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Resenhas CDs: Novembro 2009
Sábado, 21 de Novembro de 2009 (2:53:53)



THEM CROOKED VULTURES
Them Crooked Vultures
(DGC / Interscope)

Afinal, o que é rock and roll?  Vou dificultar a questão.  O que é rock and roll nos anos 2000?  Bem, eu não sei a resposta em sua sua extensão.  Mas posso dizer que esses caras sabem.  John Paul Jones (ex-Led Zeppelin), Dave Grohl (Foo Fighters) e Josh Homme (QOTSA) não economizaram palavras, ou melhor, notas, melodias e muito barulho – com qualidade – para mostrar em grande estilo, o significado da expressão “rock and roll”.  O que fica evidenciado nesse trabalho é o casamento cúmplice dos estilos de cada um deles.  Seja na sonoridade primitiva e cerebral de “Elephant” ou na quebradeira de “New Fang”, aumenta a força da máxima de que “o rock não morreu!”  Confesso que é bem difícil expressar tão resumidamente, o quão bom é este disco.  Mesmo porque, nesse tão pouco produtivo ano de 2009, o tal “supergrupo” – de qual andam chamando por aí – não apenas correspondeu às expectativas, eles simplesmente salvaram o ano.  O rock agradece.  Bruno Eduardo








OS ABREUS
Os Abreus
(Tamborete Entertainment)


Quando vi o nome da banda imaginei que todos tinham o mesmo sobrenome, tal qual os Ramones. Mas só o vocal e guitarrista Júnior que é um Abreu. Apesar da banda se desprender de rótulos, é inevitável não perceber influências de Nando Reis e Skank no som da banda. E essa sonoridade cai bem aos ouvidos, pois é feito por uma banda bem entrosada, com letras bem escritas, sem ser raivoso nem meloso demais. Tá prontinha para o sucesso (a bateria de “”No Que Tudo Pode Se Tornar” dá até para visualizar os caras tocando em um estádio). Esse lançamento também mostra uma nova fase do selo Tamborete, tradicional em lançar títulos de importantes bandas de hardcore. Um disco bem feitinho, desde a produção das músicas até a capa que sugere algo guardado há muito tempo. Estão no caminho certo, agora só falta a tal da sorte. Márcio Sno

myspace.com/osabreus2007






THE AGGROLITES
IV
(Hellcat Records)
 

No quarto registro dos magníficos Aggrolites a fórmula usada nos discos anteriores ainda funciona muito bem - early reggae, soul e funk music caminham harmoniosamente por aqui, sempre em grande estilo e elegancia. Um pouco mais técnica, a banda comandada pelo guitarrista de voz marcante, Jesse Wagner, sabe exatamente como proporcionar bons momentos aos ouvintes mais exigentes, sejam apreciadores do reggae jamaicano do final dos anos 1960 ou da soul/funky music, também praticada na ilha por grandes nomes como Toots and The Maytals - nítida influencia dos californianos. São 21 músicas que compôe esse mamute sonoro, todas assinadas pela banda, que conta com Jeff Roffredo, Brian Dixon e Roger Rivas, além de Jesse. Desde a primeira, Firecracker, atravessando momentos de total emoção em By Her Side, Tears That Falls, Precious and Few ou Ever Want To Try - que poderia muito bem ser escrita por John Holt -, até a tocante, Fellin' Alright, homenagem da banda ao ex-baixista David Fuentes, falecido em 2007, o disco se mostra impecável e muito próximo da perfeição, não poderíamos esperar menos dos Aggrolites.   Rusty James
 
myspace.com/theaggrolites
 






AMPLIFICADOR DE BRINQUEDO
Tarde Feliz
(Ná Music)


Acessando o Myspace da banda, eles colocam como influência o "Snoop". Me perderam ali, "Snoop" é aquele rapper americano que faz clipe com gostosa. O personagem do meu quadrinho da história é SNOOPY. O som da banda pode ser descrito como um Los Hermanos mais simples, e eu digo isso odiando Los Hermanos com todas as forças que existem em mim. Óbvio que eu não gostei, mas com certeza se você por qualquer razão gosta de Los Hermanos, vai fundo porque podia ser bem pior.  Eu destacaria a primeira música, "Tenho Chance", que tem uma melodia bacana e tal. O resto é parecido demais pra tentar destacar alguma coisa, é aquele esquema de uma guitarra meio pesada e um vocal chorado. Quantas bandas existem assim hoje no Brasil? Um porrilhão. O maior elogio que eu posso fazer a banda é que eles são melhores que o Dead Fish, que é pior que uma injeção de ar nos bagos. Eu também iria no show dos caras pelo preço certo. O vocal é péssimo, mas na real isso já era meio esperado. É moda hoje no rock nacional ter um vocal tosco, ninguém sabe explicar. Então, é isso. Você que está lendo definitivamente pode gostar, até porque não é exatamente ruim. Mas eu achei fraquinho.  Marcelo Shaw

myspace.com/amplificadordebrinquedo






BEIRUT
March of the Zapotec and Realpeople Holland
(Pompeii)


