PAUL McCARTNEY – Os anos 1990: Rock’n’Roll e Música Clássica

Os shows de Paul McCartney no Brasil vão marcar o retorno da “Freshen Up Tour” que está em Paul_McCartney_dossiê_1990_à_1999“férias”. Nesse capítulo, relembraremos os históricos shows no Rio, sua incursão na música clássica, a defesa do vegetarianismo, e o ativismo ecológico ao lado de Linda, que infelizmente faleceria em 1998.

DOSSIÊ: PAUL McCARTNEY – THE LONG AND WINDING ROAD
CAPÍTULO 6 – Os anos 1990: Rock’n’Roll e Música Clássica
TEXTO: Robert Moura – FOTOS: Divulgação

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Nos anos 1990, Paul voltaria à estrada. Ele se apresentaria pela primeira vez no Brasil no antológico “Paul In Rio”, retornando ao país dois anos depois para shows em SãoPaul_and_Linda_McCartney Paulo e Curitiba (como acontece esse ano). Macca se arriscaria em projetos de música clássica e eletrônica. Mas, o final da década seria de muita dor com a morte de Linda. Nos momentos difíceis, Paul sempre procurou apoio na música, e foi com o Rock’n’Roll que ele se reergueu. Os ingressos para os shows de São Paulo (26 e 27/3) e Curitiba (30/03) que marcam a volta da “Freshen Up Tour” estão à venda em: https://bit.ly/2Danf47. “For a while, we could sit, smoke a pipe, and discuss all the vast intricacies of life”.

Paul in Rio...
Finalmente o público brasileiro encontraria um beatle (em 1979, George Harrison estivera no Brasil, mas apenas para acompanhar um GP de Fórmula 1). Nos dias 20 e 21 Paul_McCartney_World_Tour_1990de abril de 1990, Paul McCartney se apresentaria com a “World Tour” no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. Os históricos shows ficariam conhecidos como “Paul in Rio”, numa alusão ao “Rock In Rio”, ocorrido cinco anos antes. O primeiro show, agendado para o dia 19, teve que ser adiado, devido à forte chuva que caiu por mais de 24 horas. No dia 20, ele se apresentaria ainda sob a chuva que só deu uma trégua no dia seguinte que teve um público de 184.368 pessoas, batendo o recorde para uma apresentação solo. “Figure Of Eight” abria o espetáculo, cujo repertório completo incluiu: “Jet” (após a qual ele saudou a “gentchê do Brasil” em português), “Rough Ride”, “Got To Get Into My Life”, “Band On The Run”, “We Got Married”, “Let ‘Em In”, “The Long And Widing Road” (na qual ele propunha uma volta aos anos 1960, como se fosse preciso), “The Fool On The Hill” (dedicada a John, George e Ringo), “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band/Reprise” (numa versão de 10 minutos com um longo solo de guitarra), “Good Day Sunshine”, “Can’t Buy Me Love”, “Put It There”, “Things We Saind Today”, “Eleanor Rigby”, “This One”, “My Brave Face”, “Back In The USSR”, “I Saw Her Standing There”, “Coming Up”, “Let It Be”, “Ain’t That A Shame”, “Live and Let Die”, “Hey Jude”, “Yesterday”, “P.S. Love Me Do” (uma versão que juntava as duas canções do primeiro single dos Beatles, na qual Paul apenas canta), “Get Back” e “Golden Slumbers”/“Carry The Weigth”/“The End”. Os “setlists” da turnê tiveram pequenas variações,single_the_long_and_winding_road_paul_mccartney com a inclusão de “Ebony And Ivory”, “Maybe I’m Amazed”, “Twenty Flight Rock”, “Mull Of Kyntire” (apenas em Glasgow e Toronto), “Strawberry Fields Forever”/“Help”/“Give Peace A Chance” (apenas em Liverpool e Knebworth) e “Birthday”. Foi lançado um documentário sobre a turnê, chamado “From Rio To Liverpool (Going Home)”, destacando a vinda ao Brasil. Paul que havia se engajado em causas ecológicas, representou a entidade Friends Of Earth (Amigos da Terra), sempre fazendo referências a ela nos shows, e lembrando que era preciso “salvar o planeta”. Na sua adesão, ele doou 100 mil dólares à entidade presente em 75 países, incluindo o Brasil.

Tripping The Live Fantastic...
Album_Tripping_Live_FantasticNo final de 1990, foi lançado o álbum triplo ao vivo, “Tripping The Live Fantastic”. Além, do “setlist” básico da turnê, ele trazia “Matchbox” (Carl Perkins); o reggae “Together”, e o improviso “Inner City Madness”, ambos de criação coletiva da banda; “Sally” (Haines/Leon/Towers), “Don’t Let The Sun Catch You Crying” (Joe Greene) e “All My Trials” (canção tradicional com arranjo de Paul. Ela foi substituída por “Put It There” na versão dos EUA), gravadas durante passagens de som; e “Crackin’ Up” (de Bo Diddley) e “If I Were Not Upon The Stage” (Sutton/Turner/Bowsher). “The Long And Winding Road” foi extraída do primeiro show no Brasil, e também saiu como single. “Tripping” foi editado em CD duplo e numa edição simples em vinil subtitulada, “Highlights!”. O título faz um trocadilho com o verso “Tripping the light fantastic” (“tropeçando na luz fantástica”) do poema L’Allegro de John Milton, que significa “dançar ou se mover com leveza e agilidade ao som da música”. No ano seguinte, saiu “Get Back”, o filme da turnê, dirigido por Richard Lester.

