CAVERNA e GARAGE: Perpetuados em documentários. ENTREVISTA com Natane Vidal!

O Caverna e Garage Art Cult foram essenciais ao rock no Rio de Janeiro. Seus mentores já não estão neste plano,Força_Macabra_no_Garage_RJ_FOTO_MICHAEL MENESES mas, os legados dos irmãos Raul e Max Claussen (Caverna) e Fábio Costa (Garage) estão virando documentários. A Coluna 1, 2, 3, 4... da Rock Press falou com Natane Vidal (Gongolo Films e TV Under Garage), e os fotógrafos, Antônio Carlos Paes e Michael Meneses narram suas vivências nesses palcos.

CAVERNA e GARAGE:
Perpetuados em documentários. ENTREVISTA com Natane Vidal!

ENTREVISTA: Michael Meneses
TEXTO, FOTOS e IMAGENS:
Antônio Carlos Paes, Michael Meneses, Gongolo Films e divulgação

 

Colerá_no_Garage_FOTO_MICHAEL MENESES

Durante a pandemia, certamente você já disse: “Saudade de um show de rock e conhecer bandas novas no palco”. Bom, a ROCK PRESS segue defendendo que não é hora para ir a shows, bailes, eventos esportivos, culturais e políticos em geral, por acreditar que qualquer aglomeração é um ato irresponsável no momento em que o isolamento social no combate ao Coronavírus se faz necessário. Para harmonizar nossas mentes, recomendamos consumir arte em casa, seja em livros, discos, filmes, e/ou escrevendo, compondo, produzindo... Mais do que nunca, a arte é o refúgio dentro do nosso refúgio e a atitude é #ficaremcasa!

No decorrer de 2020 e nesses dias que seguem, várias produções são trabalhadas, o que desperta a pergunta: “Depois de nós salvar nesta quarentena, o que de bom a cultura nós reserva para o pós-pandemia?”. A resposta é um tanto óbvia, pois, sabemos que coisas boas seguem aparecendo em meio a cena alternativa e mainstream e será ainda maior ao despertar do pós-vacina. No momento, o melhor é se cuidar e acreditar por dias melhores, apesar de todo o negacionismo científico de alguns políticos e seus seguidores.

No cinema rock, produções seguem sendo trabalhadas, entre as quais, os documentários sobre dois importantes espaços do rock carioca, e que por mais de duas décadas abrigaram bandas não apenas do Rio de Janeiro, mas de várias partes do Brasil e do mundo, falamos do Caverna e do Garage.

Caverna 1, 2, 3...
P.U.S._e_Sarcófago_no_Caverna_RJ_24_de_Nov_1991Tendo os irmãos Raul e Max Claussen a frente, e passando por três endereços diferentes, sendo o Caverna situado no município de São João de Miriti na baixada fluminense, e depois nos bairros de Madureira na zona norte (Caverna III) e por último, em Botafogo (Caverna II), foi referência ao som pesado nacional nos anos 1980, era aquele tipo lugar onde toda banda de metal queria tocar. Também não podemos esquecer de outra iniciativa do Raul e que o Max Claussen, deu continuidade, que foi cineclube TV Pirata, que funcionou na segunda metade dos anos 1980, exibindo vídeos de rock. Curiosamente o mais importante desses espaços, o Caverna II, ficava localizado ao lado do lendário Canecão, (que independente de pandemia, infelizmente segue fechado), aliás, sobre o Canecão, o Ronaldo Bôscoli declarou "Aqui se escreve a história da música popular brasileira", logo, posso dizer: “No Caverna, se escreveu a história do heavy metal brasileiro” e inspirou outros espaços, como o próprio Garage, Art Cult!

Garage Art Cult...
DeFalla_e_Tubarões_Voadores_no Garage_RJ_13_e_14_de_Set_1991O outro espaço que fez história foi o Garage Art Cult. A casa de shows utilizou a sede do Moto Clube Brasil e situada na Rua Ceará, na Praça da Bandeira na zona norte, e por um breve período, na cidade de Duque de Caxias, na baixada fluminense. Os primeiros eventos do Garage datam do início da década de 1990, inicialmente com apresentações de home-vídeos em telão, mas que logo abriu espaço para shows, tendo como primeiras apresentações as bandas Endoparasites e Anschluss (ambas do RJ) em agosto de 1991, e já em setembro o Garage recebeu as bandas Defalla (RS) e Tubarões Voadores (Itaboraí/RJ). Nascia o principal palco underground dos anos 90 no Rio.

