AQUELES QUE FICARAM - A nova tentativa do cinema húngaro de disputar o Oscar!

“Aqueles que Ficaram” é o filme indicado pela Hungria na corrida ao Oscar 2020 de Melhor Filme Estrangeiro. A película do diretor Abigél_Szõke_em_AquelesQueFicaraBarnabás Tóth, narra um relacionamento pós Segunda Guerra entre o médico Aladár (Károly Hajduk) e a estudante Klará vivida por Abigél Szõke (foto). Com lançamento da Supo Mungam Films o longa é uma das atrações do Festival do Rio e estreia nas salas do Brasil no dia 26 de dezembro.

 “AQUELES QUE FICARAM”
A nova tentativa do cinema húngaro de disputar o Oscar!

TEXTO: Nilvio Pessanha
FOTOS: Divulgação

AquelesQueFicaram

Com o longa ambientado na Hungria pós Segunda Guerra, “Aqueles que ficaram” acompanha dois personagens centrais, um médico, Aladár (foto) (Károly Hajduk), e uma Károly_Hajduk_em_AquelesQueFicaramjovem estudante, Klará (Abigél Szõke) que acabam se aproximando através do luto da perda de familiares em campos de concentração. Apesar de apresentar muitos desacertos em sua história e na construção de personagens, o filme não é de todo ruim. Tem os seus pontos positivos. A química entre os dois protagonistas da trama é o maior deles. O filme foca na relação de afeto entre o médico e a menina. A sintonia entre a interpretação dos dois atores é convincente, aliada a escolhas narrativas acertadas da direção e, assim como um bom domínio do elenco por parte do cineasta, faz com que o filme não se transforme num dramalhão piegas.

Outro mérito do filme é a fotografia que dá um tom pós-guerra, um acinzentado que dá um clima mais desesperançoso, triste em alguns momentos. Reforça a atmosfera melancólica dos personagens. Já a trilha sonora é original, de autoria de László Pirisi, um compositor de trilhas que já tem outros trabalhos com o diretor Barnabás Tóth, como o curta-metragem de 2018, Cochicho. Ela é toda instrumental e se faz presente no filme de forma bem sutil.

Os desacertos, porém, se concentram no roteiro, que é feito a duas mãos – o próprio Barnabás e Klára Muhi. A trama apresenta pontos que não são bem desenvolvidos, como a subtrama política de pessoas que vão sumindo, como se estivessem indo para um campo de concentração. Filme_Aqueles_Que_FicaramCria-se então uma tensão sobre uma iminência de Aladár ser levado, mas não fica claro o porquê desse risco iminente. Outro ponto é a questão da dubiedade da natureza do carinho de Klará para com Aladár. Desde o início há uma sugestão de um certo lolitismo no afeto da menina. Até no olhar dos outros de suspeita em relação aos dois, mas isso também não é bem desenvolvido. A passagem de tempo no final do filme dá um ar de final de novela da Globo. Ficou parecendo que não encontraram outra solução para o roteiro. Sem falar que há um problema de ritmo. Mesmo o filme não sendo longo, seu ritmo arrastado dá a impressão de que sua duração é maior.

No fim, fica uma impressão de que “Aqueles que ficaram” é um filme com uma boa intenção, com boas ideias, mas que peca no desenvolvimento de algumas dessas ideias. Só não se perde por completo pela atuação dos protagonistas e por alguns acertos do diretor. Com um pouco mais de apuro na construção da história e da relação dos personagens, poderia ter sido bem melhor. “Aqueles que Ficaram” é baseado num romance homônimo de Zsuzsa F. Várkonyi. O livro tem o título original de "Those Who Remained" e ainda não há uma edição traduzida para o português.

O Diretor e as Indicações

Cria da Academia de Cinema e Televisão de Budapeste, este é o seu segundo longa, antes dirigiu "Camembert Rose" (Rózsaszín sajt) em 2009. Barnabás Tóth ganhou destaque com o curta-metragem “Cochicho” (2018) que foi bastante elogiado e chegou a concorrer a uma indicação ao Oscar, mas não foi selecionado para a final, Já "My Guide" (Újratervezés) (2013) seu outro curta-metragem, foi o curta de mais assistido do cinema húngaro, e pode ser visto AQUI.

Barnabás Tóth, volta a concorrer a uma indicação agora com “Aqueles que ficaram”, que também foi indicado a melhor filme no Festival Internacional de Antalya em Golden Orange. Também na disputa essa indicação a Melhor Filme Estrangeiro o brasileiro “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz.

Atração do Festival do Rio e Indicação Húngara ao Oscar 2020

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O longa segue sendo exibido de festivais e mostras de cinemas, pelo mundo, entre eles o Festivais de Telluride e de Chicago, no Brasil o filme entra em cartaz a partir do dia 26 de dezembro, porém, o público carioca já pode conferir “Aqueles que Ficaram”, já que o longa é uma das atrações do Festival do Rio e selecionado na categoria Expectativas 2019. - Nilvio Pessanha.

Aqueles_Que_Ficaram_CartazTRAILER:   http://bit.ly/aqftrailer

PROGRAMAÇÃO: 26 de Dezembro a 1º de Janeiro
SÃO PAULO/SP
Espaço Itaú de Cinema Augusta
Reserva Cultural
Petra Belas Artes
Cinesala

RIO DE JANEIRO/RJ: 
Espaço Itaú de Cinema Botafogo
Estação NET Rio
Cine Casal Barra Point
Cine Laura Alvim

NITERÓI/RJ:
Reserva Cultural Niterói

BRASÍLIA/DF:
Espaço Itaú de Cinema (Casa Park)
Cine Cultura Liberty Mall

BELO HORIZONTE/MG:
Cinema Belas Artes

CURITIBA/PR:
Espaço Itaú de Cinema (Shopping Crystal)

SALVADOR/BA:
Saladearte Paseo
Saladearte Museu

VITÓRIA/ES:
Cine Jardins

GOIÂNIA/GO:
Lumière Banana Shopping

PORTO ALEGRE/RS:
Guion Cinemas

FESTIVAL DO RIO (Mostra Expectativas 2019): https://bit.ly/35qvZjn

FICHA TÉCNICA:
AQUELES QUE FICARAM - Akik maradtak | Hungria | 2019 | 87 minutos | Drama 
DIREÇÃO:
Barnabás Tóth
ELENCO: Károly Hajduk e Abigél Szõke
ROTEIRO: Barnabás Tóth e Klára Muhi
MONTAGEM: Ágnes Mógor
MÚSICA: László Pirisi
FOTOGRAFIA: Gábor Marosi
PRODUTORA: Inforg-M&M Film Production
PRODUÇÃO: Mónika Mécs
DISTRIBUIÇÃO: Supo Mungam Films

 

Nilvio Pessanha*, é vascaíno, pai do Francisco (um menino de 9 anos muito bonito), professor de língua portuguesa e literatura da prefeitura e do estado do Rio de Janeiro, morador de Campo Grande na zona oeste carioca e agitador cultural no subúrbio carioca e podcaster em Trincheiras da Esbórnia (OUÇA AQUI!).