OKTOBERFEST 2019 - Domingo Rock com: CPM22, Raimundos e Plebe Rude!

A Oktoberfest Rio 2019 carimbou em alto estilo sua presença no calendário carioca. NoRaimundos_Digão_solo_OktoberFest_Rio_2019_foto_Cadu_Oliveira segundo final de semana, o evento teve Frejat, Biquíni Cavadão, Fernanda Abreu, Blitz, Léo Jaime, Leoni e, pra fechar: Plebe Rude, CPM22 e Raimundos! A Rock Press esteve na Marina da Glória para conferir a cerveja pingando para todo lado a cada roda punk. O som ecoava na Baía de Guanabara e coroando o mês de outubro como na cultura alemã: música, gente boa e fartas doses de alegria líquida.

OKTOBERFEST 2019 - Domingo Rock com: CPM22, Raimundos e Plebe Rude!

Marina da Glória – Rio de Janeiro/RJ
25, 26 e 27 de Outubro
TEXTO e FOTOS: Cadu Oliveira

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Para quem não foi a nenhum dia, deixa-me explicar como ficou a geografia da Marina da Glória para receber a Oktoberfest Rio 2019. Ao entrar, é possível caminhar até o palco principal que está logo ao lado ou desbravar o salão de cultura germânica, que contém muitas opções de gastronomia típica, stands de cervejas e o espaço de música alemã – com bandas e dançarinos caracterizados. Com bares por toda parte, a organização conseguiu evitar o problema das filas. Nesse clima, a Peck Produções botou grandes nomes do rock nacional para se apresentar em três noites.

Depois de um primeiro final de semana de shows (LEIA AQUI!), o Oktoberfest Rio retornou na sexta (25), o line-up contou com Frejat, Biquíni Cavadão e Fernanda Abreu – que festa, não? No dia seguinte, sábado (26), passaram por lá a Blitz e os consagrados: Leo Jaime e Leoni e durante todo o evento, DJ Marcelinho da Lua comandou as pickups. No domingo (27), a Rock Press enviou repórter para pegar jacaré nas ondas do Rock and Roll brasileiro que explodiu na mídia na década de 90. Estamos falando de CPM22 e Raimundos. E a última do festival: Plebe Rude, com hinos de resistência e sagacidade que nasceram ainda nos anos 1980, mas seguem surpreendentemente atuais.

Geralmente os agradecimentos vão no fim, mas vale a pena quebrar o protocolo para agradecer toda a equipe de produção: da portaria, credenciamento, passando pela segurança e indo até o cuidado de camarins e palco. “Foi maravilhoso. Só de ter reunido essa galera toda aqui, foi demais né, os seis dias. Isso pra mim já valeu, mais a diversão que rolou. Todo mundo curtiu. Não teve um incidente, uma reclamação. Foi lindo”, disse Péricles Mecenas, diretor da Peck Produções. E foi mesmo!

CPM22_Oktoberfest_Rio_foto_Cadu_OliveiraCPM22 - É bonito de ver uma formação tocando junta e quebrando tudo há tanto tempo. O motivo disso acontecer talvez possa ser explicado pelo clima de entrosamento e amizade entre os integrantes, nítidos tanto no palco quanto nas rodas de conversa. O CPM22 nasceu em 1995 e segue entoando hinos imortais de uma juventude fã de hardcore e skate rock.

O vocalista Badauí entrou no palco por volta das 16h20. Acompanhado por Japinha na batera, Luciano e Phill nas guitarras e Fernando no baixo. A primeira foi “O Mundo dá Voltas”, e quem sempre salvava, um dia é salvo gloriosamente. Sem intervalo, emendam “Combustível”, “Dias Atrás” e “Sonhos e Planos”, para então o vocalista dizer: “Obrigado por terem chegado cedo. Mas também, né? Dia lindo, festa CPM22_Oktoberfest_Rio_foto_Cadu_Oliveirade cerveja! Que visual...”, contempla Badauí de cima do palco com vista para a lagoa. Um entardecer agradável fez cenário ao show, com direito a boeings curiosos sobrevoando perto, decorando o céu sem nuvens.

