ROBERT CRAY - Referência do Blues encanta o Vivo Rio

Em um Vivo Rio lotado, o público carioca presenciou um dos maiores guitarristas da história recente do Blues apresentar um setlist selecionado a dedo. Robert_Cray_Rio_de_Janeiro_Brasil_2_8_2019_FOTO_MICHAEL_MENESESRobert Cray não tocava no Brasil há mais de 10 anos, e fez uma apresentação cheia de swing e agudos especiais. Teve blues, pitadas de Jazz, Funk, Rock e Soul na levada e até declarações de amor.

ROBERT CRAY - Referência do Blues encanta o Vivo Rio!
TEXTO: Cadu Oliveira - FOTOS: Michael Meneses

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Sexta-feira, dia 02 de agosto de 2019, passou pelo Rio de Janeiro um dos mais notáveis nomes do cenário Blues. Tocando um dia após ter completado 66 anos, Cray Robert_Cray_Rio_de_Janeiro_Brasil_2_8_2019_FOTO_MICHAEL_MENESESdesfilou seus maiores sucessos em uma apresentação de uma hora e quarenta e cinco minutos, com 16 faixas executadas de forma brilhante.

O músico soma 40 anos de carreira. Nesse tempo, além de diversas participações especiais, gravou 20 álbuns solo, dos quais 15 figuraram entre as paradas de sucesso da Billboard, sendo indicado por 11 vezes ao Grammy e levantando o caneco em cinco edições. Além do show em território carioca, Robert Cray, também realizou apresentações, em Belo Horizonte, São Paulo e Brasília, nestas duas últimas sendo atração do Festival BB Seguros de Blues e Jazz. Quem prestigiou, teve a oportunidade de ver a The Robert Cray Band que é composta por Richard Cousins no baixo, Dover Weinberg nos teclados e Terrence Clark na bateria.

“Lenda é lenda, né?”, reconheciam os populares na fila de entrada em uma noite quase chuvosa, muitos casais e aficionados por boa música começam a chegar e adentram a luxuosa casa. “O vejo sempre nos ‘Crossroads’ (festival beneficente promovido por Eric Clapton, a próxima Robert_Cray_Rio_de_Janeiro_Brasil_2_8_2019_FOTO_MICHAEL_MENESESedição acontecer nos dias 20 e 21 de setembro em Dallas/EUA e que terá Robert Cray entre as atrações). Já vi muitas participações dele. É a primeira vez que vou assistir ao vivo”, disse Rafael Sperduto, 37 anos, guitarrista da banda Fato Consumado (com produção de Rodrigo Suricato do Barão Vermelho) e que prepara seu primeiro disco solo, enquanto buscava garantir o ingresso.

Para um senhor de 66 anos, até que a mídia social do astro do blues segue bem movimentada. Após o show, chegou a compartilhar stories do show e até curtiu a foto no perfil do insta da Rock Press. Foi essa atividade online que chamou atenção do representante de vendas Agnaldo Polette, de 54 anos, que estava em viagem comercial ao Rio de Janeiro e, por acompanhar o perfil pessoal de Cray, soube que estariam na mesma cidade. “Estou muito feliz por conseguir entrar. Não sabia se ia dar tempo, pois estava em um compromisso. Vi na rede social que ia ter o show e não podia perder. Acompanho o trabalho dele há uns 15 anos”, disse, tendo apontado “Time Makes Two” como música favorita.

Entre Blues, Jazz, Funk e Rock...
Robert_Cray_Rio_de_Janeiro_Brasil_2_8_2019_FOTO_MICHAEL_MENESESEram 21h30 em ponto quando se apagaram as luzes. É chegado, portanto, o momento em que a Robert Cray Band começa a trabalhar e fazer valer o preço da entrada e menu. Quem foi até lá com fome de boa música, saiu saciado. A introdução foi breve e sob muito pouca, porém boa luz. Mas os primeiros acordes da guitarra fizeram o Vivo Rio tremer com “I Shiver”, de 1993. Cray arrebenta um vocal chorado de encher a alma. A execução leva oito minutos e ficou eternizada na memória sentimental dos presentes.

