RIOT GRRRL SESSIONS - Canan Rósen e o Ativismo na Suécia!

Em meio à onda machista/homofóbica/fascista que cresce não apenas no Brasil, como em Canan_Rósen_PHOTO_Ia_Hammar_Destaque_Rock_Presstodo mundo, grupos seguem combatendo com força essas ideias preconceituosas. Coletivos espalhados pelo globo, fazem da música e da arte canais de reflexão. Lemas como “Ninguém Larga a Mão de Ninguém” ganham vida nesses coletivos e todos seguem na luta. Um desses, é o sueco Riot Grrrl Sessions. O projeto envolve arte e rock, e mesmo sem ser propriamente uma banda, já possui um primeiro disco feito no melhor estilo “Faça Você Mesmo”. À frente da iniciativa, Canan Rósen que conversou com a gente na coluna 1, 2, 3, 4...

RIOT GRRRL SESSIONS - O Ativismo na Suécia! - 1, 2, 3, 4... Com Canan Rósen 
ENTREVISTA: Larissa Oliveira – FOTOS: Divulgação

Assim como a banda brasileira feminina punk, Dominatrix, cantava na faixa "Patriarchal Laws" em seu álbum de 1997, Girl Gathering:
"Three things you should learn:
Riot grrrl will never die!
Every girl is a riot grrrl![...]"
"Três coisas que você deveria aprender:
Riot grrrl nunca morrerá!
Toda garota é uma riot grrrl![...]"

Riot_Grrrl_SessionsO ativismo feminista através da música, versado pelo movimento Riot Grrrl ou não, surgiu há décadas e tornou-se mais sólido quando o punk e sua ideologia - DIY (faça você mesmo) foi tomado por vocais femininos que se rebelavam contra rótulos limitantes, como ouvir que o rock era esporte masculino. Mulheres como Joan Baez, Elis Regina, Debbie Harry, Rita Lee entre tantas outras abriram caminho para novas gerações de meninas que encontravam na música, um meio de explorar temas, atitudes e outras coisas que fugiriam às amarras sociais. A década de 1990 trouxe o auge dessa exploração com meninas liderando a cena musical e espalhando o Riot Grrrl que pregava acima de tudo, a inclusão feminina na produção artística. Foi um caminho sem volta e traçado por garotas ao redor do mundo. Dominatrix sai na frente como a maior prova disso aqui no Brasil e observamos o efeito maior nos Estados Unidos porque estamos imersos em sua cultura. Na virada tecnológica com a ascensão das redes sociais, o ativismo punk feminista foi se voltando mais para a Internet e o Riot Grrrl a zines e colagens online através de Blogs e Tumblr. No entanto, há quem ainda faça dos palcos e da música, um instrumento mais acessível e libertário e próximo às raízes punk. Bandas como Anticorpos no Brasil e Skinny Girl Diet na Inglaterra levam isso a sério e se aproximam às raízes riot grrrl.Tiger_Bell_BAND

É pensando na urgência em dar continuidade ao movimento que dialoga diretamente com causas femininas e políticas, que a artista sueca Canan Rósen, (Ex: Tiger Bell (foto), Satirnine e atualmente na banda Twin Pigs), organizou em 2017 um projeto intitulado Riot Grrrl Sessions, contando com uma produção totalmente feminina, incluindo mulheres trans. O resultado foi lançado recentemente em vinil e em nas plataformas digitais. As 13 faixas presentes no álbum foram gravadas em apenas um final de semana e em um inglês acessível. As mensagens de cunho político são diretas, dialogando com a quarta geração feminista, na qual o engajamento ocorre majoritariamente na plataforma online através de uma linguagem simples e carregada de sentimento político. A geração anterior das riot grrrls não morreu e ainda se faz presente.

A entrevista com Canan Rósen tem o foco na relevância do ativismo político como forma de resistir e de se fazer presente a incansável luta contra a opressão daqueles que tentam nos silenciar.

1.    Rock Press / Larissa Oliveira - Você fez parte das bandas punks femininas, Satirnine (1999–2005/Foto) e Tiger Bell e hoje toca no Twin Pigs ao lado de dois homens e outra mulher. Como se deu a sua formação musical? Você sente diferença entre ter tocado só com mulheres e hoje dividir o palco com homens?
Canan Rósen / Riot Grrrl Sessions - 
Lembro-me de assistir a série de desenho animado Jem and the Holograms (No Brasil, a animação foi exibida no SBT no final dos anos 1980 e ficou conhecida por “Jem”) quando eu tinha dez ou onze anos e minha mãe me lembrou como eu Satirnine_Band_FOTOestava deitada na minha cama gritando em algum tipo de angústia pré-adolescente: “Eu vou estar em uma banda!!!!” (risos). Até então eu estava na escola de música aprendendo a tocar violão clássico espanhol. Nos anos seguintes, economizei todo meu dinheiro para finalmente poder comprar uma guitarra e o resto é história. Aprendi a tocar guitarra sozinha e a música punk foi uma maneira fácil de entrar no mundo do rock e ter uma banda. Pode haver uma diferença, mas aprendi ao longo dos anos que isso depende apenas do tipo de pessoa que os outros são.

2.    Rock Press / Larissa Oliveira - No início de 2018, você lançou, ao lado de outras mulheres, o projeto punk e politizado, Riot Grrrl Sessions, inspirado no movimento da década de 1990 que levou milhares de jovens a protestar em forma de música e outras expressões artísticas, como fanzines e questões femininas pertinentes. Quais as principais motivações para tal projeto?
Canan Rósen -
 Estive querendo ter uma banda de riot grrrl por algum tempo, mas não fui capaz de encontrar integrantes, já que todos estavam ocupados com suas próprias bandas, famílias, etc. Mas, sou uma pessoa muito teimosa, então eu tentei pensar fora da caixa. Como posso escrever e tocar músicas riot grrrl sem começar uma banda de verdade da maneira tradicional? Foi quando surgiu a ideia para o Riot Grrrl Sessions!
 
