Premiata Forneria Marconi - "Embalos Progressivos" - RJ e SP

Em tour pelo Brasil e após quatro anos sem se apresentar no Rio de Janeiro, o Premiata Forneria Marconi, uma das maiores Premiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Michael Meneses Credito Obrigatóriobandas italianas de Rock Progressivo retorna, com a turnê  "Emotional Tattoos Tour", apresentando espetáculos contagiantes no Vivo Rio e no Espaço das Américas em São Paulo. ROCK PRESS esteve presente em ambos!

“Mantendo-se Vivo ou Os Embalos Progressivos de Sábado à Noite!” 
Premiata Forneria Marconi - Vivo Rio (RJ) – 21/04/2018
TEXTO: Rick Olivieri – FOTOS: Michael Meneses

Premiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Michael Meneses Credito Obrigatório

Apesar de muitos considerarem que o gênero progressivo conheceu seu fim ainda nos anos 70, o bom público presente mostra que o estilo permanece, não só bastante vivo, como ainda cheio de vigor. Com uma audiência formada, primordialmente, de pessoas com mais de 40 anos de idade, dá pra notar a ansiedade nos rostos das pessoas, acomodadas em suas mesas, pelo espetáculo que  se seguirá.

Premiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Michael Meneses Credito ObrigatórioAs luzes se apagam e os sete integrantes da atual formação adentram o palco, abrindo a noite com a ótima "We're Not An Island" (versão em inglês de “Il Regno”), do mais recente álbum, "Emotional Tattoos" (2017). De começo suave e com um ritmo que vai se intensificando, a canção nos prepara, logo de cara, para um espetáculo em que técnica instrumental e carga emocional e dramática se misturam com perfeição, como é já de costume entre as grandes bandas de origem italiana. Terminada esta, o frontman do PFM, Franz Di Cioccio, cumprimenta os presentes e assume seu lugar junto ao seu companheiro de bateria, Roberto Gualdi.  Para  a segunda música do setlist, a conhecida e estupenda "Four Holes in the Ground" ("La Luna Nuova"), faixa pertencente ao ''The World Became The World'' (1974),  é a vez de Alberto Bravin, que divide os teclados com Alessandro Scaglione, assumir os vocais principais. Peça magistral, com um tema Premiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Michael Meneses Credito Obrigatórioinicial pra lá de contagiante, serve ainda mais para perceber o quanto estamos diante de músicos exímios em seu ofício e, sobretudo, de muitíssimo bom gosto. Não é de surpreender que arranque efusivos aplausos e gritos de "Bravo! Bravíssimo!!".

Em seguida, temos a bela "Photos of Ghosts", versão em inglês do segundo álbum, "Per un amico" (de 1972). Com uma paisagem mais intimista, mormente em sua primeira parte, embalada pelo baixo de Patrick Djivas encontra seu ápice no ataque forte do  violino de Lucio Fabbri e dos demais instrumentos - não esquecendo que a banda conta com o poderio de duas pessoas na bateria -  até suavizar novamente no final. Emendam com "Il Banchetto", também do primeiro álbum, e uma das canções mais memoráveis para muitos fãs.  Com uma melodia vocal simples e direta, impossível resistir à vontade de cantar junto ("Sire, siamo noi Il poeta, L'assassino e sua santita..."). Aliás, é a primeira que em que eles cantam em sua língua nativa, o italiano. E, mesmo com o estranhamento de alguns pelo rodízio de versões, fica explícito o quão inteligente foi a banda, ao Premiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Michael Meneses Credito Obrigatóriolongo dos anos, ao buscar alcançar com mais facilidade praticamente todos os territórios, eis  que o inglês tem sido a língua universal, ao menos, em termos de Rock.  

Do primeiro trabalho, "Storia Di Un Minuto", levam, numa esplêndida sequência, "Dove...Quando...” (Partes um e dois), "La Carroza Di Hans" e "Impressioni Di Settembre", registros não só da longevidade de grandes composições mas exemplo do incontestável frescor que se sente ao ouvi-las ainda hoje. Falando nisso, o vigor a que me referi, lá no início, fica bem nítido ao nos depararmos com a performance fantástica do veterano  co-fundador da banda, Di Cioccio (de 72 anos de idade), dando seu sangue ao cantar e esbanjando energia também com as baquetas! Acredite, suas batidas fortes e precisas são de deixar muito jovem baterista com inveja. Sempre com um bom humor à toda prova, ele chama a reação da plateia, que responde imediatamente ao comando de "uno, duo, tre..." e, mesmo já tendo se passado metade do show, não dá sinais de cansaço.

