RIP - Dolores O’ Riordan (The Cranberries) – 1971 - 2018

O ano de 2017 terminou triste com dezenas de perdas no mundo da música e da cultura, e o ano de 2018 começou triste também.The Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS No último dia 11 de janeiro o mundo se despediu de “Fast” Eddie Clarke, de 67 anos, guitarrista da formação original do Motorhead; e no último dia 15 recebemos a triste notícia da partida repentina de Dolores O’ Riordan do The Cranberries aos 46 anos. 

 


RIP - Dolores O’Riordan (The Cranberries) – 1971 – 2018
Texto por: Denise Helena – Fotos: Michael Meneses

The Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS

Dolores O’ Riordan foi uma das mais talentosas vozes femininas da década de 1990, a vocalista estava à frente dos irlandeses The Cranberries. A banda publicou em sua página oficial uma declaração sobre sua morte, informou que ela estava em processo de gravação em Londres com a banda Bad Wolves, não dando detalhes sobre sua morte e pedindo privacidade. Entre os maiores sucessos do Cranberries, estão “Linger”, “Zombie”, “Dreams”, “Ode To My Family”, “Salvation”, “Animal Instict”, “Free to Decide”, entre outros.

Um pouco da História...
The Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOSO Cranberries foi formado em 1989 pelos irmãos Michael (baixista) e Noel Anthony Logan (guitarrista), Fergal Patrick Lawer (baterista) e por Niall um primeiro vocalista da banda, mas logo resolveu trilhar outros caminhos. Nessa época a banda atendia pelo nome de Cranberries Saw Us, e foi o próprio Niall que apresentou Dolores O’Riordan à banda. Natural da cidade irlandesa de Limerick, Dolores era uma amiga da namorada de Niall e além de ocupar o seu lugar nos vocais, acrescentou guitarra e violão. Dolores cantava desde a infância e procurava uma oportunidade. 

Foi ai que as coisas mudaram, a começar pelo nome, agora somente The Cranberries e em 1992 a The Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOSbanda havia lançado “Dreams” seu single de estreia. Logo, Dolores compõe provavelmente seu maior sucesso, a balada “Linger”, que segundo a própria cantora no documentário “99 Life Rock And Roll” teve a letra foi inspirada em seu primeiro beijo e a faixa fez parte do álbum de estréia “Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We?”. Lançado em 1993 o disco foi produzido por Stephen Street que havia produzido o The Smiths. No Brasil “Linger” fez muito sucesso por fazer parte da trilha sonora internacional da novela “A Viagem”, da Rede Globo. 

Em 1994 eles emplacam outro grande sucesso, “Zombie”, um dos hits do segundo álbum da banda “No Need to Argue”. A música foi composta pela própria Dolores e é um de protesto sobre a violência entre católicos e protestantes radicais na Irlanda do Norte. “Zombie” teve seu clip indicado ao premio de melhor clip do MTV Europe daquele ano. Outro grande sucesso do álbum foi a balada, “Ode To My Family”, que fala dos tempos antes da fama e a relação com sua família. 

No ano de 1995 o The Cranberries seguindo a tendência mundial daqueles tempos e lançam seu MTV Unplugged e já em 1996 a banda lança o álbum “To The Faithfull Departed” com letras mais reflexivas, onde questionam, por exemplo, a falta de tempo por conta da fama. Dentre as canções mais conhecidas desse álbum está “Free to Decide”. 

The Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOSEm 1999 chega às lojas “Bury the Hatchet”. Contudo por conta dos seus dois filhos, Dolores diminui o ritmo e tanto ela como os demais integrantes procuram dedicar-se mais às suas famílias. A banda dá um tempo, retornando as atividades no ano de 2001 com o disco “Wake Up and Smell Coffee”.

O ano de 2002 chegou e com a banda lançou a coletânea “Stars The Best Of 1992-2002”. O disco além de reunir os maiores sucessos do grupo até então, sendo alguns desses sons em versões diferentes das originais e ainda trazia duas canções inéditas, são elas: "New New York" e "Stars", mas não para por ai, como já estávamos em um novo milênio e este cheio de então novas interações virtuais a faixa "Daffodil Lament" foi faixa a mais votada pelos fãs e veio como bônus do play. No ano seguinte, em 2003 a banda dá uma nova parada, dessa vez por conta do nascimento terceiro filho da Dolores. 

