LITTLE RICHARD: A sólida obra do arquiteto do Rock’n’Roll!

Little Richard se foi. No entanto, o artista, conhecido como o “Arquiteto do Rock’n’Roll”, deixa para a humanidade uma Little_Richard_1956_Long_Tall_Sallysólida obra muito bem construída que influenciou uma enorme legião de músicos e admiradores do gênero e que, sem dúvidas, ficará eternizada na História da Música. Conheça um pouco da trajetória daquele que também foi chamado de “O Inovador” e o “O originador”, na matéria que segue.

LITTLE RICHARD:
A SÓLIDA OBRA DO ARQUITETO DO ROCK’N’ROLL! 

TEXTO: Robert Moura
ARTE: Jorginho 
FOTOS: Divulgação 

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“Ricardinho!” – foi assim que Erasmo Carlos, um dos percussores do Rock no Brasil, saudou Little Richard em “Bom dia, Rock’n’Roll”, música que compôs com Roberto Little_Richard_EP_americano_com_as_gravações_antes da famaCarlos em homenagem aos pioneiros do Rock que os influenciaram. Little Richard foi (é!) um dos grandes pilares que ajudaram a criar e sustentar esse gênero musical, não por acaso, ele foi chamado de “O Arquiteto do Rock’n’Roll”. Ele está na gênese da transformação do Blues ao Rock ao lado de Arthur William “Big Boy” Crudup, Fats Domino, Bo Diddley e Chuck Berry, ao que se juntaram Jerry Lee Lewis (agora, o único vivo desse Olimpo), Carl Perkins, Gene Vincent, Buddy Holly e Elvis Presley. E, obviamente, não podemos esquecer Sister Rosetta Tharpe, cantora de quem Little Richard era fã. Aliás, foi Rosetta Tharpe, que, ao ouvir Richard cantando suas canções quando ele tinha apenas 14 anos de idade, o influenciou a tornar-se um músico profissional convidando-o para abrir seu show e pagando seu cachê. Rosetta era a cantora favorita de Richard. Por sua vez, o interesse pelo piano se daria por influência de Ike Turner, e o cantor e pianista Esquerita inspiraria a performance e o visual de Richard.

Nascido Richard Wayne Penniman, no dia 5 de dezembro de 1932, em Macon, cidade do estado da Geórgia (EUA), Little Richard faleceu no dia 9 de maio, em Los Angeles, devido a um tumor ósseo. A sua morte foi comunicada por seu filho Danny Jones, adotado por ele e sua esposa Ernestine Campbell com quem esteve casado por quatro anos num período de conversão religiosa. Nos últimos anos, Richard passou a usar cadeira de rodas após uma cirurgia no quadril em função de uma dor ciática na perna esquerda.Little_Richard_1952_Get_Rich_Quick_selo_azul 

Terceiro dos doze filhos de Leva Mae e Charles Penniman, Richard deixaria sua casa com apenas 14 anos de idade, em função da intolerância de seu pai à sua homossexualidade. Dono de um bar, Charles seria assinado a tiros logo no início da carreira do filho, iniciada no circuito de Rythm’n’Blues nos anos 1950. Já com a alcunha de “Little” (pequeno), apesar de seus 1,80m de altura, as suas primeiras gravações de canções como “Taxi Blues”, “Get Rich Quick” (foto) e “Ain’t That Good News”, ainda na linha do R&B, realizadas entre 1951 e 1954, não surtiram muito efeito. 

Little_Richard_1955_Tutti_Frutti_SpecNo entanto, em 1955, durante uma sessão de gravação que se mostrava improdutiva, Richard sentou-se ao piano durante um intervalo e cantou aquela que se tornaria um dos maiores clássicos do Rock, “Tutti Frutti” (foto), com sua frase inicial onomatopaica que resume o gênero de forma pré-racional: “A-wop-bop-a-loo-bop-a-lop-bam- boom!”. A frase era na verdade uma resposta ininteligível que dava às ofensas racistas de seu patrão quando trabalhava como lavador de pratos em uma lanchonete da rodoviária de sua cidade natal. A letra original que tinha um cunho homossexual ganharia uma nova versão e a gravação se tornaria um sucesso imediato nas paradas de R&B alcançando a marca de um milhão de cópias vendidas. Em quatro anos, ele lançaria uma série de hits que incluem “Long Tall Sally”, “Slippin’ and Slidin’”, “Rip It Up”, “Ready Teddy”, “The Girl Can’t Help It”, “Lucille”, “Jenny Jenny”, Little_Richard_1958_Good_Golly_Miss_Molly“Good Golly, Miss Molly” (foto), “Hey-Hey-Hey-Hey!”, “Ooh! My Soul”, “Baby Face”, “Kansas City”, “Shake A Hand”, “Whole Lotta Shakin’”, entre outras. Na época, o forte da indústria fonográfica ainda era o formato single. Os álbuns acabavam por ser quase que coletâneas com os singles de maior repercussão. Dessa forma, o repertório de seus três primeiros LPs, “Here’s Little Richard” (1957), “Little Richard” (1958) e “The Fabulous Little Richard”, reuniriam seus sucessos em sequências de tirar o fôlego. 

