O Rei Está Morto, Vida Longa Ao Rei... Morrissey no Rio!!!

Pois é... e não é que sextou!? E sextou, com ninguém menos que Morrissey, e foi namorrissey_fernandoschlaepfer_4 Fundição Progresso numa noite de muita admiração e carinho. Fãs novos e antigos se apresentaram em peso para prestigiar o ídolo, e receber de volta todo o seu amor, respeito, e muita música, num show que cobriu quase toda a sua carreira. Hail To The King!!!

O Rei Está Morto, Vida Longa Ao Rei... Morrissey no Rio!!!
Fundição Progresso/RJ – 30/11/2018
TEXTO: Alexandre Beckão
FOTOS:
Fernando Schlaepfer / I Hate Flash, Bruna Prudêncio e Carolina Helena.

Morrissey_Fundição_ProgressoRJ_Brazil_30_11_2018_FOTO_PEDRO_AMARAL

Voando baixo em meus pensamentos, fiquei tentando achar na minha degenerada e cada vez mais capenga memória, onde e como foi a primeira vez que o som dele chegou até mim. E pra minha própria surpresa, não foi tão difícil lembrar. Num tempo em que Youtube e Live Streaming pareciam sonhos dos livros de ficção de Phillip K. Dick, a amizade era a mais forte conexão que te fazia aprender. E minha primeira grande amizade, e que dura até hoje (tenho muito orgulho em dizer isso!), se chama Paulo Henrique, “Sabugo” pra quem é de casa. Nesse tempo distante, e hoje quase idílico do começo dos anos 80, compartilhar era algo que tinha realmente um grande valor. Ninguém compartilhava seus discos com ninguém, a menos que você fosse “Amigo”, e por conta dessa amizade conheci o Smiths. Na última sexta 30/11, tudo isso me veio a cabeça enquanto rumava pra Fundição com a tarefa (desta vez solitária!) de ver o show do Morrissey, e na humildade trazê-lo até vocês. Pra variar, São Pedro que anda meio carrancudo, ofertou uma noite de sexta cinzenta e muito abafada, naquele estilo sauna. Por conta dos rigorosos horários do evento, que foram seguidos a risca, a agitação na entrada começou bem mais cedo que de costume. Nos poucos minutos em que fiquei na entrada, pude ver a chegada de ilustres e distintos convidados (e meus ídolos!), como o mestre José Roberto Marh, o grande Tom Leão, e o Lendário DJ Edinho, entre outros personagens não menos queridos e/ou importantes. Só por essas presenças a noite já prometia muito. Valeu!!! Assim sendo vamos ao show...

MORRISSEY: Num conceito que para nós cariocas é muito estranho, os horários impostos pela produção foram rigorosamente cumpridos. Morrissey_Fundição_ProgressoRJ_Brazil_30_11_2018_FOTO_PEDRO_AMARALAssim sendo, exatamente às 21h30min iniciou-se a exibição de um vídeo montagem projetada no telão erguido a frente do palco. Essa montagem tinha trechos de vídeos, shows, programas de TV e filmes, reproduzidos de forma aparentemente aleatória, e que durante 30 minutos conseguiram tirar em alguns momentos aplausos da plateia. Foi de Ramones aos dançarinos do programa de TV dos anos 70 Soul Train, foi de Patti Smith até a magnífica Edith Piaf, de musicais de filmes a humoristas transgênero, num grande caleidoscópio de imagens e sons que entretiveram o público até a entrada da atração principal.

Após uma rápida remoção do telão, exatamente às 22h05min, Morrissey acompanhado de Boz Boorer (Guitarra/Clarinete), Jesse Tobias (Guitarra), Matt Walker (Bateria), Gustavo Manzur (Teclados/Percussão) e Mando Lopez (Baixo), lançaram no ar os acordes de “William, It Was Really Nothing” do disco de estreia do The Smiths (1984), fazendo daquele o primeiro grito de alegria de muitos, que viriam ao longo do show. A banda estava toda uniformizada de camisetas e boinas pretas, já o palco, foi decorado por várias molduras de escudos, assim como os bumbos da bateria, luzes neon seguiam a iluminação. Durante o show, o telão mostrou montagens de imagens e vídeos a cada nova música, dando um efeito muito harmônico e sóbrio, sem excessos.