Em 2007 Dolores O’ Riordan lançou seu primeiro álbum solo intitulado “Are You Listening”. A turnê desse álbum marca sua primeira passagem pelo Brasil, o showThe Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOS aconteceu em São Paulo no extinto Via Funchal. Em janeiro de 2010 a banda finalmente se apresenta no Brasil na “Reunion Tour”, fazendo shows fervorosos em quatro capitais, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. As apresentações no Brasil faziam parte da tour latino-americana, porém devido aos cancelamentos dos shows na Venezuela e México, a banda prometeu retornar o quanto antes a América Latina. Promessa feita, promessa paga! Voltaram em outubro do mesmo ano para novos shows na América Latina e fazendo mais seis shows no Brasil, dessa vez incluíram Fortaleza, Recife, Florianópolis e Brasília, e novas apresentações em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O álbum “Roses” é lançado em 2011 e é uma homenagem ao pai de Dolores que perdera em uma batalha contra um câncer e que veio a falecer na época em que lançaram o clipe da canção “Tomorrow”. A turnê desse álbum foi rápida e eles excursionaram apenas um ano. A banda faz nova parada para se dedicar a aos projetos paralelos dos demais músicos, enquanto Dolores se torna jurada do The Voice irlandês. Já em 2014 a caminho da Irlanda ela foi detida por desacato a autoridade e agressões a uma aeromoça e a um policial em um aeroporto de Nova York. Outro fato triste foi o fim de seu casamento de 20 anos com Don Burton, segundo os fãs, tal fato foi um momento muito difícil para Dolores. Nesse mesmo período foi publicado em alguns tablóides ingleses que ela estaria processando seu companheiro de banda, o guitarrista Noel Hogan por direitos autorais, mas tal especulação não foi confirmada por ambos. Ainda no ano de 2014, Dolores assumiu que foi vítima de pedofilia.

The Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOSNo ano passado em 2017, é lançado “Something Else”, uma nova compilação de seus grandes sucessos, dessa vez em formato acústico, a banda teve acompanhamento de um quarteto de cordas. De bônus o disco trouxe três faixas inéditas; “Rapture”, “The Glory” e “Why”. Porém, por conta da saúde de Dolores e por recomendações médicas a turnê desse álbum precisou ser cancelada.

Publicações pela internet afirmam que Dolores era bipolar e tomava remédios contra a depressão, abrindo margem para várias interpretações, algumas desnecessárias e maldosas. Por conta disso, em respeito à Dolores, Cranberries, familiares, amigos e aos fãs não entraremos em detalhes. Encerramos essas linhas, lamentando o ocorrido e lembrando o trecho da canção: “Just My Imagination”: “...We will be living for the love we have / Living not for reality / It's not my imagination / Living not for reality...” (... Nós estaremos vivendo pelo amor que temos / e não pela realidade / Isso não é a minha imaginação...) – Denise Helena e Michael Meneses.


Depoimentos dos fãs e músicos pelo Brasil:
Cláudio Rangel - Eletricista e Baixista da Banda Operários do Subúrbio – Campo Grande/RJ –
“Há alguns anos fiquei The Cranberries in Rio 28 1 2010 Foto Michael Meneses CRÉDITOS OBRIGATÓRIOSencantado com uma voz. Não sabia quem cantava, se era uma banda ou uma cantora norte-americana. Fiquei com aquela música na cabeça, fui pesquisar e descobri que era o "The Cranberries". A banda Irlandesa, e a voz da Dolores O´Riordan, aguçaram ainda mais a minha curiosidade e fui atrás da discografia da banda. Uma excelente banda de rock simples, com músicas bonitas e com uma identidade marcada pela voz de Dolores O'Riordan! Em minha opinião o seu melhor trabalho foi o álbum "To The Faithful Departed". Fiquei surpreso com a notícia da morte da Dolores. Uma grande perda para o mundo musical, agora resta o legado de sua voz, em músicas como: “Free to Decide”, “Zombie”, “Linger”, “Salvation”.