Não tem como evitar, a lista de hits é longa. A plateia não só chegou cedo como esteve a todo vapor. Como não seria assim ao som de “Não sei viver sem ter você”, “Desconfio”, “Regina Let’s Go” e tantas outras. “Do disco Suor e Sacrifício, uma das que eu mais gosto”, disse Badauí antes de lançar “Pagar pra ver”, também acompanhada em coro pelo povo da grade.
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O show é um acontecimento único do mundo da arte. As vezes faz rir, outras chorar. Já na parte final do set, Badauí homenageia quem perdeu algum ente querido. “Essa é uma música em homenagem ao meu pai. O que eu mais sinto falta é disso, um domingo à tarde com ele”, disse antes de cantar “Honrar teu Nome” e derramar lágrima e acalanto nos corações machucados pelo luto.

Na sequência, veio “Atordoado” e enquanto a galera gritava “Uh, CPM”, o vocalista protestou. “Essa energia aqui ninguém tira de nós. É por isso eu me sinto vivo. Foda-se esses arrombados”, lançou Badauí, se referindo aos nomes que estão no poder. Depois da pausa final, voltaram arrebatando suspiros dos pulmões apaixonados com “Um Minuto para o fim do Mundo”. No fim do show os membros da banda falaram com fãs que se espremeram no alambrado lateral para pedir uma selfie. É que os caras são gente fina até a última ponta, além de darem a alma no palco. Viva o CPM!

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Raimundos - Festival geralmente preza pela pontualidade. Na Oktorberfest Rio 2019 não houve grandes problemas com esse quesito. Raimundos, cotado para entrar às 19h, começou a cantar um minuto antes. Festa germânica, pontualidade britânica e rock safado com mistura de baião e Brasília. E pra provar que o negócio é pinga fogo, a primeira foi “Puteiro em João Pessoa”.Raimundos_OktoberFEst_Rio_2019_foto_Cadu_Oliveira

Logo na segunda, Digão já estava convocando bagunça: “Quero ver uma roda! Cuida das crianças e das mina”, e vem “Palhas do Coqueiro”. Opa, “puteiro” e “palhas”, alguém conhece essa ordem? É a do disco de estreia. A certa altura Digão revelou o segredo, o setlist estava especial para quem curte acompanhar os sons na ordem. Como era na boa e eterna época do vinil. Valorizando essa cultura, nem ligaram que, momentos antes de subir ao palco, assinar a capa do álbum que tocariam inteiro mais tarde. Valeu Digão, Fred e Canisso!

Na segunda metade do show os hits foram, em sua maior parte, clássicos consagrados no álbum Lavô Tá Novo. Raimundos é certeza de show bom. Foi assim no Circo Voador, no João Rock, no Rock in Rio, foi assim no Oktoberfest e assim será toda vez que esses malucos subirem no palco. Também, a lista de músicas que são verdadeiros hinos de contracultura é muito extensa. “Eu quero ver o Oco” faz os fãs mais alucinados cantarem inteira com veias explodindo no pescoço. Para cantar “Mulher de Fases” a banda de Brasília convidou os camaradas Badauí e Japinha.
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“Alguns não estão sabendo... estamos comemorando 25 anos dessa banda. Um casamento de 25 anos sem sexo? Aliás, nosso sexo é isso aqui que vocês tão vendo”, brinca Digão ao microfone e se referindo ao lançamento do primeiro disco, já que a banda iniciou ainda nos anos 1980, enquanto revezou entre pedestal, guitarra e palinha em percussões, tipo pitada de triangulo e até um solo de tambor no fim.

O expectador atento deve ter notado a particularidade interessante no palco: duas baterias. “Queria agradecer esse cara que tá com a gente desde o começo, que a alma dele nunca saiu do Raimundos: Fred Raimundo (bateria). Na segunda batera, o nosso irmão que veio pra ficar: Mister Caio Raimundo! Eles têm uma coisa em comum: Os dois bebem pra caralho!”, entregou Digão.

