FANZINE TCHÊ: Denilson Reis, o homem por trás de um fanzine que já dura 30 anos – ENTREVISTA

A CCXP Worlds está chegando, e um dos artistas que estará presente será Denilson Reis. ResponsávelDENILSON_REIS_Fanzine_Tchê_Gravataí_RS_FOTO_Divulgação pelo Fanzine Tchê, o mais longevo zine do Brasil que já virou filme e exposição, ele estará no Artist Valley lançando uma coletânea pela Editora Criativo. Conversamos com Denilson Reis na Coluna 1, 2, 3, 4... da Rock Press!

FANZINE TCHÊ:
Denilson Reis, o homem por trás de um fanzine que já dura 30 anos!

ENTREVISTA e TEXTO: Jorginho
IMAGENS e FOTOS: Divulgação


Eu era adolescente quando me deparei pela primeira vez com o nome de Denilson Reis. Havia comprado exemplares das revistas Mestre do Terror e Calafrio, da extinta editora D-Arte, revistas de terror que traziam o fino do terror nacional. Na Mestres doFANZINE_TCHÊ_30_ANOS_DE_RESISTENCIA Terror havia um espaço dedicado a correspondências chamada Mala dos Mestres (se não me falha a memória). Nela havia uma seção dedicada aos fanzines, e então me dei conta que havia um fanzineiro na cidade em que morava, Alvorada/RS. Minha cidade agora tinha um Corinthians (time de futebol de várzea) e um fanzineiro.
 
Fui até a casa dele, mas acabei não o encontrando. Fomos fazer amizade alguns anos depois pelas redes sociais e em eventos de quadrinhos. Nunca parei de fazer quadrinhos e nunca perdi as edições dele de vista. O Fanzine Tchê foi lançado em 1987. Em 2017, virou filme com direção do professor Paulo Kobielski e, em 2020, ganhou uma exposição em Gravataí/RS. Em suas páginas desfilaram mestres como Julio Shimamoto (Sombras, O Fantasma, Mestres do Terror, Capitão 7) e surgiram FILME_FANZINE_TCHÊ_30_ANOS_DE_RESISTENCIAartistas que conquistaram o mundo como Daniel HDR (X-Men, Mulher Maravilha). O Fanzine Tchê foi agraciado por duas vezes com o Troféu Angelo Agostini (o Oscar dos quadrinhos brasileiros) em 2012 e em 2018 como melhor fanzine.
 
Denilson editou fanzines dedicados a diversos temas como rock, blues, poesia, ao seu personagem favorito Conan o Bárbaro, criação de Robert E. Howard e a personagens de sua criação como Peryc, O Mercenário. É professor de História, se aventura na guitarra, curte blues e Pink Floyd. Nesta edição da CCXP ele estará no Artist Valley lançando o álbum TchêZine Compêndio Volume 1 pela editora Criativo. (Confira aqui a programação aqui).
 
Ao ver que Denilson é uma das atrações da CCXP 2020, falei com o editor Michael Meneses sobre a possibilidade de fazermos esta matéria. Ele, pelo outro lado do “Whats”, sentenciou: “cai dentro”, e então fomos conversar com Denilson Reis para a coluna 1,2,3,4... da Rock Press!

