SHAMAN: "Reencarnados" - HUB–RJ – 2/12/2018

Segundo os próprios integrantes da banda, o que a princípio, seria SHAMAN_HUB_RJ_em_2_12_2018_FOTO_Antonio_Carlos_Peresapenas um show, acabou se transformando em uma bem-sucedida turnê que passou por algumas cidades brasileiras, com apresentações em São Paulo/SP, Manaus/AM, Fortaleza/CE, Recife/PE, Brasília/DF, Belo Horizonte/MG e Rio de Janeiro/RJ. Fomos conferir o último (pelo menos, por enquanto) show da Shaman Reunion, que trouxe de volta seus quatro membros originais.

SHAMAN: "Reencarnados"
Shaman Reunion - HUB – RJ – 2 de Dezembro de 2018
TEXTO: Jonildo Dacyony – FOTOS: Antonio Carlos Peres.

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O local escolhido foi um novo espaço cultural da cidade maravilhosa, o HUB RJ, que apesar de recente, já recebeu artistas como Cypress Hill, Sublime With Rome e Pennywise. Localizado na zona portuária da cidade, que mesmo sendo na região central e logo de fácil acesso, não ficou livre de reclamações por parte dos "chatos de plantão". 

Ao chegarmos ao local, e uma enorme fila já havia sido formada na frente da casa, afinal não é todo dia que presenciamos uma reunião como esta. E os ambulantes não perderam tempo: era enorme a quantidade de pessoas vendendo lanches e bebidas pra galera e havia até uma barraca com sistema de som onde, além das músicas do Shaman, rolavam sons de outras bandas. A entrada do público só foi liberada por volta das 18:30.

SYRENS_com_REC_ALL_HUB_RJ_em2_12_2018_FOTO_Antonio_Carlos_PeresPassava das 19:30 quando o Rec/All, responsável por abrir a noite, subiu ao palco. O projeto do vocalista Rod Rossi, também é conhecida por contar com a participação de Felipe Andreoli e Marcelo Barbosa, músicos do Angra, e é bem conhecida do público carioca. Esbanjando simpatia e uma potente voz, Rossi, acompanhado excepcionalmente por Diogo Mafra (guitarra), Raphael Dafras (baixo) e Pedro Tinello (bateria), levantou o público com um set enxuto. É óbvio que não faltaram músicas como "iHate" e "Running in Her Veins" e ainda houve espaço para covers já esperados pelo público, como "Angels and Demons" (Angra) e "Cemetery Gates" (Pantera). Outro destaque do show, foi a jam com o vocalista da banda Syren, Luiz Syren. Ao final da apresentação, o número de pessoas já havia aumentado bastante e Rossi chegou a comentar que achava que o show do RJ era o mais lotado. Não temos as informações os números da tour, mas realmente o público compareceu em massa.

Doze anos não são doze dias e podemos acrescentar a essa receita, ingredientes como uma grande parcela do público bastante SHAMAN_HUB_RJ_em_2_12_2018_FOTO_Antonio_Carlos_Peresjovem, que não possui idade suficiente para ter assistido essa formação do Shaman ao vivo. Se incluirmos outra parcela da plateia composta por, digamos, headbangers mais "cascudos", teremos um panorama exato do que foi o público dessa noite. Vale ressaltar que foi possível observar uma quantidade enorme de pais e mães acompanhando seus rebentos.

Essa longa espera fazia o público não dispersar e permanecer diante do palco o tempo todo, principalmente depois que começou a tocar uma série de suítes sinfônicas que anunciavam a introdução do show por longos minutos. A introdução, igualmente longa, mas que pode ser justificada pelo contexto, mostrou vários momentos da banda: ensaios, viagens, a emoção do público diante das canções, além de depoimentos e partes de entrevistas. Aí, chegada a hora, eles invadem o palco e "Turn Away", "Reason" e "More" foram tocadas como em um disco colocado na vitrola: sem papo entre uma e outra, mas com a diferença de que aqui a energia entre público e banda faz a diferença!

Como a proposta era tocar os dois álbuns dessa formação na íntegra, foram respeitadasSHAMAN_HUB_RJ_em_2_12_2018_FOTO_Antonio_Carlos_Peres as sequências de ambos durante suas execuções, portanto, "Innocence", uma das composições mais populares da banda foi tocada logo no início, a consequência disso foi que mal dava pra ouvir a voz de André Matos devido ao barulho que a plateia fazia.

