A banda pernambucana subiu ao palco do Circo Voador para comemorar os trinta anos do seu segundo disco, Afrociberdelia, diante da Lona da Lapa lotada e que ainda contou com shows de BNegão e Seletores de Frequência e DJ Anette Canivette. Rock Press Conferiu, leia na matéria que segue!

Nação Zumbi + Bnegão e Seletores de Frequência + DJ Anette Canivette
Circo Voador – Lapa – Rio de Janeiro
8 e 9 de Maio de 2026
TEXTO: Leozito Rocha
FOTO: Nem Queiroz
Nação Zumbi provou que apenas uma data não seria suficiente para a celebração do aniversário de trinta anos do Afrociberdelia. O segundo disco é mesmo muito querido e cultuado por fãs e crítica. Prova disso, foram os dois dias super lotados no Circo Voador. Vale lembrar que a primeira noite contou com show de abertura do Mintcho Garrammone. Estivemos presente na segunda apresentação, no sábado, dia 9 de maio, que teve abertura do Bnegão e Seletores de Frequência. Vamos aos shows…
BNEGÃO E SELETORES DE FREQUÊNCIA


Os portões abriram tradicionalmente às 20 horas com a DJ Anette Canivette e o público chegando morosamente. Quem é de fora do Rio de Janeiro geralmente engana-se com o preenchimento gradativo do carioca. E é assim mesmo. O público abastece do lado de fora e quando a gente percebe tudo fica tomado. Pouco mais das 21 horas e dois minutos, BNegão sobe ao palco cercado de sua banda competente e aproveita para lançar seu mais novo trabalho: “Metamorfoses Riddims e Afins”. Aliás, ele literalmente mostrou o vinil (lindo, lindo) à plateia. A bolacha em cor meio rosado, límpido… Belíssimo!

Se tem algo que o músico é bom é apresentar-se ao vivo. A presença dele encanta, contagia e chama tudo e todos. Nessa altura o Circo já estava cheio. E o show foi incrível. Muito hip hop, groove, funk, reggae e homenagens. De Chico Science ao som do Norte (a percussão de Sandro Lustosa foi um luxo só). Passando por Moleque de Rua (”O Sósia” foi executada no show), Ratos de Porão (”Cérebros Atômicos”) e Pedro Léki (Beat Bambam).
BNegão é a pessoa certa para preparar almas e mentes com muita música, atitude, crítica e postura. Final do show todos estavam de alma lavada. Destaque também para Pedro Selector e seu refinado trompete e DJ Castro nas carrapetas.
NAÇÃO ZUMBI


Depois de mais um set da DJ Anette Canivette era chegada a hora: Nação Zumbi e sua celebração. Por voltas das 23 horas a banda entrou no palco chefiada por Jorge Du Peixe e Dengue – toda banda, trajados de camisas vermelhas (meio Kraftwerk) já mandando ver. O set list obedeceu ao disco aniversariante e foi reverenciado pelos fãs. Acompanhei ao show de dois lugares e em ambos todos ao meu lado cantavam todas as letras. O Circo Voador não cabia mais uma alma viva. Atrevo-me a dizer que mosquitos seriam vetados na entrada.
Jorge saudou o público e iniciou “Mateus Enter”. Seguiram a ordem inteira do Afrociberdelia fio a fio. Entre algumas canções banda e plateia soltavam um “Viva Chico” (homenagem a Chico Science). Esse, certamente aprovaria toda festa e harmonia cercada pelo disco. Destaques para “Macô”, “Etnia”, Sobremesa”, Samba ao Lado” e “Cidadão do Mundo”.
Alguns momentos de admiração por esse quem vos escreve: “Quilombo Groove” e “Baião Ambiental” – justamente as instrumentais do trabalho foram de fuder! A sonoridade e potência da rapaziada é de tirar o chapéu. Música de excelência e qualidade ímpar. Aquele sonho que Chico Science tivera nos anos 90 era, de fato, revolucionário e atemporal. Quase visionário!
Os tambores e alfaias soaram poderosos ao vivo. O peso da Nação ainda até hoje impressiona no palco. Julgo que, para qualquer gringo que lá estava (e tinham alguns), ficou bastante empolgado e impressionado. O som da Nação Zumbi e seu maracatu e afins é marcante, estiloso e imponente. Em faixas como “Maracatu Atômico” e Manguetown” os músicos praticamente regiam como se fosse uma romaria. Só que com gritos, balanços e decibéis estourados a plenos pulmões pelo público. Registros de câmeras e celulares captaram a massa pulando, cantando e divertindo-se como nunca. Festa impecável.
Após setenta minutos de apresentação, Jorge anuncia o falso fim. Aquela retirada estratégica do palco. Nesse momento todos começaram a pedir mais e mais. O nome “Nação Zumbi” ecoava no anel inteiro da lona. Assim pedido, assim feito. A banda voltou ao palco para fechar com tudo. BNegão veio junto para o tão solicitado Bis. De uma só vez vieram “Um sonho” (canção do “Nação Zumbi – 2014 ), “Quando a Maré Encher” (música de 2000 do “Rádio S.Amb.A.) e “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada” (”Nação Zumbi” – 2002) para catarse plena de todas testemunhas que lá estiveram.
Só nós resta referenciar!
Parabéns a todos envolvidos. Quem foi e quem tocou. O espírito da música brasileira nordestina esteve maravilhosamente representada e celebrada. E, provavelmente, Chico (aonde estiver) dançou, curtiu e besuntou-se de lama no mangue celestial. – Leozito Rocha.
LEOZITO ROCHA – É radialista, pesquisador musical, escritor e amante de cinema. Colaborador de sites musicais, curador de rádio, editor e apresentador do “O Som do Leozito” na Internova Rádio (OUÇA), e observador incurável. Seu facebook é aqui! e seu instagram é: @leozito_rocha4.