PINK FLOYD: "Pepper x Piper - 50 Anos do The Piper at the Gates of Dawn"

DISCÃO é o espaço do Portal Rock Press onde iremos comentar sobre os grandes e álbuns do Pink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn no PORTAL ROCK PRESSRock em todos os seus segmentos, assim como discos de outros estilos que acrescentaram influencias ao Rock, mesmo que seja de Samba, Rap, Jazz, MPB, Forro, Erudito...
Inaugurando a Coluna DISCÃO, "dichavamos" o lisérgico primeiro álbum do Pink Floyd. “The Piper At the Gates of Dawn”, um disco tão influente quanto seu tempo! – Por Rick Olivieri.


Pink Floyd: Pepper x Piper - 50 Anos do The Piper at the Gates of Dawn
Por Rick Olivieri

 

Pink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn no PORTAL ROCK PRESS

O ano de 1967 foi mesmo um ano prolífico em sonoridades progressivas, em vários sentidos. Se os Beatles deram um enorme passo adiante para a humanidade, com o Sgt Pepper’s, o Pink Floyd, em seu primeiro e excelente álbum, que completou cinco décadas em agosto (para ser mais preciso, Pink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn no PORTAL ROCK PRESSno dia 05/08/2017), não ficou para trás e veio antenado com a Era da corrida espacial, embarcando à toda velocidade na viagem pelos labirintos da mente e do universo, tendo os psicotrópicos como motor de propulsão. 
É bom lembrar que séries como Perdidos no Espaço e Jornada nas Estrelas estavam sendo exibidas na TV naquele período e a cultura pop, em geral, se via bastante influenciada pelas questões futuristas. Se o Fab Four flertou com o caos em músicas como “A Day in the Life”, seus conterrâneos do Pink Floyd, despontaram com “The Piper At the Gates of Dawn”, lançado pela EMI, percorreram anos-luz de distância até o centro do universo em menos de uma hora (exatamente 41min:52seg) para fazer a humanidade contemplar um novo Big Bang - daquilo que viria a ser conhecido como Rock Progressivo.

A Aurora de Uma Nova Era
Pink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn no PORTAL ROCK PRESSA formação original era composta por Syd Barret (guitarra e vocais), Roger Waters (baixo e vocais), Nick Mason (bateria) e Rick Wright (teclado e vocais). É um tanto difícil explicar como era o grupo em sua fase pré-Dark Side of the Moon, para quem nunca teve contato com os trabalhos dos primórdios. Talvez nem devesse, mas vou tentar...
Pegue os vôos lisérgicos dos já citados rapazes de Liverpool. A aceleração rítmica frenética dos Stones, porém, sem a mesma urgência sexual. A energia alternada entre respiração e tornado, do The Who. O experimentalismo de Hendrix. As harmonizações vocais dos Beach Boys, todavia, sem o mesmo tom alegre. Imagine também os teclados do The Doors ajudando a fazer a cama. Agora misture com o olhar de Bowie para o espaço sideral. Porém, se o camaleão do Rock tinha dois olhos de cores distintas, a praticamente debutante banda inglesa parecia ter um verdadeiro caleidoscópio em sua fantástica visão da realidade. Conseguiu imaginar?
Por fim, junte a tudo isso à genialidade de Barrett, um artista à beira do abismo e vai poder chegar próximo de compreender como aqueles caras, fãs de blues e jazz, ajudaram a consolidar, com seu Space Rock, o Rock Psicodélico.

O “Vazio” do Espaço Preenchido com Genialidade
Muitos consideram The Piper uma obra bem diferente dos trabalhos que seriam lançados pela banda nas décadas seguintesPink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn no PORTAL ROCK PRESS. Logicamente, muito disso se deve ao fato da formação contar com Barrett como líder dessa fase inicial, sendo a maior parte das composições creditadas em seu nome, seja sozinho ou acompanhado, com exceção de “Take Up Thy Stethoscope and Walk” da autoria de Roger Waters. Não espere encontrar neste primeiro álbum, músicas com alta carga emotiva como as do The Wall, por exemplo. E não que este seja um disco sem “alma”... Mas é perceptível o direcionamento mais “cerebral” dele como um todo. Olhando sob perspectiva, parece até um tanto esperado que fosse assim: o envolvimento do cabeça da banda com substâncias que afetavam sobremaneira seu estado mental levava naturalmente a uma liberação de muito mais de impressões áudio-visuais do que sentimentos.
Tanto é que, anos depois, seus ex-colegas de grupo descreveram em entrevistas o quanto seu velho amigo parecia uma “casca vazia” no estágio mais avançado da loucura.

Dessa forma, The Piper é uma trama de sons, cores e multi-dimensões sensoriais e com o Psicodelismo cada vez mais crescente naquele período dos anos 60, teve boa receptividade entre os críticos. Mesmo sendo tão hermeticamente poético em suas letras e consideravelmente calcado na parte instrumental, conseguiu alcançar o 6º lugar nas paradas do Reino Unido – apesar dos EUA terem praticamente esnobado o lançamento, na época.
Seja como for, não resta a menor dúvida que a genialidade e o talento de Syd Barrett e seus companheiros permeia todo o trabalho. E que um futuro promissor podia ser vislumbrado desde o começo.

