Nirvana - Hollywood Rock - 1993

O Show "Apoteótico" do Ame ou Odeie Nirvana

Um dos muitos DVDs Botelegs que circulam por ai..

Em Shows que Marcaram Época iremos contar como foram alguns dos shows históricos que assistimos ou que convidados tiveram a chance de vivenciar!  

NIRVANA IN BRASIL JANEIRO DE 1993
Por: Michael Meneses

No momento em que o Museu Histórico Nacional do RJ recebe uma exposição com raridades que conta a historia do Nirvana, o Portal Rock Press relembra os shows da banda pelo Brasil em Janeiro de 1993 durante o Hollywood Rock Festival. Na época o Nirvana era a banda do momento e pode-se dizer que a história deles no Brasil se divide no “Antes e Depois ao Hollywood Rock”. Contudo independente de qualquer coisa, as apresentações no Morumbi/SP e na Praça da Apoteose/RJ ficaram na história cultural do Brasil.

O Brasil atingido pelo Nirvana

Jovens que hoje acompanham música e cultura pop com tudo é fácil na internet nunca vão saber o quanto era complexo ser antenado com as novidades do entretenimento mundial em terras tupiniquins naqueles tempos, onde tudo era difícil, mas certamente toda conquista era uma grande vitória. No inicio dos 1990 o país vivia uma verdadeira crise econômica e por conta do alto preço do dólar, ir a shows não era fácil, até porque naqueles tempos nem toda turnê vinha ao Brasil. Porem o ano de 1992 foi proveitoso em termos de shows internacionais, logo em janeiro, Living Colour, Extreme, Skid Row no Hollywood Rock e no decorrer do ano Kreator, Iron Maiden, Ramones (Gaz in Rio), Motorhead foram alguns nomes e até o Black Sabbath veio pela primeira vez ao Brasil. Sim, o ano de 1992 colocou o país na rota dos shows internacionais. Claro que shows gringos também movimentam a cena de shows nacionais. Porem se não existia internet, tínhamos uma vasta fonte de informações focada em rock como fanzines, revistas nacionais e importadas, rádios, como a Fluminense FM no RJ, e em SP as Rádio 89 FM e Brasil 2000 e outras ocupando o Dial, também tínhamos programas de vídeos-clips em canais abertos de TV e claro, a MTV-Brasil que na época exibia música na programação, hoje isso soa uma lenda, mas foi graças ao Fúria Metal, um programa especializado em “Rock-Pesado” e não apenas ao Heavy-Metal e afins que conheci o Nirvana e o então “Movimento-Grunge”.

Varias bandas já eram conhecidas no Brasil, antes do “Grunge”, destaque para o Alice in Chains e Red Hot Chili Peppers, alias estes até então era rotulados de Funk-O-Metal. A mídia não especializada não perdoava, associando tudo o que era novo ao Grunge, era lamentável consta que eventualmente nomes que nada tinham a ver com o estilo, como Jimi Hendrix e o Queensryche serem associados ao estilo só por serem de Seatte(EUA) e conterrâneos ao Nirvana e ao selo que os revelaram o Sub-Pop!

Com o sucesso de Smell Like Teen Spitit o Nirvana caiu no gosto popular e na graça da mídia. Logo no ano de 1992 a banda era a queridinha e o mais odiado nome do rock ao lado do Guns n’ Roses. Quem era do rock e não gostava do Nirvana, no geral eram adeptos a estilos que influenciaram o Nirvana e que a banda revelou ao longo dos anos, como Hard-Rock, Heavy e Progressivo, algumas pessoas até hoje culpam eles e o grunge pela não popularização no Brasil do Glam/Hard-Rock Americano dos anos 1980 e teve quem não curtiam por ser a banda da “Modinha”, no caso, uma ala mais tradicional do Punk/HC.

O ano corria e os boatos nos chats reais da vida, davam pistas que o Nirvana viria ao Hollywood Rock de 1993. Antes da confirmação a banda passou pela Argentina em 30/10/1992 onde tocou no Estádio do Vélez Sarsfield. Logo chegavam os primeiros comentários sobre a apresentação, na época um vizinho me falou que ouviu que o show tinha sido “Estranho”. Mas o que seria um show estranho!? Especialmente feito por uma banda que querendo ou não, fugia dos padrões comerciais, mesmo sendo de uma grande gravadora.

A confirmação veio e o Caderno B do Jornal do Brasil fez a seguinte chamada: “Um Hollywood Rock como Nunca se Viu”. Tinha tudo a ver com o fato que pela primeira vez um festival trazia bandas que mesmo estando na mídia no mundo todo, eram bastantes alternativas para a tradição do evento. Além do Nirvana que teve como banda de abertura as meninas do L7 e o RHCP que teve o Alice In Chains como banda de abertura. Aquela edição do festival ainda recebeu o De-Falla e Dr Sin dando vez aos independentes brazucas. Também participaram do festival o Simply Red, Engenheiros do Hawai, Biquini Cavadão, e a Midnight Blues Band, uma big band formada pelos músicos do Barão Vermelho, Kid Abelha, Zé da Gaita entre outros.

