OKTOBERFEST RIO 2019 - 1º final de Semana: Cerveja, Nostalgia e Rock and Roll!

O primeiro final de semana da Oktoberfest Rio 2019 contou shows do Ira!, Humberto Gessinger Tico_Santa_Cruz_Detonautas_Oktoberfest_Rio_2019_foto_Cadu_Oliveirae Barão Vermelho na sexta, Paulinho Moska, Rodrigo Santos e Nando Reis, no sábado e Cláudio Zoli, Detonautas e Gabriel, O Pensador, no domingo. A Marina da Glória estava recheada de opções gastronômicas e, claro, um menu variado de rótulos de cervejas. A Rock Press marcou presença. Confira aqui essa experiência!

OKTOBERFEST RIO 2019 - 1º final de Semana: Cerveja, Nostalgia e Rock and Roll!
18, 19 e 20 de Outubro - Marina da Gloria - Rio de Janeiro
TEXTO: Cadu Oliveira
FOTOS: Lorena Brand e VER+ Fotografias

É curioso imaginar a história da Oktoberfest original nasceu há mais de 200 anos. A primeira edição da festa aconteceu em Munique, em 1810. Durante a comemoração do casamento do então Príncipe Ludwig, que depois se tornou Rei Luís I, da Baviera, com a Princesa Tereza, da Saxônia, aconteceu também uma corrida de cavalos. A união das festividades fez tanto sucesso que virou tradição, ganhando novas edições sempre em outubro. Mas, e a cerveja nisso?

Reza a lenda que a ceva era proibida durante os primeiros anos da festa. Só em 1918 a bebida virou marca do evento! E quem diria, cem anos depois, a comemoração chega a capital carioca, invadindo o calendário oficial da cidade.

“Minha primeira vez nesse festival, eu vim de última hora, e tô louco pra ver Humberto Gessinger, que eu não perco um show dele, e o Barão com Suricato, que eu acho sensacional. As pessoas têm que escutar mais, já que o Frejat saiu do Barão, (é bom) saber que tem um cara tão legal quanto o Frejat no Barão”, disse Luiz Felipe Carneiro, colecionador inveterado de discos e jornalista dono do canal Alta Fidelidade.

Abstrai o Witzel e foco no Ira!...

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Nisso, o Nasi já estava no palco junto ao guitarrista Edgar Scandurra, Evaristo Pádua (baixo e teclado) e Johnny Boy (batera). Abstrai o fato dessa festividade germânica ter Irá_FOTO_Marcus_Vini_VERMaisFotografiasido inaugurada pelo governador Witzel. Nasi transbordou amor. De forma carismática, desfilou seus hits que incluem as irresistíveis canções como “Flores em Você”, “Tarde Vazia” e “Envelheço na Cidade”.

“No Brasil de hoje o amor ainda é possível? Eu vou ser preso se perguntar isso?”, provocou Nasi antes de chamar a canção “Amor Impossível”, lançada em 1991, no álbum "Meninos da Rua Paulo". O show contou com cover de James Brown com versão de “Sex Machine” e “Feel Good”. Teve parte reggae na execução de “Eu Quero Sempre Mais”, lançada em 2010 com participação da Pitty. Depois de tantos percalços na história da banda, ver o Irá_FOTO_Marcus_Vini_VERMaisFotografiaIra! se apresentar e retirar coro na plateia é uma verdadeira lição de força e sobrevivência. Não há dúvidas, aqueles discos de vinil dos anos 1980 e clipes na MTV na década de 1990, lançados no século passado, germinaram canções imortais que resistem a tudo – até ao tempo.

Mito chamado Humberto...

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Descendente de alemães e multi-instrumentista, Humberto Gessinger é uma figura marcante do rock nacional. Nos idos de 1985, ele e mais três estudantes da Faculdade Humberto_Gessinger_FOTO_Marcus_Vini_VERMaisFotografiade Arquitetura da UFRGS, formaram a Engenheiros do Hawaii. Sem abandonar seus hits, embora se apresentando em carreira solo, Humberto começou o show com a implacável “Infinita Highway” (1987). O artista reveza entre cordas, gaita e aulas de vocalização. Apresentou a banda e emendou mais um clássico: “Até o Fim”, aquela que pode ser considerada a melô de quem viu o preço do estacionamento só quando já estava lá dentro: “Eu não vim até aqui, pra desistir agora”.

Bem à vontade e feliz no palco, o músico avisou: “O plano pra hoje é tocar músicas de toda minha carreira. E algumas muitas de uma banda chamada Engenheiros do Hawaii”, no que ao ouvir os aplausos ele continua. “Pelo visto não só eu que conheço aquela banda obscura da década de 80”, brinca, antes de chamar uma do álbum novo “Não Vejo a Hora”. A escolhida do novo trabalho foi “Calmo em Estocolmo”. E depois voltou no tempo para cantar outra do período solo, a contagiante Humberto_Gessinger_FOTO_Marcus_Vini_VERMaisFotografia“Bora”, do álbum Insular (2013).

