Napalm Corpse Day - Circo Voador/RJ – 14/9/2018

Uma noite memorável, um encontro de mestres do som extremo, um verdadeiro “Napalm Corpse Day”! Não existe Cannibal_Corpse_Circo_Voador_RJ_1492018_Brasil_FOTO_Michael Meneses_Rock Press_Credito_Obrigatóriodefinição melhor para classificarmos as apresentações do Napalm Death e do Cannibal Corpse no Rio de Janeiro, no último, 14 de Setembro, uma data digna de ser eternizada e dessas que só acontecem no Circo Voador!

“Napalm Corpse Day”
Circo Voador – RJ – 14/9/2018
TEXTO: Fabiano Soares – FOTOS: Michael Meneses!

Datas comemorativas, todos adoram uma comemoração. Algumas são escolhidas aleatoriamente para representar algo; alguns acontecimentos, no entanto, são tão marcantes que passam a ser comemoradas todos os anos. Certamente farei de 14 de setembro uma data a ser lembrada em todos os shows de metal / grind no Rio de Janeiro. Não conseguirei criar um feriado, o “Napalm Corpse”, mas ao mencionar, trarei o brilho nos olhos de quem foi, e aquele sentimento de “Putz, Perdi!” aos que não foram. Realmente histórico.

Napalm Death - #TeamBermudas

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Napalm_Death_Circo_Voador_RJ_1492018_Brasil_FOTO_Michael Meneses_Rock Press_Crédito_ObrigatórioO Napalm Death abriu a noite com “Multinational Corporation”, mostrando o lado crítico e criando um ambiente sonoro assustador (e animador). Daí para frente, só porrada! A banda – com todos os integrantes de bermuda - mostrou toda a energia dos coroas, não deixando nenhum momento para descanso, só um petardo atrás do outro, alguns emendados. Aos presentes, a dúvida ficava entre olhar para o show, Napalm_Death_Circo_Voador_RJ_1492018_Brasil_FOTO_Michael Meneses_Rock Press_Crédito_Obrigatórioentrar na roda e expurgar toda a energia com socos e empurrões, subir no palco, gritar junto, etc.

Os 4 jovens - que já passaram há algum do tempo dos 30 anos -  esquentaram o Circo Voador da melhor maneira possível! Barney não parava um segundo no palco, correndo por toda a extensão, eventualmente pausando o exercício para berrar lindamente para o público; john Cooke destruindo na guitarra e nos vocais rasgados em algumas canções; Shane mostrando todo o talento de fazer barulho (no bom sentido) no baixo, e o porquê de tocar em diversas bandas de death metal; e Danny Herrera, escondido atrás de seu instrumento, mas espancando das mais variadas formas a bateria. 

Após um discurso antifascista, Barney puxou a cover de “Nazi Punks Fuck Off”, do Dead Kennedys, e no final, o que se ouviu retumbando no Circo Voador foi “Pau no Cu do Bolsonaro”, repetido algumas vezes, em coro. Felizmente ninguém resolveu passar vergonha em público, defendendo o político, mas que devia ter bolsominion ali, devia. Rolou outro cover, a versão mais rápida de “Victims of a Bomb Raid”, do Anti-Napalm_Death_Circo_Voador_RJ_1492018_Brasil_FOTO_Michael Meneses_Rock Press_Crédito_ObrigatórioCimex.
 
O Napalm mostrou que envelheceu (envelheceu?) muito bem, e continuam massacrando em um show empolgante e que agrada na escolha do setlist, mesmo sabendo que terá que deixar de fora diversos clássicos (é o mal de ter uma porrada de músicas que viraram “obrigatórias” na cabeça dos fãs). Rolou inclusive a dobradinha “You Suffer” e “Dead”, dos primeiros álbuns, o que não deu nem 3 segundos de música, mas que será contada por anos. E vale citar que o Apex Predator e o Utilitarian, últimos discos da banda, foram bem representados, mostrando que não vivem só de passado; mas o Scum e o From Enslavement to Obliteration, os dois primeiros álbuns, também tiveram muitas músicas no setlist. Agradou quem curte grindcore, quem curte death metal, quem gosta de pronunciamentos políticos (só desagradou fãs do Bolsonaro, mas foda-se).  Memorável!

Canibal Corpse - #TeamCalças

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Logo após foi a vez do Cannibal Corpse. Todos de calça, diferente do Napalm Death, e mais controlados na movimentação do palco. A luz vermelha deu o tom do show, que Cannibal_Corpse_Circo_Voador_RJ_1492018_Brasil_FOTO_Michael Meneses_Rock Press_Crédito_Obrigatóriocomeçou bem lento. Com sons do último álbum e vindo após uma apresentação devastadora do Napalm, parecia que o Circo Voador estava tentando rodar um vinil 45 rpm no modo 33: pesado, mais grave, porém, mais lento. Não sei se culpa da escolha do repertório ou se da banda de abertura, mas o Cannibal demorou um pouco a engrenar. 

O público assistia atento, mas a roda ainda estava comportada para o que se espera de Cannibal Corpse. E embora com pouca movimentação no palco, o pouco pescoço de George Fisher já tinha dado voltas e mais voltas nos momentos instrumentais das músicas.

Estava apenas acompanhando o show, gostando, mas pensando que poderia ter sido invertida a ordem das bandas, até um dado momento, em que as rodas ficaram mais intensas e percebi que estava em um show do Cannibal! Não havia me dado conta de qual momento foi esse, mas conversando com um amigo, teve realmente um marco: “Devoured By Vermin”. A partir dali, esqueci temporariamente o Cannibal_Corpse_Circo_Voador_RJ_1492018_Brasil_FOTO_Michael Meneses_Rock Press_Crédito_Obrigatórioshow anterior e fiquei 100% presente nesse, em carne e hematomas. A partir de então, só clássicos da podridão canibalesca, que levantariam a moral de qualquer Jim Carey.

Ainda não estava nem sentindo ainda as dores musculares quando o George anunciou que tocaria a última, e mandaram “Stripped, Raped and Strangled”. Óbvio que estava ali nas entrelinhas que haveria uma a mais, aquela que até quem não gosta de death metal (mas gosta de Jim Carey) já ouviu ao menos uma vez na vida: “Hammer Smashed Face”. Veio boa, mas veio amarga, porque após a empolgação, estava claro que seria a última. O jeito foi aproveitar e curtir até o final esse hino. Infelizmente teve uma parte do pessoal fazendo um coro de “ô-ôoo-ôoo” para acompanhar a guitarra na parte mais cadenciada da música (por que fazem isso?), mas isso é algo ínfimo para reclamar de um dia tão lindo como esse!

#FuckWear
Seja o pessoal de bermuda ou a galera de calça, ambos representaram muito bem seus estilos, marcando para sempre um show absurdo de bom e de brutal. Cannibal Death ou Napalm Corpse, relembrado todos os 14 de setembro daqui em diante. O dia em que o Circo assistiu a dois shows lindos, tão lindos que um até chegou a ofuscar o início do outro (que estava bonito também, não entendam mal). Gravem a data de modo gore no coração maldito de vocês!Fabiano Soares.

Postado por Michael Meneses quinta-feira, 20 de setembro de 2018 19:22:00 Categories: Anti-Cimex Canibal Corpse Circo Voador Dead Kennedys Death Metal Grindcore Hard Core Heavy Metal Jim Carey Metal Napalm Death Punk Rock Rock
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