Entrevistas: Mike Patton - Peeping Tom / Nancyta Viégas
Quinta-feira, 10 de Agosto de 2006 (22:32:11)
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 Ele é seco. Direto. Muitas vezes mal-humorado. Não liga pra videoclipes e acha o mundo do rock muito chato. Dezesseis anos depois da explosão do Faith No More, com o single “Epic” (a banda encerrou suas atividades e ativou outras tantas em 1998), eis que Mike Patton lança seu trabalho mais “linear”, com o Peeping Tom. O caminho de lá pra cá foi recheado por um crescente de schizo/ alternância/ inquietude musical e busca pelo criativo num ambiente de música muito além do rock e do pop. Por Nancyta
+ entrevista
MIKE PATTONPor Nancyta Estes muito mais pelo formato baixo/guitarra/bateria/teclados, microfones envenenados do que pela atitude rockeira no sentido mais fiel à palavra. Mike Patton tem o mérito de dirigir junto com Greg Werkman (ex Alternative Tentacles) a Ipecac, selo que lança artistas dos mais avant-garde possíveis, como corais eruditos atonais, eletrônicos fora da moda, compilações das mais estranhas de Ennio Morricone até o excelente Desert Sessions, de Josh Homme, o vocalista e guitarrista do Queens of the Stone Age em versão free rock leader. E, é claro, os projetos do patrão (Fantômas, Mr Bungle, Tomahawk, Lovage e mais). E quem disse que o Peeping Tom é tão linear assim? Tudo começou há seis anos quando o inquieto Patton escrevia melodias nos intervalos de suas múltiplas atividades (Fantômas, Tomahawk, Lovage, General Patton vs. the X-ecutioners, Kaada/Patton, Rahzel, participações com a cantora Bjork e o Massive Attack), mapeando os possíveis colaboradores. O álbum demorou pra ser concluído, e foi lançado oficialmente em 30 maio deste ano. Foram convidados Dan “The Automator” Nakamura, Amon Tobin, Bebel Gilberto, DubTrio, Kid Koala, Dale Crover, Rahzel, Norah Jones e Massive Attack. Segundo o próprio, que não ouve rádio, o disco soa como ele gostaria de ouvir rádio. Entendeu? Além disso, o músico está estreando com ator no filme Firecracker, um trhiller pra lá de esquisitão, lógico, não lançado no Brasil assim como as produções da Ipecac. Mike Patton nos concedeu esta estrevista entre os shows do Lollapalooza, em Chicago e de Montreal, no Canadá, com a agenda lotadíssima da tour do Peeping Tom, sua mais recente prioridade. Exclusiva!!!Por Nancyta Viégas
Colaborou na tradução Marcelo Martins
Foto abertura: Caroline Bittencourt
Demais fotos: Ipecac


Nancyta - Você é conhecido por ter escolhido um caminho totalmente diferente no mundo da música. Mas o Peeping Tom é um trabalho mais linear, transita por elementos da black music e do hip hop, o que surpreendeu muita gente. Na imprensa você tem dito que este álbum é o mais acessível. Qual a história por trás do Peeping Tom?
Mike Patton - São só um monte de melodias nas quais estive trabalhando. Eu decidi enviá-las para vários cantores, produtores e “remixers” e pedi que essas pessoas que eu admiro colocassem sua marca nas canções. Então, tudo que fiz foi esperar as músicas de volta. Foi assim que funcionou. Você convidou alguns DJs para a produção de algumas faixas.
MP - Como eu disse. Eu fiz as pistas básicas e pedi aos DJs que fizessem o que eles quisessem com as faixas. O disco demorou um tempo pra ficar pronto. Muitos achavam que não sairia das demos aos palcos, e a banda está na estrada. Como tem sido os shows?
MP - A tour está ótima. Estamos tocando com Gnarls Barkley. As duas bandas combinam perfeitamente. Queria muito fazer uma turnê mundial com eles. É um show muito divertido! Você convidou Norah Jones e Bebel Gilberto pra cantar no álbum.
MP - Sim. Ambas são ótimas cantoras e ótimas pessoas! Quando se trabalha com música dentro de um parâmetro mais livre, às vezes fica difícil escrever de uma maneira mais linear. O Peeping Tom é um projeto menos denso que os outros. Como é pra você escrever de maneiras tão distintas?
