A MULHER NO CINEMA: Grandes Cineastas Brasileiras!

Comemorado anualmente em 19 de junho, o Dia do Cinema Brasileiro é uma homenagem às primeiras A_MULHER_NO_CINEMA_Grandes Cineastas_Brasileiras_Por_Jorginhoimagens em movimento registradas no Brasil: a entrada da Baía de Guanabara, por Afonso Segreto, em 19 de junho de 1898. Desde então, nosso cinema já presenciou momentos de glória, assim como de descaso. Além de valorizar nossas produções, faz-se necessária maior atenção às mulheres da sétima arte nacional, pois muitas ainda não são lembradas. Larissa Oliveira fez uma lista com importantes cineastas brasileiras, entre elas Helena Ignez, Marina Person, Daniela Thomas, Flávia Castro, Lúcia Murat, contando suas trajetórias e indicando filmes que merecem reconhecimento, sempre que pensarmos no cinema nacional.

A MULHER NO CINEMA:
Grandes Cineastas Brasileiras!

TEXTO: Larissa Oliveira
ARTE: Jorginho
IMAGENS: Divulgação

O cinema brasileiro sempre fez história, independente de gênero, porém, é preciso reconhecer a força da mulher nessa construção. Afinal, são centenas de diretoras e profissionais, nascidas e/ou radicadas no Brasil e que há mais de cem anos compõem o cenário do cinema nacional. Se vangloriamos figuras como Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, não podemos esquecer de Helena Ignez; se lembramos da vida e obra de Luis Sérgio Person, não podemos deixar de falar sobre Marina Person. Ambas, Helena e Marina foram impulsionadas ao ofício de cineasta após convivência com grandes nomes de suas vidas, mas também ao buscarem uma identidade própria para além da sombra deles.

Mulheres e seus olhares históricos...
Nas primeiras décadas do século XX, ofícios relacionados ao mundo cinematográfico (roteiristas, diretoras, montadoras, etc.) foi tomado por mulheres por conta do pouco valor de mercado na época. Em 1930, a atriz paulista Cleo de Verberena vende pertences ao lado do marido para juntos montarem o estúdio Épica Film e lançarem o filme de Cleo que seria a pioneira cineasta brasileira com: O mistério do dominó preto. As coisas começam a mudar no período pós Segunda Guerra Mundial com a forte retomada masculina de lugares que antes podiam ser ocupados por mulheres devido à sua ausência. Nos Estados Unidos, por exemplo, a diretora Ida Lupino era a única atuando neste período, ainda que sob forte censura do Código Hays. 

Muitas cineastas não conseguiram ver o seu nome brilhar e nem dar forma autêntica a suas obras por conta de muitos impasses, como seu gênero, a sua raça e a falta de suporte. É importante ressaltar que muitos dos filmes de autoria feminina, especialmente da década de 80 para trás, foram perdidos ou possuem baixa qualidade técnica até porque o problema para a mulher na indústria não é muitas vezes, o seu gênero, e sim a falta de grana. É por isso que se faz urgente buscar seus filmes e falar sobre eles em todos os seus aspectos a fim de não repetirmos erros passados. É com esse objetivo que listamos 10 célebres cineastas do cinema brasileiro. 

GRANDES MULHERES DO CINEMA NACIONAL!

HELENA IGNEZ - Nascida em Salvador em 1939, Helena Ignez se tornaria atriz aos 20 anos ao atuar nos longas do seu então marido e mestre do Cinema Novo, Glauber A_Mulher_da_Luz_Própria_FILME_de_Sinai_SganzerlaRocha. Helena encontraria nos anos 60, um novo amor com quem pudesse se desprender de amarras sociais nas câmeras. O cinema marginal de Rogério Sganzerla (seu novo companheiro) e Júlio Bressane trouxe uma nova abordagem às problemáticas sociais do Brasil. Ao lado dos dois diretores, Helena financiou a produtora Belair e juntos rodaram alguns dos filmes mais emblemáticos do cinema brasileiro como “O Bandido da Luz Vermelha” (1968); “A Mulher de Todos” (1969) e “A Família do Barulho” (1970). Apesar disso, a atriz nordestina passaria décadas buscando expressar seus próprios anseios na sua própria linguagem, e é na década de 2000 que ela inicia sua carreira como diretora. Sua estreia com “A Miss e o Dinossauro” (2005) é uma homenagem ao na época, recém falecido Sganzerla e à produtora Belair, a qual tem sua importância não somente pela produção de filmes contestadores, mas também porque registra uma época de censura, clandestinidade e exílio no Brasil depois do decreto AI-5 de 1968.

