CCXP 2020: Uma experiência atraente em um mundo enclausurado!

A CCXP é o maior festival de cultura pop do planeta. Neste momento totalmente atípico e digital, o CCXP atravessou CCXP_Worlds_A_Journey_of Hope_2020_DESTAQUEoceanos e chegou a 113 países, espalhando esperança e contando as novidades do entretenimento. A CCXP Worlds: A Journey of Hope atraiu a atenção de 1,5 milhão de pessoas que navegaram pelos espaços virtuais do evento, e nós, da Rock Press, conferimos.

CCXP 2020:
Uma experiência atraente em um mundo enclausurado!

TEXTO: Jorginho
COLABORAÇÃO: Cadu Oliveira
IMAGENS: Divulgação

Quando Michael Meneses veio com a ideia de cobrir a CCXP, fiquei muito feliz. Um nerd no maior encontro Geek/nerd é uma combinação que geralmente dá certo. Por conta da pandemia, o evento seria inteiramente on line, e como diria o narrador do célebre desenho “Corrida Maluca”, lá vão eles…
 
Queria dizer que me adaptei ao ambiente digital da CCXP com facilidade, mas seria uma grande mentira. Também alguns amigos sentiram essa enorme dificuldade, não sei se por causa da tecnologia ou de nossa incompetência para lidar com a mesma. No melhor estilo “do it yourself” tive que me arranjar, e a CCXP Worlds foi incrível. Dividida em doze ambientes virtuais, mas com destaque para Thunder Arena, Artists Valley, Omelete Stage, Creators e Cosplay Universe e por fim Game Arena, a CCXP atingiu a todos os gostos nerds, fazendo os três dias se tornarem uma imensa maratona em que ficávamos saindo de uma atração, indo para outra e sempre com um “gosto de quero mais”.
 
PRIMEIRO DIA...
A CCXP 2020 começou na sexta-feira (04/12), com Neil Gaiman (imagem abaixo), genial e importante escritor, responsável pela criação de Sandman, um dos personagens mais cultuados da cultura moderna (que vai virar série), pelos livros Deuses Americanos, Stardust, Belas Maldições e Coraline, todos adaptados para o cinema e/ou para a TV. Neil falou de sua carreira, da adaptação de Sandman para a Netflix (ele está envolvido no projeto), falou de suas passagens pelo Brasil e mostrou-se um gentleman, como sempre. Recentemente o mesmo havia recebido ataques de brasileiros que se diziam fãs de seu trabalho, pedindo que a série de Sandman “não caísse na cilada de abordar a diversidade e o mimimi do politicamente correto” em seus roteiros. Neil Gaiman, com toda a educação, falou que quem falava e pedia esse tipo de coisa era porque nunca havia lido Sandman, pois a temática era justamente a da diversidade. Ainda bem que pelo menos nos chats da CCXP, esse tipo de gente não deu as caras.

CCXP_Worlds_2020_Neil Gaiman na CCXP 2020

Haviam muitas atrações, CCXP_Worlds_2020_Matheus_Santolouco_e_Kevin_Eastmane, era óbvio, eu queria ver todas, porém, aconteceram 250 lives, o que tornava a missão impossível, mesmo que o acesso se estendesse por mais dias. O negócio era aproveitar o que pudéssemos e acompanhar o que mais chamasse a atenção. Assisti a live com o desenhista brasileiro Mateus Santolouco e com Kevin Eastman. Kevin Eastman criou “As Jovens Tartarugas Ninjas Mutantes”, CCXP_Worlds_2020_Matheus_Sanrtoloucojunto com Peter Laird. Mateus recebeu muitos elogios de Kevin Eastman pelo seu trabalho desenhando os personagens. Mateus devolveu os elogios a Peter Laird, dizendo que sentia-se honrado em ter participado do universo criado por ele. Houve algumas falhas em diversos momentos, como legendas fora de tempo, ou inelegíveis, mas nada atrapalhou a vontade de absorver cada momento que pudéssemos. Na sequência, assisti a Jeff Smith (imagem abaixo) falando sobre sua grande criação: Bone. Bone é um clássico das HQs modernas e está para ser adaptado em uma animação para a Netflix. Foi lançado no Brasil pela Editora Todavia. Também dei uma espiada no painel “O Universo Zumbi está crescendo”, em que é revelado um pouco mais sobre o elenco de “The Walking Dead: World Beyond”, terceira série de TV derivada da HQ de mesmo nome criada por Robert Kirkman. Confesso que não fiquei tão empolgado, acho que os zumbis anti vacinas do mundo real me deixaram sem vontade de ver os da ficção.

