Roger Waters - Um Cara Que Não Fica em Cima do Muro - A Não Ser Para Derrubá-lo!

Dando prosseguimento à turnê "Us + Them" pela América latina, Roger Waters chega ao BrasilRoger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_Izor causando polêmica por seu claramente definido posicionamento político contra qualquer coisa que se enquadre ou se assemelhe ao que o músico entende como neo-fascismo. A referência direta ao candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro, exaltou vários ânimos e houve quem rasgasse seu ingresso recusando ir ao show e outros, que foram a contragosto, levando faixas de protesto. O espetáculo ainda irá passar por cinco capitais: Salvador, dia 17/10, Belo Horizonte, dia 21/10, Rio de Janeiro, dia 24/10, Curitiba, dia 27/10 e show em Porto Alegre, dia 30/10 finalizando a etapa brasileira. Os ingressos estão disponíveis para todos os shows. A Roger Waters – Us + Them Tour é uma realização da Time For Fun. Sabia tudo, aqui!

Roger Waters - Um Cara Que Não Fica em Cima do Muro - A Não Ser Para Derrubá-lo!  
TEXTO: Rick Olivieri – FOTOS: Kate Izor/Divulgação

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O Rock do Twist and Shout ao Get Out - do Balanço dos Quadris à Quebra dos Muros
Roger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_IzorNão feito somente por ela, mas abraçado com fervor pela juventude dos anos 50 em diante, o Rock não veio apenas  como um estilo musical perfeito para a diversão e o lançamento de tendências de moda, mas principalmente, sempre foi um gênero com um caráter fortemente libertário, contestador dos costumes de cada época e serviu como instrumento de protesto contra o racismo, a censura, as ditaduras, as guerras e a fome no mundo.

Desde Elvis balançando sua pelvis - a ponto de ser proibida sua filmagem da cintura pra baixo, os Beatles incentivando os jovens a deixarem seus cabelos crescerem e  se recusando a tocar para plateias com brancos e negros segregados nos EUA, John Lennon declarando que eles eram mais famosos que Jesus Cristo e, anos depois, se manifestando veementemente contra a Guerra do Vietnam, passando por bandas norte-americanas criticando o American Way of Life (apesar de muitos não terem compreendido até hoje, Born in the USA, de Bruce Springsteen foi uma forte crítica aos anos Reagan), punks ingleses debochando da rainha, Peter Gabriel homenageando Stephen Biko, que foi um ativista contra o apartheid na África do Sul, nos anos 60/70 até Bono Vox, aproveitando a presença do U2 no Grammy para fazer uma crítica ao presidente Donald Trump, que teria se referido ao Haiti, El Salvador e algumas nações africanas como "Shithole Countries" (algo que poderia ser traduzido como "países de merda”).

Seja criando ou lutando contra revoluções, o fato é que o Rock, salvo algumas exceções ao longo de sua história, sempre se posicionou politicamente na sociedade. Ou alguém acha que os Rolling Stones, The Who, David Bowie, Dead Kennedys, Midnight Oil, Pearl Jam e tantas outras tiveram a intenção de agradar a gregos e troianos? Bom, talvez isso passe pela cabeça desta geração que já parece ter se acostumado a ver o Rock mostrando sinais de ter se rendido, em muitos casos, ao conservadorismo e tendo perdido um pouco da contestação de outrora. Mas como já foi dito: pedra que rola não cria limo! E por falar em pedras, falemos também das pedradas...

Hey, Let's Rock!!! (and Talk a Little About Animals, The Dark Side of Us and Them...)
George Roger Waters, 75 anos, ex-baixista do Pink Floyd e líder, por um período considerável após aRoger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_Izor saída abrupta de Syd Barrett, de uma das maiores bandas de todos os tempos e, com o rompimento, partindo para uma consolidada carreira solo, chega ao Brasil com sua mais recente turnê "Us + Them", iniciada em 2017 e que combina clássicos do Pink Floyd e canções do seu trabalho solo.