Seus filmes demarcam o forte engajamento político da baiana e seus personagens estão à margem da sociedade, mas conscientes de sua posição. Seu estilo fílmico apresenta narrador em primeira pessoa e performances teatrais. Suas influências do passado ganham vigor atual por conta da mesclagem que faz de elementos de diferentes épocas. Em “A Moça do Calendário” (2017), por exemplo, algumas figuras marcantes do cinema marginal como Zé Bonitinho e Grande Otelo se incorporam nas indagações atuais dos personagens. A filha de Helena com Rogério, Djin Sganzerla, também atua no filme e em outros da mãe. Além disso, a maioria dos filmes de Ignez foram produzidos por sua outra filha, Sinai Sganzerla.

Ademais, Sinai também se tornou cineasta e lançou o documentário “A Mulher da Luz Própria” (2019) que retrata a trajetória cinematográfica de Helena. Com depoimentos pessoais da mãe, é narrado sob uma perspectiva feminista ao contrapor sua presença antes de ser cineasta em busca de uma identidade em uma sociedade que oferecia poucos espaços à mulher e ao se tornar uma, torna-se também a mulher da luz própria.
FILMOGRAFIA:
Helena Ignez:
A Miss e o Dinossauro (2005)
Canção de Baal (2007)
Luz nas Trevas-A Volta do Bandido da Luz Vermelha (2010)
Feio, eu? (2013)
Poder dos Afetos (2013)
Ralé (2016)
A Moça do Calendário (2017)

FILMOGRAFIA:
Sinai Sganzerla:
O Desmonte do Monte (2018)
A Mulher da Luz Própria (2019)

Extratos (2019)
 

MARINA PERSON - Marina Izaura Jeha Person nasceu em São Paulo, em 1969. Graduou-se em cinema pela Escola de Comunicação e Artes, e logo atuava como Person_de_Marina_Pensonassistente de direção nos filmes: “Perfume de Gardênia” (1992), de Guilherme de Almeida Prado; “O Efeito Ilha” (1992), de Luiz Alberto Pereira; “Capitalismo Selvagem” (1993), de André Klotzel e “Alma Corsária” (1993) de Carlos Reichenbach, um grande parceiro de seu pai e também cineasta, Luis Sérgio Person. De 1995 a 2011 foi produtora e apresentadora na MTV-Brasil. Sua trajetória pelo saudoso canal de música foi marcada por programas como Cine MTV; Meninas Veneno; Balela MTV e Top Top. Um ano após estrear na emissora, Marina escreveu e dirigiu o curta “Almoço Executivo” ao lado do diretor Jorge Espírito Santo. Voltaria a trabalhar com Reichenbach, dessa vez como atriz, no longa “Bens Confiscados” (2005). Em 2003, a multiartista estrearia solo na direção de um documentário sobre a vida e obra do seu pai, intitulado “Person”, e exibido na TV Cultura. Em 2015, seria a vez de adaptar a história da sua adolescência na década de 80 no seu primeiro longa-metragem, “Califórnia”, onde Marina direciona o espectador para as mudanças sociais e culturais que acompanhavam o Brasil durante o período de abertura política após 20 anos da ditadura militar. O post-punk nacional e internacional formam a trilha sonora do filme, assim como a repercussão sobre o vírus HIV. Após mais de três décadas de carreira, o primeiro e até agora, único filme da diretora, é considerado sua maior realização.
FILMOGRAFIA:
Almoço Executivo (1996) – com Jorge Espírito Santo
Person (2005)
Califórnia (2015)

 

ADÉLIA SAMPAIO – Mineira, nascida em 1944, tem uma trajetória que intersecciona diversas lutas antes e durante da sua carreira de cineasta. Filha de empregada Amor_Maldito_de_ADÉLIA SAMPAIOdoméstica e negra, só descobre o que é cinema aos 13 anos quando estava com a sua irmã no Rio de Janeiro. Na década de 60, deslumbrada com a sétima arte, começa a trabalhar como telefonista na distribuidora de filmes do Cinema Novo, Difilm e organiza sessões de cineclube. Ela e seu marido foram presos e torturados durante a ditadura militar e esse capítulo da sua história seria crucial para retratar histórias reais no seu cinema. Durante as próximas duas décadas, trabalhou como produtora, roteirista, e começa seu papel na direção com os curtas "Denúncia Vazia" (1979); "Adulto Não Brinca" (1980); "Agora um Deus Dança em Mim" (1981); e Na poeira das ruas (1982). Entre seus temas abordados, encontram-se: envelhecimento, suicídio e desigualdade social; infelizmente, a diretora alegou que seus curtas, que estavam armazenados no Museu de Arte Moderna do Rio, sumiram. 