Com persistência o Garage funcionou quase que ininterruptamente, por cerca de 15 anos, dando vida a uma então deserta Rua Ceará, que no início da década de 1990 não era a badalação cultural dos tempos atuais, e, bem antes da Vila Mimosa ser transferida para uma rua ao lado, anteriormente, a popular “VM”, funcionava onde hoje fica o prédio da Prefeitura do Rio, carinhosamente apelidado de “Piranhão”. Assim, já há alguns anos, quando dizem “Vou ao Garage” ou “Vou na Rua Ceará”, na verdade, querem dizer que então indo aos bares de rock da região, ou na rua ao lado, ou seja, na Vila Mimosa.

Os documentários...
Gangrena_Gasosa_e_Planet_Hemp_no Festival_A_Re-Volta_do_Garage_Art_CultDesde sempre, o Caverna e o Garage estão em pauta, seja, independente ou na grande mídia. Com a internet e as redes sociais, cartazes, fotos, vídeos e histórias vividas nesses espaços, são compartilhadas quase que diariamente, apresentando aos mais novos um pouco dessa história. Enquanto isso, as gerações do rock carioca que começaram a frequentar a Rua Ceará já nesse milênio ou que nunca colocaram os pés no Garage Art Cult fazem eventos em homenagem a região, e não exatamente ao espaço Garage, mas, muito por conta da forma que a região da Rua Ceará passou a ser chamada. Sobre o Garage, ao menos dois documentários estão sendo produzidos nesse momento, um deles é sobre essa cena que se criou em torno da Rua Ceará, tendo à frente o produtor Santiago Miquelino, enquanto os documentários sobre o Caverna e do Garage propriamente dito, tem como idealizador, Vlad Rodriguez (ex-Gangrena Gasosa) e Natane Vidal, a cineasta e produtora do Canal TV Under Garage e do Gongolo Films e que entrevistamos abaixo.

Antes da entrevista na qual ficaremos sabendo melhor sobre esses documentários da Natane, leiam um pouco das vivências no Caverna II do fotógrafo Antonio Carlos Paes que simplesmente foi o primeiro repórter-fotográfico de rock a inspirar esse que vos escreve a estudar fotografia, e também escrevo um pouco das minhas aventuras no Garage.

GARAGE: Foi Art e segue Cult!
Texto e Fotos: Michael Meneses

Força_Macabra_no_Garage_RJ_FOTO_MICHAEL MENESESVoltei ao Rio de Janeiro para assistir ao Rock in Rio 2, (em 1991), em sua única edição no Estádio do Maracanã. Mal sabia, que meses depois, marcaria presença à algumas quadras do então maior estádio de futebol do mundo, assistindo shows clássicos do underground carioca, em especial nos primeiros anos daquele eterno moto-clube, que passou a atender por Garage Art Cult e que deu vida a aquela antiga rua da Praça da Bandeira, na zona norte do Rio.

A aventura de ir ao Garage, em seus primórdios, começava ao entrar no ônibus ou trem, pois se encontrássemos alguém com camisa de banda, era a certeza que a pessoa estava indo para o mesmo show e ali começava uma eterna amizade, assim era #acenavive há 30 anos.

Minha primeira vez na casa foi nas apresentações do Defalla (RS) e Tubarões Voadores (Itaboraí/RJ), depois, assistir ao Korzus (SP) lançando o “Mass Ilusion”, com abertura do Reator (RJ), foi a primeira vez que vi a casa lotada.

Entre os anos de 1991 e 1994, estive dezenas de vezes no Garage, e a cada fim de semana, assistia a shows de alguma nova banda ou algum nome veterano do cenário nacional, naquele casarão escuro da Rua Ceará. A lista incluiu apresentações dos mineiros do Chakal, Witchhammer, Sarcófago, Expulse, Sex Trash, os paulistas do Genocídio, No Sense, os brasilienses do BSB-H, Deja-Vu, entre tantas outras, além de dezenas de bandas do Rio de Janeiro como Dorsal Atlântica, Blockhead, Coldblood, Sex Noise, Poindexter, Sutian Xiita, Piu-Piu e Sua Banda, Morbid Death (Petrópolis/RJ), Hicsus, Podreiras e Cavalast.Volkana_Gangrena_Gasosa_Unmasked_Brains_no_Garage_RJ_22_de_Abril_1995

Diversos outros shows aconteceram até ver a casa cheia novamente, com as apresentações da Gangrena Gasosa, S.H.U e Blaster, três bandas do subúrbio carioca, mais precisamente da Zona Oeste do Rio, que arrastaram um povão ao Garage. Logo, quase sempre um bom público, marcava presença na casa e sempre antes ou depois dos shows o público ocupava as calçadas da Rua Ceará e com o passar dos anos, outros espaços foram surgindo nos arredores, destaque para o Heavy Durt, Dulk Walk, Piratas e outros.