Em junho, Paul participou, em Knebworth, do show beneficente, The Silver Clef Award Winners, em favor da Nordoff-Robbins Music Therapy Centre (instituição que se dedica ao tratamento de crianças autistas através de terapia musical) e da Escola Britânica de Artes Performáticas. Eric Clapton, Pink Floyd, Robert Plant, Jimmy Page, Genesis, Dire Straits e Elton John participaram do evento que foi lançado em áudio e vídeo. Ainda em 1990, Paul cedeu uma gravação de “It's Now Or Never” (feita durante as sessões do “Álbum Russo”) para inclusão no disco “The Last Temptation Of Elvis”, em tributo ao cantor. 

Unplugged MTV...
Unplugged_MTV_Paul_McCartneyEm maio de 1991, Paul gravou o programa “Unplugged” da MTV, acompanhado da banda que fez a “World Tour” (à exceção do baterista Chris Whitten que passou a integrar os Dire Straits e foi substituído por Blair Cunningham). O programa foi ao ar em 3 de abril e tornou-se o primeiro da série a ser lançado em disco. Paul apresenta versões acústicas para: clássicos dos Beatles, “Here, There and Everywhere”, “We Can Work It Out”, “I’ve Just Seen A Face”, “She´s A Woman”, “And I Love Her” e “Blackbird”; resgata canções de seu primeiro álbum solo, “Every Night”, “That Would Be Something” e “Junk”; e faz releituras de blues, rockabilly e soul, “Be Bop A Lula”, “Blue Moon Of Kentucky”, “São Francisco bay Blues”, “Hi-Heel Sneakers”, “Ain’t No Sunshine” (com Paul na bateria e Hamish Stuart no vocal), “Good Rockin’ Tonight” e “Singing The Blues”. Para completar, ele incluiu, “I Lost My Little Girl”, sua primeira, e até então inédita, composição. O álbum tem o subtítulo de “The Official Bootleg”, numa referência aos discos piratas. Por ironia, as faixas não lançadas podem ser encontradas no “mercado paralelo” em áudio e vídeo.

Liverpool Oratorio...
Liverpool_Oratorio_Paul_McCarteneyPaul, que flertava com a música clássica desde os Beatles, recebeu a incumbência de compor uma obra para a celebração dos 150 anos da Royal Liverpool Philharmonic. Assim, nasceu o Liverpool Oratorio. Ele contou com a colaboração do compositor Carl Davis para a empreitada. Além da parceria na composição, Davis regeu a orquestra e coral da Royal Liverpool Philharmonic, e o coral da Liverpool Cathedral. A estreia foi em 28 de junho de 1991 (com outra récita no dia 29). As performances e os ensaios foram registrados para o lançamento em áudio e vídeo. Os cantores Kiri Te Kanawa, Jerry Hadley, Sally Burgess, Willard White, o menino Jeremy Budd e Ian Tracey (mestre do coro); e os instrumentistas Malcolm Stewart (primeiro violino), Ian Balmain (trompete), Timothy Walden (violoncelo) e Anna Cooper (corne inglês) foram os solistas.

A obra, baseada nas memórias de Paul, conta a história de Shanty, um liverpuldiano de origem suburbana. Várias referências biográficas podem ser observadas no texto do Oratorio que é dividido em oito movimentos: “War”, “School”, “Crypt”, “Father”, “Wedding”, “Work”, “Crises”, “Peace”. O álbum liderou a parada clássica. Parte da crítica, obviamente, não poupou o trabalho que considerou simplista. Mas, se em alguns momentos, pode parecer não ter muita profundidade por falta de maior experiência nessa linguagem e uma consequente dificuldade em se manter o discurso, não se pode negar que a obra apresenta vários bons momentos que a justificam como um todo, especialmente o lirismo das árias, “The Air Raid Siren Slices Through...”, “Kept In Confusion”, “I’II Always Be Here”, “The World You’re Coming Into”, “Do You Know Who You Are...”; o comovente trio em “Do We Live In A World...”; e o bem construído contraponto (de soprano e tenor) no quinto movimento. “We’re Here In School Today To Get A Perfect Education” lembra Leonard Bernstein, enquanto, “Crypt Dance” tem tema extraído de sua antiga composição instrumental “Christian Bop” (que só viria a ser lançada oficialmente em 2015). Paul, que já esperava a reação da crítica, não se intimidaria e seguiria compondo nessa linha. O Oratorio já foi executado por mais de 100 orquestras.

Paul marcaria presença em dois discos do 10cc: “...Meanwhile” (1992) trouxe “Don’t Break The Promisses”, parceria de Paul (que toca baixo na gravação), Eric Stewart e Graham Gouldman; e “Mirror Mirror” (1995), tem ele tocando guitarra em “Yvone´s The One” (outra parceria com Stewart), e piano, sintetizador e percussão em “Code Of Silence”. Em 1993, ele participou da faixa “Yeah” do disco “Love’s Allrigth”, lançado por Eddie Murphy.