No palco a formação é de um power trio abusado. Humberto chega a se arriscar com um instrumento duplo: misto de guitarra com baixo. O show teve versão de Legião Urbana, com uma execução bonita de “Índios”. E os músicos que o acompanham não deixam por menos. Durante a clássica “3x4”, Humberto apresenta o percussionista Rafael Bisonho que vai à frente do palco para quebrar tudo nos batuques do bombo leguero junto ao bandolim. “A gente soma junto ao repertório do Humberto um instrumento regional, é bacana que ele permite a gente fazer essa ponte”, disse Rafael à Rock Press, ele que é baterista do Gessinger desde 2013, no início da carreira solo.

O novo Barão...

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A banda dispensa apresentações. Mas a nova fase merece detalhe: Rodrigo Suricato atua como vocalista do Barão desde 2017. E no show na Oktoberfest eles anunciaram Barão_Vermelho_FOTO_Marcus_Vini_VERMaisFotografiaa boa nova de que vem álbum novo por aí. Mas não tem jeito, as canções que fazem o público vibrar e os olhos marejarem são as imortalizadas por Cazuza, Frejat e cia. Dentre os remanescentes da formação original, estão ainda o baterista Guto Goffi e o tecladista Maurício Barros.

Era já uma e dez da manhã quando o Barão Vermelho começou a sobrevoar as mentes já embriagadas do público locão, ops... local. A primeira do setlist? “Ponto Fraco”, porque ninguém resiste às lembranças daquele ariano maluco abusado. E é impossível não lembrar do Cazuza, ou comparar o novo vocal com os anteriores. Rodrigo cantou à vontade, bem entrosado com os músicos e emendou na sequência “Bete Balanço”, com a plateia cantando junto.Barão_Vermelho_FOTO_Marcus_Vini_VERMaisFotografia

Quando a apresentação virou a curva das músicas atuais foi natural uma esfriada. Mas a banda soube contornar fazendo uma introdução de solo guitarra pra chamar a poderosa “Eu Queria ter uma Bomba”. Em dado momento, Suricato diz: “Viva o Barão Vermelho de todos os tempos! Toca Raul”, e embalam “Tente Outra Vez”.

A sequência de hits é longa. Rodrigo dá espaço para Maurício Barros assumir os vocais, marcando a importância da trupe original, foram elas: “Cuidado”, de 2004; parceria do Barão com Bezerra da Silva, a explanada “Malandragem dá um Tempo”; e “Exagerado”, que não poderia faltar.

Dedicaram aos integrantes da Legião Urbana o cover de “Quando o sol bater na janela do seu quarto” e fizeram uma versão suingada de “Puro Êxtase” que levou os presentes à loucura. Já era três da manhã quando mais um clássico Barão_Vermelho_FOTO_Marcus_Vini_VERMaisFotografiado rock nacional começou a tocar: “O Tempo não Para”, oportunamente seguida de “Pro dia Nascer Feliz”, e nasceu.

Após o show do Barão, o tecladista e um dos idealizadores da banda falou com a Rock Press, deixando transparecer sua alegria: “Estamos felizes de estar de volta, né. Com Rodrigo Suricato nos vocais e guitarra, fazendo shows e compondo, lançando disco novo, o Viva! São composições nossas, só tem duas participações, da Letrux e do rapper BK. Estamos felizes de estarmos na estrada e mandando brasa”, disse, a caminho do camarim. Vale lembrar que entrevistamos o guitarrista Fernando Magalhães, que falou sobre esse novos momento da banda e sobre o disco novo. LEIA AQUI!

Detona, Tico...

Tico_Santa_Cruz_Detonautas_Oktoberfest_Rio_2019_foto_Cadu_OliveiraNo sábado, Paulinho Moska, Rodrigo Santos e Nando Reis subiram ao palco principal da OktoberFest Rio 2019, promovendo uma nova chuva de hits e durante todos os dias de festival, o mago das picapes DJ Marcelinho da Lua comandou no som mecânico. Já no domingo quem abriu os trabalhos foi Claudio Zoli. O cantor e compositor é respeitado por toda classe artística, pois representa uma geração influenciada diretamente por nomes como seu guru Cassiano e o eterno mestre Tim Maia. E a segunda atração da noite foi a banda carioca Detonautas!

“Eu já fui segurança do Gabriel, o Pensador, vocês sabiam disso? Ser amigo de alguém não é só elogiar. Pra mim é uma honra muito grande estar aqui tocando na mesma noite que o Gabriel”, disse Tico Santa Cruz, lembrando dos velhos tempos e reafirmando a amizade entre os artistas. Nem precisa dizer que o público fez segunda voz firmemente em clássicos como “Você me faz tão bem”, “Olhos Certos”, “Outro Lugar” e “Tempos Perdidos”, do Legião Urbana.
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Antes de chamar Pelé Mil Flow ao palco, Tico mais uma vez lembrar que “a única revolução verdadeira é a amor”, propondo um abraço aleatório a quem está por perto. Outra participação especial é a jovem Lellê, que sobe ao palco para cantar junto a versão de “Não é Sério”, do Charlie Brown Jr. com Negra Li.

