MARCOS VILELLA & OLHOS DE NELSON: Show Gratuito na Livraria Baratos da Ribeiro (RJ)

“Um show que levou 52 anos para ser gestado!” Assim o release do evento apresenta o espetáculo do músico suburbano Marcos Vilella e banda Olhos de Nelson na Livraria Baratos da Ribeiro, sábado, (13/12). Nos intervalos DJ Túlio Brasil, a iniciativa é gratuita e encerra a programação cultural dessa charmosa livraria carioca neste ano de 2025!

TEXTO: Michael Meneses
FOTOS e IMAGENS: Divulgação

Alguns músicos passam décadas tocando em bandas, bares, em diferentes estilos, viajam por todos os cantos, e não necessariamente estão apenas buscando fama, dinheiro e afins. Alguns desses músicos estão sim, construindo uma história de militância artística.

Um exemplo de como é importante acreditar na própria arte, é o músico carioca Marcos Vilella, cria do bairro de Olaria, na zona norte carioca, começou a tocar em um violão que só tinha uma corda e compôs: “Ai que sensação andar pendurado no trem da estação”. Se o leitor não gostou, relaxe, considere o fato que na época ele só tinha uns 8 anos e a proto-canção uma nota.

Marcos Vilella, hoje leciona geografia na rede pública, antes, foi do bolero ao samba, da psicodelia ao punk, tocou nos memoráveis saraus dos colégios de Marechal Hermes entre os quais, na Escola Técnica Visconde de Mauá (onde estudou), nas rodas de samba no Bar Pirueta na galeria do Cine Imperator no Méier, em festivais na Ilha do Governador, teve show censurado no SESC de Madureira, passou tardes nos ensaios do Hermeto Paschoal no Jabour na zona oeste do Rio, fez temporada no Castelão, tocou pagode e RAP em Magé…

Nas últimas décadas, Marcos Vilella tocou na cena underground de diversos ritmos, em bandas como; Os Mágicos, Consciência Profunda, Moral da História, Estranhos de Si Mesmo, Zip Top, Engasgagato, Sambrasa, Voçoroca, Os Inomináveis e Geração…

Agora o músico faz seu primeiro show solo, no repertório, suas canções, acompanhado da banda Olhos de Nelson na Livraria Baratos da Ribeiro, sábado, (13) e que terá DJ Túlio Brasil, seu filho, discotecando. Conheça a história do músico…

Música pra mim é mais que uma paixão ou um desafio, é uma aventura” – Marcos Vilella.

No inicio, ou melhor, por volta de 1977, com 11 anos, conquistou o 2º lugar em um festival de música da escola e ganhou um violão Di Giorgio 18. Na época, passou a ter aulas com o “torturante método da Dona Luísa”, que o obrigava a tocar como destro, mesmo ele sendo canhoto, aquele papo de “coisa de satanás”. Em seguida, passou a usar as clássicas revistinhas de cifra e seguiu evoluindo. Sacou sua poupança, um investimento feito pelo seu pai e comprou um baixo Giannini modelo Rickembeker.

A convite do amigo e baixista Miltão, foi na casa do Hermeto Paschoal e tempos depois, na companhia do baterista Luís Canelhas, com quem tocou na noite, assistia aos ensaios do Hermeto, quieto presenciou várias músicas surgirem do talento do Campeão Hermeto que na época tocava com Márcio Bahia, Jovino, Carlos Malta, Fábio Paschoal e Pernambuco. Certo dia, Hermeto os presenteou com a partitura de “Série de Arco”, e segundo Marcos Vilella, era o jeito do Campeão dizer: “Estuda Menino”!

Já pelos anos 1980, veio o punk rock com a banda Estranhos de Si Mesmos, que segundo o músico, fazia uma fusão de punk com baião, foi com essa banda que Marcos foi censurado em um show no SESC/Madureira, pelo então diretor do espaço, um coronel da antiga. O diretor mandou cortar o som ao se incomodar com os palavrões berrados pelo vocalista da banda e ao ouvir de outra banda presente no evento, a Partia Amarga, que defendeu que a morte do Papa seria a solução para os males do mundo.

Outro show importante com Estranhos de Si Mesmo, ocorreu ao lado da banda Calibre 38, percursora do Hard/Heavy carioca e na baixada fluminense, na ocasião, a Estranhos de Si Mesmo vestia branco, diferente do publico heavy no show e que predominante usava preto. O visual albino despertou a atenção da fotógrafa Márcia, e que depois se tornou sua esposa.

Por um tempo tocou na banda do Bar Castelão, e recebendo salário, entre os músicos desse trabalho, o guitarrista Zé Paulo, que acompanhava Carmem Costa. Na época, Marcos Vilella ainda tocava na banda ZIP Top, um power trio de repertório eclético que ia de Altemar Dutra à Pink Floyd.

