R.I.P. - Keith Flint, fundador e vocalista do Prodigy!

A dance music e o rock eletrônico estão de luto, faleceu de hoje, 5 de Março, aos 49 anosKeith_Flint_The_Prodigy um dos seus maiores e mais respeitados ícones, Keith Flint, co-fundador e vocalista do grupo Prodigy. A causa da morte ainda não foi confirmada, mas rumores apontam para o suicídio.

R.I.P. - Keith Flint, fundador e vocalista do Prodigy!
TEXTO: Alexandre Beckão – FOTOS: Divulgação!

Uma tristeza profunda me invadiu logo pela manhã, quando li sem nenhum aviso sobre a morte Keith_Flint_The_Prodigyprecoce de Keith Flint. Acompanhei desde o início sua carreira junto ao Prodigy, e me diverti horrores com sua música e sua presença marcante. Além de qualquer estereotipo, sua energia e fúria me fascinaram. Como fã, sempre li o quanto ele era divertido, profissional e querido pelos que o cercavam. E definitivamente, terei alguns problemas em deixá-lo simplesmente ir. Mas, tudo segue, como tem que seguir, e deixo aqui me pequeno tributo ao cara que assustava as criancinhas e fazia um estádio inteiro pular feito louco, ou simplesmente me dava uma recarga de energia sempre que precisava… Vai na Paz Flint… Mas saiba, que você vai fazer muita falta!!!

 

Um Pouco da sua história...
The_ProdigyKeith Charles Flint nasceu em 17 de setembro de 1969 em Redbridge, London. Ainda criança, se mudou para Braintree, Essex, onde mais tarde em meados de 1989 e durante o surgimento da cena Rave, conheceu Liam Howlett, que tocava em um Club local. Após uma noite de papo, perceberam que tinham muito em comum e a amizade fluiu.. Flint pediu a Howlett que fizesse uma mixtape para ele, e dias depois recebeu uma fita K7 com uma seleção de suas próprias músicas. Howlett havia escrito a palavra "Prodigy" no K7, o mesmo nome do sintetizador analógico Moog Prodigy, que ele usava. Flint gostou tanto do que ouviu, que levou o K7 a seu outro amigo, e também tecladista Leeroy Thornhill, e desenvolveram novas sequências de dança para a música e sugeriram a Howlett que eles deveriam começar um grupo. 

Logo se juntaram, o MC Maxim, então conhecido como Maxim Reality, e a dançarina e vocalista Sharky, uma amiga de Flint. Juntos, formaram o primeiro line-up do Prodigy. O primeiro show aconteceu no Club Four Aces em Dalston, Londres. Com o grupo firmado, Howlett escreveu, produziu e mixou uma nova demo de 10 faixas, e a levaram a Tam Tam Records na esperança de conseguir um contrato, mas não houve interesse. Então, arranjaram uma reunião na XL Recordings, que gostou e os contratou. Em fevereiro de 1991, lançaram o EP 12’’ - What Evil Lurks, contendo 4 sons da demo. Em agosto, estrearam com "Charly", que se tornou um Hit na cena rave da época, e alcançou o 3º lugar na UK Singles Chart, despertando atenção do público. "Charly" criou uma tendência de misturar Dance e Hardcore Rave com samples, que foi um sucesso entre os clubbers, mas não para os críticos. 

Prodigy_ExperienceO segundo single, “Everybody In The Place”, saiu em dezembro de 1991 e alcançou o 2º lugar no Reino Unido. Em setembro de 1992, veio o primeiro álbum, Experience, produzido inteiramente por Howlett. O conceito original seria produzir um “álbum conceitual rave” inspirado pelo rock progressivo do Pink Floyd, mas ele abandonou a ideia devido ao risco de limitar sua inspiração musical. Experience, chegou ao 12º lugar na UK Albums Chart, e foi certificado como platina pela British Phonographic Industry (BPI) com mais de 300.000 cópias vendidas. O disco contém muitos samplers de músicas de outros artistas e fecha com uma versão ao vivo de "Death Of The Prodigy Dancers", com Maxim nos vocais. Tornou-se um marco na história da Dance Music britânica. O trabalho rendeu 5 singles: "Charly", "Everybody In The Place", "Fire/Jericho", "Out Of Space" e "Wind It Up (Rewound)".

Em seguida, mudaram sua direção para se afastar da reputação de “coisa de rave”, que agora os perseguia. A cena Rave estava Prodigy_Music_For_The_Jilted_Generation_1994começando a sair de sua fase underground, e a lei "anti-rave" vinha com força total, chamando a música de rave de “batidas repetitivas e sem sentido”. Eles responderam as autoridades e aos detratores, escrevendo a música "Their Law". Seu 2º álbum, Music For The Jilted Generation (1994), estreou no 1º lugar da UK Albums Chart. Adicionando elementos do Big Beat e do Electro-Industrial ao mix, o disco mostrou um espectro mais amplo de estilos musicais, com faixas pesadas baseadas no Breakbeat e uma inclinação orientada ao Rock, como em "Their Law", que teve a participação dos veteranos da cena eletrônica do Pop Will Eat Itself. O álbum seria descrito como complexo e poderoso impulsionando a dance music aos estádios com uma arrogância rock'n'roll.