Continuamos com mais algumas do último lançamento: "The Lesson", "La Danza Degli Specchi" e "Freedom Square". As duas primeiras possuem uma cadência que quase pede ao corpo para se levantar e dançar.  A terceira é instrumental e igualmente empolgante. Nesse ponto, cabe dizer que  mesmo que alguns fãs preferissem ouvir menosPremiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Michael Meneses Credito Obrigatório músicas novas, é possível que estejamos diante de futuros clássicos do grupo. Experimente uma segunda audição de cada uma destas e perceberá o que estou dizendo.

"Promenade the Puzzle", do "Photos of Ghost" (de 1973), puxa o lado mais teatral de nosso caríssimo Franz, que levanta os braços e cria imagens no ar, ao gesticular com as mãos, gargalhando e rodopiando como um louco.  Depois, vem "Harlequin", do excepcional "Chocolate Kings" (1975). Inicialmente introspectiva, a suíte envereda para o que poderia ser descrito como uma mistura de Genesis e Kansas, naquela fase de meados dos anos 70, mas com todo o espírito italiano, logicamente.

"Romeo e Giulietta: Danza Dei Cavalieri", de Sergei Sergeyevich Prokofiev, que  faz parte do álbum "PFM in Classic - Da Mozart a Celebration" (2013), dá bastante destaque ao violino de Fabbri e à guitarra de Marco Sfogli. É seguida por outra do "Photos of Ghost", a maravilhosa "Mr. 9 Till 5", com direito à "Guillaume Tell Ouverture", de Rossini, no final.

Após mais e mais aplausos calorosos do público e a "despedida" usual, a banda volta para o bis, fechando a noite, como não poderia deixar de ser, com chave de ouro, através da clássica, frenética e saborosa "Celebration" (versão para "É Festa", do  "Storia di un minuto"). Como sempre, ao término, comentários de que faltaram alguns clássicos. Contudo, resta a certeza de que o público carioca fã da boa e velha (mas não obsoleta) música progressiva, teve uma experiência de êxtase musical - e celebração à carreira dessa prolífica banda - que ficará marcado pra sempre na memória. Vida longa ao PFM e que venham ainda muitos trabalhos edificantes pela frente! - Por Rick Olivieri

Premiata Forneria Marconi - Espaço das Américas (SP) - 19/04/2018
TEXTO e FOTO (Banda): Clárk Pellegrino

Premiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Clárk Pellegrino Credito Obrigatório

Confesso que havia criado grande expectativa para este show, principalmente por já ter assistido uma apresentação da banda, 13 anos atrás, mas com a formação parcialmente modificada, agora com o novo guitarrista Marco Sfogli, que causou certa apreensão em todos, já que a falta de Franco Mussida, certamente seria sentida, mas posso dizer que, mesmo com uma pegada mais vigorosa e mais “roqueira’’, ele se saiu muito bem. 

Havia certa expectativa de quem estaria no violino e quem realmente desembarcou no Brasil foi o grande Lucio Fabbri, que se mostrou em alguns momentos, apreensivo e até um pouco estressado com o operador de som, que em muitos momentos era surpreendido com Fabri e seu arco em riste, reclamando do som do retorno. Com certeza haveria comparações com a formação e o show de 2005, e também com relação ao repertório, principalmente as faixas do bom e mais recente álbum, o “Emotional Tattos’’.

O show teve início com Franz Di Cioccio, um verdadeiro entertaining man, dando boa noite para a galera e sacando a tradicional bandeira do Brasil, “We’re Not An Island” abriu o show, faixa do novo álbum, na versão inglesa (o álbum fora lançado nas duas línguas), confesso que gostaria de ter ouvido a faixa na língua nativa (Il Regno), mas ainda assim, lindo de se ver e ouvir. Após os aplausos, os primeiros acordes de “Four Holes in the Ground” denunciava que teríamos um grande show e com um desfile de clássicos dos anos 70, a performance do tecladista Alessandro Scaglione, foi uma grata surpresa, mandando muito bem no moog sintetizador, demonstrando prazer imenso em estar fazendo parte de uma das maiores instituições da música progressiva mundial, assim como a guitarra de Sfogli e o violino de Fabbri. Em seguida veio “Photos of Ghost”, numa execução precisa e honesta, Lucio Fabbri deu um show à parte, mesmo prejudicado pelo volume baixo de seu violino, contudo era possível enxergar a satisfação em muitos rostos presentes, senhores e senhoras cinquentenários esbanjando alegria e disposição para tocarem seus teclados e violinos imaginários (inclusive eu).