MP - Eu só sigo a minha intuição. Eu não tenho o objetivo de deixar as coisas mais fáceis pro ouvinte, ou deixar as músicas mais lineares. Simplesmente acontece. Você tem seu próprio estúdio? Como escreve?
MP – Sim, eu tenho. Eu escrevo música onde quer que eu esteja. Estou escrevendo agora mesmo na estrada. Não existe uma fórmula. Apenas faço quando acontece. O Firecracker estreou recentemente. Gostou do resultado do filme? Você quer atuar novamente?
MP - Sim, eu gostei. Foi um grande desafio. Muito diferente de fazer música. Tem que esperar muito para entrar em cena. A direção foi interessante. Eu faria de novo se fosse alguma coisa legal e eu tivesse tempo. Mas não é o meu foco, eu sou um músico. O Disco Volante é considerado um clássico avant garde do século XX. Depois vocês fizeram California, que tem outra abordagem e é uma obra-prima também. Como funcionava o Mr Bungle? Você pensa em voltar a trabalhar com essa banda?
MP - O Mr. Bungle funcionava de uma maneira misteriosa. Não tenho certeza se ainda trabalharíamos de novo tão bem como antes. Mr. Bungle acabou. Foi divertido enquanto durou. Eu acho que fizemos algumas coisas boas. Fantômas, Mr Bungle, Tomahawk não têm um registro oficial em vídeo. Por conta disso existe um monte de material não oficial dessas bandas rolando na internet. O que você acha disso? Algum plano de viabilizar algum material (DVD) de algumas dessas bandas? E o Peeping Tom? Eu vi o videoclipe de “Mojo” no Youtube.
MP - Eu estou explorando mais o lado visual da coisa. Mas, de verdade, meu foco é a música. Eu não tenho tempo, interesse e dinheiro para investir tanto em vídeos. Seria legal fazer alguns DVDs. Eu gosto de DVDs, mas a maioria dos de música são chatos. Eu gosto muito do videoclipe do "Mojo". Um artista independente no Brasil tem pelo menos 50 % de suas possibilidades cortadas pela falta de estrutura... Muitos artistas criativos acabam sendo engolidos por essa desoportunidade e os selos independentes são muitas vezes asilo pra trabalhos exatamente iguais aos do mainstream, mas com a esperança de se tornarem “sucesso". A música criativa fica sempre marginalizada e a internet acaba sendo o melhor meio de divulgação desses trabalhos. Como é pra você que trabalha com música criativa nos USA e tem um selo com o perfil da Ipecac? Como escolhem o cast da gravadora?
MP - É necessário trabalhar muito para estar envolvido na cena de música independente, mas vale a pena. Nós procuramos por artistas que sejam criativos e originais e que sejam realistas. Ninguém deveria se preocupar com o que outros selos ou bandas estão fazendo. O melhor é ser fiel a você mesmo. Numa escala maior, você não pode controlar a vendagem de discos. Certamente você hoje é referência avant-garde pelo que vem produzindo nestes anos todos. O que faz o seu coração bater mais rápido?
MP - Cafeína! Você recentemente esteve fazendo uns shows com improvisadores japoneses e colaborou com um coral italiano. Tem registro disso?
MP - Sim, o material italiano vai ser lançado algum dia. Fiz com o Eyvind Kang, um músico muito talentoso. Você acha que o universo do rock é chato?
MP - MUITO!! Tem planos de vir ao Brasil com o Peeping Tom ou Tomahawk? Como foi sua última passagem pelo Brasil com o Fantômas?
MP - Eu amo o Brasil e toda a América do Sul. Foi maravilhoso tocar com os Stooges! Eu espero que o Peeping Tom toque no Brasil em breve! E o que vem pela frente? Já ouvi falar de um novo do Tomahawk e também de um novo Lovage, da trilha de dois filmes. É verdade?
MP - Sim, tudo isso é verdade, mas a prioridade é a tour do Peeping Tom. Também quero gravar mais um disco do Peeping Tom daqui a um ano ou dois. www.ipecac.com deixa você atualizado. Também li que você adora videogame e tem vontade de fazer trilhas pra eles...
MP - Eu dublei a voz principal num jogo chamado "The Darkness", que vai sair no começo de 2007, eu espero. Mais alguma coisa?
MP - Não. E você? Mike Patton, muito obrigada pela entrevista. Espero encontrá-lo pelo Brasil em breve.
MP - Obrigado pelo apoio. Nos vemos em breve? Para mais Patton, confira AQUI!!!
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