Após receber muitos aplausos e antes de iniciar a segunda, Cray arrisca um carismático “muito obrigado”. O músico revezou entre duas guitarras faixa por faixa, intercalando quase sem parar, até o fim. Em cada troca, o instrumento era limpo e re-afinado antes de voltar à cena. Tocando e cantando bem à vontade, Cray é acompanhado por um baixista que toca descalço e com uma etiqueta pendurada ao instrumento. O baterista é jovem e muito competente. E o piano é acariciado sem violência, mas com muita precisão. Ao fim da terceira música, apresenta os músicos.

Em “Poor Johnny” Clark se diverte exibindo seu solo nas casas mais agudas possíveis de sua guitarra e a execução, como padrão, termina com as notas da “Marcha Fúnebre”. Mas é claro que show não estava pra morrer, pelo contrário, o ânimo da plateia ainda estava nascendo.

Sem tocar no começo da música, só cantando, Cray solta “I Don’t Care”, repleto de swing. Quando chega a parte do refrão, Robert_Cray_Rio_de_Janeiro_Brasil_2_8_2019_FOTO_MICHAEL_MENESEScanta em timbres tão agudos que parecem tentar competir com a guitarra. Em verdade, brinca de tocar e cantar. A sexta canção tem linha de baixo marcante. Cada finalização é especial e muito bem ensaiadas pela banda. Já em “You Had My Heart”, sétima do show, a introdução vem no chocalho, enquanto a saída é um fade out feito ao vivo, sem mesa de som e sim com cada instrumentista tocando mais baixinho até parar.

Uma luz azul toma o palco inteiro para os alto-falantes ecoarem “Chicken in the Kitchen”. Na sequência, duas love songs para arrebatar os corações perdidos na pista. A mais lenta do show vem emplacada pela romântica “I Can´t Fail”. E depois, ainda melosa, mas um pouco mais agressiva, é vez de “You Move Me”.

A canção que recebeu execução mais vibrante foi “Just How Low”, apresentada com pitada generosa de Rock’n’Roll. Antes do solo, os instrumentos mais uma vez vão abaixando e quase encontram o silêncio quando alguém lá atrás grita: “Eu te amo Robert Cray... 30 anos de amor por você”, em português mesmo. A canção arranca palmas ritmadas da plateia. Enquanto alguns declaravam amor e outros pediam silêncio, a guitarra se achava no Blues. Cray canta e toca com emoção. Antes de deixar o palco, “You Must Believe in Yourself” é apresentada com refrão cheio de energia.

O Bis e o Setlist na mão...
Robert_Cray_Rio_de_Janeiro_Brasil_2_8_2019_FOTO_MICHAEL_MENESESA banda até deixou o palco, mas quem disse que o público abandonava as cadeiras? O que indicava claramente que ainda ia ter bis era que o roadie afinava mais uma vez o instrumento. E, Robert deixou a cereja do bolo para o momento de voltar aos holofotes para entregar “Nothin’ But a Woman” e “Times Makes Two” de forma triunfal, com o público vibrando de pé.

Na última canção uma sinergia muito boa entre os músicos mostrava o alívio do dever cumprido. A execução é longa, sofrida, mas inesquecível, sobretudo para quem esperava ver essa canção. Ficaram de fora hits como “Smoking Gun”, “I Guess I Showed Her” e “Six Strings Down”.Robert_Cray_Set_list_Rio_de_Janeiro_Brasil_2_8_2019_FOTO_CADU_OLIVEIRA

Ao fim do show, algumas paletas voaram, para êxtase da primeira fila. Antes de sair de cena, Cray lançou mais um “muito obrigado, Rio”. Na plateia, Dois fãs muito animados por terem conseguido o setlist e um deles imaginava como iria ficar o papel enquadrado em sua parede. Vale mesmo a pena o registro. Uma noite memorável guiada por um A4 com dezesseis títulos. O mapa do tesouro por onde Robert Cray e sua banda seguiram à risca, até encontrarem um Vivo Rio lotado aplaudindo de pé, repletos de satisfação por atestarem a lenda destilar seu talento ao vivo. – Cadu Oliveira.

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