O FAROL: A genialidade bizarra e perturbadora de Robert Eggers!

O diretor de A Bruxa retorna com “O Farol”, um filme que parece misturar elementos de Lars Von Trier com Alfred O_Farol_com_Willem_Defoe_e_Robert Pattinson_FOTO_DivulgaçãoHitchcock, que o consolida como um cineasta fora do lugar comum e cada vez mais se fixa como um grande nome do terror/suspense psicológico. O longa estreia no Brasil na próxima quinta-feira (02/01), com distribuição da Vitrine Filmes.

O FAROL: A genialidade bizarra e perturbadora de Robert Eggers!

TEXTO: Nilvio Pessanha
FOTOS: Divulgação

O_Farol_Banner

Em fevereiro de 2016 (e em março, no Brasil), foi lançado nos cinemas A Bruxa. Era o filme de estreia de Robert Eggers, diretor que chegou com o pé na porta, fazendo barulho. As críticas, no geral, foram muito positivas para aquele terror diferente, autoral, sem os frequentes jump squares que encontramos aos montes nos diversos filmes de terror que chegam aos cinemas. A Bruxa usava de um terror psicológico e do horror contido em situações que podem ser reais, como o fanatismo religioso do pai da protagonista. Em suma, é um filme que mesmo quem não gosta, não tira da cabeça por um tempo. 

Parece que Eggers potencializou elementos contidos em seu primeiro filme e acrescentou outros para nos entregar mais uma obra que é impossível de ser indiferente a ela, é impossível não ficar pensando nela por algum tempo, após os créditos. O Farol se passa no início do século XX e segue dois homens responsáveis por manter um farol, Thomas Wake (Willem Defoe de "Platoon", "A Culpa é das Estrelas", e o Duende Verde de "Homem Aranha" entre outros), o chefe, e Ephraim Winslow (Robert Pattinson da saga "Crepúsculo"), seu ajudante contratado. Thomas passa diversas tarefas exaustantes para seu ajudante e o impede de ter acesso ao farol. Logo a tensão entre os dois devido ao isolamento e ao temperamento de ambos vai crescendo.

Toda a trama se passa na ilha em que se encontra o farol, o que passa para o expectador uma sensação de isolamento similar à que os personagens estão sentindo. Claro que essa sensação também é construída através de toda uma atmosfera de tensão psicológica que se instala desde o início do filme e vai crescendo. Essa atmosfera é construída por meio da combinação de vários elementos. O roteiro, que é escrito pelo próprio diretor e pelo seu irmão Max Eggers e é um desses elementos. A história é muito bem desenvolvida, assim como os diálogos, mostrando essa crescente tensão até descambar num flerte total com a insanidade. Outro ponto acertado da trama é tecer e deixar no ar de forma competente a dúvida do que é real ou não. Traçando links entre o isolamento e a insanidade. Monstros? Sereias? A monstruosidade em nós mesmos? O que seria real ou imaginário naquela ilha?

O_Farol_com_Willem_Defoe_e_Robert Pattinson_FOTO_Divulgação

O_Farol_com_Willem_DafoeO roteiro, contudo, não atingiria êxito se o filme não contasse com dois atores em performances exuberantes. O longa depende bastante da atuação dos dois que não decepcionam nem um pouco, pelo contrário. Willem Defoe (foto) tem uma atuação memorável e merece muito ser indicado ao Oscar de melhor ator. Seu trabalho como o chefe do farol, ora mandão e rabugento, ora bêbado e beirando a loucura é estupendo. E Robert Pattinson (Foto abaixo) Robert_Pattinson_O_Farol_FOTO_Divulgaçãoque já há alguns trabalhos que vem provando que “Crepúsculo” é coisa do passado, e sua entrega aqui a Ephraim Winslow é digna de elogios efusivos. A trajetória que ele traça do personagem, o desenvolvimento dele até atingir uma obsessão por ver o farol, o qual lhe é proibido por seu chefe, é fascinante. Relação entre os dois personagens é bem tensa, complexa e conflituosa.