Não importa se você era heavy, indie, punk, hard rock, a diversão era garantida no Garage, e entre um mosh e outro, eu fazia a festa, e foi assim até um show Headhunter DC (BA), quando um amigo foi agredido por um grupo de carecas em frente à casa. Na ocasião, pedi ajuda ao Fabio Costa (um dos sócios da casa), ele olhou a situação, e ficou por isso mesmo. Minha decepção foi tão grande que naquele dia resolvi boicotar o espaço, passei um bom tempo sem ir ao Garage e só retornei no segundo semestre de 1995 para assistir a primeira apresentação da banda Dark Avenger (DF) em terras cariocas, e isso, a convite da própria banda com a qual trocava cartas na época.

Com o meu boicote ou por não ter dinheiro mesmo, não fui em shows até hoje lembrados, de bandas novas dos anos 1990, entre elas Planet Hemp e Los Hermanos, assim como não assisti ao Angra, Snooze (SE), Varukuers (UK), Exodus (EUA) e tantos os outros em suas primeiras apresentações na cidade maravilhosa.

Em 1997, assisti aos americanos do Madball com casa cheia. Naquela altura, o Circo Voador e o Caverna já havia encerrado as atividades e apenas as Lonas Culturais do subúrbio e alguns poucos espaços sediavam eventos, logo o Garage era a casa do underground no Rio, e nessa noite com Madball tinha gente de várias partes da cidade, do interior do estado e até os músicos da banda argentina Intense Mosh. O Garage era a casa do rock carioca nos anos 1990 e falar isso é chover no molhado.

Colerá_no_Garage_FOTO_MICHAEL MENESES

Depois só retornei ao Garage em uma tarde de domingo do primeiro semestre de 2001, nessa época, o Garage teve a sua frente outros produtores, e passou a ser chamado de Rock Night e Sobradão do Rock, mas as novas identidades não pegou, todo mundo só chamava de Garage, e seja como for, de tempos em tempo Força_Macabra_no_Garage_RJ_FOTO_MICHAEL MENESESfui em outros shows já neste novo século, entre os quais, Periferia S.A., Cólera (foto acima), Backyard Babies (Suécia), e ao Força Macabra (Finlândia e foto ao lado) no final de 2005, que foi a última vez que estive na casa.

Hoje me arrependo de ter boicotado o Garage na situação acima, mas nunca deixei de reconhecer a importância do espaço para o rock alternativo nacional e não apenas carioca, mesmo durante o período que não frequentei a casa, afinal o Garage segue fazendo história, mesmo para quem nunca esteve presente naquele antigo casarão da Rua Ceará! – Michael Meneses!

MAX CLAUSSEN: O homem do Caverna
Texto e Fotos: Antonio Carlos Paes.

No início dos anos 90, ouvindo o programa Guitarras na eterna Rádio Fluminense FM e que contava com apresentação do Paulo Sisinno, descobria o infinito mundo do som pesado, escuto: “Hoje no Caverna II teremos as apresentações das bandas Vodu de São Paulo, e das cariocas Taurus e Metralion”. Logo queria interagir com os shows da casa que abria espaço para as bandas que faziam minha cabeça.

EMax_Claussen_Caverna_II_RJ foi justamente nesse show que conheci o responsável por proporcionar os melhores domingos da minha vida, o senhor Max Claussen (foto), que organizava tanto o Caverna II em Botafogo (RJ), quanto o TV Pirata no Catete (RJ), onde rolava os vídeos de show de diversas bandas de metal. Ali, nascia uma boa amizade, pois o Max era um dos nossos, que amava o que fazia e gostava de estar perto da galera que tinha o mesmo propósito de valorizar o som pesado no Rio de Janeiro.