Seria em 1984 que Adélia assumiria a direção de um longa desafiador. “Amor Maldito” foi baseado no caso real da relação entre duas mulheres, que com o suicídio de uma delas, a outra foi tida como suspeita de assassiná-la perante o tribunal. É a primeira vez que vemos a homossexualidade feminina sob a perspectiva de uma mulher no cinema nacional, e apesar dos entraves, há uma sensibilidade em ambientar o tribunal como a vida real, em que a moralidade se revela hipócrita. A luta de Adélia para realizar e distribuir esse filme desvela as faces preconceituosas do Brasil. A Embrafilme disse que jamais trabalharia com uma aberração (referindo-se à temática); para lança-lo, a cineasta teve que transformar seu trabalho em pornochanchada, e imagine então, a subversão da primeira cineasta de longa-metragem negra na época de ditadura militar no país. Adélia continuaria ousando ao lançar, em 1987, o documentário “Fugindo do Passado: Um Drink para Tetéia e História Banal”, no qual relata memórias da ditadura. O mesmo tema seria abordado décadas depois em “AI5 - O Dia Que Não Existiu”, em parceria com o jornalista Paulo Markun, mas o nome de Adélia aparece oculto em várias fontes sobre a obra. 

Um estudo do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), analisou que entre os filmes brasileiros de maior bilheteria entre 2002 e 2014, nenhum foi dirigido por mulher negra, ou seja, a solidão de mulheres como Adélia Sampaio se reflete também no cinema apesar de todos os avanços das últimas décadas na democratização de espaços na sociedade.
FILMOGRAFIA:
Denúncia vazia (1979)
Adulto não brinca (1980)
Agora um deus dança em mim (1981)
Na poeira das ruas (1982)
Amor Maldito (1984)
Fugindo do passado: um drink para tetéia e história banal (1987)
AI-5 - O Dia que Não Existiu (Adélia Sampaio e Paulo Markun 2004)
O mundo de dentro (2018)

LÚCIA MURAT - Carioca nascida em 1948, tornou-se uma das diretoras mais reconhecidas do Brasil devido ao teor político abordado em suas obras. Na época da ditadura A_Memória_que_me_contam_de_LÚCIA_MURATmilitar, participou de movimento estudantil. Assim como Adélia Sampaio, Lúcia transformou sua experiência do período repressor em documentários. Em “Que Bom Te Ver Viva” (1989), Lúcia mescla narrativas ficcionais a reais, mas de um ponto de vista feminino e que confronta o espectador a fim de despertar a consciência do que realmente significou pensar diferente dos militares. Lúcia Murat é precisa: a vida continua, mas as marcas do cárcere também. A ditadura militar é o tema de outras de suas obras como em “Uma Longa Viagem” (2011) e “A memória que me Contam” (2012) e também aborda temáticas como violência urbana e a questão indígena. 
FILMOGRAFIA:
O Pequeno Exército Louco (1984)
Que Bom Te Ver Viva (1989)
Oswaldianas (1992) ("Daisy das Almas Deste Mundo")
Doces Poderes (1997)
Brava Gente Brasileira (2000)
Quase Dois Irmãos (2004)
Olhar Estrangeiro (2006)
Maré, Nossa História de Amor (2007)
Uma Longa Viagem (2011)
A memória que me contam (2013) 
A Nação Que Não Esperou por Deus (2015) 
Praça Paris (2018)
NOTA: Sua filha Júlia Murat também é diretora prestigiada e segue abaixo a sua filmografia:
A velha, o canto, as fotos (2001)
Ausência (2004)
Dia dos pais (2008)
Pendular (2009)
Histórias que só existem quando lembradas (2011)