Off The Ground...
O disco foi gravado “ao vivo no estúdio” com a mesma banda que participou do “Unplugged MTV”. Parte das canções de Off_The_Ground_Paul_McCartneyse trata de sobras de “Flowers In The Dirt”, inclusive as parcerias com Elvis Costello, “Mistress And Maid” e “The Lovers That Never Were” (“Migthy Like A Rose” de Elvis Costello, de 1991, apresentou duas canções deles, “So Like Candy” e “Playboy To A Man”; e “All This Useles Beauty” de 1996, traria outra da dupla, “Shallow Grave”). O primeiro single foi “Hope Of Deliverance” cuja letra aborda novamente causas humanitárias e ambientais, assim como “Peace In The Neighbourhood” e “Looking For Changes”. “Bike Like An Icon” surgiu de uma conversa sobre câmeras fotográficas entre Linda e Paul. A frase “I like a Leica” virou “I like a Nikon” que Paul transformou em “like an icon”. As sempre bem-vindas baladas de Paul são representadas por “Golden Earth Girl” (dedicada a Linda, e com contribuição de Carl Davis no arranjo), “I Owe it All To You” e “Winedark Open Sea”. “Get Out Of My Way” é um potente rock’n’roll com o reforço de metais. A esperançosa “C’Mon People” (com arranjo orquestral de Paul e George Martin) fecha o álbum de forma magistral (depois dela, ainda pode-se ouvir um trecho da faixa-escondida “Cosmically Conscious” composta na Índia em 1968. Sua versão completa aparece no single da faixa-título). Outras canções sairiam em singles: “Long Leather Coat”, “I Can’t Imagine”, “Big Boys Bickering”, “Kicked Around No More”, “Keep Coming Back To Love” (parceria com Hamish Stuart), “Down To The River”, “Sweet Sweet Memories” e “Style Style”; uma versão ao vivo “Bike Like An Icon”; “Things We Said Today” e “Midnight Special” (extraídas do “Unplugged”); e ainda dois remixes de “Deliverance”.  Apesar de não alcançar o topo das paradas, o disco teve boas vendas na Europa e no Japão. Seguindo o costume, foi lançado o “making of” das gravações, intitulado “Movin’ On”, no qual se pode ouvir um trecho da ainda inédita “Is It Raining In London?”, parceria com Hamish, e com orquestração de Angelo Badalamenti. O álbum foi o terceiro gravado no estúdio The Mill, construído por Paul em East Sussex, na Inglaterra. Como parte da divulgação de “Off The Ground”, em setembro de 1992, Paul e banda gravaram o programa “MTV Up Close” tocando, entre outras, músicas do novo disco. O programa foi ao ar em fevereiro de 1993. Em junho foi lançado um Box com 16 CDs (todos seus álbuns de estúdio), trazendo como faixas bônus a maior parte de faixas que figuravam apenas em singles, e algumas inéditas.

New World Tour... ...
APaul_Is_Live_Paul_McCartneypós o lançamento de “Off The Ground”, Paul retornaria à estrada, obtendo novo êxito com a “New World Tour” que o traria novamente ao Brasil para shows em São Paulo e Curitiba em dezembro de 1993 (dois meses antes, George Martin se apresentou no país, regendo o Coral das Meninas Cantoras de Petrópolis e uma banda formada por músicos brasileiros; devido a uma forte chuva a Orquestra Sinfônica Brasileira que também ensaiou com o maestro não pode participar, pelo risco de danificar seus instrumentos já que a apresentação era a céu aberto. Paul enviou uma mensagem em vídeo saudando Martin e o público). O giro renderia outro álbum ao vivo, “Paul Is Live”. Entre as novidades do “setlist” estão: “Looking For Changes”, “Peace In The Neighbourhood”, “Hope Of Deliverence”, “Bike Like An Icon” e “C’Mon People”; “Kansas City” que foi tocada apenas na cidade que lhe dá nome; canções dos Beatles que não haviam figurado na turnê anterior: “Drive My Car”, “Penny Lane”, “We Can Work It Out”, “All My Loving”, “Michelle”, “Here, There And Everywhere”, “Magical Mystery Tour”, “Lady Madonna”, “Paperback Writer” e “Penny Lane”; “Robbie’s Bit” (de Robbie McIntosh tocada somente por ele ao violão), e “Good Rockin’ Tonight”. Dos Wings, temos “Let Me Roll It”, “My Love” e “Live And Let Die”. As últimas faixas são momentos descontraídos nas passagens de som e incluem o link “Welcome To Soundcheck”, “Hotel In Benidorm”, “I Wanna Be Your Man” e “A Fine Day”. A capa é uma paródia da de “Abbey Road”, tirando um sarro do caso conhecido como “Paul Is Dead” (“Paul está morto”), começando pelo título, “Paul Is Live”. Ele brinca com as “evidências” de sua morte que aparecem na capa dos discos. Em “Abbey Road: Paul está de olhos fechados, indicando sua morte (em “Paul Is Live”, seus olhos estão arregalados); ele está descalço, já “que mortos não usam sapatos” (no segundo, ele usa um par de botas); seu passo estava trocado em relação aos outros Beatles, com seu pé direito à frente (na nova versão, a perna direita está no ar, exageradamente atrás da esquerda); ele segura o cigarro com a mão direita, o que seria estranho pelo fato dele ser canhoto (apesar de canhoto no encarte de “Beatles For Sale” de 1964, antes de sua “morte”, ele segura um cigarro na mesma mão direita. Como não era mais fumante, Paul chama atenção para o fato de estar segurando a coleira de seu cachorro com a mão esquerda); o carro preto estacionado seria da funerária (o carro some na capa nova), a placa do fusca “IF28”, indica que “se” (“if” em inglês) estivesse vivo, ele teria 28 anos, (já em 1993, a placa indica 51 IS, ou seja ele  está (“is” em inglês) com 51, sua idade na ocasião).