Mesmo após o falecimento ainda nos anos 1980 de seu irmão Raul Claussen (Foto), Max Claussen continuou o seu legado produzindo osRaul_Claussen_Caverna_II_RJ eventos no Caverna II em Botafogo (RJ) e no TV Pirata no Catete (RJ). Trazendo bandas, dentre elas o Sepultura em início de carreira, Ratos de Porão no lançamento do disco “Anarkophobia”, Viper, Volkana (Foto ao lado), Mila_Carneiro_Volkanas_no_Caverna_II_FOTO_Antonio_Carlos_Paese sempre valorizando as bandas cariocas como Azul Limão, Calibre 38, Extermínio, Dorsal Atlântica, Kripta, War, Metalmophose, Gangrena Gasosa, N.R.A, (que recentemente perdeu Abel, seu vocalista e figura sempre presente nos shows do Caverna e Garage, para a Covid).

Sarcófago_no_Caverna_II_FOTO_Antonio_Carlos_PaesAliás, Max Claussen foi um cara que sempre deu apoio a cena heavy carioca e valorizava o metal nacional, não medindo esforço para trazer bandas de peso para tocar no Rio de Janeiro, passaram pelo palco do Caverna II, nomes como, os mineiros do Overdose, Sepultura, Sex Trash, Sarcófago (foto ao lado), Witchhammer, The Mist, Sepulcro (Juiz de Fora/MG), os paulistas Corpse, Viper, Vodu, MX, Korzus, e bandas já radicadas em São Paulo, porém oriundas de Brasília, como P.U.S., Volkana, entre outras. O que tornou o Caverna II o ponto de encontro dos amantes do som pesado no Rio de Janeiro nas tardes de domingos e um ponto de referência fundamental na história do metal nacional. E, foi no Caverna que dei meu primeiro mosh.


TV Pirata...
No Brasil dos anos 1980, e, Pré-MTV, além Caverna II, Max Claussen organizava exibições de vídeos de shows de diversas bandas de metal internacional no TV Pirata, umDorsal_Atlântica_e_Azul_Limão_no_Caverna_III_em_Madureira_RJ cineclube especializado em vídeos de rock que ficava no bairro do Catete. Foi no espaço TV Pirata que assisti, então raros vídeos do Venom, Slayer, Metallica, Dark Angel, Ozzy Osbourne, Mercyfull Fate. Era uma época em que assistir um simples clip de rock na TV era algo emocionante, o que dizer assistir shows completos copiados em fitas de VHS e exibidos em telão. Passado mais de 30 anos, essas exibições podem não ter o menor significado para quem hoje pode assistir a esses vídeos no YouTube, mas em meados dos anos 1980, isso era simplesmente um momento mágico e exibir esses vídeos um verdadeiro militância cultural! E vale ressaltar que ambos os espaços, funcionaram em um Brasil de hiperinflação, e de instabilidade política dos governos, Figueiredo, Sarney e Collor e Itamar. Tendo o Caverna II resistido até meados dos anos 1990.

Legado...
O Caverna II foi uma escola de fotografia de shows para mim, e com o tempo, o Max Claussen me convidou para ser um dos fotógrafos João_Gordo_RDP_no_Caverna_II_RJ_FOTO_Antonio_Carlos_Paesoficiais dos shows no Caverna II, e que minhas fotos sairiam nas resenhas da revista Rock Brigade. O Caverna II foi o local onde fiz amizade com profissionais do jornalismo e da fotografia como Marcos Hermes e Michael Meneses. E que me incentivaram a escrever fanzines, entre eles, o Gnomo da Tasmânia (foto do João Gordo), ao lado do Leonardo Panço (do selo Tamborete Entertainment, das bandas Jason, Soutien Xiita e hoje em carreira solo), seguir fotografando. Graças as minhas fotos, fui sendo reconhecido no underground, em especial, nos shows de metal.

Muito bem-humorado e receptivo com todos que frequentavam o templo do metal carioca, assim como seu irmão, Max Calussen vai deixar saudades e um legado incontestável na história do metal carioca. Sempre buscando a opinião dos que frequentavam tanto o TV Pirata, quanto aos Caverna II, para ver a possibilidade de trazer novidades do metal para uma cena heavy cheia de romantismo e sonhos no Rio de Janeiro. Que os irmãos Claussen descansem em paz e muito obrigado pelo que vocês representaram e seguem imortalizado em nossas memórias. Sou muito grato a Deus por ter conhecido o Max Claussen, e pela sua grande influência em minha vida. - Antonio Carlos Paes.