LAÍS BODANZKY - Nascida em 1969, em São Paulo, e filha do cineasta Jorge Bodanzky. Laís talvez seja a diretora brasileira mais premiada internacionalmente. Sua Cine_Mambembe_O_Cinema_Descobre_o_Brasil_de_LAÍS_BODANZKYestreia no cinema acontece em 1994 com o curta “Cartão Vermelho”, que narra a história de uma menina de 12 anos apaixonada por futebol. Ao lado de Luiz Bolognesi, Laís criou o projeto Cine Mambembe em 1996, com o objetivo de projetar filmes para pessoas sem condições de acesso nas cidades interiores do país. Seu grande passo na carreira se deu com o longa adaptado “Bicho de Sete Cabeças” (2001), que conta a história de um rapaz internado pelos pais em um manicômio por causa de um baseado de maconha. Foi o filme que despontou a carreira de Rodrigo Santoro e com certeza é um dos mais importantes do nosso cinema; é possível notar que Bodanzky intenciona o rompimento com tabus nas suas primeiras obras, mas também em posteriores como em “Mulheres Olímpicas” (2013), quando lança um olhar crítico sobre o papel da mulher no esporte e a dificuldade em ser aceita no meio. Em 2017, a paulista novamente protagoniza mulheres que enfrentam expectativas de gênero em “Como Nossos Pais”. É uma obra que dialoga com as demandas atuais da mulher de classe média que não encontra o companheirismo necessário no casamento. Outra questão do filme é a relação instável entre mãe-filha, mas que deixa uma importante lição sobre liberdade de escolhas.  
FILMOGRAFIA:
Cartão Vermelho (1994)
Cine Mambembe - O Cinema Descobre o Brasil (1999)
Bicho de Sete Cabeças (2001)
A Guerra dos Paulistas (2003)
Chega de Saudade (2008)
As Melhores Coisas do Mundo (2010)
"O Ser Transparente" em Mundo Invisível (2011)
Mulheres Olímpicas (2013)
Educação.doc (2013)
Como Nossos Pais (2017)

DANIELA THOMAS - Daniela Gontijo Alves Pinto, conhecida como Daniela Thomas, sobrenome advindo do casamento com o diretor Geraldo Thomas, é filha do cartunista Terra_estrangeira_de_Daniela_ThomasZiraldo e nasceu no Rio de Janeiro, em 1959. Começou sua carreira como cenógrafa nos anos 1980, assinando peças nacionais e internacionais. Ela também realizou curtas através da companhia que ela fundou ao lado de Stevem Bernstein, a “Crosswind Films”. Com outro diretor em destaque, Walter Salles, fez uma longa e frutífera parceira com filmes como “Terra estrangeira” (1996); “O primeiro Dia” (1998); “Somos Todos Filhos da Terra” (1998-codirigido por João Moreira Salles e Katia Lund); “Linha de Passe” (2007) e também colaborou com “Central do Brasil” (de 1998 e indicado aos Oscars de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz para Fernanda Monte Negro). “Terra Estrangeira” é um grande marco no cinema nacional pois é ambientado no período de forte crise econômica do Governo Collor, no qual a Embrafilme estava sob ameaça de encerramento das atividades pelo então presidente. Os personagens principais se sentem deslocados em seu país de origem e se dispersam em Portugal em busca de outras oportunidades de vida só para descobrirem que não havia saída; Thomas estrearia solo somente em 2018 com o suspense “O Banquete”.
FILMOGRAFIA:
Terra Estrangeira (1996)
O Primeiro Dia (1998)
Somos Todos Filhos da Terra (1998)
Armas e Paz (2002)
Castanha e caju contra o encouraçado Titanic (2002) 
Paris, je t'aime (2006- segmento "Loin du 16ème")
Linha de Passe (2007)
Insolação (2009)
Vazante (2017)
O Banquete (2018)

FLÁVIA CASTRO – Natural de Porto Alegre (1965), essa cineasta é mais uma diretora brasileira marcada pelo período da ditadura no país. Aos 4 anos de idade, teve que Diario_de_uma_busca_de_FLÁVIA_CASTROpartir para o exílio com seus pais por conta da perseguição dos militantes. Nos tempos de exílio, sua família morou no Chile, Argentina, Bélgica e França. Retornaria ao Brasil somente na época da Anistia. Assim como intencionaram outras diretoras citadas acima, Castro transforma sua memória pessoal e política em um documentário, o “Diário de uma Busca” (2010). Nele, a diretora busca compreender de forma mais nítida a trajetória política do seu pai, Celso Castro. É evidente que mexer no passado significa desconcertar emocionalmente sua família, uma vez que a morte do seu pai deixou inúmeras lacunas e tem paralelo com sua militância. Flávia remontou a sua história, com a liberdade de um longa de ficção e assim criou “Deslembro” (2018). O filme é uma versão da sua história, inevitavelmente marcada pela tragédia do seu pai, mas de forma mais resolvida, como se a diretora tirasse dos ombros o peso da memória e segue em frente. Além disso, Castro fez dois curtas dentro do longa-metragem “A Aula Vazia”, dirigido pelo mexicano Gael García Bernal.
FILMOGRAFIA:
Diário de uma Busca (2010)
A Aula Vazia (2015)
Deslembro (2018)