Depois vieram "Scarred Forever", "In the Night" e "Rough Stone", mantendo sempre a postura de muito som e pouco papo. Essa atitude, a despeito do que possam achar alguns fãs reclamões, reforça a dinâmica do show quando se toca um disco na íntegra, imagine quando se tocam dois! A proposta de "Reason" foi um som mais próximo do Metal tradicional e, na minha opinião as duas músicas na sequência são as que têm mais essa cara: "Iron Soul" e "Trail of Tears". Ao vivo elas ganham ainda mais energia! 

Pra encerrar essa parte da apresentação, a bela e filosófica "Born to Be", que após ser executada deu lugar a um vídeo com cenas de ensaios e sessões de gravações da banda.

Sem dúvida, é algo bastante incomum, independente das circunstâncias, atingir um sucesso tão grande logo no primeiro álbum e o Shaman conseguiu esse feito, e não há como negar que as canções de "Ritual" eram as mais esperadas. Muito provavelmente por esse motivo a execução do disco ficou pra segunda parte do show. Dava pra perceber que a empolgação do público era maior do que antes, SHAMAN_HUB_RJ_em_2_12_2018_FOTO_Antonio_Carlos_Peresao ouvirmos a introdução "Ancient Winds" que deu lugar a "Here I Am". Ali, começava outro show. Parecia que o público tinha acabado de chegar, tal era o volume das vozes cantando em uníssono, o que não diminuiu um decibel sequer quando "Distant Thunder", uma das melhores, foi tocada.

Aí, finalmente, André Matos falou algumas palavras aos presentes. Falou sobre a relação do grupo com o Rio de Janeiro e agradeceu a todos que compareceram para assisti-los "reencarnados" como Shaman e anunciou a belíssima "For Tomorrow", com seu acento andino. Em seguida veio "Time Will Come", uma das mais sombrias, mas não menos bela. Já "Over Your Head", que possui um daqueles refrões fáceis de cantar e esse é um dos motivos que a fazem uma das mais populares, perdeu muito, pois teve alguns problemas no som durante sua execução. Problemas que pareciam sem importância, como os que acontecem em qualquer show, mas que ocorreram justamente na hora da entrada do convidado da noite, Marcus Viana, porém do meu ponto de vista a canção perdeu um pouco de seu brilho porque a parte de percussão não foi tocada por Ricardo Confessori, ao invés disso, entrou um playback. 

Os problemas técnicos se estenderam até a música seguinte queSHAMAN_HUB_RJ_em_2_12_2018_FOTO_Antonio_Carlos_Peres era nada menos que "Fairy Tale", o que fez Viana ir até o microfone de Matos e soltar: "¡Yo no creo en brujas, pero que las hay, hay!". Porém, nada disso tirou o fascínio do ponto mais alto da noite!

Entre uma canção e outra, pudemos observar o carisma de Hugo Mariutti, que é um dos que mais levantam a galera. Em diversos momentos ele largou a guitarra e foi "reger" público. Em "Blind Spell", que tem uma base bem pesada dava pra observar alguns fãs imitando seus gestos com o instrumento.

Em seguida, Fabio Ribeiro começa a tocar os acordes iniciais da música "Ritual", que já anuncia o final da festa, que foi encerrada com "Pride", onde Matos, depois de apresentar aSHAMAN_HUB_RJ_em_2_12_2018_FOTO_Antonio_Carlos_Peres banda (fazendo questão de lembrar o apelido de "Jesus" dado a Luiz Mariutti) convidou a galera a abrir uma roda de mosh. 

Não posso afirmar com certeza, mas pode ter sido por conta de estarem presentes muitas famílias, como foi mencionado anteriormente,  ao final do show, havia uma pessoa da produção agradecendo aos fãs que saiam. Gesto simples, mas bastante significativo, e apesar dos problemas técnicos e em relação à produção, não há como não dizer que foi uma noite memorável. Como disse Hugo Mariutti, em entrevista concedida a ROCK PRESS: "Doze anos que a gente não fazia um show juntos, mas acho que banda ainda gera uma comoção..." (LEIA: https://bit.ly/2rnv6pm ). Esperamos que essa comoção se perpetue e possamos conferir o talento do Shaman em outras ocasiões! - Jonildo Dacyony.
 

Postado por Michael Meneses quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 17:01:00 Categories: Bandas Nacionais Cypress Hill Heavy Metal HUB-RJ Marcus Viana Pennywise Rec/All Shaman Shaman Reunion Show Sublime With Rome Syren
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