E, como mencionado mais acima, ele já chegou causando uma grande polêmica. Em pleno período de campanha eleitoral para o segundo turno das eleições para presidente, em determinado momento de sua apresentação em São Paulo, na terça (09/10), após tocar a música "Another brick in the wall" Waters e, entre várias outras mensagens (contra o antissemitismo, destruição ambiental etc), mostrou-se no telão a palavra "resistir" junto de "neo-fascismo", seguida dos nomes de políticos de diversos países, incluindo o de Jair Bolsonaro. Mais tarde, após "Eclipse", foi mostrada no telão a expressão "#elenão", comumente utilizada nas redes sociais contra o candidato da direita - e que tem sido apontado na mídia internacional como tendo um perfil cuja ideologia e discursos remetem ao fascismo e representariam um risco à liberdade e ao ideal de democracia. 

Roger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_IzorDebaixo de vaias de gente indignada e aplausos de quem concordava com a posição ali claramente declarada, Waters prosseguiu fazendo um discurso sobre os direitos humanos e o sobre não gostar nem um pouco da ideia do fascismo como algo crescente ao redor do mundo. No show seguinte, continuando com o protesto, foi mostrada a frase "ponto de vista censurado" no lugar do nome do candidato do PSL e, logo em seguida, de "nem fodendo", no lugar do "#elenão".

No dia 13/10, em Brasília, o roteiro seguiu basicamente o mesmo formato da segunda noite em SP. Roger Waters conversou com o público, dizendo que esperava que não houvesse briga, referindo-se à acirrada polarização política claramente sentida na reação da platéia brasileira e perguntando se as pessoas acreditavam nos direitos humanos universais.

O formato dado ao show despertou os mais variados tipos de reação por parte do público pagante. Enquanto parte da multidão apoiava, muitos foram assistir munidos deRoger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_Izor cartazes e faixas com dizeres protestando contra o artista. Se alguns confessaram ter rasgado seu ingresso para não presenciarem o que taxaram como um "equivocado espetáculo", outros, ainda,  o criticaram  por  sua atitude de se posicionar daquela forma, argumentando que era perigoso mexer com os brios do público daquela forma e que poderia haver agressões físicas etc. O que nos leva a refletir se esse temor não apenas reforçaria a ideia de que vivemos tempos estranhos e sombrios, onde a opinião contrária vinda do próximo se tornou alvo de ódio, ameaças e ataques que vão além dos meramente verbais. Ou seja, é como se alguns dissessem: "não faça isso, pois você estará pondo lenha na fogueira para que as pessoas façam exatamente o que você quer evitar e seu medo por tudo que se tem observado é, de alguma forma, legítimo, já que chegamos a um ponto em que os mais radicais estão em vias de agir como uma manada de animais furiosos, substituindo o debate de opiniões por socos e pontapés.". Teria a massa concordado com a frase "nós não precisamos de educação" mas se esquecido do "nós não precisamos de controle do pensamento"? 

Também curioso é o fato de, após os acontecimentos, alguns terem dito que estão decepcionados e que "ele perdeu um fã" pois, segundo estes, "música e política não se misturam" etc. Fica a dúvida se estes mesmos fãs jamais procuraram saber o que diziam as letras que estavam sendo cantadas nas músicas, como a já citada "Another Brick in the Wall", "Pigs" e tantas outras. Ou seria mais um caso de utilização de uma indignação seletiva, e que, muitas vezes, vem acompanhada do “um peso, duas medidas” (devem ser questionados todas os sistemas de crenças, exceto os meus...)

Roger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_IzorÉ bom lembrar que o veterano músico britânico compôs, em 1979, ainda ao lado de seus companheiros do Pink Floyd, boa parte da estrutura do clássico álbum conceitual "The Wall", considerado por muitos, o embrião de sua carreira solo e cuja temática gira em torno do isolamento físico e emocional, de opressão e drogas, ditadura vs liberdade, busca por paz e guerras, tendo como personagem principal seu alter-ego, Pink. Através das letras e da experiência de  imersão provocada pelos videoclipes, pelo filme homônimo e pelo espetáculo montado em torno daquele "muro", podemos sentir a angústia frente as relações humanas que Waters buscou expressar através da que é considerada sua grande obra-prima - e que serviu como catarse para suas reminiscências com relação à morte do pai durante a Segunda Guerra Mundial.   

