Roger Waters – Atos Revolucionários Eternos! - Maracanã/RJ – 24 de Outubro 2018

Em noite épica no tempo sagrado do futebol, Roger Waters conduz plateia a uma viagem musical, visual e de Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWconsciência na etapa carioca da turnê "Us + Them". Os manifestos políticos tiveram seu ápice com a homenagem a Marielle Franco que contou com a presença da família da vereadora. Também não faltaram os clássicos do Pink Floyd, sons de sua carreira solo, os gritos de #EleNão, sorrisos e uma chuva que soou como lagrimas de emoção no Maracanã!

Roger Waters – Atos Revolucionários Eternos! - Maracanã/RJ – 24 de Outubro 2018
TEXTO: Michael Meneses! – FOTOs: Barbara Lopes
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Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWDesde o primeiro show de Roger Waters com a tour e que aconteceu em São Paulo 9 de outubro que os fãs do musico e do Pink Floyd no país se dividiram entre legitimar a posição do músico e/ou em um ato “quase” inocente de alguns fãs, em não concordar com o posicionamento do músico, alegado que pelo fato do músico não ser brasileiro, não deveria se envolver com questões politicas do Brasil. O que dar vida a pergunta:  “Será esses fãs entenderam a mensagem que SEMPRE foi cantada, exibida em fotos e vídeos do Pink Floyd e/ou fase solo do músico?” se a resposta for: “Questões politicas do Brasil não diz respeito ao Roger Waters!”, dar vida a outras questões, e agora mexendo no lado mais bisbilhoteiro de alguns de nos brasileiros: “Que tal paramos de opinar sobre a legalização da maconha no Uruguai, ter rivalidade com Argentina, parar ironizar a Seleção do Peru, acreditar que o Brasil vai virar uma Venezuela, fazer piadas de português e entre tantas outras visões que opinamos sobre outras nações, poderíamos até ter orgulho do 7 X 1?” Reflitam!

A chuva caia desde cedo na capital carioca, não era apenas uma chuva de primavera, mas uma chuva que Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWsoava como lagrimas de esperança e que espalhavam boas energias ao espetáculo que assistiríamos e ao momento politico ao qual o Brasil vive e capaz de afugentar o fogo de alguns com suas vaias carregada de ódio e ao mesmo tempo lavar a alma de todos os mais de 40 mil espectadores. Muitos desses tiveram o privilegio de assistir ao Beach Combers fazendo seu tradicional show do lado de fora do Maracanã! 

Era aproximadamente 21h20min quando a banda subiu ao palco, a plateia já acompanhava atentos as imagens relaxantes de uma pessoa sentada em meio à vegetação rasteira de uma praia no imenso telão. Como vem acontecendo, “Breathe” foi o ponto de partida da viagem, em seguida “One of These Days”, ao final, um despertador surge no telão, anunciava, era hora de “Time”, centenas de relógios sujem telão. Importante dizer, o sistema de som estava perfeitamente distribuído e Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWprovavelmente o templo sagrado do futebol teve a melhor sonoridade de sua história.

A banda de Roger Waters era composta por excelentes músicos, destaque para guitarrista Jonathan Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWWilson, que na segunda-feira havia participado no Espaço Oi Futuro do programa Stereonsession apresentando músicas do seu mais recente trabalho solo, “Rare Birds”. No Maracanã, Jonathan Wilson foi aquele jogador que cobrava escanteio e cabeceava para o gol com perfeição, além da guitarra, backing-vocal, o Jonathan fez o vocal principal em vários momentos.  Destaque também as meninas da banda Lucius, Jess Wolfe e Holly Laessig, que abrilhantaram a noite com um backing vocal prefeito e um visual ao melhor estilo Blade Runner.

O Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWshow foi dividido em duas etapas, na primeira, pouco papo de Roger Waters com o publico, a música e as imagens projetas falavam por si só. O primeiro ato teve seu ponto alto com a participação do coral das crianças  Projeto EducaGente da Associação Beneficente São Martinho em  "Another Brick in the Wall Part 2 e 3". Aquelas crianças representaram o subúrbio carioca de Vicente de Carvalho (bairro onde funciona o projeto), fizeram história, trajando uma camisa escrita “Resist” e com seus punhos fechados para o alto. Uma coreografia prefeita e que arrancaram um vigoroso “Bravo” do Roger Waters, encerrando assim a primeira etapa do set.

No intervalo, são projetadas dezenas de imagens e frases em prol da resistência como:  ”Resist War Crimes”, “Resist Rewarding Torture”, “Resist All Pollution”, “Resist Neo Fascism”, “Resist Anti-Semitism”, entre outras. Mensagem para motivar o pensamento e fazendo soar vários gritos de #EleNão e umas vaias isoladas!

O intervalo para reflexões durou cerca de 20 minutos, e o show retornou com “Dogs”, era possível ouvi Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWos famosos latidos dos cães ecoando no Maracanã, em seguida veio “Pigs” com uma verdadeira enxurrada de esculachos ao Donald Trump, com direito ao telão exibi em português a frase “Donald Trump Você é um Porco”. Foi o momento mais teatral da noite, com os músicos usando mascaras de porcos e brindando em clima de festa da alta-sociedade. Já a parte visual, dedicada ao disco “Animals” foi uma das mais belas, se já era esperado o famoso Porco Inflável (que sobrevoou a plateia com os dizeres “Stay Human/Seja Humano”), dessa vez o cenário do palco deu vida a usina de carvão de Battersea (hoje um condomínio de luxo), surge da parte de baixo do telão e das profundezas das águas do Rio Tâmisa em Londres/UK e vai subindo até chegar ao topo, momento que as imensas torres da usina surgem por traz do telão! Um impacto visual lindo! Ah sim, como não mencionar o cartaz erguido pelo “Rogerinho das Águas” com a frase: “Fuck the Pigs”. Um dos discos, mas politizados do Pink Floyd foi muito bem representado!

As reflexões continuaram com “Money”, “Us and Them”, “Smell the Roses”, “Brain Damage”, mas teve seu clímax ao final de “Eclipse” com RogerRoger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RW Waters discursando em defesa da vereadora Marielle Franco, assassinada em março, vitima de um crime politico no Rio de Janeiro. O telão exibia a matéria publicada no jornal inglês The Independent sobre a Roger_Waters_in_Rio_FOTOS_Bárbara_lopes_RWexecução da vereadora, em seguida Waters convidou a filha, a irmã e a viúva de Marielle Franco que discursaram sobre o ocorrido, fazendo ecoar os gritos de  “Justiça” no Maracanã. Impossível não ter lagrimas misturadas com as gotículas da chuva.

Passava da meia noite e das 3 horas de espetáculo quando “Mother” e “Comfortably Numb” encerraram o show com direito a flashs de luzes que colocaram a plateia dentro de uma pirâmide luminosa e do famoso prisma do álbum “The Dark Side of The Moon” dando luz a mais uma interação com o publico e certificando que todos no Maracanã vivenciaram uma dessas noites que ficaram eternizadas em nossas vidas, graças a uma serie de vibrações positivas que jamais serão esquecidas! – Michael Meneses!

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