DOUTOR GAMA: A cinebiografia de um herói

Em seu novo longa-metragem, o cineasta Jeferson De, traz às telas a Doutor_Gama_O_FILMEcinebiografia de Luiz Gama, advogado autodidata, abolicionista e poeta que foi responsável por libertar centenas de escravos.

DOUTOR GAMA:
A cinebiografia de um herói

TEXTO: Nilvio Pessanha
FOTOS: Divulgação

Doutor_Gama_Stil_Divulgação

O Brasil é um país cuja sociedade tem o triste hábito de não se resolver muito bem com a sua própria história, seja com o período da ditadura civil-militar, seja com a Doutor_Gama_cartazescravidão e opressão do povo negro, a impressão que se tem é que esquecemos, que diminuímos, menosprezamos períodos sombrios como esses.

Nesse sentido, um filme como “Doutor Gama”, a cinebiografia de um advogado autodidata negro, libertador de escravos, do cineasta Jeferson De, por si só já teria a sua razão de ser e um enorme sentido em existir. Porém, de pouco adiantaria se fosse só mais uma cinebiografia genérica. Esse gênero cinematográfico vem sendo explorado bastante no cinema nacional, algumas vezes com algum êxito, outras nem tanto. O filme de Jeferson De, no entanto, é uma cinebiografia que, até tem os seus problemas, mas possui força suficiente para fazer jus ao seu personagem central e ao seu impactante discurso.

Como já foi dito, o filme conta a história de Luiz Gonzaga Pinto da Gama, filho de Luíza Mahin (ex-escrava alforriada e grande lutadora pela libertação de negros escravizados) com um português. O longa mostra momentos importantes da vida de Luiz Gama, como quando foi vendido ainda criança como escravo, pelo próprio pai, para que este pudesse pagar dívidas. E depois o momento em que conseguiu a liberdade, mais tarde durante sua juventude. E justamente esses dois momentos que compreendem mais ou menos o primeiro ato do filme, entre infância e juventude, que trazem mais irregularidade, um ritmo mais lento e sem o tanto de magnetismo que viemos a sentir no decorrer da obra.

Esse magnetismo citado acima vem de um acerto entre a direção de Jeferson De e a atuação do elenco nessa fase da história. O cineasta mostra uma direção segura e competente. Algo que já pôde ser visto em filmes como “Broder” e “M8 – Quando a Morte Socorre a Vida”. Porém, em “Doutor Gama”, ele parece mostrar ainda mais segurança e domínio. Além de, visivelmente, contar com um orçamento maior. Já o elenco tem o seu destaque concentrado em Cesar Mello. Ele convence muito ao viver um Luiz Gama adulto, maduro. Mostrando um homem sábio que teve que aprender a se equilibrar entre a sua indignação e a necessidade de se apegar às leis. Sua atuação nos faz acreditar em cada palavra proferida durante os seus discursos na defesa de José, o negro escravizado que matou seu senhor.

Doutor_Gama_Divulgação

Por falar em discurso, Jeferson De e Luiz Antônio que assina o roteiro, souberam explorar bem o pensamento e o forte discurso de Luiz Gama como o uso da célebre frase do advogado e poeta “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”. Por falar nisso, um expectador desatento pode achar que o filme abre com a mesma sequência de um discurso de defesa que se repetirá no terceiro ato do filme. Só que se repararmos, quando esse discurso indignado é repetido no decorrer do longa, ele está olhando para o júri, já no início do filme, ele está falando diretamente para a câmera. Jeferson De abre o filme com uma quebra da quarta parede, justamente para dar um recado. É um recado para uma elite branca que ainda insiste em não abrir mãos dos seus privilégios e dorme tranquila com isso.

Jeferson De faz questão de, com isso, mostrar que essa não é uma cinebiografia qualquer. É a história da vida de um homem que nasceu livre, foi vendido como escravo, tornou-se um advogado autodidata, virou escritor, poeta e libertou mais de 500 pessoas escravizadas. É a história de um herói tal qual um Malcom X ou um Martin Luther King. Não é uma cinebiografia perfeita, mas tem a força que merecia a história da vida de Luiz Gama, o patrono da abolição no Brasil.

Doutor_Gama_Divulgação

Filmagens em Paraty
A maior parte das filmagens de “Doutor Gama” foi realizada na cidade histórica de Paraty, na costa verde, litoral sul do estado do Rio de Janeiro e contou com moradores da cidade para fazer figuração no filme.

Participação em festival
O filme de Jeferson De foi selecionado para participar do American Black Film Festival, considerado o maior evento de cinema negro do mundo. O festival deste ano será apresentado com eventos ao vivo e exibições virtuais a serem realizadas de 3 a 14 de novembro na plataforma online personalizada da ABFF, ( ACESSE AQUI!), atingindo um público global.

Onde assistir “Doutor Gama”
“Doutor Gama” está em cartaz nos cinemas, e lembramos que estamos em tempos de pandemia, portanto, respeitem todos os protocolos, e se preferir, o longa também pode ser visto no catálogo da plataforma de streaming Globo Play. - Nilvio Pessanha.

 

Nilvio Pessanha é morador do bairro de Campo Grande na zona oeste carioca, agitador cultural, coordenador do cineclube Cine Rua ZO, professor de língua portuguesa e literatura no município e do estado do Rio de Janeiro, pai do Francisco, vascaíno, é membro dos podcasts Trincheiras da Esbórnia (OUÇA AQUI!) e Cine Trincheiras (CONHEÇA AQUI) 

CONTATO ROCK PRESS: 

Envie news e sugestões de pautas da sua banda, selo, fanzine, HQ, gravadora, editora, livro, distro, arte, produtora de show e evento, cinema, cultura alternativa e Underground em geral. A/C: MICHAEL MENESES - michaelmeneses@portalrockpress.com.br 
 

Envio material físico das suas bandas, zine, livro, filme e demais produções para:

PORTAL ROCK PRESS:
CAIXA POSTAL: 30443
Rio de Janeiro/RJ - Brasil
CEP: 21351 - 970

TWITTER:
 https://twitter.com/portalrockpress
FACEBOOK: https://www.facebook.com/portalrockpress
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/portalrockpress/
YOUTUBE: https://www.youtube.com/channel/UCy_FOYj2Zxh7beQacpLhPnA