Uma das marcas de Little Richard eram seus gritos em falsete que seriam adotados pelos Beatles, e até hoje seguem fazendo a graça dos vocalistas do Hard ao Metal. Os gritos, assim como boa parte de seu vibrante estilo vocal, têm forte influência da Música Gospel, especificamente do estilo fervoroso da igreja Pentecostal e da Santidade (Holiness Church). Essa mesma vibração se dava em seu corpo e suas expressões faciais quando cantava. Nos anos 1950, só Elvis Presley rivalizava com a popularidade de Richard como cantor de Rock. Richard também seria responsável por promover a integração racial entre negros e brancos na plateia de seus shows.

Little_Richard_1972_compacto_alemão_destacando_HendrixAlém do seu piano, sua banda de apoio, a Upsetters, era constituída de guitarra, baixo, bateria, e dois saxofones herdados do blues e do jazz que ainda permaneceriam como os principais instrumentos solistas do Rock, até serem desbancados pelas guitarras. Richard contou com o tecladista Billy Preston e o estreante Jimi Hendrix na guitarra em gravações de 1964-65, dois músicos que também iriam traçar carreiras de enorme relevância. Em 1966, Hendrix declarou que pretendia fazer com sua guitarra o que Little Richard fazia com sua voz.

Desde o início, Richard assumia abertamente sua homossexualidade e chegou a fazer shows como Little_Richard_1960_Disco_Gospel Pray_Along_with_Little_Richarddrag queen com o pseudônimo de Princess LaVonne, antes de lançar seus primeiros discos. Apesar disso, a questão religiosa sempre criou uma grande dicotomia em sua cabeça.  A relação com a igreja seria ainda responsável por um hiato em sua carreira no Rock entre os anos de 1958 e 1962. Ele se retirou do cenário musical, matriculou-se na Faculdade Oakwood College, no Alabama para dedicar-se a estudos bíblicos, se tornou pastor e passou a se dedicar ao repertório gospel. 

O retorno de Little Richard ao Rock, em 1962, incluiria turnês pela Inglaterra, com abertura das bandas iniciantes, Beatles e Rolling Stones. Little_Richard_1992_shake_it_all aboutDurante as décadas seguintes, ele seguiria alternando momentos de maior ou menor exposição midiática, assim como novas retiradas religiosas, mas sem nunca deixar que a música de lado. Seus últimos dois álbuns foram “Shake It All About” (foto), um disco de canções infantis produzido pela Disney, e “Little Richard Meets Masayoshi Takanaka”, com o guitarrista japonês, ambos lançados em 1992.

A força da música de Little Richard deixaria marcas e influenciaria diversos outros gêneros e artistas, indo de James Brown e Otis Redding, respectivamente nomes fundamentais do Funk e do Soul, passando pelo Rock, Metal e o Pop, de Jimi Hendrix, Tina Turner, Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, John Forgety (Creedence Clearwater Revival), Elton John, David Bowie, Freddie Mercury, Patti Smith, Michael Jackson, Prince, Lenny Kravitz, AC/DC, Lemmy Kilmister (Motorhead) e Living Colour, para citar apenas alguns músicos de uma lista infindável. 

Little_Richard_1972_Second _somingNo início dos Beatles, Lennon, McCartney e Harrison costumavam evocar um de seus ídolos favoritos, assim, John era Chuck Berry, George era Carl Perkins, e Paul era Little Richard. Aliás, a imitação de Richard por Paul era um dos pontos fortes dos primeiros tempos da banda. Little Richard costumava dizer: “Podem perguntar ao Paul, eu ensinei tudo para ele!”. Durante uma entrevista para o making of de seu DVD “Live At The Cavern Club!” (no qual toca clássicos do Rock que ouvia na adolescência, incluindo “Shake A Hand”, sucesso de Richard), Paul, que sempre teve a nobreza e humildade de reverenciar seus mestres, disse a mesma frase, imitando a voz de Richard, e acrescentou ao final: “É verdade!”.   

Resumo da ópera: se o Rock’n’Roll fosse um clube de futebol, certamente a escalação desse time seria Little Richard e mais dez! – Robert Moura. 


ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira, e tem uma guitarra Fender Stratocaster azul batizada de “Little Blue” em homenagem a Little Richard. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.
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JORGINHO - Filósofo, Educador Social, administrador do ColetiveArts (grupo de artistas e escritores de Porto Alegre/RS), torcedor do Grêmio, mas não gosta de futebol, gosta é do Grêmio. Trabalha como ilustrador, criador de conteúdo e tudo que seja relacionado ao desenho.
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