SPPED - Sejamos todos Speed - Entrevista com Pedro de Luna

Pedro de Luna, um dos mais atuantes escritores do underground nacional, lança mais um trabalho. Dessa vez em parceria com Livro_Eu_sou_SpeedRafael Porto, com quem narra a história do rapper Speed em “Eu sou assim Eu sou Speed”. Cria de Niterói/RJ, Speed integrou o Speed Freaks em parceria com DJ Rodrigues e Black Alien, e mais tarde o Planet Hemp, além de somar em projetos ao lado de referências do Rock e do Rap. Em 2010, Speed foi assassinado, deixando um acervo, agora eternizado nesta biografia que tem lançamento hoje (8/8) na Smoke Lounge, na capital carioca e no sábado (10/8), no Espaço Moinho, em Niterói. Batemos um papo com Pedro de Luna na coluna 1, 2, 3, 4...

SPPED - Sejamos todos Speed!
Entrevista com Pedro de Luna
TEXTO: Michael Meneses – FOTOS: Jorge Heli, Filipe Diniz e Divulgação

Speed, um desses caras que fazem mil coisas, mil coisas eternas, produções inspiradoras, cuja história se perpetua em vídeos, shows, jam sessions e gravações com Rumbora, Chico Science & Nação Zumbi, Charlie Brown Jr., Raimundos, Marcelo D2, BNegão, MC Marechal, Otto, De Leve, Gilber T, Rappin' Hood, Lurdez da Luz, Tigrão entre tantos outros parceiros de rimas e da arte. Speed, ou Claudio Marcio de Souza Santos, seu nome de batismo, foi uma dessas peças fundamentais na cena alternativa e independente dos anos 1990. E, se você já escutou a instrumental “Speed Funk”, do álbum “Usuário” do Planet Hemp, saiba que esse som é uma homenagem ao amigo Speed.

Livro_Eu_sou_SpeedO músico nasceu em Niterói/RJ em 1972, fundou ao lado do DJ Rodrigues e de Black Alien, a banda Speed Freaks e foram considerados precursores da então "nova escola" do rap nacional. Tempo depois, com o fim do projeto, Claudio passou a atender por “Speed” ou “Speedfreaks”.

No final dos anos 1990, Speed passou a residir em São Paulo e seguiu progredindo como MC e dando vida às suas obras. Em 2001, lançou "Expresso", reconhecido por público e crítica como "melhor álbum de rap dos últimos os tempos". Outro feito, foi a versão em parceria com Tejo e Black Alien para "Quem que Caguetou?", do Fat Boy Slim que virou hit no exterior.

Em 2008, Speed retornou a Niterói, vindo a falecer dois anos depois ao ser assassinado em uma comunidade da cidade. Contudo, como o próprio Speed dizia, não tinha "patrão nem capataz", e vivia o chamado "estilo livre" e isso foi a fonte de inspiração aos seus raps, que abordavam a natureza humana, explorando um conteúdo crítico e com humor.

Suas produções são verdadeiros legados da arte urbana de Niterói, do Rio de Janeiro, São Paulo e acima de tudo, do mundo e podem ser conferidas em seis álbuns, dois EPs, três demos, videoclipes, coletâneas e projetos, sendo alguns inacabados. Parte desse acervo vem sendo conservado por Rafael Porto que ao lado de Pedro de Luna escreveu o livro “Eu sou assim Eu sou Speed” (Ilustre Editora, 160 páginas) e que tem lançamento hoje (8/8) na Smoke Lounge no bairro da Tijuca no Rio, no sábado (10/8) no Espaço Moinho em Niterói, dia 15 de agosto em São Paulo e em breve estão previstos eventos em Belo Horizonte/MG e São Gonçalo/RJ. Com esse trabalho, Pedro de Luna, chega ao seu décimo livro na entrevista que segue:
 