DENILSON_REIS_Fanzine_Tchê_Gravataí_RS_FOTO_Divulgação

1 - ROCK PRESS/ Jorginho: São mais de trinta anos no mundo dos fanzines. O que te levou a entrar no meio e o que te motiva a continuar produzindo não só o Tchê, mas uma série de títulos? Fale um pouco da importância da longevidade do Fanzine Tchê, e dos nomes que participaram da construção desta história.
DENILSON REIS/FANZINE TCHÊ: A história começa indo ao cinema assistir ao filme Conan, O Bárbaro. Depois do filme, tomei conhecimento dos quadrinhos do Cimério. DENILSON_REIS_Fanzine_Tchê_Gravataí_RS_FOTO_DivulgaçãoNa época, publicados pela Editora Abril na revista Heróis da TV e Superaventuras Marvel ao lado de outros heróis. Acabei me tornando um leitor de quadrinhos da Marvel e entrei para um fã-clube de amigos Marvel de São Luís/MA, coordenado por Joacy Jamys. Ele editava um jornal em xerox sobre os heróis Marvel com desenhos dos participantes do fã-clube. Com a abertura política e a explosão do rock nacional, Jamys começou a fazer contato com o movimento punk e descobriu que seu jornal na realidade era uma fanzine. A partir daí, Jamys começou a entrar em contato com muitos autores de quadrinhos e roqueiros, incentivando a galera a produzir o seu próprio fanzines. E um dos caras que entrou nessa pilha fui eu, e em 1987, estava lançando o número 1 do fanzine Tchê. Depois do lançamento, tudo que passava pela minha cabeça era colocar as coisas no papel e xerocar para distribuir. Essa ideia ainda permeia minha mente e isso é o que me motiva a continuar produzindo fanzines. Costumo dizer que fui infectado pelo viruszine. Não consigo pensar em nada que não seja para colocar em um zine. Até meu casamento está virando um fanzine, para vocês terem uma ideia. Então, ao longo do tempo, veio uma série de fanzines temáticos. Um zine que está circulando por mais de três décadas, não é só por insistência do editor, acredito que é porque ele conquistou certa respeitabilidade do público e do movimento zineiro e do quadrinho independente nacional. Então sua longevidade vem dessa parceria que fiz e faço com uma série de pessoas que querem publicar no fanzine Tchê por sua história de três décadas. Assim, essa longevidade se torna importante também para uma centena de artistas que buscam ter um espaço para publicar seus trabalhos em uma publicação renomada, premiada e que circula nos principais eventos de quadrinhos e Tchê_1cultura pop do país. Como disse, o fanzine Tchê tem eu como editor, mas ele não teria essa longevidade sem que fosse abraçado por uma série de pessoas. Em primeiro lugar meu amigo e co-editor Paulo Sonnemann, que ficou comigo na edição até o número 5. Ele foi importante para segurar as pontas no início, onde tudo é muito difícil de manter. Muitos zines acabaram na primeira edição. Os desenhistas também são peças fundamentais na longevidade do Tchê. São muitos, mas alguns são bem significativos por estarem comigo desde o início: Henry Jaepelt que fez a capa do número 1; o argentino Isaac Hunt que desenhou meu primeiro roteiro; Daniel HDR que me incentivou muito a não desistir mesmo sendo um menino na época; Laudo Ferreira, que além de parceiro em várias HQs deve ter sido o que mais colaborou com o zine ao lado do Jaepelt; Alex Doeppre que me ajudou muito na edição quando chegou a era da montagem digital dos arquivos; Paulo Kobielski que me acompanha nos eventos e dá aquela força para eu não desistir. São muitos outros que vieram a se somar, mas que ficaria extenso demais citar todos, além de correr o risco de esquecer alguém. Termino a lista citando os dois mestres do quadrinho nacional que nunca se negaram a participar de minhas publicações: Júlio Shimamoto e Mozart Couto.
 
2 - ROCK PRESS: Fale sobre a tua relação com o blues e o rock, suas maiores influências musicais; quais fanzines editou DENILSON_REIS_Fanzine_Tchê_MUSICO_FOTO_Divulgaçãoem relação a esses temas e se está na pauta mais lançamentos dedicados ao universo musical.
DENILSON REIS:
Fui adolescente nos anos 1980, e naquela época, todo jovem rebelde ou nem tanto, queria ter uma banda e tocar com os amigos. Descobri o rock através da banda Van Halen e na sequência com o mega festival Rock In Rio. Logo estava aprendendo a tocar violão e formando uma banda. Quando surgiu a banda, foi muito influenciado pelos amigos a escutar blues. Quando entendi a sonoridade do blues e percebi que todas as vertentes do rock tinham origem no blues e passei a ver meus heróis da guitarra reverenciando os mestres do blues, me tornei um blueseiro de carteirinha. Os fanzines entraram na minha vida junto com a Blueseria 07explosão do rock nacional e o Rock In Rio. Assim, desde o meu primeiro zine, procurei falar de rock e fazer contato com bandas undergrounds do punk e do metal. Foi natural que ao longo dos anos, eu viesse a fazer fanzines temáticos sobre rock. Edito, ainda hoje, dois zines temáticos: Blueseria e Sonoridades Múltiplas. Blueseria dá conta de minha paixão pelo blues. Nele comento a cena blueseira, os shows, os mestres do blues. Sonoridades Múltiplas (foto abaixo), como o nome já diz, é uma zine onde comento as diversas sonoridades do rock. O zine tem por finalidade, colocar no papel a minha impressão dos shows de rock que assisto. Assim, após assistir um show, sento e escrevo o que curti e qual a sensação de ver tal banda ao vivo. Também editei um zine especial do Pink Floyd, minha banda predileta. Importante dizer que todosSonoridades_multiplas os zines temáticos de música que faço, são ilustrados pelos desenhistas colaboradores do fanzine Tchê, ou seja, uma ideia de unir a música e os quadrinhos, inclusive com HQs baseadas em rock e seu universo sonoro. Não pretendo parar com os zines sobre rock e blues. Está na minha pauta lançar ao menos uma edição por ano de um deles. Sonoridades Múltiplas já tem material para umas duas ou três edições.
 