As Faixas:
1 - Astronomy Domine - 04:12
2 - Lucifer Sam - 03:07
3 - Matilda Mother - 03:08
4 - Flaming - 02:46
5 - Pow_R. Toc H. - 04:26
6 - Take Up Thy Stethoscope and Walk - 03:05
7 - Interstellar Overdrive - 09:40
8 - The Gnome - 02:13
9 - Chapter 24 - 02:13
10 - The Scarecrow - 02:11
11 - Bike - 03:24


Pink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn no PORTAL ROCK PRESSApesar do andamento das faixas ser um pouco mais rápido que o normalmente encontrado nos hits posteriormente consagrados, é possível notar já alguns elementos familiares presentes aqui e ali. Logo na faixa que abre o álbum, “Astronomy Domine”, já temos a sensação de percorrer o Sistema Solar numa cápsula. O que remete o ouvinte, de certa maneira, à escuridão do espaço presente em Dark Side of the Moon, por exemplo. Mesmo havendo canções com melodias típicas dos anos 60, como “Lucifer Sam” (a frase “I can’t explain” é puro The Who), “Matilda Mother”, “The Gnome” e “Chapter 24”, o surrealismo impera ao longo do disco. Há muito experimentalismo instrumental e improvisações. Melodias atonais e arranjos intrincados. Madrigal, sinetas e castanholas. Código Morse. Paisagens, por vezes, oníricas em sua volatilidade. Partes faladas. Uma dose incomum de eco e reverb...
Em “Pow R. Toc. H.”, há um momento de clima altamente tétrico, devidamente providenciado por Rick Wright e que lembra os antigos filmes de terror e ficção científica. Porém, logo quebrado pela alucinada jam “Take Up Thy Stethoscope and Walk”.
Pink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn no PORTAL ROCK PRESS“Interstellar Overdrive” segue numa suspensão em espiral que volta a lembrar os filmes de terror e até o Teremin, instrumento eletrônico russo, o que dá a sensação de vertigem em determinado ponto. “Bike” principia simulando o clima de um espetáculo circense, para se transformar, trazendo sons que lembram uma mistura do começo de “Money” com “Time” e culmina com o que parece ser o barulho de patos, choro de bebês e buzina de bicicleta, fechando com chave de ouro!
Enfim, encontramos, aqui, várias faixas mostrando que grandes grupos como o Genesis, Yes, King Crimson e Gentle Giant podem ter sido influenciados de uma forma ou de outra por aquele embrião trazido ao mundo pelo Pink Floyd naquele verão de 1967. 


11 Faixas rendem 11 Curiosidades sobre The Piper At the Gates of Dawn: 
1 -
O nome do álbum nasceu a partir do título do sétimo capítulo do livro de Kenneth Grahame, chamado The Wind in the Willows 
2 - A capa psicodélica nasceu de uma foto clicada por Vic Singh, com a ajuda de um filtro multi-imagem.
3 - Norman Smith, que ajudou a produzir o disco, também trabalhava com os Beatles. Ele só não participou do Sgt Pepper, por estar ajudando o Pink Floyd num estúdio adjacente ao dos conterrâneos famosos, no Abbey Road, naquele momento.
4 - Durante o intervalo das gravações do disco histórico dos Beatles, Paul McCartney foi conferir a gravação do The Piper e declarou, posteriormente em entrevista, que o disco era um "nocaute".
5 -  The Piper At the Gates of Dawn foi listado, em 2012, pela revista Rolling Stone, como o 347º melhor álbum de todos os tempos.
6 - A faixa “Chapter 24” nasceu com inspiração no I Ching, famoso livro chinês de 5.000 anos.
7 - Não se surpreenda se algumas pessoas disserem que têm a impressão de que o que se canta repetidas vezes na introdução é “oi, doido”!! há,ha...
Pink Floyd The Piper At The Gates Of Dawn LIVRO de Fabio Massao Yabushita no PORTAL ROCK PRESS8 -  A faixa "See Emily Play", lançada meses antes como single, saiu junto com o álbum no Japão e na primeira edição nos EUA. Depois, foi padronizada a versão britânica, sem a música.
9 - Falando nisso, ao longo dos anos diferentes versões do disco chegaram ao mercado, versão americana com 9 sons, inglesa com 11 músicas, japonesa com 12, Italiana com capa diferente (Foto da Fita K7), Box em CD Triplo (Veja Foto), em comemoração do pelo 40º aniversário do disco. Nossa dica: Tenham todas!
10 – Em comemoração aos 50 anos do álbum foi lançado o livro, “The Piper at Gates of Dawn e as Imagens de Sdy Barrett” (Foto). De autoria de Fabio Massao Yabushitao o livro narra a inspiração de Syd Barrett e demais músicos do Pink Floyd como elementos da alquimia na composição do álbum.
11 - Na coluna “80 Minutos” onde artistas reuniam sons que levariam para uma ilha deserta da edição N. 58 da Revista Rock Press em 2004, Rogério Skalab selecionou não apenas uma música do álbum, e sim todo o disco.

Bom, passados cinquenta anos, o fato é que é inegável a importância desse trabalho artístico para o estilo Rock Progressivo, que conheceria seu auge na década seguinte. - Por Rick Olivieri