RAP IN RIO: Palco Supernova mostra poder do Hip Hop Nacional no 1º dia do Festival!

O palco Supernova fez valer o ingresso para os fãs do Hip Hop nacional! Drake que me perdoe, mas teve muito mais brilho e energia nas apresentações dos hits produzidos pela jovem safra do Rap brasileiro. A Banca 021, Cacife Clandestino, Haikaiss (FOTO), Orgânico e Oriente lotaram o espaço das revelações e mostraram que o “ritmo e poesia” invadiram o Rock in Rio pra ficar. 

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RAP IN RIO: Palco Supernova mostra poder do Hip Hop Nacional no 1º dia do Festival!

TEXTO: Cadu Oliveira
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Cacife_Clandestino_Pepe_Decaro_VerMaisNinguém duvida que tocar no Rock in Rio é a realização de um sonho para qualquer banda. Estreando no mapa da Cidade do Rock, o palco Supernova tem como proposta dar espaço aos artistas que se destacam na cena underground e trabalham duro para consolidar suas carreiras. O nome do espaço é excelente, afinal, supernova é um evento astronômico que se caracteriza por uma explosão muito brilhante, o que causa um efeito similar ao surgimento de uma nova estrela. A Rock Press montou barraca nesse camping interestelar e conversou com os artistas, buscando saber o que sentiram e a quem tem a agradecer por esse momento.

“A emoção é como se fosse uma parada única, de um momento de hoje, porque é uma parada que a gente sonha há muito tempo para isso acontecer e hoje está acontecendo. Então é a sensação de um sonho se realizando, tocando no Rock in Rio, estando aqui com nossa equipe toda, todo mundo que tá nessa caminhada de anos vendo nossa vitória, o jogo virou, pô”, disse Felp, o MC linha de frente do Cacife Clandestino (FOTO).

Já para Ursoleone, o vocalista daA_Barca_021_ FOTO_Lu_Valiatti _ VERMAIS A Banca 021 (FOTO), a apresentação tem um gostinho especial: “Pô irmão, pra mim é um sabor a mais porque nunca vim no festival. Da última vez eu não consegui e falei ‘pô, agora só vou também quando for artista, joguei pro universo, ele entendeu e me deu esse presente”, confessou, logo após o fim do show, que contou com 4 execuções em 20 minutos. Destaque para a primeira canção, “Primeira Lua” e “Babylon”, com participação do multi-instrumentista e agitador cultural Morgado.

Beatbox é quando um ser humano simula a batida eletrônica que serve de base para o Hip Hop com a boca. Não é nada fácil. Imagina ter disposição e talento para fazer disso sua profissão. A família pode não acreditar que isso vá virar sua profissão, mas... você e sua banda vão tocar no maior festival de música do mundo. E Geninho agitou a pista por alguns minutos misturando free e clássicos do funk, com competência genial. O show da Oriente contou também participação de violino, tocado por Bruno Silva, com direito a palhinha de “Rap do Silva” e “Brasileirinho”.

“O sonho de qualquer pessoa que começa a fazer música é chegar nesse nível de festival, nesse tipo de evento. E graças a Deus nosso trabalho chegou nesse resultado, então se você também toca seu trabalho independente, cai pra dentro, investe, divulga, bota seus amigos pra divulgar, acredita no seu sonho que vira, faz ele virar”, deixou como recado Geninho, membro da banda Oriente, que conta também Chino como vocal.

O Mc Nissin também fez improviso. Mas foi em forma de rimas. Foram mais de dois minutos de freestyle, com suas tradicionais mensagens de paz e boas vibes. A banda, oriunda de Niterói, faz parte do corre do Rap há muitos anos e tocar no Rock in Rio é a coroação de uma verdadeira militância cultural organizada. Sobre a sensação de destilar rimas e músicas no palco Super Nova, Nissim falou à Rock Press: “Foda pra caralho! Sem palavras mesmo, não só pela energia do palco, mas principalmente pela energia do público. Acredito que tenha sido uma, sei lá, sei nem como explicar, fico até meio sem palavras porque a energia não se descreve né, mano, é uma parada meio mística e a gente tá com uma sensação de dever cumprido e uma felicidade muito grande de tá aqui”, confirmou, como não podia deixar de ser.

No meio disso tudo teve espaço também para um showzaço da rapaziada do Haikaiss (foto abaixo), grupo paulista atuando na cena há ‘milianos’. A apresentação de Qualy, Spinardi e cia contou com homenagem a Racionais, avalanche de aplausos e pernas pulando ao som de hits como “Rap Lord”, “Irmãos de Quebrada” e “Pouca Pausa”. No final, o MC dono de um do speedflow mais brabo desceu do palco até o pit para cumprimentar a galera da grade.

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Teve também apresentação do conjunto a “Orgânico”, formado pelo produtor musical LaoCasa1. Com setlist recheado de canções que ultrapassam milhões de plays no YouTube, Mc San Joe e Mirele soltaram a voz e o swing para cantar “Oceano”, “Dizeres” e “Olhares”, fazendo os apaixonados se entrelaçarem ainda mais.

O Rap surgiu como uma ritmo de resistência. Hoje em dia, independente de sua temática, invadir um festival de Rock faz dos ativistas desse gênero militantes dessa cultura. É uma combinação de batida com versos que envolve quem curte música com letra. Ritmo e poesia. A organização acertou em cheio em dialogar com as novas gerações atraindo esse tipo de gênero. Não há dúvidas: o hip-hop veio pra ficar.

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Homenagem a Chorão e Cia...

Não é porque o RAP invadiu o recinto que necessariamente o Rock morreu. Nissin aproveitou o espaço e sua conexão com Chorão para render homenagem a banda de Santos, que até esteve no line-up, mas sem sua formação original, infelizmente. “Quando a gente falou do Charlie Brown ali eu senti uma energia muito forte. Sempre que eu falo no CBjr eu sinto uma energia muito forte, então esse momento pra mim vai marcar pro resto da vida com certeza”, afirmou o MC.

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Toda banda passa por um período de aprovação coletiva. Foi assim com o Oriente e não foi diferente com nenhuma das outras estrelas que iluminaram o palco Super Nova. Como tocar no festival significa a coração de um momento histórico na vida de cada um deles, perguntamos a quem não poderia deixar de agradecer, numa hora como esta. “Todo mundo que, mesmo de longe, acredita. Às vezes as pessoas que estão em volta não acreditam, mas as vezes não é por mal, sacou? Eu não condeno ninguém que não acreditou antes, porque às vezes a pessoa só não teve visão, ou estão inocentes naquele momento ou elas não conseguem expelir essa energia positiva pro teu trabalho, mas eu fico muito feliz que tenha acontecido e as pessoas que não acreditavam, hoje em dia acreditam. Espero que isso aconteça cada vez mais”, explicou Nissin. O caminho do Nova pro Mundo é longo caminhando, mas estrelas voam. Vejo vocês por lá. - Cadu Oliveira.


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EQUIPE ROCK PRESS NO ROCK IN RIO: Michael Meneses, Cadu Oliveira, Robert Moura, Jonildo Dacyony, Lorena Brand, Thamires Maciano, Ver+ Fotografias

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