ENTREVISTA com NATANE VIDAL sobre o DOC do Caverna e do Garage
TEXTO: MICHAEL MENESES
FOTOS e IMAGENS: Michael Meneses, Gongolo Films e divulgação

1 – Michael Meneses/Rock Press - Você é uma das idealizadoras da TV Under Garage. Conte um pouco como surgiu o projeto e se apresente aos leitores da Rock Press.
Natane_Vidal_FOTO_DIVULGAÇÃONATANE VIDAL -
Sou carioca, trabalho com audiovisual há alguns anos, tenho um pé na TV e outro no Cinema, e uma experiência bem doida com essas áreas. Já trabalhei em jornais, rádios, algumas agências, etc. Na verdade, tanto os documentários quanto a TV Under Garage são ideias conjuntas. O Vladimir Rodriguez, meu sócio e companheiro, em 2010 me contou sobre o desejo de iniciar um documentário sobre o Garage, e começamos. A TV acabou sendo criada logo em seguida, em função das gravações do Doc. Inicialmente se chamou “Garage TV” ou algo do tipo, e logo em seguida, “TV Under Garage”. A TV teve 3 momentos. Fábio sempre comentava que as bandas tinham pouquíssimo material de divulgação e que faltava qualidade. Nem todos tinham condição de fazer vídeos ou fotos e bons materiais, e com isso a TV se tornou um caminho. Nós gravávamos partes dos shows, editávamos e postávamos, e por algum período tivemos quadros também, como entrevistas e o ensaiando. Logo em seguida passamos a também prestar alguns serviços para bandas e outras produtoras, como gravação de shows na íntegra, clipes, e etc... E num terceiro momento, a TV se tornou o elo de ligação do Fábio com seus eventos. Fábio já estava debilitado e nos 2 anos em que acompanhamos ele, sua saúde se deteriorou demais. Nossos vídeos postados faziam com que Fábio tivesse como ver as bandas mais de perto, e observar os poucos detalhes que ele ainda conseguia enxergar, já que sua visão era mínima. E quando ele não podia mais comparecer ao evento, nós gravávamos para que ele conseguisse acompanhar. Lembro que nos últimos dias de Fábio, precisamente a última vez que falamos pessoalmente (show da banda Allegro do Rio de Janeiro), entreguei DVDs com os shows que havíamos gravado. E ele conseguiu assistir antes de partir. Hoje, infelizmente por vários motivos, dentre eles, tempo, falta de investimento e apoio financeiro, a TV deu uma pausa. Espero que consigamos retomá-la, mas só o faremos quando pudermos garantir que a qualidade que sempre prezamos seja mantida e melhorada.

2 – Rock Press - Você está à frente dos documentários sobre o Caverna e o Garage, espaços históricos do underground carioca, palcos de shows nacionais e internacionais. Como está o andamento desses filmes...
NATANE VIDAL - A produção dos documentários já se estende por alguns anos. Tanto eu como GARAGE_e_CARVENA_RJ_BASTIDORES_dos_documentáriosVlad estamos buscando colher o máximo possível de depoimentos, materiais e fontes relevantes para costurar essa história. Demos algumas pausas durante o percurso, mas nunca paramos totalmente. Somos uma equipe de duas pessoas e estamos à frente de tudo o tempo todo. Até mesmo na TV era assim. Claro que contamos com ajuda de alguns parceiros, mas full time somos nós dois. E documentários como esses são bem complexos, pois estamos falando de pessoas que já se foram, de locais que não existem mais, e de responsabilidades que são muito maiores do que as vistas em primeira impressão. Tanto o Garage quanto o Caverna são e serão sempre gigantes, mesmo não existindo mais, pelo legado deixado e pela história em torno deles. Não estamos falando somente de duas casas de shows ou dois caras visionários. Estamos falando de dois locais e dois caras que foram e são responsáveis pelo desenvolvimento da cena Rock/Underground no Rio de Janeiro. Os documentários seguem com gravações ainda por fazer, mas honestamente, antes até queríamos ter o título de “primeiro doc sobre a lendária casa de shows Garage Art Cult” ou “Primeiro doc sobre o Caverna”, porém hoje nos importamos em ter uma história bem contada. Obviamente se houvesse apoio financeiro de algum edital já teríamos andado mais rápido, mas infelizmente não, por enquanto. Aproveito o espaço para agradecer a todos, a Jennyffer e a Eliana, aos músicos, fãs, pesquisadores e colecionadores que têm nos ajudado nessa jornada que é longa, mas será muito gratificante ao final.