“Essa próxima música eu vou dedicar ao Rio de Janeiro, que foi na Rádio Fluminense que estourou, depois virou Rádio Cidade. É história do Rock! Vamo girar as camisetas”, conclamou Digão antes de disparar “Tora Tora”. Teve uma hora que a plateia – talvez já ébria – ao invés de gritar “ei Bolsonaro”, gritou “ei Rodolfo, vai tomar no cu”, se referindo ao ex-vocalista, que ouviu o chamado de Deus e se tornou evangélico. Eu que não debato com o divino, cada um que seja feliz em seu próprio caminho. Obrigado, senhor, por ter conservado as peças que ainda fazem a engrenagem dessa banda tocar à beça e botar casas de show de norte a sul pra pirar ao som dos Raimundos.

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Plebe Rude - A resistência para permanecer no festival até o último show separou os homens dos meninos. Tudo bem que já tinha valido o ingresso ver Raimundos e CPM22. Mas acontece que para quem gosta, também valia pagar o valor da entrada para ver só a Plebe Rude. A banda nasceu no começo dos anos 80 e representa a efervescência do movimento punk de Brasília. Um núcleo de onde emergiram bandas como Aborto Elétrico, Capital Inicial e Legião Urbana. Dentre as que sumiram do Plebe_Rude_geral_OktoberFest_Rio_2019_Foto_Cadu_Oliveiramapa ou que seguem escrevendo história no underground, a Plebe segue Rude. No bom sentido da palavra, posto que visceral, provocativa e empolgante!

Para começar, aquela clássica de refrão combativo que diz “Rachou, o concreto já rachou”, logo na canção intitulada “Brasília”. Músicas de 1985, vivas, como novas. E “Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)”, diversão que a plateia que ficou conhecia bem e cantava junto. A formação atual tem o vocalista Phillippe Seabra, que também assume as cordas revezando entre guitarra e violão; Clemente Nascimento, da banda punk paulista Inocentes, com voz e guitarra; André X no baixo e Marcelo Capucci entre os pratos, caixa e bumbo.

Antes de emplacar “A Ida”, uma daquelas que você só sabe a letra porque ouviu o disco à beça, Philippe brinca: “Hoje perguntaram no elevador se eu era roadie do CPM! Só pra avisar... não, não sou”, disse provocando risos gerais. Seabra também reconheceu e foi grato pela história: “Queria agradecer à Rádio Cidade, toda garra que vem desde a Rádio Fluminense, né, Zé Roberto? Essa vai para o Zé Roberto”, dedicou, antes de puxar “Beds are Burning” do Midnight Oil e depois confirmou: “Obrigado Zé por tudo que você fez pelo rock nacional”. Todo esse carinho, se deve ao fato da importância do Zé Roberto, que também atende por DJ José Roberto Mahr que lá na primeira metade dos anos 1980, discoteava nos espaços de rock pelo pais, uma série de bandas novas do Brasil e do Mundo, gente tipo , U2, The Cure, Smiths, entre outras que foram tocadas em muitos caso pela primeira vez no Brasil. Ou, através do programa Novas Tendências, que inicialmente era transmitido pela Rádio Estácio FM e depois migrou para a Maldita (N. do A. inclusive, o nosso editor Michael Meneses, escutava o programa em Aracaju/SE em meados dos anos 1980, já que o mesmo era transmitido via satélite para rádios de todo o Brasil).

Quem chegou e não quis perder a Plebe foi Bi Ribeiro, que viuPlebe_Rude_2_OktoberFest_Rio_2019_Foto_Cadu_Oliveira perplexo o ato de coragem de Seabra ao descer do palco e correr pelo meio do público, para cantar “Proteção” digamos, desprotegido das grades e seguranças. Claro que a galera aglomerou ao seu redor e nem sei como o vocalista saiu de lá. Quer dizer, sei. Saiu com a certeza de que quem ficou até a última apresentação foi embora com uma impressão impactante e inesquecível da Plebe Rude.

A última do repertório foi a inesgotável e certeira “Até Quando?”. Como que sabendo de sua despedida, muita gente se jogou na última roda punk do festival sem se importar com ocasionais banhos de cerva. No fim, olhos marejados de tantas saideras e bocas bocejantes de uma quase segunda ainda gritavam: “Olê, olê... Plebe, Plebê”.

A Oktoberfest chegou ao fim. Se alguém exagerou nos chopes, a ressaca dura um dia. Mas quem se divertiu nesses shows, terá boas recordações para sempre. Esse é o poder da arte, ministrado pelo rock e marinado na cerveja. – Cadu Oliveira! 

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