1 – ROCK PRESS/Michael Meneses - Depois das biografias “Planet Hemp: mantenha o respeito” e outros oito livros, incluindo “Brodagens – Gilber T e as histórias do rap e do rock carioca” você em companhia do Rafael Porto lança “Eu sou assim Eu sou Speed”. Como o público do Rap e afins tem reagido em relação ao mercado digital em tempo de streamings e plataformas digitais?
Pedro de Luna: 
Eu acho sempre perigoso responder em nome de um público porque a individualidade ainda é mais presente mesmo na coletividade, mas pelo que eu Pedro_de_Luna_FOTO_Jorge_Heliacompanho, acho que estão aproveitando bastante o potencial dos meios digitais. Na verdade, o digital barateou tanto a forma de se gravar quanto de se divulgar, o que ainda precisa de ajustes é a comunicação – e isso vale para qualquer público na música. Ainda vejo a comunicação entre artista e público de uma forma massiva e impessoal, quando acredito mais na criação de vínculos, de relacionamentos reais, e isso dá trabalho e leva tempo para acontecer. Nessa experiência com o livro do Speed teve gente que adquiriu a recompensa do livro em PDF mais a camisa, o que mostra uma parte dos leitores optando pela leitura em tablets e computadores tradicionais em detrimento do formato impresso. Mas, claro, vendemos muito mais livros impressos do que digitais nessa campanha, além de muitas camisetas. O Speed utilizou muito bem da tecnologia, gravando músicas, discos e clipes aos montes. E tudo isso sozinho, em sua casa, num computador antigo. Ele começou como baixista, virou MC e por fim produtor. Para artistas autodidatas, como o Speed, que aprendem a usar os softwares e as plataformas sozinho, o digital é um prato cheio.

2 – ROCK PRESS - Rap e Rock já dialogaram de forma mais ativa no passado e hoje parecem andar em direções opostas, lamentavelmente, pois no fundo ambos os estilos estão no mesmo barco. Como pesquisador desses estilos e principalmente da música independente como você analisa esse fato? E quais nomes você ver como revelações nacionais desses estilos?
Pedro de Luna: 
Um dos fatores que fez o Planet Hemp soar novo em 1993 foi justamente a mistura do rap e do rock, inclusive em sua formação de banda com DJ e dois vocais (depois três, quando BNegão e Black Alien ficaram no grupo ao mesmo tempo). Tivemos também aquele modismo do nu metal e de misturas de rap com rock mais pesado como, por exemplo, Linkin Park. Eu não afirmaria que os dois gêneros estão separados, mas certamente o rap vem cumprindo melhor o papel de contestador. No Brasil, o rock foi muito importante quando bandas oitentistas e noventistas colocaram em suas letras os anseios do povo, mas faz tempo que o rap ocupou esse espaço de contestação. Um exemplo é o próprio Marcelo D2, que é do rock, do rap e também do samba, e uma das principais vozes contra o governo Bolsonaro. Ou seja, é muito difícil colocar os artistas em caixinhas, enquadrar em rótulos, porque justamente são artistas, podem dar uma guinada da noite pro dia.

3 – ROCK PRESS - Como a família do Speed reagiu ao livro?
Pedro de Luna:
 A mãe do Speed já faleceu e o pai é distante. A família dele é a irmã, Lia, que ajudou muito, inclusive cedendo fotos de infância e adolescência do Speed para o livro. O foco da biografia foi a carreira artística dele, então não entramos na vida íntima e amorosa do artista.

4 - ROCK PRESS - O lançamento “Planet Hemp: mantenha o respeito” lhe colocou em uma verdadeira turnê literária pelo Brasil. Como estão às datas promocionais para esse lançamento?
Pedro de Luna: 
Pedro_de_Luna_FOTO_Jorge_HeliA biografia do Planet foi o livro mais difícil da minha vida, então eu matei a bola no peito e estou correndo o Brasil por conta própria. Não tenho suporte de viagem, grana de marketing, nada. Eu que faço os contatos, gerencio convites, que marco os eventos. Estou muito feliz por que nesse esquema independente já fiz vários lançamentos no Rio e São Paulo, além de Niterói, Volta Redonda, Curitiba, Belo Horizonte, Vitória, Salvador, Recife, Garanhuns e mais recentemente Manaus. Estou fechando 7 de setembro na Feira do Livro de Visconde de Mauá. O livro do Speed tem três datas agendadas e, para setembro, provavelmente farei em Belo Horizonte. Espero novos convites para eventos com “Mantenha o Respeito” e mais a bio do Speed, o famoso 2 em 1.