3 – Rock Press - Sobre os personagens, os irmãos Max e Raul foram visionários nos anos 1980 ao criarem o Caverna. O que os mais novos podem aprender sobre o legado de ambos?
NATANE VIDAL -
O legado do Raul, do Max, como produtores da cena Rock/Underground do Rio, deve servir como referência. Como um motivacional, tipo aqueles cases que viram exemplos do que pode ser feito, iniciando do zero. O Raul acreditou em suas ideias e sonhos e foi até o fim, mesmo com vários obstáculos, sempre com muito amor pelo que fazia. E o Max deu prosseguimento ao projeto iniciado por ele. E acho que é isso que deve ficar para os mais jovens. Acreditar que é possível.

4 – Rock Press - Atualmente o Garage vem recebendo homenagens intituladas “Garage Vive”, por jovens que em sua maioria não vivenciaram os tempos áureos Fabio_Costa_do_Garage_e_Natane_Vidaldo Garage Art Cult, o que para os mais antigos é algo contraditório. Fábio Costa, um dos idealizadores do espaço, é um dos personagens e um tabu na história do Fábio é o fato que ele teria sido envolvido com células/partidos nazistas no Rio de Janeiro. Como o filme deve lidar com esses dois pontos delicados?
NATANE VIDAL - Acho que toda homenagem é válida, enquanto for tratada como homenagem. Porém, devem permanecer no âmbito da “homenagem”. Aos jovens cabe pesquisar um pouco da história para saber onde estão pisando. Quem conheceu o Fábio sabe que ele era um dos caras mais controversos do metal carioca. E parte do documentário é sobre esses extremos da personalidade dele. Falar sobre o Fábio não é fácil e sempre gerará polêmica. 

5 – Rock Press - Deixe seu recado final aos leitores da Rock Press, e como é possível ajudar os filmes.
NATANE VIDAL - Não sou muito boa com recados, embora seja extremamente prolixa. Mas então, começarei agradecendo as boas energias de todos que apoiaram e nos apoiam até aqui, aos músicos, bandas e frequentadores do Garage e do Caverna que viveram a cena e dividiram um pouco de suas histórias conosco e ajudaram a construir tudo isso. E a Jennyffer e a Eliana, que tão nessa empreitada desde o começo, por acreditarem na gente. Aos leitores, que vocês continuem usando o rock/underground como forma de expressão, da melhor maneira possível. Apoiem seus músicos locais, comprem o CD do amigo sem pechinchar preço, paguem os ingressos de shows com ORGULHO e sempre compartilhem com os outros o trabalho do amigo. Dêem moral aos profissionais envolvidos na cena: fotógrafos, cinegrafistas, técnica, produtores, aos zines, jornais, blogs, e tudo mais. Quem tá no underground, faz por amor. Temos muitas bandas e músicos bons nesse Brasil e muitos profissionais que só precisam de um empurrão. Sejam honestos e saibam reconhecer a importância e o mérito que cada um tem na história do Rock/Underground no Rio e no Brasil. Não diminuam a história de ninguém, em detrimento do engrandecimento da história do outro. E por final, quem quiser nos ajudar com materiais, pesquisa e etc, podem entrar em contato conosco no: gongolofilms@gmail.com. Vida longa ao Underground!

#Recomendamos...

Live_RockPress_com_Natane_Vidal

Espaços como o Caverna e o Garage Art Cult e tantos outros pelo Rio de Janeiro e no Brasil, são peças fundamentais para se ter vida na cena underground e independente nacional. Quando saímos da pandemia, valorize os espaços alternativos do seu bairro, cidade, estado, e ao viajar prestigie os espaços locais, faça disso um roteiro turístico. O espaço que você apoia hoje pode ser o roteiro de um filme amanhã, assim como o Caverna e o Garage que fizeram história nas décadas de 1980 e 90 estão sendo documentados hoje e em breve em exibição perto de você. - Michael Meneses!

Quer saber mais...
Em junho de 2020, em meio ao isolamento social, fizemos uma live com a Natane Vidal em no instagram do Portal Rock Press, ASSISTA AQUI! 

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