The Fireman: Strawberry, Ocean, Ships, Forest...
Irrequieto, por natureza, Paul, seguia desafiando-se em novas linguagens. Em Thr_Fireman_Strawberry,_Ocean,_Ships,_Forest_Paul_McCartneyStrawberry, Ocean, Ships, Forest”, ele aborda a techno music, dando vazão ao seu lado experimental que apareceu desde Beatles, e especialmente em  “McCartney I e II”. O projeto, intitulado The Fireman foi feito em parceria com o produtor Youth (nome artístico de Martin Glover, baixista do Killing Joke). Originalmente, a associação com Youth era simplesmente para que ele produzisse remixes de faixas de “Off The Ground” para serem incluídas em singles. No entanto, Paul comprou a ideia do produtor de desconstruir as músicas se afastando dos originais, e trabalharia com ele no produziram o álbum que saiu em novembro de 1993. O repertório traz: “Transpiritual Stomp”, “Trans Lunar Rising”, “Transcrystaline”, “Pure Trance”, “Arizona Light”, “Celtic Stomp”, “Strawberries, Oceans, Ships Forest”, “4 4 4” e “Sunrise Mix”. O pseudônimo, “The Fireman” (“O Bombeiro”), remete ao trabalho voluntário feito por Jim McCartney, pai de Paul, durante a Segunda Guerra Mundial.

The Beatles Live At BBC...
The_Beatles_Live_At_BBCAnalisando o mercado musical, constata-se que os Beatles nunca saíram de cena. Estrategicamente, as gravadoras EMI e Apple, mantêm uma agenda de lançamentos da banda. Em 1994, foi a vez do CD duplo, “Live At BBC” com gravações ao vivo realizadas na rádio inglesa entre 1963 e 1965. Com 56 canções e 13 faixas de diálogos, o álbum trazia, além de versões ao vivo de músicas já lançadas, outras inéditas oficialmente como: “I’ll Be On My Way” (Lennon/McCartney), “Carol”, “Johnny B. Goode”, e “Sweet Little Sixteen” (todas de Chuck Berry), “Lucille” e “Ooh” My Soul” (ambas de Little Richard); e “Crying, Waiting, Hoping” (Buddy Holly). Ele foi primeiro lugar no Reino Unido e terceiro nos EUA. Também foi lançado o single “Baby It’s You”.

A Leaf...
No dia 23 de março de 1995, Paul recebeu a comenda de Membro do Royal College Of Music. Sua nova incursão na música clássica, a suíte para piano “A Leaf”, foi composta especialmente para a cerimônia, “An Evening With Paul McCartney & Friends”, realizada no Saint James Palace, em Londres, com a presença do Príncipe Charles. A peça foi interpretada pela pianista russa, Anya Alexeyev que também a gravou para lançamento em CD. Paul se apresentou tocando “One After 909” e “Mistress And Maid” (com Elvis Costello), “For No One”, “Eleanor Rigby”, “Yesterday” e “Lady Madonna” (com o Brodsky Quartet).

Paul participou da regravação de “Come Together”, para o projeto “War Child – The Smokin’ Mojo Filters” em prol das crianças vítimas da guerra na Bósnia, a convite de Paul Weller. No mesmo ano, ele gravou com Yoko Ono, “Hiroshima Sky (Is Always Blue)” de autoria dela, por ocasião dos 50 anos do lançamento da bomba atômica sobre a cidade, para um documentário de TV no Japão. As duas famílias se reuniram, com Paul no baixo, Linda no órgão, Mary e Stella na percussão, James na guitarra, Sean Lennon no cravo e Yoko no vocal. Paul_McCartney_em_os_Simpsons

Paul e Linda viraram animação no episódio dos Simpsons, no qual a personagem Lisa se torna vegetariana. O casal colocou como condição para a participação que Lisa continuasse vegetariana por todo o resto da série. Ainda em 1995, Paul fez 15 programas de rádio, na estação americana Westwood One, chamada “Oobu Joobu”, na qual além de canções alheias, ele tocava algumas de suas gravações inéditas, passagens de som e ensaios.

