MATRIZ: A resistência da Matriz e suas “filiais”!

A Casa Cultural Matriz, importante espaço dedicado ao rock, ao underground e à cultura como um todo em BeloCasa_Cultural_Matriz_logo_20_anos Horizonte/MG, completa 20 anos de história e faz campanha de financiamento coletivo para se manter até que seja superada a crise imposta pela pandemia do Covid-19. Sempre privilegiando a cena artística independente da capital mineira, o espaço também já recebeu eventos com artistas dos mais variados cantos do Brasil e do mundo.

MATRIZ:
A resistência da Matriz e suas “filiais” 

TEXTO:
Robert Moura
FOTOS:
Celio Ferreira, Fernando Prates
e Arquivo Pessoal/Facebook

Casa_Cultural_Matriz_Publico

Não é novidade para ninguém as dificuldades que diversos setores, para não dizer praticamente todos, da nossa sociedade vêmCasa_Cultural_Matriz_Edmundo_e_Andrea sofrendo devido à pandemia de Covid-19 que se alastrou pelo Brasil. Se essa é uma questão que já seria extremamente grave em qualquer circunstância, a população brasileira encontra-se completamente à deriva diante dos atos e da forma irresponsável como o governo federal tem lidado com a situação. O setor cultural tem sido um dos mais afetados. O mais do que necessário isolamento social tem causado muitos problemas às casas culturais que sem poder receber o público tem suas atividades totalmente suspensas.

Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, um dos mais importantes espaços de shows e eventos, a Casa Cultural Matriz (localizada no Terminal Turístico JK) fundada, em 2000, pelo casal Andrea Diniz e Edmundo Corrêa, é uma dessas casas que vêm enfrentando extrema dificuldade para se manter até que a pandemia seja superada. Prestigiando a cena local, as bandas de rock independente das mais variadas vertentes (em especial as autorais que, tradicionalmente, encontram poucos espaços para tocar), sempre tiveram uma grande acolhida no espaço, entre elas estão a Pelos (ex-Pelos de Cachorro), Dolores 602, Slama, Distúrbio Sub-Humano, Hell Trucker, Drowned, Sepulchral Voice e Wisache. Mas, nem só de rock vive a Matriz, a cena eletrônica, sempre está presente em sua programação regular, assim como o hip-hop, rap e a soul music (com seu tradicional Tributo a James Brown). Para se ter uma ideia de sua diversidade, já se apresentaram lá, baluartes do samba carioca como Dona Zica da Mangueira, Nelson Sargento e Walter Alfaiate; o hardcore de Dead Fish (ES), CPM 22 (SP), Fresno (RS), Street Bulldogs (SP), Dance of Days (SP), Os Pedreros (ES) e Mukeka di Rato (ES); o som extremo das bandas finlandesas Força Macabra e Rattus  (que, inclusive, ganhou um mini documentário produzido pelo canal Goblin Underground TV, sobre sua passagem por BH. Confira AQUI!); o heavy metal de Paul DiAnno (ex-Iron Maiden), Valhalla (DF), Nervosa (SP), Lyria (Foto abaixo. Esse com cobertura da Rock Press, relembre AQUI!); o hard rock da banda Lion Heart (que apesar de carioca, curiosamente, fez seu show de estreia na Matriz); e nomes da música popular brasileira com representantes do Rio de Janeiro como Jards Macalé e Cláudio Zoli, e de Minas Gerais como Lô Borges e Toninho Horta.

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Além dos shows musicais, a programação da Matriz inclui festivais, mostras, teatro, performances, dança, exposições de artes plásticas, fotografia, palestras, lançamentos de livros e exibição de filmes. A pluralidade, o perfil democrático e de livre expressão artística são fatores notórios de um espaço que nunca sobrepôs os valores comerciais aos artísticos. Em 2015, o músico Augusto Licks (ex-guitarrista dos Engenheiros do Hawaii), realizou lá uma histórica edição de seu workshop “Do Quarto Para O Mundo” (ele, inclusive, recordou-se do evento, e lamentou a crise que a casa vem enfrentando, em recente entrevista a uma rádio online). Poucos dias antes do início da quarentena, a exposição “Clicks Musicais: Do Underground ao Mainstream”, com fotos de Michael Meneses, fotógrafo e editor do Portal Rock Press, foi realizada na Matriz.