Nirvana in Brasil – Janeiro de 1993

O ano de 1993 veio e São Paulo recebeu o show do Nirvana no Estádio do Morumbi em 16 de Janeiro tendo João Gordo do Ratos de Porão como mestre de cerimonia. Gordo conhecia Dave Grohl desde os tempos em que Grohl tocava na banda Screem com quem o R.D.P. tocou anos antes na Europa e com o fato de Kurt Cobain ter como Roadie o Big John ex-guitarrista do Exploted, o que estreitou o contato com o Nirvana e com isso João Gordo liderou a tour zueira de Kurt Cobain e Cia por São Paulo. Em sua Biografia “Viva La Vida Tosca”, Gordo conta sobre o rolê e assume que graças a ele a apresentação do Nirvana em SP é considerada a pior da história da banda.

Entre o show de SP e o do RJ a banda usou o tempo livre para grava num estúdio na zona sul do carioca alguns sons que futuramente fariam parte do álbum de “In Utero”. Enquanto o Nirvana ensaiava e gravava em um estúdio o RHCP, o outro hedline do festival curtia os dias de folga nas praias Buzios.

A apresentação no Rio aconteceu em 23 de Janeiro e durante muitos anos não a entendi, tanto que até as meninas do L7 fizeram para mim o melhor show daquele Hollywood Rock, porem aos poucos descobrir que aquele espetáculo foi antológico, mesmo que o Nirvana seja minha a “banda do coração”. Não fui o único, na verdade, muita gente também não entendeu, queriam o Nirvana tocando com bateria de escola de samba, trajando a camisa do Flamengo (como fez o Red Hot na noite anterior) ou da Seleção Brasileira e falando algo em português, como; “Olá Brasil, Boa noite Rio, Amamos vocês...”. O que se viu foi o trio fazendo um show “Sujo” no melhor sentido rock da palavra, tocando para cerca de 45 mil pessoas como se estivesse num pequeno clube, afinal, era assim era o Nirvana. Contudo ao contrario das apresentações em SP e em Buenos Aires o show no Rio foi tecnicamente melhor e acabou sendo um dos melhores registros da banda em arenas, mesmo que esteja longe da energia deles em eventos de menores. No Palco, Davi Grohl era um divertido garoto massacrando a bateria, mascando chiclete e lambendo o microfone, Krist Novoselic parecia o mais tranquilo e procurando dialogar com o publico, enquanto Kurt Cobain tocava o horror. Entre um trago e outro de cigarro a banda fez criticas a indústria do tabaco, logicamente não agradando a patrocinadora do festival.

Um dos momentos mais legais foi no hit “Smells Like Teen Spirit” que contou o Flea do RHCP tocando trompete e também a execução das músicas “Heart-Shaped Box” e “Scentless Apprentice” do ainda inédito “In Utero”, sons ainda desconhecidos e sendo executadas com toda furia e foi em “Scentlrss Apprentice” que ocorreu o ápice e momento mais insano da história do festival com Kurt Cobain cuspindo e se masturbando nas câmeras da Globo, com direito ao selo de “Ao Vivo” para delírio de muitos, contudo um prato cheio aos críticos ao rock e a banda. Se por outro lado o Nirvana fez seu protesto Anti-Mídia a Rede Globo fez provavelmente a PIOR transmissão de um show de todos os tempos da TV Brasileira, dando informações fúteis, nome errados e/ou trocados das músicas e etc. Tudo hoje pode ser visto no Youtube, mas na época era divertido assistir a gravação em VHS e ver que “In Bloow” passou a se chamar “Come As You Are” e essa “Love Bizz”. A emissora estreava os VJs importados da MTV, Maria Paula (Que fez sucesso no Casseta & Planeta) e o Thunderbird, este tinha respeito do publico rock, mas acabou não vingando na Globo, já a Maria Paula era zoada pelo publico sempre que estrava no ar!

Finalizando, importante destacar que circulando pela Praça da Apoteose naquele dia, tinha a sensação que conhecia todo mundo como frequentadores do Garage, Caverna II, Circo Voador e do rock suburbano carioca, logico que não os conhecia, mas natural encontrar gente da cena em meio ao povo, contudo aquela sensação estava no ar, acredito que havia uma conexão entre os presentes, era como se todos tivéssemos a certeza que vivíamos um momento histórico que jamais seria esquecido e sendo lembrado com grande importância no futuro promovido por uma banda que até hoje influenciam garotos a montar suas bandas em prol do rock sujo.

Postado por Leandro Cavalheiro sábado, 12 de agosto de 2017 10:49:00 Categories: Hollywood Rock Nirvana Show
Portal Rock Press - Shows que marcaram época