The Beatles Anthology...
Beatles_AnthologyCom o nome inicial de “The Long And Winding Road”, o projeto “Anthology”, lançado em 1995, tinha a intenção de repassar a história dos Beatles. O material incluiu uma série de TV que foi lançada em 8 fitas de VHS (em 2003, sairia em um Box com 5 DVDs, com um extra mostrando os encontros de Paul, George e Ringo para o trabalho); três CDs duplos; e um livro (lançado em 2000). O grande diferencial, é que dessa vez, todo o material biográfico foi feito com base nos relatos de John, Paul, George e Ringo, bem como de pessoas mais próximas como George Martin, Neil Aspinall e Derek Taylor. A produção usou materiais de arquivos e novas entrevistas. A cereja do bolo foi a reunião de Ringo, George e Paul para trabalharem em cima das demos de “Free As A Bird” e “Real Love” de John Lennon. Na primeira, além de desenvolver os arranjos, uma vez que John havia Beatles_Anthologygravado apenas voz e piano, Paul e George também completaram a composição. Ambas saíram também em single. Eles ainda receberam de Yoko outras canções de John: “Now And Then” na qual eles começaram a trabalhar, mas acabou sendo deixada de lado; e “Grow Old With Me” que eles descartaram sem chegar a usar nas gravações. As novas faixas foram produzidas por Jeff Lynne, e George Martin trabalhou no material antigo. A arte é de Klaus Voorman (que criou a capa de “Revolver”).

Em 7 de junho de 1996, McCartney e Mark Feathrstone-Witty fundaram o LIPA (Liverpool Instititue for Perfoming Arts). A faculdade de artes, que inclui cursos nas áreas de teatro, música, dança, foi instalada no mesmo prédio que abrigara a antiga escola secundária em que Paul estudou, o Liverpool Institute. O LIPA segue em expansão e sendo altamente qualificado. 

Em setembro do mesmo ano, Paul se uniu ao poeta Allen Ginsberg para uma gravação de seu poema “The Ballad Of The Skeletons”, na qual tocou guitarra, bateria, órgão e maracas. No mês seguinte, ele tocou guitarra durante a leitura realizada pelo poeta no Royal Albert Hall. Em outubro, ele gravou com Carl Perkins, “My Old Friend”, que Perkins compusera em sua homenagem em 1982, quando fizeram um dueto em “Get It”. Ainda naquela ocasião, quando mostrou a música a Paul e Linda, os dois foram às lágrimas ao ouvirem o verso “won’t you think about me now and then” (“você pensará em mim agora e sempre?). O fato é que Lennon havia dito uma frase muito similar a Paul dias antes de sua morte quando eles o visitaram.

Flaming Pie...
Flaming_Pie_Paul_McCartneyNo encarte de “Flaming Pie”, Paul fala sobre a influência que o projeto “Anthology” exerceu sobre sua vontade de fazer novas canções e do prazer de gravar um álbum. E esse foi o espírito do novo trabalho. As referências aos Beatles começam no título que se refere a uma piada de Lennon sobre a origem do nome da banda: “um homem saiu de uma torta flamejante (“flaming pie”) e disse: “vocês serão Beatles com uma letra A”. Paul gravou a maior parte dos instrumentos, com algumas contribuições de Jeff Lynne (que co-produziu o disco com Paul), nos violões, guitarras, teclados e vocais; Steve Miller, violão, guitarra, e vocais; e Ringo Starr que toca bateria em “Really Love You” (que compôs em parceria com Paul durante uma jam) e na majestosa “Beatutiful Night”. George Martin assina os arranjos de orquestra em “Somedays” e “Beautiful Night”. O disco é recheado de baladas acústicas introspectivas, em função do momento que Paul vivia com os avanços do câncer de Linda que aparece, já com os cabelos curtos, numa foto do encarte. Começando com “The Song We Were Singing” (que fala sobre o começo da parceria com Lennon), e seguindo com “Somedays”, “Calico Skies” (outra das muitas declarações de amor à esposa), “Little Willow” (dedicada aos filhos de Maureen, primeira esposa de Ringo, que havia falecido vítima de câncer pouco tempo antes) e “Great Day”(uma canção inédita dos anos 1970 que ficara apenas no ambiente familiar). Mas, não falta um “rock do bom” como “The World Tonight”, “If You Wanna”, “Young Boy” e “Flaming Pie”. “Heaven On A Sunday” tem o solo de guitarra executado pelo filho, James, em dueto com Paul que sola simultaneamente no violão. Linda faz os vocais. “Used To Be Bad” é um blues improvisado por Paul e Steve Miller que dividem os vocais. O R&B, “Souvenir”, foi inspirado no estilo de Wilson Picket. Os singles incluíram, “Looking For You” (com Ringo na bateria), “Broomstick” e “Love Come Tumbling Down”. Lançado em maio de 1997, o trabalho foi o mais bem acolhido pela crítica desde “Tug Of War”, e alcançou boas vendagens. O “making of” do disco, “In The World Tonight”, dirigido por Geoff Wonfor (mesmo diretor do “Anthology”), foi exibido na TV, e saiu em VHS.