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 “Idealismo e Resistência”

Na luta para sobreviver, com o idealismo e a resistência que sempre fez parte da história da Matriz, Andrea e Edmundo lançaram uma campanha de financiamento coletivo na qual recorrem às pessoas que sempre acompanharam de longe ou de perto e àquelas que simpatizam com seu trabalho, para que contribuam, seja de forma financeira ou mesmo ajudando na divulgação. A iniciativa conta também com o apoio de artistas e produtores culturais que têm suas trajetórias ligadas ao espaço, e estão ofertando alguns de seus trabalhos como recompensas às contribuições, tais como oficinas online, camisas com estampas exclusivas de artistas plásticos, pinturas, xilogravuras e serigrafias. Entre os artistas que doaram seus trabalhos estão Izabela Náira, Camila Buzelin, Quinho, Gilson Ribeiro, Gabriel Dias, Drin Cortes, Rogério Marcus, Marina Jacome e Robert Frank. As bandas também têm se esforçado na divulgação do projeto. 

Não podemos deixar de mencionar que Edmundo está completando 40 anos de atuação cultural, e que a Matriz, assim como Calabouço (comandada por Edmundo e seu irmão Marcos Corrêa), e o Butecário (com Edmundo já em parceria com Andrea), também serviram de referência para a criação de outras casas na capital mineira. Uma delas, e a mais recente a ser inaugurada é o Lemmy’s Bar, comandado por Lídio Rabello (foto abaixo com Andrea Diniz), que iniciou suas atividades em 15 de fevereiro desse ano e funcionou apenas por três semanas. De forma voluntária e consciente, a casa suspendeu suas atividades antes mesmo de qualquer pronunciamento oficial, e também tenta se manter. Lídio afirma que “deve tudo ao Matriz”. Leia seu depoimento abaixo:

“Como teria sido minha vida sem o Matriz? Tudo que tenho e sei da vida devo a eles! E quando eu digo dever, não é algo financeiro. São meus Andrea_Diniz_com_Lídio_Rabello_na_Casa_Cultural_Matriz_BHvalores, minhas amizades, meus aprendizados e muitas das minhas conquistas! Edmundo e Andrea foram os melhores professores que tive na vida! O Matriz foi a melhor escola e o “primeiro emprego”! Lá, pude ser eu mesmo em todas as ocasiões em que precisei deles, seja produzindo um evento, seja usando roupas de glam rock, seja brigando por um sonho ou até mesmo nos piores dias de minha vida! Sempre sendo acolhido por esses dois seres humanos maravilhosos! Lá, aprendi o quanto é importante valorizarmos a arte local, dar valor a quem cria e a quem briga por seus sonhos. Vi todos os meus amigos se desenvolverem como músicos e grandes produtores terem a oportunidade de começarem suas carreiras com passe livre pra produzir o que quisessem! Assisti namoros começarem e acabarem! Lá, eu vivi, como dito anteriormente, sendo eu mesmo. Sempre. Em todas as ocasiões! Então, como teria sido minha vida sem o Matriz? Não existiria simplesmente o “EU” que eu adoro ser! Pois tudo que aprendi nos últimos 20 anos, está diretamente ligado a cada sorriso e lágrima que vivi ali dentro! Obrigado, Edmundo e Andrea, por sempre deixarem “eu” ser “eu” ali dentro! E o “eu” que me tornei é um alguém muito feliz e realizado por ser quem é! Grande abraço e vamos salvar o Matriz!”.

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A casa mãe...

Normalmente, o público belo-horizontino, como pode se observar no depoimento de Lídio Rabello, refere-se “ao” Matriz no masculino (um hábito que o autor desta matéria também tem, mas evitou no texto). O hábito não parece ter nenhum motivo específico, mas é curioso observar que além de “matriz” ser um substantivo feminino, o termo também vai ao encontro da origem da palavra “mãe”, e o espaço também inclui a palavra “casa” em seu nome, sendo assim, portanto, “a” Casa Cultural Matriz. O fato é que a Matriz gerou muitas “filiais” que, assim como ela, também lutam para sobreviver. E sobreviverão! – Robert Moura.

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ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira, inclusive, tendo se apresentado por diversas vezes na Casa Cultural Matriz (bem como no Calabouço e no Butecário), onde também organizou diversos eventos, além de ser frequentador assíduo do local. Foi também na Matriz que Robert Moura conheceu a revista Rock Press, em uma edição que trazia a banda Rush na capa, e acabou lhe sendo presenteada por Edmundo Corrêa. Atualmente, seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.

 

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