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Classic Rock: Mott The Hoople
Sábado, 21 de Novembro de 2009 (3:13:55)




“_ O que você está fazendo aqui?”
“_ Estou procurando uma banda pra tocar...”
“_ Você não pode fazer isso! Você é um dos Mott’s e vocês são fenomenais!”.











MOTT THE HOOPLE


"All The Young Dudes" – Presente de Bowie, o hino glam ergueu e afundou a banda de Ian Hunter e Mick Ralphs...


Por Bento Araújo



Esse rápido diálogo rolou numa sala de ensaio londrina, em março de 1972, entre David Bowie (que estava realizando audições com novos músicos) e o baixista Pete “Overend” Watts (que estava recém-desempregado).


Foi assim que começou o renascimento do Mott The Hoople, grupo seminal do rock inglês que havia colocado tudo a perder durante um show na Suíça, quando seus integrantes quebraram o pau em pleno palco, sem o mínimo de constrangimento. Os fãs sabiam que aquela era uma banda glam de verdade...


Dias depois dessa confusão em Zurique, Watts ficou sabendo que David Bowie estava escalando novos músicos e resolveu dar as caras. O que ele não imaginava é que Bowie era um dos maiores fãs do Mott e que ficou completamente indignado com a notícia que o baixista trazia, a de que o grupo tinha mesmo colocado um ponto final em sua breve carreira.


Bowie ofereceu de cara ao Mott os ofícios de seu poderoso management, a Mainman, liderada pelo tirano Tony De Fries. Sua influência no mundo do disco era tanta que um novo contrato com a CBS também emergiu para o desolado grupo de Ian Hunter e Mick Ralphs, mas o mais precioso presente de Bowie ainda estava por vir, uma canção novinha em folha, que certamente seria um mega hit e traria o grupo de volta com força total. Com a palavra, Bowie: “Quando conheci pessoalmente a banda, tudo estava dando errado pra eles. Como um grupo com tanta integridade e com uma legião tão fiel de fãs nunca chegava às paradas e muito menos tocava no rádio? Logo pensei que teria que contribuir com algum material, e três dias depois da banda ter acabado eu consegui colocar tudo sob uma nova perspectiva e trazê-los de volta. Todos os garotos adoravam o Mott!”. 


Hunter não conhecia Bowie pessoalmente, mas tinha assistido uma apresentação de mímica onde Bowie era o protagonista, isso lá pelos idos de 1965. Quando o assunto era música, Hunter não era muito simpatizante do estilo de Bowie, ainda mais que uma das primeiras dicas desse último foi para que Hunter “parasse imediatamente de dar uma de Dylan”...


O primeiro som a ser oferecido ao Mott foi “Suffragette City”, que Hunter aprovou, mas sacou de cara que não era muito palatável para as rádios da época, que fechavam sempre suas portas para o som mais visceral do Mott.


A banda precisava de algo especial, que causasse um impacto de saída e quando Bowie apresentou um novo tema que estava trabalhando, “All The Young Dudes”, Hunter começou a preparar seu guarda-roupa e seus instrumentos, pois o Mott estava voltando aos palcos e aos discos. Bowie tocou a canção no piano, com todos em sua volta, e ficou de imediato acertado que em breve eles estariam em estúdio para trabalhar nesse novo tema.


Em 1972, Bowie disse que compôs a canção especialmente para o Mott, mas anos depois a verdade apareceu. Em 1975, o guitarrista Mick Ronson confessou para Ian Hunter que na verdade Bowie estava trabalhando na canção naquela época, mas não tinha certeza se gostava tanto dela assim para lançá-la em algum álbum ou single.


Bowie ficou também encarregado de produzir o grupo em estúdio, não só nas sessões de “All The Young Dudes”, a música, mas também no novo álbum do Mott que levaria o mesmo nome. Para a banda, que estava acostumada trabalhar em estúdio com Guy Stevens, foi inevitável uma certa dose de frustração por trabalhar com Bowie, com sua visão mais básica e comercial das coisas. Bowie aparava as arestas mais rebeldes do Mott e isso incomodava alguns dos integrantes do conjunto, principalmente do tecladista Verden Allen, que teve seu hammond enterrado por Bowie numa das primeiras mixagens. Por outro lado o baterista Dale “Buffin’” Griffin adorou trabalhar com o novo produtor: “Bowie trouxe ar fresco para o estúdio. Ele sabia exatamente o que a gente queria, era um sujeito muito fácil de se trabalhar. Bowie entendia as necessidades de um músico e tudo o que ele propunha do estúdio funcionava bem”. Mickie Most também pintava nas gravações, e quando hit-makers davam suas espiadas, todos sentiam que algo estava por acontecer.


“All The Yong Dudes” foi um hit monstruoso no mundo todo, fazendo inclusive com que o Mott finalmente estourasse na América. Na Inglaterra ela ficou por 12 semanas nas paradas e se tornou um hino do glam-rock. 


Com o sucesso, as velhas pressões de antigamente voltaram a minar o grupo, que pressionado, passou a ser tratado mais como um projeto de Ian Hunter. Outros hits vieram (“All The Way From Memphis” e “Roll Away The Stone” entre eles), mas nenhum com o impacto de “ATYD”. Verden Allen se mandou, assim como Mick Ralphs, que montou o Bad Company com Paul Rodgers, Simon Kirke e Boz Burrel. Hunter depois escalaria Mick Ronson para ser seu braço direito no Mott, mas logo ambos saíram do grupo e montaram um projeto como dupla.


Para o Mott ficava a desolação, já que a crítica dizia que sem Bowie eles não eram nada e não seriam capazes de compor algo aceitável, e os antigos fãs estavam furiosos, já que o grupo tinha “subido no vagão da onda glam”, abandonando suas raízes. Portanto fica a lição: para alguns “All The Young Dudes” salvou e ao mesmo tempo enterrou a carreira do nosso glorioso Mott The Hoople.



*Bento Araújo é editor do Poeira Zine, a publicação que te mostra que o novo não precisa estar sendo feito agora. Para mais informações acesse o www.poeirazine.com.br






 
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