Após o sucesso internacional de Music For The Jilted Generation, a banda ampliou sua formação com o guitarrista Jim Davies, em shows ao vivo, e que mais tarde foi para o grupo Pitchshifter. Ele logo seria substituído por Gizz Butt da banda Janus Stark, que permaneceu na banda por três anos. Várias das músicas do álbum foram usadas no filme Hackers (1995), estrelado por Jonny Lee Miller e Angelina Jolie. Originalmente um dançarino do grupo, Flint foi promovido a cantor depois que ele gravou os vocais do novo single “Firestarter”, uma faixa que os impulsionou para o sucesso internacional. Quando a banda lançou o vídeo para o single em 1996, a performance de Flint foi considerada muito assustadora para as crianças, e fez que muitas emissoras de TV não a tocassem até depois das 21h. Acompanhado de Howlett e Maxim, Flint tornou-se o rosto da rave britânica.

O aguardado terceiro álbum, "The Fat Of The Land", foi lançado em 1997, e eles encabeçaram o Glastonbury Festival em sua noite de Prodigy_The_Fat_Of_The_Land_1997estreia. Apresentando melodias simplificadas, pouco uso de samplers, menos influências da cena rave e vocais no estilo punk fornecidos por Flint, o disco, manteve o som pesado e bem distorcidos que já havia se tornado sua marca registrada. Esse álbum firmou a banda como um dos artistas de maior sucesso internacional na esfera da Dance Music, entrando no 1º lugar nas paradas do Reino Unido e dos EUA. Na sequência do sucesso mundial e de diversas polêmicas, Leeroy Thornhill deixa o grupo devido ao risco de colapso nervoso. Na época, gerou um comunicado no site da banda que substituiu seu logotipo pelas palavras “Nós estaremos de volta…” em um fundo preto, que ficou até 2002, quando retornaram e após uma pausa nas turnês, lançam o single “Baby's Got A Temper” que não teve boa recepção da crítica. Ainda assim, a Revista Q indicou o Prodigy como uma das "50 bandas para ver antes de morrer". 

O quarto álbum, "Always Outnumbered, Never Outgunned", chegou em agosto de 2004 liderando o UK Albums Chart na semana de estreia, e rendendo uma turnê de dois anos. Em 2005, saiu a compilação, Their Law: The Singles 1990–2005, com novos remixes para Prodigy_Always_Outnumbered_Never_Outgunned_2004“Out Of Space” (Audio Bullys Remix) e “Voodoo People” (Pendulum Remix), entre outros. No mesmo ano a música “You Be Under My Wheels” foi trilha sonora do game “Need For Speed: Most Wanted”, e em 2006, foi do filme “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio”. 

Já em 2008, apresentaram novas faixas no Rainbow Warehouse em Birmingham/UK e no Plug In Sheffield em maio e em seguida no Oxegen Festival em julho. Entre elas, estavam "Worlds On Fire", "Warriors Dance", "Mescaline" e "First Warning", que foi trilha no filme “A Última Cartada”. Em novembro, foi anunciado que o novo disco “Invaders Must Die”, seria lançado pelo selo da banda, Take Me To The Hospital, foi o primeiro trabalho desde 1997, em que participariam os três integrantes da banda e contou com o Dave Grohl (Foo Fighters) na bateria de “Run With The Wolves”. O disco foi lançado em fevereiro de 2009, ficando em primeiro lugar no Reino Unido. Para coincidir com seu lançamento, a banda embarcou em uma serie britânica de nove shows, com o apoio de Dizzee Rascal, Noisia, Herve e DJ Kissy Sell Out. A turnê incluiu apresentação no Glastonbury Festival e a 1ª edição do show de dança anual da banda, o Warriors Dance Festival. Foram eleitos pela revista Kerrang! o prêmio de Melhor Single de 2009. Em novembro de 2010, Howlett anunciou que após a turnê americana com o Linkin Park, voltariam ao estúdio para gravar. 

EmProdigy_Live_Worlds_On_Fire_2011 maio de 2011, lançaram "World On Fire", primeiro álbum ao vivo e o filme do show no Milton Keynes Bowl (em 24/7/2010). O longa foi exibido em teatros pela Europa. Também foi em 2011 que estiveram no Brasil pela última vez e apresentaram dois novos sons: "A.W.O.L" e "Dogbite".

Em janeiro de 2015, o Prodigy lançou "Nasty" o primeiro single do seu próximo álbum. Todo o processo de gravação levou quase seis anos, passando por diversos estúdios e algumas reiniciadas para estabelecer aquele “som enérgico e raivoso”. Ao contrário dos esforços anteriores, “The Day Is My Enemyse” tornou um disco de banda, onde Flint e Maxim trabalharam em conjunto com Howlett. Isso criou certo grau de atrito, embora Flint tenha notado que “há quatro anos nos sentamos e conversamos sobre onde o Prodigyálbum seria lançado, e sabíamos que tínhamos que lançar o disco mais ”banda” que pudéssemos criar”. Após o lançamento seguiram em uma turnê que durou quase 2 anos.

Os Últimos dias...
Em setembro de 2017, a banda assinou um novo contrato de gravação com a BMG, e em dezembro durante a turnê europeia, lançaram: "Resonate", "Need Some 1" e "Boom Tap". Em novembro de 2018 é lançado o disco, “No Tourists”. Os últimos shows ocorreram semana passada na Austrália, e uma turnê americana estava por vim. Porém, tudo isso parou hoje, pela manhã quando a polícia inglesa encontrou o corpo de Keith Flint.

Aos familiares, amigos e fãs, nossos mais sinceros sentimentos… Que você esteja em Paz, Flint... E obrigado por tudo, mas tudo mesmo!!! You Will Always Be The Firestarter!!! – Alexandre Beckão!

Postado por Michael Meneses terça-feira, 5 de março de 2019 15:02:00 Categories: BMG Cultura POP Dance Music DJ Glastonbury Festival Prodigy Rave Rock Rock Eletrônico
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