Seguiu estudando música com Sérgio Wyseckwisk, Marco Bachur, fez Villa Lobos e Antônio Adolfo. Já na década de 1990, formou no município de Magé a banda Sambrasa, um mega-grupo de pagode com 15 integrantes, com direito a naipe de metal, teclado. e percussão. Foi a primeira fez que tocou com estrutura profissional, em shows de abertura para ícones do pagode como Negritude Júnior, Só Pra Contrariar, Katinguelê, Molejo… A Sambrasa, ainda acompanhou o Gabriel Pensador num show no Magé Tenis Clube!

A vida, uma tendinite e o trabalho formal, o tirou da música, vendeu seus instrumentos e seguiu longe dos palcos por um tempo. Até que seu filho Túlio começou a pesquisar seus LPs e se tornou ouvinte do Ronca Ronca. O jovem Túlio era apresentado aos discos da coleção dos pais, e em troca, apresentava aos pais o indie-rock e a então nova MPB.

Era o momento de Marcos Vilella retornar a música e aos estudos, fez ENEM e na faculdade de geografia montou a banda Voçoroca, som experimental que segundo Marcos, “tocávamos músicas de teor geográfico (?!) de bambas como Mautner e Gil”. Com essa banda tocaram no Gafieira Elite em um show que quase virou caso de polícia.

De volta a música, tocou com a banda Geração, no repertório, clássicos BRock dos anos 80, com direito a show no Sebo Baratos em evento que contou com apresentação da cria de Del Castilho, a cantora Carol Delgado.

O músico também voltou aos estudos de música na Escola Portátil, com foco na linguagem do choro e do samba, tem tocado em violão de 7 cordas, compondo com Marcelo Lyra e participando de um projeto de extensão na musicoterapia da UFRJ.

Recomendamos…

Depois de toda essa vivência e aos 60 anos, Marcos Vilella, terá oportunidade de tocar suas composições, acompanhado da banda Os Olhos de Nelson, e se o leitor, assim como a gente, ficou curioso com o nome da banda, Marcos Vilella avisa que isso será explicado no show e segundo Vilella, o repertório será de: “Canções de amores bem ou mal resolvidos”. Revelou o músico em seu release biográfico.

O show do Marcos Vilella na Livraria Baratos Ribeiro e gratuito e nos intervalos DJ Túlio Brasil (veja o serviço abaixo).

A noite marca o encerramento da programação cultural da livraria em 2025, antes, na quinta-feira (11), haverá o lançamento do livro “LP Todo Dia” de autoria de Leandro Menezes e lançado pela Garota FM Books (assista nosso papo com a editora Chris Fuscaldo aqui). Já na sexta-feira (12), tem show do Arnaldo Brandão e DJ Renato Lima nos intervalos. Uma programação que a nós da Rock Press, só nos cabe dizer: #Recomendamos! – Michael Meneses!

SERVIÇO:
SHOW: Marcos Vilella + DJ Túlio Brasil
DATA: Sábado, 13 de dezembro de 2025, às 18h.
LOCAL: Sebo Baratos da Ribeiro – Rua 19 de Fevereiro 90, (esquina com a Voluntários da Pátria (pertinho do metrô) – Botafogo/RJ.
INFO: @sebo_baratos
EVENTO GRATUITO!



MICHAEL MENESES
 – 
É o editor da Rock Press deste 2017, criador do Selo Cultural Parayba Records, fotojornalista desde 1993, foi fanzineiro nos anos 1980/90, jornalista e cineasta de formação, pós-graduado em artes visuais. Fotografa e escreve para diversos jornais, revistas, sites e rádios ao longo desses últimos 30 anos, também realiza ensaios fotográficos de diversos temas, em especial música, jornalísticos, esporte, sensual, natureza... Pesquisa, e trabalha com vendas de discos e mídias físicas em geral. Michael Meneses é carioca do subúrbio, filho de pai paraibano de João Pessoa e de mãe sergipana de Itabaiana. Vegetariano desde 1996Em junho de 2021 foi homenageado na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo vereador Willian Siri (PSOL/RJ), com monção honrosa por iniciativas no audiovisual e na cultura suburbana. Torce pelo Campo Grande A.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Atualmente, dirige o filme, “VER+ – Uma Luz chamada Marcus Vini, documentário sobre a vida e obra do fotojornalista Marcus Vini. Com a Parayba Records, realiza o Parayba Rock Festum evento multicultural na Areninha Cultural Hermeto Paschoal em Bangu/RJ, no subúrbio carioca. Recentemente abri sua loja de discos a Discontração, que além de discos de Vinil e CDs, também vende DVDs, HQs, Livros e cultura pop em geral. Além disso, é maluco de carteirinha e adepto ao “Faça Você Mesmo”.

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