Music For Montserrat...
Em 15 de setembro, George Martin produziu um concerto em Londres em benefício da ilha de Montserrat, onde ele construiu o A.I.R. Studios em 1979, que havia sido arrasada por um ciclo de erupções vulcânicas. Ele convidou amigos que gravaram lá, como Eric Clapton, Mark Knopfler, Sting, Phill Collins, Elton John, Arrow & His Band, Carl Perkins, e Paul que apresentou as canções “Yesterday”, “Golden Slumbers/Carry That Weight/The End” (com Clapton, Collins, Knopfler e Martin regendo a orquestra), “Hey Jude” e “Kansas City” (as duas últimas acompanhado de todos os participantes). O show foi transmitido para Inglaterra e EUA; e saiu em VHS e em 2002 em DVD.

Standing Stone 1997...
Standing_Stone_Paul_McCartneyPara a celebração de seu centenário, a EMI convidou McCartney a compor um novo trabalho orquestral. O resultado foi o poema sinfônico “Standing Stone(o nome vem dos monumentos de pedra localizados na Irlanda). A obra foi gravada com a London Symphony Orchestra sob a batuta de Lawrence Foster. Richard Rodney Bennett supervisionou a orquestração. Dividida em quatro movimentos, a música é baseada no poema épico homônimo escrito por Paul e trata da origem e significado da vida. Procurando mergulhar em suas raízes, ele buscou referências da cultura celta. A composição de caráter expressionista e descritivo mescla vários estilos musicais e demonstra um amadurecimento de Paul no campo da música clássica como: o uso do coro em “Cell growth” e “Human theme” do primeiro movimento; uma passagem cromática de grande dissonância em “Lost at sea” no segundo movimento; o colorido pastoral do terceiro movimento em paul_mccartney_tela_standing_stone_story_1994“Safen Haven/Standing Stone”; e a retomada do tema no último movimento conduzindo ao “gran finale” com “Celebration” (baseada numa canção antiga e inédita que Paul fez para seus filhos). Mesmo sem saber ler ou escrever música, sua percepção e intuição musical, faz com que ele consiga pintar grandes cenas musicais, principalmente quando se apóia numa de suas maiores qualidades que é a criação de melodias. A arte do trabalho, que mais uma vez alcançou o topo da parada clássica, inclui fotos de Linda (capa e encarte), Mary McCartney e David Eustace (encarte), e duas pinturas de Paul, além do poema. A estreia da obra aconteceu em 14 de outubro de 1997 no Royal Albert Hall, em Londres. Como de praxe, a apresentação foi lançada em vídeo, incluindo um “making of”.

Rushes (The Fireman)...
Rushes_Paul_McCartneyEm 1998, Paul voltou a trabalhar com Youth no projeto “The Fireman”. Trechos de canções inéditas de Paul foram incluídos em algumas das novas gravações da dupla. “Rushes” apresenta um pouco mais de instrumentos “tradicionais” como o violão, guitarra, baixo, teclados, bateria acústica e cítara. Com repertório formado por: “Watercolour Guitars”, “Palo Verde”, “Auraveda”, “Fluid”, “Appletree Cinnabar Amber”, “Bison”, “7 a.m.” e “Watercolour Rush”, Youth consideraria esse como seu disco predileto do Fireman. Para ele, o trabalho soa como um réquiem para Linda que estava nos estágios terminais de sua doença. O nome The Fireman, associado ao título do álbum “Rushes”, “The Fireman Rushes” torna-se uma citação de um trecho da letra de “Penny Lane”.

Ainda em 1998, Paul participou do disco Vertical Man de Ringo, fazendo backing vocals nas canções “I Was Walkin’”, “La De Da” e “What In The World” (na qual também toca baixo). Ele gravou vocais em “Little Children” da Peter Kirtley Band, gravação em favor de crianças carentes brasileiras.

A perda de Linda...
linda_mccartney_foto_do_encarte_do_album_flaming_pieEm dezembro de 1995, Linda McCartney havia sido diagnosticada com câncer de mama. Uma cirurgia foi realizada para a retirada do tumor. Paul permaneceria com ela no hospital, ao mesmo tempo em que a casa deles em Cavendish era assaltada. O assalto não causou maiores prejuízos. No entanto, a doença de Linda trazia complicações. O câncer progrediu e ela passaria por uma quimioterapia. A família manteve as informações sob sigilo, Paul diria que eles estavam otimistas e seguia tudo normal. Apesar das consequências do tratamento, Linda manteria o humor e a positividade, ela continuava fotografando e andando a cavalo (um de seus hobbies) quando sua energia lhe permitia. Linda, que estava reclusa, faria uma breve aparição em vídeo para agradecer a homenagem feita pela ONG PETA (People For Ethical Treatment of Animals) em 1996 por sua vida dedica à defesa dos animais. Ela não compareceria à cerimônia na qual a Rainha Elizabeth II condecorou Paul como Sir (Cavaleiro da Ordem do Império Britânico) e que ela se tornou Lady. Entretanto, ela foi à apresentação da obra “Standing Stone” no Carnegie Hall, em Nova York. Paul dedicou o espetáculo à sua “nova-iorquina predileta”. Apesar do aparente bem-estar, ela sabia que não lhe restava muito tempo, pois o câncer havia atingido o fígado. No começo de 1998, Linda faria algumas aparições públicas. A última foi num desfile da grife Chloé com peças desenhadas por Stella, ocasião em que ela declarou estar se “sentindo ótima”. Em seguida, a família seguiu para o Arizona, onde tinham um rancho. Eles sabiam que seria a última viagem de Linda. Depois de aproveitar o primeiro dia cavalgando, ela passou o dia seguinte menos disposta, mas mantendo o bom humor. Linda ficou o terceiro dia inteiro na cama, nos braços de Paul. E assim, ela faleceu na manhã de 17 de abril, ao lado dos filhos. O corpo foi cremado e as cinzas espalhadas no Arizona e na fazenda da família na Inglaterra.