3.    Rock Press / Larissa Oliveira – Na música “Grab 'Em by the Pussy” vocês criticam a postura machista do presidente dos EUA, Donald Trump através de um caso de assédio. Kim Gordon do Sonic Youth também escreveu sobre assédio dentro de uma grande gravadora na música “Swimsuit Issue”. Atualmente, mulheres pelo mundo utilizam a internet como voz-protesto a fim de derrubar homens sujos e poderosos. Você acredita que a música e a arte pode ser uma ferramenta de protesto?
Canan Rósen -
 Acredito que todos os tipos de arte são formas muito poderosas de se expressar e de poder alcançar muitas pessoas. Poderia ser sobre protestos, mas também poderia ser basicamente sobre qualquer coisa. Eu acho que uma forma de arte quase torna a mensagem ainda mais forte em comparação a apenas dizer ou escrever.

4.    Rock Press / Larissa Oliveira - No Brasil, atravessamos uma onda fascista, que está unindo bandas de Punk/HC e outros estilos de rock contra esse mal. O atual presidente sente a força da rejeição através das mulheres, um exemplo é o movimento #MulheresContraBolsonaro que uniu milhares de mulheres nas redes sociais e nas ruas. Você também aderiu a um coletivo só de mulheres, inclusive trans, para lutar pela causa. Em vista disso, como você se posiciona em relação às lutas atuais ao redor do mundo? Como um projeto do porte do Riot Grrrl Sessions pode se unir a essas diferentes lutas?
Canan Rósen -
 Eu amo a frase: Organize, Eduque, Agite! Eu acho que diz muito sobre como as pessoas se unindo podem se tornar muito poderosas nesses tipos de lutas. Se unirmos forças, podemos realizar coisas incríveis. E hoje em dia, com a internet em todo o lado, é ainda mais fácil manter o apoio globalmente, o que é fantástico. Eu acredito que o trabalho em conjunto em redes sociais só vai crescer a partir de agora.
 
5.    Rock Press / Larissa Oliveira - Para finalizar, deixa um recado aos brasileiros e conta para a gente sobre projetos futuros!
Canan Rósen - 
Primeiro de tudo, obrigada por nos ter contatado. Há uma anedota constante na Suécia em que as bandas recebem muitos “venham ao Brasil” dos fãs, mas Twin_Pigs_Bandainda assim poucas chegam e tocam no Brasil ou na América Latina, embora todos queiram isso! Isso é apenas uma anedota divertida! Mas com as sessões Riot Grrrl, estamos trabalhando para finalizar o documentário, sobre a primeira sessão que será lançado ainda este ano. Eu não sei quando, onde e como, mas vai sair e vai ser incrível. Estou ansiosa para compartilhar com todos vocês. Haverá sempre o álbum que fizemos, mas para realmente ver e acompanhar o incrível processo durante o fim de semana da gravação, o documentário vai ser um extra. Espero que haja tempo para planejar uma outra sessão riot grrrl, mas é muito trabalho duro e planejamento, e como todos vocês sabem, o punk rock não paga as contas (risos), então vamos ver quando vai sair. Eu também continuarei fazendo shows com o Twin Pigs (foto) e quem sabe, talvez a gente apareça no Brasil um dia. Eu prometo que vamos fazer um show foda, então nos ajude a fazer isso acontecer! Obrigada por tudo! – Larissa Oliveira!

Artistas que participaram do Riot Grrrl Sessions:
Canan Rósen -
(Vocal e Guitarra na banda Twin Pigs e Baixo e Vocal e Guitarra na Tiger Bell),
Nicki Wicked - (Bateria, Backing Vocal nas bandas Crucified Barbara e The Heard),
Klara Force – (Guitarra nas bandas Crucified Barbara & The Heard),
Frida - (Ex-Baixista da banda The Baboon Show),
Agnes – (Call Cat),
Kajsa Grytt – (Artista solo e Vocal e Guitarra na banda Tant Strul),
Tess – (Guitarra e vocal nas bandas Memoria, e Snake),
Manuela Degoveia - (Baixo e Vocal na banda Pascal),
Hanna Engström - (Baterista da banda Satirnine),
Madde – (Snake),
Maja – (Vocal e Guitarra na banda Heavy Tiger),
Katja – (Drömfakulteten)

Contatos Riot Grrrl Sessions:
Facebook: https://bit.ly/2NUbyUc
Youtube:https://bit.ly/2SSOuGe
Site: http://riotgrrrlsessions.com/

DISCOS com Canan Rósen:
RIOT GRRRL SESSIONS:
Riot Grrrl Sessions 2017: https://bit.ly/2HqZaKd

SATIRNINE:
Hey No Hell ? (Single) 2002:
 https://bit.ly/2H8pJEE
No Blessings No Reasons (compacto) 2002: https://bit.ly/2Hsdyl4
Void of Value - 2003: https://bit.ly/2SVo7ze

TIGER BELL:
Wanna Wanna (compacto) 2012:
https://bit.ly/2TBRFq1
Slaughter's Daughter ? (compacto) 2013: https://bit.ly/2TBSqPT
Don't Wanna Hear About Your Band! (compacto) 2014: https://bit.ly/1pM64bT
Gorilla Dance (single) 2015: https://bit.ly/2UuEapq


​​​​TWIN PIGS:
Facebook: https://bit.ly/2XLhjrF
Youtube: https://bit.ly/2NTA0Fi

Contato com Canan Rósen: https://bit.ly/2SUpD4O

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