eterno item de iniciados cults desde os anos 80, tem agora dois de seus líderes, Cadão Volpato e Thomas Pappon, morando respectivamente em Nova York e Londres. Na verdade, por questões pessoais e melhores oportunidades de trabalho, o que não deixa de ser um charme a mais, quando a banda decide lançar em vinil uma antiga demo-tape, transformando a empreitada em badalado acontecimento capaz de lotar o Sesc Pompeia no começo de 2020. Coisa que se fosse feita, mesmo por eles, sem o recente distanciamento geográfico, não teria o merecido retorno.

O que somos então?

O eterno retrato da máxima: “Santo de casa não faz milagre”, ou um bando de desavisados, que vive olhando para o próprio umbigo e reclamando de tudo, incapaz de acreditar, como dizia o genial Belchior: “Você que ama o passado e que não vê, que o novo sempre vem!”. Eu prefiro acreditar em El Bigodon!
 
Acreditar! Sim! Acho que essa é a palavra. É inacreditável como nos escapam pelos dedos, claro que o Brasil era outro, e vivíamos sob uma ditadura, mas é quase inacreditável, (aproveitando o momento triste em que perdemos o genial Moraes Moreira LEIA AQUI), que o registro em vídeo mais importante dos Novos Baianos tenha sido feito por uma TV Alemã, que conseguiu capturar o grupo em seu auge em uma Live (nem existia isso na época) em seu lendário sítio em Vargem Grande. Nem preciso dizer do estardalhaço que Os Mutantes de Sergio, Rita e Arnaldo fizeram em Montreux, que ao chegar ao Brasil foram recebidos no aeroporto por equipes de TV, que antes os tratavam como os esquisitos do Festival da Canção, mesmo sendo apadrinhados por Caetano Veloso e Gilberto Gil, tendo três discos lançados e contrato assinado com uma multinacional. Mais uma vez, sigamos.
 
E, meio que acreditando na cena, movimento, rolê, e o quê quer que seja de seu entendimento, em 2013, o músico carioca Lê Almeida Lê_Almeida_Mono_Maçã(álbum), nadando total contra a correnteza, após ter lançado alguns vinis em parceria com o selo mineiro Vinyl Land, resolveu abrir um QG no Centro do Rio, e deu-lhe o original nome de “Escritório”, ou melhor “Escritório Transfusão Noise”, espécie de base de lançamentos, e point obrigatório dos alternativos descolados da dispersa cena carioca. Lê Almeida foi costurando parcerias e agregando forças ao longo dos últimos anos, sendo convidado de destaque para diversos festivais alternativos pelo país: Bananada (Goias) e Festival do Sol (Natal), uma tour até o Uruguai, outra pelo Nordeste, várias passagens por São Paulo, entre outros. Até que, após a passagem pelo Escritório também de artistas do mundo todo, muito em função (deve-se lembrar) de seu parceiro musical, e fiel escudeiro João Casaes (um carioca filho de diplomata educado nos Estados Unidos), Built_To_Spill_Divulgação_Facebookmas também pela qualidade musical e pelo diferencial da pegada Lo-Fi dos discos lançados por Lê Almeida, surge a possibilidade de um importante show no Escritório Transfusão Noise. A banda indie americana de um homem só, Built To Spill (foto), viria ao Brasil para fazer alguns shows por aqui, e o Escritório daria o suporte para a turnê, com o próprio Lê Almeida e seus comparsas, de músicos de apoio do astro indie americano. O show, divisor de águas, culminou com a entrada de Lê Almeida e sua turma para a banda americana, tendo feito, ainda em 2019, três turnês com o Built To Spill; uma cobrindo toda a Europa, e outras duas cobrindo as duas costas americanas. Por tabela, Lê Almeida, além de gravar o novo disco da Built To Spill pela Sub Pop, levou para a mesma turnê sua nova banda Oruã (álbum), uma vez que, parte dos músicos que passaram a integrar o Built To Spill, era também de sua banda. Oruã_RomãA Oruã além de abrir parte da turnê do Built To Spill, conseguiu ainda gravar o programa de rádio da cultuada KEXP de Seattle, para espanto dos desavisados da cena Carioca.
 
É, ou não é o segredo, acreditar nas paradas? No fim das contas o que fica é a saudade dos irmãos, que vão pescar em outros mares, pois estão carecas de saber que por aqui o mar não está pra peixe, parodiando aquele famoso festival bairrista. O que nos resta é pedir que nos mandem notícias do mundo de lá, e quando a pandemia passar, possamos estar tanto aqui como lá em um melhor lugar. - Larry Antha.

CONHEÇA:

GATO NEGRO PUB - Rua Professor Alcebíades, 1651 – Jardim Meriti – São João de Meriti/RJ
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PRÊMIO GABRIEL THOMAZ DE MÚSICA: 
FACEBOOK: https://www.facebook.com/premiogabrielthomaz/

ESCRITÓRIO TRANSFUSÃO NOISE - Rua da Constituição, 64 –Centro -  Rio de Janeiro/RJ
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Instagram: https://www.instagram.com/escritorio_transfusao/

 

Leia os outros textos da coluna INJECTING DRUG POR LARRY ANTHA AQUI!

LARRY ANTHA - Foi vocalista da banda Sex Noise nos anos 90, lançando, entre demos e participações, dois CDs; a coletânea ‘Paredão’, pela EMI-Odeon, e o CD ‘Uno Palmo d’Lacraya’ pela Tamborete/DeckDisc. Em 2011, lançou pela Editora Multifoco seu primeiro livro: ‘Memórias não póstumas de um punk’. A partir de 2012, publicou, um livro a cada dois anos. Nesse meio tempo participou do projeto 100Tauro 100Tado que lançou álbum pela Caravela/Warner. Voltou à cena com a banda LoveJoy que deu origem à BlastFemme e à Katina Surf, sua nova banda. No final de 2018, recebieu dois prêmios literários do Ministério da Cultura sobre o Bicentenário de Independência do Brasil, com os textos inéditos “Elucubrações Vazias” e “O Ladrão e o Jurista”. Enquanto isso, a Katina Surf, lançou os singles “Gangue da Mostarda”, “Livre pra encontrar uma nova ilusão”, e “Pá pá pá (do vazio)”. Larry Antha apresenta toda sexta-feira às 17h, o programa Novo Velho Punk, pela Cabare Radio!
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