CCXP_Worlds_2020_Jeff_Smith


SEGUNDO DIA...
CCXP_Worlds_2020_Fabio_Moon_e_Gabriel_BáNo segundo dia (5/12), estava ansioso, tentei entender a lógica das mesas virtuais do Artist Valley, mas não consegui ir muito adiante. Adorei essa ideia, mas acredito que deva ser aprimorada e facilitada para o público em geral. Fiquei esperando mais atrações, elas vieram e não me decepcionaram. Uma delas é o espanhol Jordi Bernet, um dos maiores artistas europeus, dono de um traço em preto e branco marcante, responsável pela arte da HQ Torpedo 1936 de criação do escritor Enrique Sánchez. Jordi foi simpático e falou um pouco sobre sua carreira. Mas o show aconteceu mesmo com os gêmeos brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon(foto ao lado). Eles pareceram muito à vontade contando sobre sua trajetória nos quadrinhos, revelando que estão trabalhando juntos em uma nova HQ, e claro, falaram do sucesso de “Umbrella Academy”, que é escrita pelo americano Gerard Way e ilustrada por Gabriel Bá, vencedora do prêmio Will Eisner de melhor minissérie em quadrinhos no ano de 2008, e adaptada com sucesso pela Netflix, sendo renovada para uma terceira temporada. Depois, foi a hora de conferir a turma mais querida do Brasil, Sidney Gusman (Grande Sidão), Wagner Bonilla e ele, Maurício de Souza (foto)CCXP_Worlds_2020_Maurício_de_Souza, revelando o que está vindo por aí em 2021, desde o novo filme em live action, “Turma da Mônica: Lições”, passando por uma edição especial dedicada ao Cebolinha, que em 2020 comemorou 60 anos, passando também por um crossover para lá de interessante: o encontro dos personagens de Maurício de Souza com os personagens criados pelo americano Jim Davis. A Turma da Mônica encontra a turma do Garfield. Para fechar o segundo dia, fui conferir Todd McFarlane, criador do Spawn, desenhista que marcou época no Homem Aranha e produziu o clipe do Pearl Jam chamado “Do The Evolution”. Um painel que me tocou muito foi o da JBC (imagem abaixo). O mesmo trazia detalhes sobre o mangá “O regresso de Jaspion”, mangá produzido no Brasil, escrito por Fábio Yabu e desenhado por Michel Borges, que traz Jaspion de volta ao planeta Terra 30 anos após o final da série. O que nos deixa muito animados são os planos de um universo expandido. A JBC está tentando licenciar outros heróis da Toei (produtora japonesa) para fazer um grande universo ao estilo Marvel e DC. É esperar e torcer com fervor por novos lançamentos, tanto de Jaspion, como de outros heróis japoneses que fizeram a nossa alegria durante os anos 80 e 90.

CCXP_Worlds_2020_Pessoal_da_JBC_falando_sobre_Jaspion

Ainda sábado, os amantes do seriado Chaves tiveram mais uma vez o prazer de trombar com eterno Sr. Barriga, personagem já tradicional na CCXP. Edgar Vivar, o ator por trás do ‘Cobrador de Aluguel’, mais uma vez contou sobre como foi fazer parte do eterno seriado “Chaves”, sucesso estrondoso no Brasil, durante o século passado e até hoje.
 