Posteriormente, o baixista saiu de vez da esfera "meramente" musical, apoiando a Argentina contra seu país de origem, na Guerra das Malvinas e, em 1990, ajudou a idealizar e participou de um grande conserto para comemorar a queda do muro de Berlin, ocorrida em 1987, e também declarou seu apoio à Palestina. Com tudo e não apenas isso, é público e notório que ele tem mostrado por décadas que sempre foi alguém interessado nas questões políticas e sociais. 

Os Velhos e os Novos Muros
Roger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_IzorPeço licença, aqui, para uma pequena digressão no que tange ao aparente desinteresse pelo pensamento e as palavras dentro do contexto musical: há de se parar pra pensar se isto tudo o que estamos testemunhando atualmente talvez seja um sinal de que o próprio público (e não os músicos) tenha feito com que o Rock tenha perdido grande parte da força de tensão e o espírito de inconformismo que tinha nas cinco primeiras décadas de sua existência. Antes, se achava que houvera um simples processo de assimilação e enfraquecimento do gênero. No caso do Progressivo e Art Rock, tentou-se explicar pelo surgimento do Punk e pelo crescente domínio das rádios e seu tempo corrido de 4 minutos em média por faixa em detrimento dos caros concertos, direcionando o gosto do consumidor final para algo mais acessível. Mas não existe via de mão única na música. Ela é uma estrada de mão dupla (com ramificações ao longo do caminho). O fato é que, com o fim da guerra fria, parte considerável dos ouvintes de Rock que já havia se cansado das longas sinfonias progressivas também foi se despolitizando com o tempo, buscando a simplificação tanto em termos de letras quanto de formato e trocando o sentido das obras pelo mero prazer sensorial. O que era dito foi perdendo a importância. Tanto é que muitos acham que, após o gradativo declínio do Grunge e do New Metal, o lado mais contestador de letras com críticas ácidas migrou para gêneros como o Rap e o Hip Hop. Qualquer coisa que lembre os movimentos  de vanguarda deixou de ser mainstream para ficar relegado a um lugar até Roger_Waters_no_Brasil_2018_RW_Credit_Kate_Izormais cult e elitizado do que o chamado underground. E com a antiga polarização dando lugar à caça ao terrorismo, novos muros (reais e imaginários) foram erguidos. E as barreiras mais sutis, também têm se mostrado as mais intransponíveis a curto e médio prazo.

Mas, voltando à vaca fria (só os fortes entenderão o trocadilho! Rsrs), a turnê "Us + Them" ainda passará por mais cinco estados, inclusive, alguns shows acontecerão após o resultado das eleições presidenciais. Teremos novas "surpresas" pela frente?

Espero, sinceramente, que acima de qualquer coisa, nos lembremos sempre que uma das armas contra a velha estratégia de "dividir para conquistar" é saber quem são os nossos reais inimigos. Quem somos nós (US) e quem são eles (THEM). - Rick Olivieri.

Álbuns da carreira solo:
The Pros and Cons of Hitch Hiking (1984)
Radio K.A.O.S. (1987)
The Wall Live in Berlin (1990) 
Amused to Death (1992)
In the Flesh Live (2000) 
Flickering Flame: The Solo Years Vol. 1 (2002)
Ça Ira (2005) 
Is This the Life We Really Want? (2017).

Tour Brasil 2018:
São Paulo -
09 e 10 de outubro, no Allianz Parque.
Brasília - 13 de outubro, no Estádio Mané Garrincha.
Salvador - 17 de outubro, na Arena Fonte Nova. 
Belo Horizonte - 21 de outubro, no Estádio do Mineirão.
Rio de Janeiro -  24 de outubro, no Estádio do Maracanã.
Curitiba - 27 de outubro, no Estádio Couto Pereira.
Porto Alegre - 30 de outubro, no Estádio do Beira-Rio.