Na sequência, atacaram com “Alma Matters” do álbum Maladjusted (1997), das suas canções solo é uma das minhas preferidas (leiam a letra!); “I Wish You Lonely” foi a primeira do recente Low In High School (2017), e foi cantada com muita intensidade; Mais uma do Smiths, “Is It Really So Strange?” (Lado-B, Single 12” de 1987), que fez a galera cantar e vibrar. Em quase todo intervalo, Morrissey se dirigia ao público, hora arriscando de leve um Espãnglish/hora falando em inglês, o quanto estava feliz em estar novamente no Rio. “Hairdresser On Fire” (Lado-B, Single 12” de 1988), foi muito bem recebida, assim como a romântica “Sunny” (Lado-A, Single de 1995) com todo o seu lamento; Mas quando os acordes de “How Soon Is Now?” (Lado-B, Single 12” de 1984) começam a tremular na pista a coisa incendiou, novos e velhos fãs não se contiveram e acompanharam em uníssono até o final, numa comunhão que só cabe aos grandes artistas e seu público. Ao final da canção, Morrissey e banda estão tão extasiados quanto o público diante de si, de onde ecoavam muitas palmas (foi bonito!); Mais um cover, e dessa vez foi “Back On The Chain Gang” do The Pretenders (Lado-A, Single de 2018) lançada oficialmente háMorrissey_Fundição_ProgressoRJ_Brazil_30_11_2018_FOTO_PEDRO_AMARAL menos de um mês, e que manteve a vibração do público lá em cima.

A faixa “The Bullfighter Dies” do álbum World Peace Is None Of Your Business (2014), trouxe fortes imagens da tourada espanhola com toda a sua selvageria e violência, era Morrissey lembrando aos seus fãs que seu engajamento na causa dos animais é bem real. “If You Don't Like Me, Don't Look At Me” (Lado-B, Single de 2006) trouxe de novo o lírico Morrissey ao microfone, e a galera ali cantando juntinho. 

Depois veio, “Munich Air Disaster 1958” (Lado-B, Single de 2004), homenagem ao time do Manchester United que sofreu um trágico acidente aéreo; “Dial-a-Cliché” é a primeira do Viva Hate (1988), assim como “Jack The Ripper” do álbum Beethoven Was Deaf (1993). Mais uma confessional, “Hold On To Your Friends” sucesso do disco Vauxhall And I (1994). Com “Break Up The Family”, outra do Viva Hate, ficou fácil perceber o quão feliz e descontraído estava Morrissey, que interagia constantemente com seu público. “Spent The Day In Bed” é mais uma do Low In High School, e é bem recebida. Do disco Ringleader Of The Tormentors (2006), vem a sofrida “Life Is A Pigsty” muito aplaudida. “Something Is Squeezing My Skull” do álbum Years Of Refusal (2009), levantou de novo a galera que vibrava com o som das guitarras de Boorer e Tobias, it's Rock'n'Roll, Baby. Em seguida, mais uma do último álbum “Jacky's Only Happy When She's Up On The Stage”, que terminou com Morrissey rasgando sua camiseta em êxtase para oferecê-la a plateia, que aplaudia em igual êxtase.

Na volta para o bis, agradecimentos e gritos, que levaram Boz Boorer ao microfone para agradecer a todos os presentes em nome da banda. E em meio a essa comoção, eles atacaram com a clássica (e muito esperada!) “Everyday Is Like Sunday”, nem parecia que era uma canção sobre a melancolia, foi cantada a plenos pulmões por todos e levemente estendida para uma maior satisfação dos presentes (ponto alto do show!). Na sequência, o encerramento com “First Of The Gang To Die” do disco You Are The Quarry (2004), que também foi acompanhada do início ao fim por toda Morrissey_Fundição_ProgressoRJ_Brazil_30_11_2018_IngressoFundição Progresso, que ao final explodiu em uma ovação por longos minutos de aplausos. E assim, com a exata duração de 1 hora e 30 minutos terminou o show.

Com toda certeza ficaram várias músicas de fora, como: “Suedhead”, “Alsatian Cousin”, “You're Gonna Need Someone On Your Side”, “Interesting Drug”, “Ouija Board, Ouija Board”, “The Last Of The Famous International Playboys”, “November Spawned A Monster”, só pra citar algumas. Mas venhamos e convenhamos, se rolasse tudo, ele não seria quem é e nós não estaríamos querendo mais. Por tudo isso, eu digo... Obrigado Mr. Morrissey, por uma noite pra se guardar no coração!!! Hail To The King!!! - Alexandre Beckão!!!


Alexandre Beckão é: Carioca, Aquariano, fã de Morrissey, e devotado de forma irreversível à Música. Paz & Música!!! Namastê!!! 

Postado por Michael Meneses terça-feira, 4 de dezembro de 2018 23:24:00 Categories: Destaque DJ Edinho DJ José Roberto Mahr Edith Piaf Fundição Progresso Lapa/RJ Morrissey Patti Smith POP Ramones The Pretenders The Smiths Tom Leão
Portal Rock Press