Aplausos eufóricos de pé e Di Ciocco anuncia que agora irão cantar em italiano, mais uma vez o espaço quase veio abaixo, tamanha a euforia. Logo o violão de aço manda os primeiros acordes de “Il Banchetto”, com Alberto Bravin nos vocais e também tocando um violão, assim como Sacaglione, fazendo os backings, uma execução primorosa, muitos aplausos e a introdução ligeiramente modificada denunciava o que estava por vir, “Dove Quando parte 1 & 2”, com Di Cioccio se mostrando o quanto é carismático, mesmo estando aparentemente cansado, foi um verdadeiro monstro na bateria, principalmente na parte II da canção, onde Roberto Gualdi discretamente o acompanha sentado ao seu lado, com leves toques na caixa da bateria e um prato, emendada com “Dove Quando veio La Carrozza” de Hans, ‘’Guarda, Cerca, Corre, Lontano, Vola!”, foi o suficiente para todos os presentes quase que em uníssono, demonstrarem tamanha alegria e satisfação, nessas alturas, o jogo já estava ganho, mas ainda era metade do show! “Impressioni Di Settembre” é daquelas faixas emocionantes, um hino do progressiva, capaz de tirar lágrimas de uma pedra, e realmente o rubor nas faces tomou conta da maioria presente, pouco mais de cinco minutos dos mais emocionantes momentos.

Premiata Forneria Marconi in Rio Brasil PFM FOTO Michael Meneses Credito Obrigatório“La Lezione”, outra faixa do novo álbum, agora cantada em italiano, faixa legalzinha, mas não empolgante, salvo pelo excelente solo de guitarra de Scogli. “La Danza Degli Specchi”, como explicada por Di Cioccio tem uma pegada e inspiração “brasiliana’’, outra faixa do novo álbum, em sua versão italiana, com uma batida tribal foi emendada com “Freedon Square”, também do novo Emotional Tattoos, versão inglesa, essa sim, uma boa surpresa, pois nos remetem ao PFM clássico, muitos moogs, guitarra cristalina, violino e uma cozinha extremamente agradável, com Patrick Djivas tocando como nunca, aliás, um verdadeiro incansável do prog, já que em momento algum demonstrou cansaço, com seu baixo em punho, se mexendo a todo instante, o momento Emotional Tattoos se findava ali. 

“Promenade the Puzzle” foi uma surpresa e tanto, com uma interpretação totalmente teatral do mestre de cerimônias Franz Di Cioccio, foi um dos pontos altos do show, deixando todos em puro êxtase musical.  “Harlequin”, do álbum Chocolate Kings foi a bola da vez, deixando alguns presentes muito felizes, já que gritavam a todo o momento por tal canção (em todos os shows, sempre tem aqueles que se julgam conhecedores exímios e ficam insistentemente torrando a banda), mas, torrações a parte, Di Cioccio, após “Harlequin”, anunciou que tocaria uma faixa de um álbum que considerava muito experimental e que julgava de difícil execução ao vivo, (nessa altura, demonstrando certa chateação, já que muitos gritavam para que ‘’parlare em italiano’’), se fez de desentendido e continuou com o inglês macarrônico dele, assim anunciou “Romeo e Giullieta: Danza dei Cavalieri”, de Prokofiev, canção do ótimo PFM in Classic da Mozart A Celebration de 2013. Era a hora do tradicional solo de violino, executado com maestria por Fabbri, a essas alturas, mais calmo com o operador da mesa de som, foi seguida já da tradicional “Mr. 9 Till 5” e “Guillaume Tell Overture”, para êxtase total da galera, e assim deixaram o palco, sendo ovacionados de pé por todos os presentes, para em instantes voltarem para o encore com “Celebration”, e assim findava, após duas horas uma belíssima apresentação de uma das mais importantes e tradicionais bandas da música progressiva de todos os tempos, uma verdadeira celebração para cinco décadas dedicadas a boa música. 

Confesso, senti falta de músicas, importantes do PFM, como “River of Life (Apenna un Po´)”, “Out of the Roundabout”, “Maestro Della Voce”, “Jet Lag”, “Via Lumiere” e principalmente “Dolcissima Maria”, que muitos pediam a todo instante, mas, como Di Cioccio disse: “Até outra vez. Ci Vendiamo!” - Por: Clárk Pellegrino

Postado por Michael Meneses terça-feira, 24 de abril de 2018 16:20:00 Categories: Espaço das Américas Genesis Premiata Forneria Marconi Prog Rock Progressivo Show Vivo Rio
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