Linda seria lembrada por sua dedicação às causas humanitárias, à defesa dos animais, ao vegetarianismo (investiu em uma empresabooks_linda_mccartney_livros alimentícia com o intuito de estimular as pessoas ao não consumo de carne, ofertando outras opções, e publicou livros de culinária), o trabalho como fotógrafa (também registrado em livros), e na música, sobretudo durante o período dos Wings quando compôs várias canções com Paul. A filha Mary herdou o amor pela fotografia e segue na área. Stella tornou-se estilista. James preferiu a música, e Heather também se direcionou para as artes, se dedicando à cerâmica e ao design. O caminho para a reabilitação de Paul seria o de sempre: trabalhar. Afinal, desde a adolescência, a música era a sua terapia. Foi assim quando perdeu a mãe (que padeceu com a mesma doença que agora levava Linda), assim foi com John, e assim seria com Linda. Quatro dias após a morte de Linda, Paul escreveu uma carta comovente na qual exaltava sua figura e reafirmava seu amor pela mulher com a qual passou 29 anos, só tendo se separado durante as nove noites em ele estivera preso no Japão. Segundo Paul, a maior homenagem que ela poderia receber “seria que as pessoas se tornassem vegetarianas”. O sofrimento de Paul com a Linda_McCartney_Wide_Prairieperda de Linda o levou a fazer terapia de luto, uma vez que ele não conseguia parar de chorar. Ele confessou ter chorado mais do que em toda sua vida. Sem forças para compor, ele passou a se dedicar a finalização do álbum solo que Linda planejara lançar intitulado “Wide Prairie” com gravações desde a época dos Wings (o disco sairia ainda em 1998, e percebe-se a forte presença do reggae, seu estilo musical predileto). Foram meses de tristeza e solidão, mesmo com a presença dos filhos e amigos, até que ele conseguisse voltar a fazer música. 

Chrissie Hynde organizou o evento “Here, There And Everywhere – A Concert For Linda” em memória da amiga, no Royal Albert Hall. Acompanhado pelos Pretenders e Elvis Costello, Paul cantou “Lonesome Town”, “All My Loving” e “Let It Be” com participação de todos, entre os quais estavam George Michael, Marianne Faithfull e Tom Jones. O show, realizado em 10 de abril de 1999, foi transmitido pela BBC1 oito dias depois.

No dia 15 de abril de 1999, Paul McCartney seria finalmente introduzido como artista solo no Rock and Roll Of Fame. Ele já fazia parte como membro dos Beatles, quando não compareceu ao evento. Neil Young foi o responsável pela indução de Paul, realizada no Waldorf-Astoria Hotel em Nova York. Paul cantou “Blue Suede Shoes”, “What I’d Say” e “Let It Be” com a Paul Schaeffer Band, Clapton, Bruce Springsteen, Billie Joel, Bono Vox, Bonnie Tyler e Dion.

Run Devil Run... Live At The Cavern...
Por uma dessas ironias do destino, um dia Paul viu uma farmácia homeopática em Atlanta que vendia uns produtos chamados “Run_Devil_Run_Paul_McCartney”. Ele pensou que esse seria um bom título para um rock’n’roll e compôs uma música ao estilo de Chuck Berry que batizaria seu novo disco e seria o antídoto que ele precisava naquele momento. Paul resolveu retornar às raízes tocando o Rock’n’Roll dos anos 1950. Para isso, ele se cercou de amigos, os guitarristas David Gilmour e Mick Green, os bateristas Ian Paice e Dave Mattacks que se alternam entre as faixas, assim como os tecladistas Pete Wingfield e Geraint Watkins, e o produtor Chris Thomas. A ideia era tentar se divertir um pouco, as gravações não passariam por um processo de produção rebuscado, simplesmente tocariam algumas canções durante uma semana. A seleção era baseada no repertório de Elvis Presley, Little Richard, Gene Vincent, entre outras artistas do período, e três composições novas de Paul nesse estilo. Apesar do som cru, a gravação tem uma sonoridade moderna. Assim, como nos primeiros tempos dos Beatles, ele mesclaria sucesso e músicas menos conhecidas pelo grande público. “Blue Jean Bop”, de Gene Vincent, abre o disco apenas com o baixo e a voz de Paul por alguns compassos. Na sequência, entram a bateria dePaul_McCArtney_Live_At_The_Cavern_Club Paice, e depois as guitarras de Green e Gilmour. Em “She Said Yeah”, a voz de Paul surge rascante como ele provavelmente soava nas boates de Hamburgo nos anos 1960. Pete Wingfield se une à banda. “All Shook Up”, do repertório de Elvis, traz Dave Mattacks na bateria e Geraint Watkins ao piano. “Run Devil Run” é a primeira autoral apresentada no disco, e é cantada com toda energia por Paul, quase como que numa sessão de exorcismo. “No Other Baby”, foi extraída de um single da banda britânica de Skiffle The Vipers. A balada country “Lonesome Town” foi um hit de Rick Nelson em 1958. O blues “Try Not To Cry” também é de autoria de Paul. Carl Perkins é lembrado em seu country, “Movie Magg”, no qual Paul mostra sua versatilidade vocal. “Brown Eyed Handsome Man”, de Chuck Berry, é mais conhecia na versão de Buddy Holly, como lembra Paul no encarte do CD. Ela traz a participação de Chris Hall no acordeom. “What It Is”, de McCartney, não destoa nem um pouco das demais canções, é possível que o ouvinte nem se dê conta que ela foi feita em 1999. Paul começou a compô-la ao piano na presença de Linda que gostou muito da canção, e a concluiu como uma simples homenagem a ela. “Coquette” é um desconhecido lado B de Fats Domino, um de seus cantores prediletos, assim como Little Richard, de cujo repertório ele pinçou “Shake A Hand”. Elvis é revisitado em “I Got Stung” e em “Party”. Segundo Paul, “Honey Hush” é a música do disco que ele mais gosta de cantar. Lançada em single, “No Other Baby” trouxe “Fabulous” como lado B. Para completar o pacote, Paul faria um show no novo Cavern Club em Liverpool (o original fora demolido) com Gilmour, Green, Wingfield e Paice. A apresentação foi transmitida pela internet e teve audiência estimada em 150 milhões de internautas e rendeu o DVD “!