5 – ROCK PRESS - Finalizando, o que os leitores da Rock Press podem esperar de “Eu sou assim Eu sou Speed”?
Pedro
Pedro_de_Luna_FOTO_Jorge_Helide Luna: Este livro teve um parto difícil, mas o resultado ficou muito bom. Apesar de ser o meu décimo livro, é o primeiro do Rafael Porto, então levou um tempo até azeitarmos o processo. Mas ficou ótimo! Conseguimos fotos raríssimas e inéditas, e entrevistamos pessoas que ainda não haviam passado pelos meus livros anteriores, já que é um livro mais pro rap do que pro rock. Essa é a minha segunda biografia cujo biografado já faleceu, o que torna a apuração bem mais difícil, e também a minha segunda escrita a quatro mãos – a primeira foi “Chico Alencar – caminhos de um aprendiz”. São experiências e desafios para um escritor em desenvolvimento, como eu me considero. E, no fundo, todos os meus livros se complementam como peças de um quebra-cabeças grande e complexo que é a cena musical brasileira.

LANÇAMENTOS...
Em todos os eventos, haverá sessão de autógrafos com os autores, além é claro da venda do livro, sendo possível comprar o livro em dinheiro ou cartão com preço promocional de lançamento.

No Centro Cultural Smoke Lounge, após o lançamento do livro, haverá apresentação das bandas, Gas Vulcanicos_Foto_Felipe_DinizDance com sua pegada setentista e guitarras envoltas em fuzz edelay. Outra atração é o quarteto Os Vulcânicos (foto), banda na ativa desde 2010 e que ataca com seus tambores e guitarras selvagens e iradas, como bem diz o release do evento.

Já em Niterói, haverá Victor_Bhingapresentação de DJs e MCs e a atração de abertura será de Victor Bhing (Foto), em seguida show da Hostil Gang, projeto liderado por Tigrão “Big Tiger”. Os rappers eram amigos de Speed, com quem trabalharam quando Speed retornou de São Paulo em 2008. Segue os serviços abaixo.

Em São Paulo, o lançamento acontece no próximo dia 15 de agosto e outras datas podem e estão sendo confirmadas e/ou agendadas no e-mail abaixo e vale acompanha o site e a fanpage do Speed nos links que seguem:
ILUSTRE EDITORA: ilustrecomunicacao@gmail.com
SITE: http://www.speedvive.com/
FANPAGE: https://www.facebook.com/speedvive

Reconhecemos...
Cabe a nos da Rock Press reconhecer todos esses méritos, seja do Pedro de Luna em mais um projeto literário em prol da música independente nacional, seja em memória de Speed, seja pelos espaços Smoke Lounge e Moinho em sediar esses eventos que só fortalece e incentiva quem faz e fez história. Também fica o nosso salve, aos que acreditaram em “Eu sou assim Eu sou Speed” e participaram do financiamento coletivo para a produção desse livro. A todos nossos parabéns! – Michael Meneses!

SERVIÇO: Lançamento da biografia “Eu sou assim Eu sou Speed” de Pedro de Luna e Rafael Porto.
Livro_Eu_sou_Speed_lançamento_na_Smoke_LoungeRIO DE JANEIRO - Quinta, 8 de agosto, às 20h.
LOCAL:
 Centro Cultural Smoke Lounge - Rua Ibituruna, 8, Tijuca RJ/RJ - Tel: (21) 3197-1975
BANDAS:  Gas Dance e Os Vulcânicos
CENSURA: 18 anos.
EVENTO: https://www.facebook.com/events/641793126303742/

NITERÓI/RJ - Sábado 10 de agosto, às 20h.
Livro_Eu_sou_Speed_Lancamento_em_NiteroiLOCAL:
Espaço Moinho - Travessa Ari Pinto Lima, 49 - Fonseca - Niterói (Alameda São Boaventura – ponto de ônibus Estação N. S. Mercês). Tel: (21) 99537-7197. 
SHOWS: Victor Bhing + Hostil Gang (Tigrão Big Tiger, Ami$h, Lil Ric, Cauê MC, Shess, Pedro Viola, Gustavo Hache).
EVENTO: https://www.facebook.com/events/2371284166447662/
INFO: https://www.facebook.com/moinhorj/
CENSURA: 18 anos.

SÃO PAULO/SP - Quinta-feira. 15 de agosto, das 18h.
Livro_Speed_15_8_2019_SPATRAÇÕES: Exposição com imagens sobre a cena independente em Niterói/RJ, som ambiente e exibição de vídeos.
LOCAL: Espaço Paranóis – Rua Aurelia 1347, Vila Romana – SP/SP
ENTRADA FRANCA.
EVENTO: 
https://www.facebook.com/events/506623353437682/
CENSURA: 18 anos.

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