ANA CAROLINA – Nasceu em 1943, em São Paulo, e teve outras formações antes de se encontrar no cinema. Iniciou como continuísta e dirigindo curtas. Seu primeiro Mar_de_rosas_filme_de_Ana_Carolinalonga foi “Getúlio Vargas” (1974). Entre o fim da década de 60 e o início dos anos 70, funda duas produtoras: Área Produções Cinematográficas e Crystal Cinematográfica e também inicia uma trilogia feminista com “Mar de Rosas” (1977), considerado o seu melhor filme. “Das Tripas Coração” (1982) seria o segundo e foi censurado pela ditadura por quatro meses. “Sonho de Valsa” (1987) traz uma bela atuação de Xuxa Lopes como uma mulher sem identidade e controlada por figuras masculinas como irmão/pai/amante/Deus. Ana Carolina emprega o surrealismo e figuras de linguagem, tornando a obra um excelente material de estudo de simbolismos de gênero. Apesar de sua famosa trilogia, a diretora não se limita à temática feminina; ela busca retratar de forma audaciosa as condições sociais do ser humano. 
FILMOGRAFIA:
A Freira (1967)
Lavra-dor (1967- codireção Paulo Rufino)
Indústria (1968)
Guerra do Paraguai (1970)
Monteiro Lobato (1970)
Nelson Pereira dos Santos Saúda o Povo e Pede Passagem (1970)
Pantanal (1971)
A Fiandeira (1972)
Três desenhos (1972)
Getúlio Vargas (1974)
Mar de Rosas (1977)
Das Tripas Coração (1982)
Sonho de Valsa (1987)
Amélia (2000)
Gregório de Matos (2003)
A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum (2014)

TIZUKA YAMAZAKI - Nasceu em Porto Alegre em 1949, mudou-se para o Rio de Janeiro na década de 1970 para cursar cinema. Seu primeiro curta, “Mouros e Cristãos” Gaijin_Os_Caminhos_da_Liberdade_TIZUKA_YAMAZAKI(1972) teve supervisão do célebre diretor Nelson Pereira dos Santos. Seria ainda, sua assistente de direção de outro nome de peso, Glauber Rocha. A história da vinda da sua família do Japão para o Brasil é retratada no seu primeiro e belo longa, “Gaijin - Os Caminhos da Liberdade” (1980), tendo repercussão no Festival de Cannes daquele ano. Anos depois, lança “Parahyba Mulher Macho” (1983) baseado na história real da revolucionária professora Anayde Beiriz no contexto político repressor do Nordeste dos anos 20, porém, a diretora peca ao focar mais na disputa entre João Pessoa x João Dantas do que na importância histórica de Anayde. No ano seguinte, “Patriamada” (1984) foca no movimento Diretas Já na fase final da ditadura militar; depois, volta-se à direção de novelas e de filmes da Xuxa e do Renato Aragão e redireciona o seu olhar identitário sobre a imigração em “Gaijin - Ama-me como Sou” (2005). 
FILMOGRAFIA:
Mouros e cristãos (1972)
Bom dori (1975)
Viva 24 de maio (1978 – co-direção de Edgar Moura)
Gaijin - Os Caminhos da Liberdade (1980)
Parahyba Mulher Macho (1983)
Patriamada (1984)
O Pagador de Promessas (1987-Série)
Kananga do Japão (1989)
Lua de Cristal (1990)
Fica Comigo (1996)
O Noviço Rebelde (1997)
Fica Comigo (1998)
Xuxa Requebra (1999)
Xuxa Popstar (2000)
Gaijin - Ama-me como Sou (2005)
Xuxa em O Mistério de Feiurinha (2009)
Aparecida - O Milagre (2010)
Amazônia Caruana (2010)


