O estilo retrô dos anos 1960 nas capas de disco

Rock Press – Arte! É o espaço destinado ao dialogo no mundo das artes-visuais no Portal Rock Press. Navegaremos por Alfons Mucha 1896 Biscuits Lefèvre Utileaquarelas que nos dê pauta para pintar o sete e motivos para molhar o pincel! Nessa edição da coluna, Robson Granado assina um artigo sobre a influencia da Art Nouveaux na estética das capas de discos nos anos 1960.

O estilo retrô dos anos 1960 nas capas de disco
Robson Granado - (artista plástico, jornalista e professor)

Os anos 1960 são marcados, na música, pela rebeldia, pela busca de uma nova expressividade, pelo desejo de liberdade, de paz e de amor. As tradições tinham que ser rompidas, um novo conteúdo, embalado em uma nova sonoridade, precisava ser oferecido à juventude que ansiava por uma sociedade transformada. 
A distinção física entre homens e mulheres ficou menos nítida. Os homens passaram a usar longas cabeleiras e a vestir roupas bastante coloridas. As mulheres adotaram as calças jeans e um visual à vontade.

A tecnologia na música não foi rejeitada. Guitarras, sintetizadores e possantes caixas de som aumentaram enormemente o alcance da música em grandes espaços ao ar livre. Foi a época dos grandes festivais que fizeram a cabeça da juventude. A indústria fonográfica tinha um produto novo, com enorme potencial de comercialização entre os jovens em todo o Ocidente. Como embrulhar essa novidade?

As capas de disco tinham que criar a expectativa quanto ao que havia dentro e os artistas e designers deram conta do recado. As capas dos discos dos anos 60, especialmente dos artistas jovens, tinham uma linguagem visual diferente. Uma entre as soluções gráficas adotadas pelos artistas foi muito empregada, a readaptação de um estilo de design da virada do século XIX para o XX, o Art Nouveaux, especialmente o francês. O Art Nouveaux empregava a linha sinuosa inspirada nos galhos das plantas trepadeiras. Todo o conjunto era envolvido por este movimento curvilíneo elegante. Até as palavras escritas tinham fontes especialmente desenhadas segundo o estilo. E é exatamente essa solução que vemos nas capas de vários discos da época, de Caetano Veloso a Jimi Hendrix. As duas capas reproduzidas aqui, a do álbum “Are You Experienced”, de Jimi Hendrix, e a do álbum Caetano Veloso são de discos que marcaram a carreira dos dois músicos.

 

Jimi Hendrix CAPA Are you experiencedO álbum de Hendrix foi produzido na Inglaterra em cinco meses e lançado em 12 de maio de 1967. O sucesso imediato do disco no Reino Unido levou a gravadora americana Reprise a lançar o álbum nos Estados Unidos em agosto do mesmo ano. O disco apresentou músicas que se tornaram clássicos do rock, “Purple Haze”, “Hey Joe” e “Foxy Lady”. A arte da capa do álbum lançado pela Reprise Records mostra o afastamento da estética modernista centrada na racionalidade, na contenção de formas e cores, na produção industrial e adota um estilo vibrante, cheio de contrastes, valorizando a produção artesanal visível no desenho único das letras, revivendo a prática das colagens ao unir desenho, pintura e fotografia. A capa está em sintonia com as aspirações do Movimento Hippie em plena ascensão naquele momento.

 

Caetano Veloso CapaNo Brasil, em 1968, a juventude também estava exposta e vibrava com as novidades musicais. Este foi um ano que ficou marcado no país pelo aumento da repressão pela ditadura militar instalada. Foi o ano do Ato Institucional número 5, que deu poderes absolutos ao regime. Se alguns jovens vibravam com o Rock, outros se curvavam com as pancadas dos torturadores em seus corpos. Mas também nos Estados Unidos muitos jovens sofriam com o recrutamento para a guerra no Vietnã. Foi uma época de conflitos. Nesse ano de 1968 Caetano Veloso lançou o álbum que leva seu nome e no álbum havia mais uma polêmica, a presença de guitarra elétrica na música "Alegria, Alegria". A novidade chocou os puristas da MPB da época. A capa, obra de Rogério Duarte, artista plástico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor universitário, segue a mesma estética da capa do álbum de Jimi Hendrix lançado no ano anterior. A mesma motivação tomou os designers dos dois álbuns.

A escolha do Art Nouveaux como estética de adoção para essas capas reflete uma identificação com processos criativos que valorizavam a espontaneidade, a fluidez e a sensualidade das linhas sinuosas. Marcava a desilusão com as promessas frustradas de uma sociedade melhor proposta pelo Modernismo em sua associação com a produção e com a sociedade industrial. - Robson Granado*

 

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Postado por Michael Meneses quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018 16:59:00 Categories: Art Nouveaux Artes Artes Plásticas Caetano Veloso estética Jimi Hendrix Movimento Hippie Psicodelia Reprise Records Rock Rogério Duarte