SETOR BRONX Amplificando o underground Made in Zona Oeste no RIR!

Toda banda sonha em tocar em grandes eventos, com boa produção e tal. Às vezes, é preciso esperar 20 anos Setor_Bronx_Rock_in_Rio_2019_ FOTO_Michael_Meneses_ credito_obrigatóriopara esse sonho se tornar real, coletivo e com aditivos de sorrisos e lágrimas. Assim podemos resumir o set do Setor Bronx no Espaço Favela do Rock in Rio 2019, uma apresentação para lavar a alma de quem acredita e produz Rock AUTORAL em Padre Miguel, Realengo, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e na Zona Oeste e Subúrbio Carioca!

SETOR BRONX Amplificando o underground Made in Zona Oeste no RIR!

Espaço Favela - Rock in Rio – 28 de Setembro de 2019
TEXTO Michael Meneses
FOTOS: Michael Meneses e Ver+ Fotografia

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Antes de mais nada, se você pensa que essa resenha será apenas mais um texto jornalístico e que por isso deve ser imparcial nem leia. Agora se você está afim de saber Setor_Bronx_Rock_in_Rio_2019_ FOTO_Michael_Meneses_ credito_obrigatóriocomo foi a primeira apresentação de uma banda underground de rock da Zona Oeste Carioca da história do Rock in Rio em linhas cheias de sentimentos, “Amplifica” a mente e siga em frente! Afinal, nunca me foi uma novidade acreditar que certas bandas que acompanhei ao longo dos anos com minha vivência no underground (em especial no subúrbio do Rio) iriam conquistar espaços dignos aos seus trabalhos. A lista vai de nomes já quase esquecidos dos quais só restam poucos registros à bandas que seguem na cena como a Gangrena Gasosa, Sex Noise... Enfim, demorou, mas esse dia chegou e coube ao Setor Bronx o desafio de representar a cena rock independente da Zona Oeste Carioca pela primeira vez no festival. Méritos também para A Barca 021, o grupo de Rap do bairro de Campo Grande (também na Zona Oeste do Rio) que iniciou os trabalhos alternativos já no primeiro dia do Festival no excelente e FUNDAMENTAL palco Supernova, leia AQUI!

Com as bênçãos do Grupo Teatral Nós do Morro minutos antes, o Setor Bronx subiu ao palco e naquele momento até a chuva que caiu na Cidade do Rock durante todo o primeiro final de semana do festival deu uma pausa para prestigiar a banda de Padre Miguel. Posso dizer que São Pedro estava inspirado, pois foi uma atitude divina, já que o espaço favela não é coberto e seria triste ver sonhos sendo limitado pela chuva.

Mesmo com a responsabilidade que é o desafio em se apresentar no Rock in Rio, a banda estava segura de si. Iniciaram comSetor_Bronx_Rock_in_Rio_2019_ FOTO_Michael_Meneses_ credito_obrigatório “Fato Consumado” e o que se via outrora nos shows pelo subúrbio agora se via no maior festival de música do mundo. E o que se via no palco era um misto da humildade que se adquire quando se aprende com a vida, e de orgulho pela certeza de todo aprendizado! Na sequência, “Não” e “Sem Futuro”, deixavam claro ao público que conhecia a banda naquele momento que a temática das letras da banda era de críticas e de despertar social em prol de dias melhores.

Setor_Bronx_Rock_in_Rio_2019_ FOTO_Michael_Meneses_ credito_obrigatórioNa plateia, via-se desde chilenos a familiares e velhos amigos do rock suburbano como o Ricardo Fester, batera da Ataque Periférico, outra banda cria da Zona Oeste, presente também os músicos da banda Ágona (que tocam no mesmo palco, na sexta-feira, 4/10, e que entrevistamos há alguns dias. Leia AQUI). E digo mais, se não fosse o fato que não muito longe dali, no vizinho Palco Rock District, o Charlie Brown Jr. apresentava sua fase atual, e também pelo fato que em poucos minutos no Sunset seria a vez do Detonautas e Pavilhão 9 se apresentarem, iria faltar espaço para o povo no Espaço Favela. Seja como for, quem ainda não conhecia o som da banda foi logo interagindo e alguns sons foram caíram no gosto do povo! Prova disso  veio com “Original Style”, “Se for Pra Somar” e “O Dom”. Para onde olhávamos tinha um rosto com sorriso, seja provocado pelo orgulho do que se via no palco, seja literalmente falando com “Hasta la Victoria” uma das músicas do set.

Em “Os 3 MC Bolado” e “Fogo Cruzado”, o show contou com a participação do rapper e parça Dudu do Morro Agudo, cria de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (que no dia seguinte recebeu o Setor Bronx em seu show). Tal parceria provou mais uma vez que em se falando em periferia, não importa se é Zona Oeste, Baixada ou qualquer outra quebrada, tem mais é que se unir e somar ideias e iniciativas culturais.

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E se é para agregar arte, enquanto a banda tocava, o artista plástico Rodrigo Sini, também da zona oeste grafitava no canto esquerdo do palco. A banda seguiu com “A Rima”, e neste momento a produção alertou sobre o tempo do show, aquele papo de: “Só mais uma”, “Ao final dessa música o show acaba”. Porém, para desespero da equipe técnica, nenhum som ficou de fora e a banda ainda fez agradecimentos aos familiares que estão em outro plano e só assim, finalizaram com “Amplifica”, atual música de trabalho do Setor Bronx.

Setor_Bronx_Rock_in_Rio_2019_ FOTO_Michael_Meneses_ credito_obrigatórioAo final do set eu tive a certeza que valeu a pena acreditar em bandas autorais que, em outros tempos, assisti tocando em points como Tijolinho, Espaço Cultural 911 e bares alternativos pelo Rio de Janeiro ao longo de mais de 30 anos de envolvimento com rock, arte e cultura underground. Comprovei mais uma vez, agora no Espaço Favela, que quando se acredita em um sonho nunca deve deixar de ter esperança, pois uma hora as portas se abrem. Um trecho da música “Hasta la Victoria”, fala por si só a mensagem que EU quero passar, diante do que assisti: “Quem fecha, fecha nunca pensa em derrota, com a cabeça erguida vamos em busca da vitória, quem sabe faz na hora e o momento é agora”. Sim, o momento foi “naquele agora”, mas agora o momento é eterno, voem e levem Padre Miguel e a Zona Oeste ao mundo Setor Bronx. – Michael Meneses!

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EQUIPE ROCK PRESS NO ROCK IN RIO: Michael Meneses, Cadu Oliveira, Robert Moura, Lorena Brand, Thamires Maciano, Ver+ Fotografias

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