Próximos Shows:
SALVADOR - BA
DATA: Quarta-feira, 17 de outubro de 2018 (Abertura dos Portões: 17h).
LOCAL: Arena Fonte Nova – Ladeira da Fonte das Pedras, s/n - Nazaré, Salvador/BA.
CAPACIDADE: 56.000 pessoas.
CLASSIFICAÇÃO: De 10 a 15 anos permitida a entrada acompanhado de responsável. A partir dos 16 anos é permitida a entrada desacompanhada.
INGRESSOS: 
Bilheteria oficial (Sem taxa de conveniência):
Arena Fonte Nova – Ladeira da Fonte das Pedras, s/n - Nazaré, Salvador/BA – Segunda a sábado: das 10h às 18h.
Com taxa de conveniência: http://premier.ticketsforfun.com.br/

BELO HORIZONTE/MG
DATA:
Domingo, 21 de outubro de 2018 (Abertura dos Portões: 17Hs).
LOCAL: Estádio do Mineirão - Av. Antônio Abrahão Caram, 1001 – Pampulha, Belo Horizonte/MG.
CAPACIDADE: 51.000 pessoas.
CLASSIFICAÇÃO: De 10 a 15 anos permitida a entrada acompanhado de responsável. A partir dos 16 anos é permitida a entrada desacompanhada.
INGRESSOS:
Bilheteria oficial (Sem taxa de conveniência):
Km de Vantagens Hall BH - Av. Nossa Senhora do Carmo, 230 – Savassi – Belo Horizonte/MG - De terça-feira a sábado: das 12hs às 20hs. Domingo e feriado: das 13hs às 20hs.
Com taxa de conveniência: http://premier.ticketsforfun.com.br/

RIO DE JANEIRO - RJ
DATA:
Quarta-feira, 24 de outubro de 2018, (Abertura dos Portões: 17hs).
LOCAL: Maracanã - Rua Professor Eurico Rabelo, Maracanã, RJ/RJ
CAPACIDADE: 66.400 pessoas.
CLASSIFICAÇÃO: De 10 a 15 anos é permitida a entrada acompanhado de um responsável. A partir de 16 anos é permitida a entrada desacompanhado.
INGRESSOS: Bilheteria oficial (Sem taxa de conveniência): Km de Vantagens Hall RJ - Av. Ayrton Senna, 3000 - Shopping Via Parque - Barra da Tijuca/RJ. - Terças-feiras a sábados, das 12h às 20h. Domingos e feriados, das 13hs às 20hs. 
Com taxa de conveniência: http://premier.ticketsforfun.com.br/

CURITIBA - PR
DATA:
Sábado, 27 de outubro de 2018, (Abertura dos Portões: 17hs).
LOCAL: Estádio Couto Pereira - R. Ubaldino do Amaral, 37 - Alto da Glória, Curitiba/PR.
CAPACIDADE: 41.480 pessoas. 
CLASSIFICAÇÃO: De 10 a 15 anos permitida a entrada acompanhado de responsável. A partir dos 16 anos é permitida a entrada desacompanhada.
INGRESSOS:
Bilheteria oficial (Sem taxa de conveniência):
FNAC CURITIBA – R. Prof. Viriato Parigot de Souza, 600 – Barigui/PR - De segunda a sexta: das 11hs às 23hs. Sábado: das 10hs às 22hs. Domingo e feriado: das 14hs às 20hs.
Com taxa de conveniência: http://premier.ticketsforfun.com.br/

PORTO ALEGRE - RS
DATA:
Quarta-feira, 30 de outubro de 2018, (Abertura dos Portões: 17hs).
LOCAL: Estádio Beira-Rio - Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas - Porto Alegre/RS
CAPACIDADE: 48.517 pessoas
CLASSIFICAÇÃO: De 10 a 15 anos permitida a entrada acompanhado de responsável. A partir dos 16 anos é permitida a entrada desacompanhada.
INGRESSOS: 
Bilheteria oficial (Sem taxa de conveniência):
Bilheteria Sunset – Estádio Beiro Rio – Ao lado do Edifício Garagem. (Acesso pela Av. Edvaldo Pereira Paiva, direto pelo estacionamento). Segunda-feira a sábado: das 10h às 18h.
Com taxa de conveniência: http://premier.ticketsforfun.com.br/

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