O show teve direito a roda punk no meio daquela canção apaixonada que diz “ainda vou te levar pra outro lugar, além do céu do mar”, que encerrou a apresentação. No fim, uma multidão de gente vestida de com trajes típicos de cultura germânica cercou o camarim para tirar foto com o vocalista, que por mais de uma hora atendeu a todos, pacientemente. Uma das últimas da fila foi a Malu, de 5 anos, que tinha acabado de assistir o primeiro show de sua vida.

Pitada de Rap com o Pensador...

Quem vive no Rio sabe que qualquer ameaça de chuva apavora o entretenimento do carioca. Some a isso o show acontecer no mesmo dia que o Fla-Flu e mais, num domingo. Gabriel chegou ao palco às 22:10 pra uma Marina da Glória digamos... não muito cheia, Gabriel_Pensador_2_Oktoberfest_Rio_2019_foto_Cadu_Oliveiramas também longe de estar vazia. O Pensador fez o dever de casa, invadindo em tom político, tocando “To Feliz (Matei o Presidente)” junto com “Filha da Puta!”, deixando no ar aquela homenagem de leve ao atual governo.

Na sequência apresenta Jelsinho da Batera, lembrando os velhos tempos de parceria musical e futebolística. “A gente se reunia toda quarta lá na Colônia Juliano Moreira (Jacarepaguá) pra jogar bola. Jelsinho como jogador era um excelente baterista”, brinca Gabriel. Na hora que cantou “Cachimbo da Paz” a maresia subiu forte! E depois dessa, disse que vinha a calhar chamar o cover do Charlie Brown Jr. em “Zóio de Lula”.

O show foi marcado por participações especiais diversas. A primeira foi Amanda Coronha (FOTO) que cantou junto a Gabriel a romântica “Deixa Queimar”. Em sessão de improviso Pelé é novamente chamado ao palco e vence a batalha de rimas com uma que manda “Bolsonaro pra casa do caralho”, levando o público ao delírio. Outra artista convidada foi Camila Marieta, diretamente do Ceará. Juntamente a Claudio Mendez, na sanfona, fizeram uma versão empolgante de “Is This Love”, do Bob Marley.

Gabriel_Pensador_e_Amanda_Coronha_Oktoberfest_Rio_2019_foto_Cadu_Oliveira

Na despedida, Gabriel vai ao céu com a execução de “Astronauta” acompanhado pela dupla Amanda e Camila, soltando a voz. Na clássica “2345meia78”, mais uma participação, mas dessa vez inusitada. “A gente se conheceu hoje aqui, ela vai cantar com gente”, e apresentou a sorridente Tati. Prometendo mais rock, chamando duas guitarras, Gabriel deixou a saideira por conta da combativa “Até Quando”, de 2001.

Na plateia, era possível ver muita gente cantando as letras do início ao fim, sem pular nenhum verso. Assistir um show do Gabriel, o Pensador é mais uma vez mergulhar no sucesso de canções célebres, influenciadoras da geração que cresceu na última década do século passado e resiste, admirando seus ídolos.

A OktoberFest Rio 2019 promoveu esse passeio profundo ao território da nostalgia. E esse foi apenas o primeiro fim de semana. No próximo tem mais (Saiba como foi AQUI), com direito a Frejat, Fernanda Abreu, Léo Jaime, Leoni, Plebe Rude, Raimundos e CPM22. Enquanto MPB e rock BR ecoam na Marina, litros e litros de cerveja são consumidos, acompanhados de aperitivos. Parabéns à Peck Produções pela união certeira: boa comida, boa bebida, boas atrações. - Cadu Oliveira! 

PROGRAMAÇÃO:
OKTOBERFEST_RIO_2019
25 DE OUTUBRO
PALCO BRASIL:
 Frejat + Biquini Cavadão + Fernanda Abreu + DJ Marcelinho da Lua
PALCO ALEMANHA: BauernBand + Hausmuskanbten
 
26 DE OUTUBRO
PALCO BRASIL
: Blitz + Léo Jaime + Leoni + DJ Marcelinho da Lua
PALCO ALEMANHA: BauernJazz + Hausmuskanbten + BauernBand
 
27 DE OUTUBRO
PALCO BRASIL:
 Raimundos + Plebe Rude + CPM 22 + DJ Marcelinho da Lua
PALCO ALEMANHA: BauernJazz + Hausmuskanbten + BauernBand

Serviço:
LOCAL:
 Marina da Glória - Av. Infante Dom Henrique, S/N - Glória, RJ/RJ
DATAS e HORARIOS:
Sexta (18/10 e 25/10):
 das 18h às 04h
Sábado (19/10 e 26/10): das 15h às 04h
Domingo (20/10 e 27/10): das 13h às 24h
INGRESSOS: https://bit.ly/2IPwhXF
CLASSIFICAÇÃO: Livre. Menores apenas acompanhados dos pais ou responsáveis legais.
Proibida a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos.

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