Érika Ferreira - Fisioterapeuta - Paulista/PE - “Ouvindo nas rádios nos momentos “Love Songs” na madrugada e/ou assistindo a MTV, quando fiquei sabendo do show aqui em Recife. Não pensei muito e comprei o ingresso. Dolores tinha uma energia, muito louquinha. Na época não poderia ir desacompanhada, então convenci minha prima Gabriella Espindola e o amigo Renato José a irem comigo. No dia da compra, conheci Reynaldo Borges na fila e nos tornamos amigos e nos encontramos no show. Foi um show massa demais. E quando estava tentando convencer eles a ir (disseram que não conheciam quase nada) eu falava... ‘Conhece sim, vamos fazer um intensivão!’ Por coincidência têm uns 15 dias que fazendo uma faxina, coloquei The Cranberries e comecei a lembrar daquele show e desejando uma nova apresentação em Recife. Hoje, por conta da morte de Dolores, minha prima me disse que foi um dos melhores shows que ela assistiu. Logo, foi bom eu ter insistido, né? E assim como os bons shows essas amizades continuam até hoje!”.

Shirley Ferreira – Servidora Pública – Penedo/AL – “Escuto The Cranberries desde os meus 15 anos, por ser fã de Dolores e da banda é difícil falar nessas circunstâncias em que a vida perece e a tristeza se instala. O Cranberries é uma banda muito peculiar por conta das suas doces melodias e pela característica de ter entre seus integrantes, uma vocalista de voz forte e personalidade marcante. Amava, na década de 1990, aquele estilo de cabelo máquina zero, com aquela voz suave, com melismas tremidos. Tinha uma fita VHS com gravações de shows da banda e que assistia quase diariamente, sempre no volume máximo da TV e por conta disso acabei descobrindo ontem que influenciei minha irmã mais nova a gostar da banda. Isso é muito massa! Canções como “Zombie” e “Linger”, sempre fizeram parte de minha vida, tanto nos momentos alegres, quanto naqueles onde havia alguma decepção amorosa. Enfim, fiquei triste ao saber da morte de Dolores, mas serei sempre fã dessa banda incrível, na certeza de que o Cranberries nunca mais será a mesma sem Dolores!”

Regiane Vicentin Andretta – Encarregada de RH - Londrina/PR - “O que eu mais gostava da Cranberries, e da Dolores em si, era a sua voz e as letras carregadas de sentimento. Ela passava tudo o que sentia e o que queríamos sentir como fãs. Não é clichê. Uma voz feminina tão forte, dentro daquele cenário do rock na década de 1990. O álbum “To The Faithful Departed” pra mim é o melhor, apesar de gostar e ter todos. Marcou muito por ser uma época de descobertas e decepções, seja no amor e nas amizades, enfim, aquela nossa fase da adolescência. E pela ótima fase da MTV-Brasil. Tínhamos uma imagem bem marcante deles. Adorava os clipes, e quando meu filho nasceu, em 1998, assistia comigo desde pequeno (risos) e hoje ele escuta também. Chorei muito ouvindo “When You're Gone”. Cantora única e que de foi cedo demais. Não dá pra acreditar. Pelo menos tivemos o prazer de conhecer, ouvir e seremos sempre fãs”.

Fernanda Bauer - Engenheira mecânica de profissão, cantora nas horas vagas, Banda OrganiKa - RJ/RJ - "Alguns amigos já me viram mencionar que "Linger" já embalou muita fossa na minha adolescência. Aquela fase escrotinha de ter grandes expectativas com os rapazes e não ser correspondida. Essa música sempre fazia muito sentido nessas horas, era incrível. Parecia ter sido escrita pra mim e tenho certeza que todas as moças dessa idade que passam pelas mesmas experiências têm o mesmo sentimento. Era um abraço em forma de música. Às vezes eu penso que essa música foi uma catarse da própria fossa que foi um grande hit! (Risos). Dolores me ensinou que você pode ser você mesma e ser muito FODONA. Apenas faça o que você quiser. Tenha o cabelo que você quiser, cante do jeito que você quiser, dance como você quiser. Seja você. Apenas você."

Luck Veloso – Radio Cult FM – RJ/RJ - "Dolores O´Riordan teve muita importância pra mim, principalmente quando veio a minha filha. As músicas "Dreams" e "Linger" foram trilha sonora de noites onde a embalei. Além isso, a sonoridade única da voz de Dolores criou uma marca muito forte, inconfundível e eterna. Sem dúvida é uma grande perda para nós fãs e para o mundo do entretenimento”.