CCXP_Worlds_2020_Gail_Simone

TERCEIRO DIA...
Começo o terceiro e último dia (6/12), assistindo Gail Simone (foto acima), escritora de quadrinhos (Mulher Maravilha e Aves de Rapina), ativista feminista que foi uma das responsáveis pela criação do blog “Women in Refrigerators“, onde cria histórias sobre representatividade e equidade, estimulando a reflexão sobre o CCXP_Worlds_2020_Art_Spigelmanpapel da mulher na sociedade. Depois, tentei interagir com as mesas virtuais novamente, sem sucesso. Fui assistir Jorge Jimenez, desenhista espanhol que atualmente está na DC Comics e soma em seus trabalhos A Liga da Justiça, Superman e Batman. O rapaz é de uma simpatia enorme, e falou de sua carreira e de como é desenhar ícones dos quadrinhos. Igualmente simpática foi a artista francesa Margaux Motin, que inclusive havia cedido uma entrevista para Rock Press (leia aqui). Fui conferir o momento dela na CCXP, e foi como diriam os franceses: “magnifique”. Em seguida, assisti ao fantástico Art Spiegelman (foto ao lado), autor de Maus, obra premiada com o prêmio Pulitzer em 1992, um dos artistas mais influentesMaus_BY_Art_Spigelman do mundo. Contou de sua relação com o Brasil, das vezes em que esteve em solo brasileiro, inclusive da vez em que deu uma relaxada após uma palestra e alguém conseguiu roubar o seu laptop da sala onde há pouco havia feito sua conferência (que vergonha, gente!), e do quanto ele gostava do público brasileiro. Também falou da importância de Maus, de Donald Trump e do (des) presidente que governa este nosso país tão sofrido. Sobre Trump, ele disse que não o desenhava para não dar o “IBOPE” que ele precisava para se movimentar, já que Trump se alimentava da mídia e o maior remédio para gente assim é ignorar. Falou que os discursos autoritários de pessoas como Trump e Bolsonaro alavancaram a venda de Maus, e isso é muito bom não só por causa das vendas, mas porque muitos garotos vão saber do que se trata um campo de concentração. Realmente um dos pontos altos da CCXP, só essa entrevista de Art Spiegelman já valeu todo o evento.
 
Conclusão...
Em um ano de pandemia, a CCXP Worlds veio como um alento. Houve problemas técnicos, pessoas chatas reclamando de tudo nos chats, mas o saldo foi muito positivo. A CCXP Words 2020 foi um sucesso, atingindo a 1,5 milhão de pessoas navegando pela plataforma, com picos de 350 mil usuários simultâneos e chegando a 113 países. Com data já anunciada pela produção para a edição de 2021, para os dias 02 até o dia 05 de dezembro, nós da Rock Press estaremos lá, seja presencialmente ou de forma on line. Mas, lembrem-se que para todos estarmos presentes na próxima edição, é preciso que tomemos todos os cuidados de proteção contra o Coronavírus. Usem máscara, higienizem-se, mantenham distância. - Jorginho
 
JORGINHO escreveu esse texto ao som de Hurt de Johnny Cash. O mesmo está louco para tomar a vacina, é filósofo, educador social, agitador cultural, administrador do ColetiveArts (grupo de artistas e escritores de Porto Alegre/RS), acadêmico de pedagogia, torcedor do Grêmio, mas não gosta de futebol, gosta é do Grêmio. Trabalha como ilustrador, criador de conteúdo e tudo que seja relacionado ao desenho, incluindo participações em exposições nacionais e internacionais na área de cartuns, quadrinhos, charges e desenho em geral. Já ilustrou inúmeros livros infantis, também foi autor pela plataforma Elefante Letrado. Trabalha com oficinas de desenho, ilustrações e fanzines. Também é produtor e apresentador do Programa Psycho Killer na Rádio Rota 220 (OUÇA AQUI).

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