PETRA COSTA - Nasceu em Belo Horizonte, em 1983. Sua carreira cinematográfica se inicia em 2005 na codireção com Anisa George do documentário “Dom Quixote de Democracia_em_Vertigem_de_PETRA_COSTABethelehem”. Seu primeiro e premiado curta-metragem intitulado “Olhos de Ressaca” (2009), retrata a história de amor dos seus avôs. Seria também reconhecida pelo seu próximo trabalho, o longa “Elena” (2012), que também é íntimo, pois é uma delicada homenagem a sua irmã de mesmo nome e que se suicidou quando Petra era criança. Com “Olmo e a Gaivota” (2014), a mineira inova ao documentar de forma ficcional o dilema de uma atriz grávida e as limitações que seu corpo impõe na carreira. Seu documentário “Democracia em Vertigem” (2019) que disputou o Oscar 2020 é uma produção original da Netflix e retrata os caminhos políticos que culminaram na queda da esquerda brasileira e ascensão da extrema-direita provocando uma crise estrutural na democracia. Foi o documentário mais visto da plataforma em 2019 e causou acirradas discussões na polarização política do país. A sua precisa posição política foi criticada sob alegação de omitir as falhas do governo PT, mas analisando por outra perspectiva, os fatos postos no documentário ampliam percepções honestas sobre a derrubada antidemocrática da presidência de Dilma Rousseff. Ademais, Petra Costa foi audaciosa ao captar frames de diferentes momentos políticos e aplicar simbolismos sobre eles sendo um ponto favorável à sua almejada crítica. 
FILMOGRAFIA:
Dom Quixote de Bethelehem (2005)
Olhos de Ressaca (2009)
Elena (2012)
Olmo e a Gaivota (codireção Lea Glob- 2014)
Democracia em Vertigem (2019)

 

MENÇÕES HONROSAS: Ana Maria Magalhães; Anita Rocha da Silveira; Anna Muylaert; Carla Camurati; Eliane Caffé; Helena Solberg; Maria Augusta Ramos; Norma Bengell; Sandra Werneck; Gilda de Abreu

#Recomendamos:
->  Algumas obras das cineastas Ana Carolina, Camila de Moraes, Helena Ignez, Lúcia Murat, Susana Amaral e Tata Amaral se encontram atualmente disponíveis no catálogo do streaming Spcine Play no qual Laís Bodanzky é presidente. ACESSE AQUI!
->  O site mulheres do cinema brasileiro contém múltiplas informações sobre diretoras em ordem alfabética. LEIA AQUI!
->  Um estudo feito pela ANCINE com dados de 2017 e 2018, mostra os dados sobre a participação das mulheres no audiovisual brasileiro. CONFIRA!
-> Em 2017 a Coluna 1, 2, 3, 4... da Rock Press conversou com Everlane Moraes, baiana, radicada em Sergipe que conquistou com estudo uma bolsa para cursar cinema em Cuba. Porém, foi prejudicado por medidas de cortes financeiros do então governo federal na área da educação. Entrevista Por: Alex Dusky e Victor Araújo: LEIA AQUI!

#Ação...
A partir da década de 1990, há um boom de mulheres produzindo e muita dessa liberdade parte dos pequenos passos da redemocratização do Brasil pós ditadura militar. É válido afirmar, desse modo, que a cineasta de hoje consegue formar narrativas que correspondem às diversidades, estilos de vida, entre outros aspectos que se encontram, hoje, sob ameaça de censura e falta de apoio na atual conjuntura política da extrema direita brasileira. Portanto, é fundamental que sejamos vigilantes, mesmo em situação de quarentena, em relação aos rumos da nossa liberdade de expressão e é preciso promover o conhecimento sobre as cineastas. Assistam aos seus filmes, divulguem e contribuam com a discussão sobre a importância do olhar feminino no cinema. – Larissa Oliveira! 

 

Larissa Oliveira é: Professora de inglês, fanzineira e atuou no movimento Riot Grrrl em Aracaju/SE e agora segue na militância no Rio de Janeiro. Você pode adquirir o Fanzine “I Wanna Be Yr Grrrl” escrevendo para: iwannabeyrgrrrlzine@hotmail.com 

 

JORGINHO é: Filósofo, educador social, agitador cultural, administrador do ColetiveArts (grupo de artistas e escritores de Porto Alegre/RS), acadêmico de pedagogia torcedor do Grêmio, mas não gosta de futebol, gosta é do Grêmio. Trabalha como ilustrador, criador de conteúdo e tudo que seja relacionado ao desenho, incluindo participações em exposições nacionais e internacionais na área de cartuns, quadrinhos, charges e desenho em geral. Já ilustrou inúmeros livros infantis, também foi autor pela plataforma Elefante Letrado. Trabalha com oficinas de desenho, ilustrações e fanzines.
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