Natália Diaz – Atriz, cantora e compositora da banda Os Três - RJ/RJ Lembro claramente, uma rodinha de adolescentes, um violão, e uma menina de 14 anos tímida, esquisitona, mas que sabia 4 acordes de uma música, seria o momento perfeito para se enturmar? Era o ano de 2004, região metropolitana do Rio, muito distante de Limerick (cidade natal de Dolores) na região centro-oeste da Irlanda. Eram os 4 acordes de “Ode To My Family” do disco “No Need To Argue”. Apesar de ter sido lançado no início dos anos 90, esses acordes e esse álbum mudaram minha vida nesse ano de 2004. Foi ali, naquele dia, naquela rodinha que eu descobri o que queria fazer da vida, a semelhança da minha voz com a da Dolores despertava curiosidade e achava o máximo isso! Devorei os discos: “No Need to Argue”, Everybody Else...”, “Bury the Hatchet”, “Wake up and Smell The Coffee” e o meu favorito “To the Faithful Departed”. Aprendi a fazer música com 3 e 4 acordes (Risos), tive o mesmo corte de cabelo, tive banda cover do Cranberries. Aí na fase adulta tive que me despedir da Dolores, buscar minha identidade artística, sem imitações. Era preciso e eu me despedi, tentei expulsar tudo de mim, trejeitos, timbres, linhas melódicas... Consegui e foi bom, só não esperava me despedir de vez dela. Contudo, posso assegurar que ela esteve em todas as fases da minha vida adulta. Em 2010 finalmente esses irlandeses fizeram um show aqui e eu aos 20 anos assisti minha maior musa de pertoooo!!! Uauuu!!! Foi emocionante! Fui ao show em uma condição pouco confortável, mas fui. Na época meu filho tinha 6 meses, só mamava leite materno de 3 em 3 horas. Se eu quisesse ir, tinha que estar em casa há meia noite. Uma espécie de cinderela, caso contrário, Bernardo (meu filho) berraria desesperadamente sentindo fome. Mas eu precisava ir ao show... E fui! Foram 2 horas de show, 2 horas em que tive 14 anos novamente, 2 horas cantando tudo com o coração explodindo de felicidade e o peito explodindo de leite (já se aproximava a hora da refeição do Bernardo). Acabou o show e fui voando para casa, anestesiada e feliz demais! Ufa, Cheguei a tempo. Foi à voz mais linda, as canções mais sensíveis, uma vida marcada pela dor e a depressão de quem sofrera abuso sexual na infância. Dolores cantava amor, dor e insatisfação com as guerras, mães, filhos, e todo o universo riquíssimo que era sua mente. Sem dúvida uma grande perda.”

Denise Helena - Colaboradora do Portal Rock Press – Professora de História – Bangu/RJ - “O Cranberries foi uma das primeiras bandas com vocal feminino que me tornei fã. Lembro que o álbum “To The Faith Full Departed” foi o meu primeiro CD de rock e tenho “Free do Decide” como uma de minhas canções favoritas. Tive a oportunidade de ir ao segundo show no Rio de Janeiro, um show recheado de clássicos e que traz sempre belas lembranças, como quando eles tocaram “Salvation” com Dolores usando um cocar indígena e em “Dreams” com ela descendo e cantando no meio dos fãs”. 

Michael Meneses – Editor Portal Rock Press RJ/RJ – “Cranberries em minha vida foi àquela banda que o tempo me apresentou e o tempo me fez gostar e guardo boas memórias do tempo em que ainda era apenas um fotógrafo e repórter da Rock Press e recebi a pauta para fotografa o show do Cranberries no Rio de Janeiro. Era acostumado a fazer textos e fotos dos shows, mas para aquele show eram apenas fotos, alias as fotos que ilustram esse matéria. Contudo, chegando foram pintando uns freelas e acabei produzindo fotos para o Site Rock em Geral e para a saudosa edição impressa do Jornal do Brasil (Que aliás vai voltar às bancas). Ao disponibilizar as fotos aos referidos veículos pensei por que não produzir meu próprio texto? Vendi a pauta ao Portal Revoluta e que comprou a idéia. Também produzi um vídeo dos momentos finais do show que pode ser visto no Youtube, um registo simples, mas eterniza e comprova o quanto foi animado aquele show! Namastê”.
ASSISTA: https://www.youtube.com/watch?v=IEJNcyWNLA0

Postado por Michael Meneses quinta-feira, 18 de janeiro de 2018 18:43:00 Categories: Via Funchal Dolores O’Riordan Jornal do Brasil Motorhead MTV MTV Europe MTV Unplugged Rock Press The Cranberries The Smiths The Voice
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