Outro tributo à Linda, o concerto beneficente “PETA´S Party Of The Century”, foi realizado em 18 de setembro de 1999. Paul discursou e tocouPETA´S_Party_Of_The_Century” ao lado de David Gilmour, Ian Paice, Mick Green, Peter Wingfield (teclados) e Chris Hall (acordeom) as músicas: “Honey Hush”, “Brown Eyed Handsome Man”, “No Other Baby”, Try Not To Cry”, “Lonesome Town” e “Run Devil Run”. Também participaram Sarah McLachan, Chrissie Hynde e os B-52’s. O evento foi transmitido pela VH-1, e em 2001 saiu em DVD.

Working Classical...
Working_Classical_Paul_McCartneyMenos de um mês após lançar um disco revisitando as origens do Rock’n’Roll, Paul lançou o álbum “Working Classical” em homenagem à Linda, com arranjos de música de câmara (interpretados pelo Loma Mar String Quartet), e grande orquestra (com a London Symphony Orchestra). O repertório inclui, “Junk”, “Warm And Beutiful”, “Maybe, I’m Amazed”, “Calico Skies”, “Golden Earth Girl”, “Somedays”, “She’s My Baby”, “The Lovely Linda”; e as inéditas “Haymakers” e “Midwife”. A suíte para piano, “A Leaf”, cresceu enormemente em versão orquestral de Jonathan Tunick e arranjo de John Fraser, com regência de Lawrence Foster. Ele também rege a LSO em “Tuesday” (composta para o filme homônimo de Geoff Dunbar) e “Spiral” com orquestrações de Richard Rodney Bennett e arranjos de John Fraser. A estreia ocorreu no Philharmonic Hall em Liverpool, em 16 de outubro de 1999. O título do disco, que saiu em novembro de 1999, faz um trocadilho com “working class” (classe trabalhadora), que remete às origens familiares das quais Paul se orgulha; e “classical” de “classical music”.

Yellow Submarine Songtrack...
Beatles_Yellow_Submarine_SongtrackEm 1999, trinta anos depois do lançamento original, o filme “Yellow Submarine” foi lançado em DVD, junto com uma nova versão de sua trilha. As alterações no disco são: a exclusão da trilha incidental composta por George Martin; e a inclusão de outras canções dos Beatles que aparecem no filme, mas não constava no disco; além de novo projeto gráfico.

O penúltimo dia de 1999, traria outro triste acontecimento. George Harrison que havia sido diagnosticado com um câncer na garganta (que ele colocou na conta dos anos de tabagismo) e realizou um tratamento, a princípio bem-sucedido, teve sua casa, Friar Park, invadida por um maníaco que o atacou com uma faca, e que entre vários ferimentos, teria perfurado seu pulmão direito. Foi sua esposa, Olivia, quem conseguiu deter o homem depois de acertá-lo com um abajur. George se recuperaria dos ferimentos sem maiores complicações.

A notícia que deixaria Paul feliz mesmo foi a chegada de seu primeiro neto, Arthur, filho de Stella, nascido em abril de 1999. – Robert Moura.


No próximo capítulo: Novo milênio, novo casamento, nova banda, novas turnês...
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ROBERT MOURA - É natural de Belo Horizonte. Bacharel em Música (UEMG) e Mestrando em Artes (UEMG). Professor na Alaúde Escola de Música. Tocou guitarra em bandas de Rock na capital mineira. Atualmente seu trabalho está focado no violão clássico e trilhas para teatro.

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