O apuro técnico também é outro ponto a se destacar. Eggers filmou com lentes de 35 mm, com um formato próximo de uma tela quadrada, usando uma fotografia em preto e branco, criando uma textura que lembra um filme antigo, e a resolução da fotografia é ótima. O trabalho do diretor de fotografia Jarin Blaschke é espetacular. O jogo de luz e sombra aqui é importante e praticamente impecável. Os enquadramentos são outro ponto que ajudam a construir todo o tom do insano, do perturbador. Juntamente com um competentíssimo de edição e montagem.

O som também é outro elemento fundamental. Mark Korven constrói a trilha através de sons ambientes, o som do farol, o som do mar, o som dos pássaros, tudo vira elemento para a construção desse universo de isolamento claustrofóbico. Canção só temos a que acompanha os créditos que é “Doodle let me go” (Yaller Girls), interpretada pelo cantor folclorista britânico A.L. Lloyd, inclusive a mesma canção é cantada no filme pelos personagens numa bebedeira.

O roteiro, as atuações, a fotografia, o som, tudo isso debaixo do guarda-chuva da genial direção de Robert Eggers nos entrega uma película que beira o impecável. Uma obra que pode até não agradar os fãs do terror tradicional (até porque esse filme não tem nada de tradicional), mas com certeza levará um tempo para ser esquecida. Um longa que mistura filme de isolamento, com terror psicológico, elementos escatológicos, até elementos mitológicos, entre outras simbologias e referências, e ainda assim ser uma obra coesa e muito competente, só pode ser memorável.

O dedo Brazuka em O Farol

Repetindo a parceria já realizada em “A Bruxa”, Robert Eggers tem seu novo filme produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, O mesmo produtor de “A Vida Invisível”. O brasileiro também faz parte da equipe de produção de um filme apontado por muitos como postulante a indicações ao Oscar, Ad Astra.

A recente e já elogiosa e premiada carreira de Robert Eggers

O Diretor Robert Eggers estreou com “A Bruxa”, que estreou no Festival de Sundance (2015), onde venceu um prêmio de direção e foi lançado em circuito em 2016. Ainda foi exibido em outros festivais importantes como o de Toronto. Embora tenha sido muito bem recebido pela crítica, não teve o merecido sucesso de público. O reconhecimento dos críticos continua em O Farol, que vem conquistando prêmios. Vencedor do Prêmio FIPRECI no Festival de Cannes, ganhou o Prêmio do Júri no Deauville Film Festival 2019 e recebeu cinco indicações ao Film Independent Spirit Awards: Diretor, Ator (Pattinson), Ator Coadjuvante (Dafoe), Fotografia e Montagem. A cerimônia de premiação, que celebra o cinema independente, será realizada no dia 8 de fevereiro de 2020. 

O Farol chega às salas de cinemas do Brasil na próxima quinta-feira (2/1), sendo este, uma das primeiras gratas estreias de 2020. Um filmaço e logicamente, #Recomendamos! - Nilvio Pessanha*.

ASSISTA AO TRAILER: https://bit.ly/2tgtHVS

O_Farol_CartazFicha Técnica
Título Original: The Lighthouse
Ano: 2019
Direção: Robert Eggers
Elenco: Willem Dafoe, Robert Pattinson e Valeriia Karaman
Roteiro: Robert Eggers e Max Eggers
Diretor de Fotografia: Jarin Baschke
Montadora: Louise Ford
Trilha Sonora: Mark Roven
Produtor: Rodrigo Teixeira
Estreia no Brasil: 2 de Janeiro de 2020 .
Duração: 110 minutos
Gênero: Suspense/Drama/Fantasia/Terror
Distribuição: Vitrine Filmes.

 

Nilvio Pessanha*, é vascaíno, pai do Francisco (um menino de 9 anos muito bonito), professor de língua portuguesa e literatura no município e do estado do Rio de Janeiro, morador de Campo Grande na zona oeste carioca e agitador cultural no subúrbio e podcaster em Trincheiras da Esbórnia (OUÇA AQUI!).

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