3 - ROCK PRESS: E a sua participação da CCXP 2020 que acontecerá de uma forma totalmente nova, quais suas expectativas?
DENILSON REIS:
Tenho participado das últimas edições do CCXP com mesa no Artists Alley, o que para mim também é uma baita conquista, pois sabemos como é difícil passar na seleção para as poucas vagas que são disponibilizadas. Então, participar da CCXP sempre será uma honra. Com a pandemia, todos tivemos que nos reinventar e não foi diferente com a CCXP. Esse ano, ela acontece de forma virtual, mas nós artistas fomos convocados a participar da seleção para o Artists Valley (mudou o nome esse ano). Fiz minha inscrição e novamente fui aceito. Estou com grandes expectativas sim, pois não tenho a menor ideia de como as coisas vão acontecer. De qualquer forma, acho importante não perder a oportunidade de estar no maior evento de cultura pop do mundo, mesmo que virtualmente. Espero que consiga interagir com novos públicos e apresentar meu trabalho.
 
4 - ROCK PRESS: Fale para o leitor sobre o tão aguardado TchêZine Compêndio Volume 1, que estará sendo lançado na mesa virtual da CCXP. Quem está nele, como foi feita a curadoria do material e como está se dando a parceria com a Criativo Editora?
DENILSON REIS:
O Zinebook TchêZine veio para coroar minhas três décadas de edição de fanzines e quadrinhos independentes. Ter um álbum de quadrinhos sendo Zinebook 01publicado por uma editora profissional sempre foi um sonho que tive desde que comecei a publicar fanzines, então, é com muita alegria que recebi essa oportunidade da Criativo de firmar essa parceria para uma série de álbuns. A ideia do álbum é fazer um compilado de quadrinhos publicados desde 1987 no fanzine Tchê e outras publicações minhas. Para esse primeiro volume, busquei selecionar HQs nas quais o texto tinha sido escrito por mim. Assim, temos 15 HQs das quais somente uma não foi escrita por mim. Para cada HQ busquei um desenhista diferente para ser meu parceiro, então temos muitos nomes. Por ordem de publicação: Marcel de Souza, Matias Streb, Mozart Couto, Júlio Shimamoto (que desenhou três dessas 15 HQs), Fernando Damásio (desenhando HQ escrita por Gervásio Santana), Isaac Hunt (argentino), Henry Jaepelt, Marcos Freitas, Daniel HDR, Márcio Kurty, Laudo Ferreira, Valdir Ramos, Alex Doeppre e José França. A capa é do mestre Mozart Couto e a front page de Sandro Andrade. Procurei dar uma ênfase também nos meus três personagens: Eliminador, Exterminado e Peryc, O Mercenário.
 
5 - ROCK PRESS: Deixe uma mensagem final aos leitores da Rock Press e para o público que vai prestigiar a CCXP.
DENILSON REIS:
Para a galera do rock, fica a dica de conhecer meus zines temáticos. Para quem curte quadrinhos, estamos aí para atender vocês. Aproveitem que este ano a CCXP é virtual e, portanto, gratuita para conhecer o maior evento de cultura pop do mundo. Finalizando, deixo meus contatos e aguardo vocês para trocar uma ideia e conhecer minha produção zineira: e-mail: tchedenilson@gmail.com Instagram: @tchezine, Youtube: Bah Quadrinhos e em Web: https://tchedenilson.webnode.com/
 
#Recomendamos...
Denilson Reis estará presente na CCXP Worlds, o maior evento GEEK do mundo. Esse ano, a CCXP será virtual e contará com muitas atrações, entre elas Bill Sienkwickz, Neil Gaiman, Kevin Eastman, Trina Robbins e muito mais. Fiquem atentos à programação, os ingressos estão à venda (leia aqui).  A Rock Press segue trazendo novidades sobre a edição 2020 desse evento que #Recomendamos! – Jorginho.
 
JORGINHO escreveu esse texto /entrevista ao som do álbum Rocket to Russia, Ramones/1977. O mesmo é filósofo, educador social, agitador cultural, administrador do ColetiveArts (grupo de artistas e escritores de Porto Alegre/RS), acadêmico de pedagogia, torcedor do Grêmio, mas não gosta de futebol, gosta é do Grêmio. Trabalha como ilustrador, criador de conteúdo e tudo que seja relacionado ao desenho, incluindo participações em exposições nacionais e internacionais na área de cartuns, quadrinhos, charges e desenho em geral. Já ilustrou inúmeros livros infantis, também foi autor pela plataforma Elefante Letrado. Trabalha com oficinas de desenho, ilustrações e fanzines. Também é produtor e apresentador do Programa Psycho Killer na Rádio Rota 220 (OUÇA AQUI).
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