Zach Condon é um belo músico, e um belo compositor. Não acreditei quando ganhei um disco dele pra comentar, eu sou simplesmente um fã ignorante do Beirut, que julgo ser uma das melhores bandas de indie atualmente. O som desse EP duplo não mudou dos outros lançamentos: Bem teatral, tem alguma coisa de música mexicana e no geral é completamente exagerado. O primeiro EP é March of the Zapotec, que achei o mais fraco dos dois, onde o som da banda realmente caiu no óbvio e não foi a lugar nenhum. Pena.  Mas no segundo, Holland, tudo já mudou de figura. Condon expande um pouco mais o som da banda, misturando a sensibilidade normal do Beirut com qualquer coisa de Galaxie 500. "My Night With the Prostitute From Marseille" já vale o EP, nem que seja só pelo título. Ajuda bastante que a música é um colosso. As outras também são muito bonitas, e tudo acaba antes de ficar chato.  Enfim, o Beirut é uma baita duma banda, diferente de quase tudo hoje em dia. Esse EP duplo vale mesmo por causa do Holland, o primeiro não é lá muito inspirado.  Marcelo Shaw

myspace.com/beruit 






CACHORRO GRANDE
Cinema 
(Deckdisc)


O quinto disco da Cachorro Grande, Cinema, foi todo gravado num estúdio especializado em gravações vintage, com equipamentos originais da década de setenta. As doze faixas mostram como a banda consegue usar suas influências sem ser repetitiva. Rock de boas letras, melodías calmas e riffs interessantes fazem um disco coeso. Beto Bruno adotou uma prudência vocal que elevou a produção a um nível de quase reverência a Roger Daltrey & Who, principalmente nas faixas "O Tempo Parou" e "Por Onde Vou".  Felizmente o grupo não caiu na asneira de trocar o rock visceral pelo sentimentalismo exagerado. Solos de guitarra e até alguns samples de reproduções radiofônicas estão bem organizados na música "A Hora do Brasil"; a faixa "Amanhã" revela uma citara harrisoniana, criando contraste fantástico com os riffs blueseiros de "Diga O Que Você Quer Escutar”. Cachorro Grande voltou a fazer o rock dos primeiros discos, porem mais maduro.  Pedro Palaoro






CÉREBRO ELETRÔNICO
Pareço Moderno
(Phonobase)


Aos primeiros acordes da faixa-título dá pra se pensar: como pode parecer modernos se eles buscam influências na psicodelia dos anos 60, num clima meio hippie (reforçado no clipe dessa música) e com uma poesia na linha de Sérgio Sampaio? Mas fazer isso em plenos anos 00 acaba soando moderno. Moderno pelos elementos que colocam no som: um teclado que parece estar em outra música, uma violinha meio bossa nova, elementos eletrônicos que nos transportam a outro universo. Isso é basicamente o som do Cérebro Eletrônico. Confuso? Não, moderno. Além das 4 músicas inéditas, há mais quatro bônus, destacando “Antes eu tivesse escolhido conviver só com a minha guitarra” e “Dominó tecnológico” remixes que, com certeza, devem agitar as pistas. O EP conta com várias participações especiais, como a de André Abujamra em “Mar Morro”, uma das mais belas do disco. Talvez seja um dos discos mais criativos de 2008 e altamente recomendado para velhos modernos. Márcio Sno






CHRIS ISAAK
Lucky Man


Chris Isaak é um rapaz a moda antiga. Tão a moda antiga que é possível imagina-lo andando por ai abrindo portas de carros e puxando cadeiras para suas mulheres. Chris continua cantando e levando a vida no seu jeito de ser Roy Orbison - embora não consiga mais subir e descer oitavas com a mesma facilidade de outrora afinal, segundo meus cálculos, o bom homem já ultrapassou marca dos rasos - 50 anos. É justamente por isso que Lucky Man é um disco legal – um disco sem o comprometimento de ser outra coisa alem de um álbum de canções.  Em Lucky Man, para cada suposta “novidade” há um aceno ao passado; novo mesmo é o arranjo de sopros presente em “We’ve Got Tomorrow” com direito a baixo de orquestra. No geral, para cada solo de guitarra ou riff mais barulhento, há uma balada que poderia estar em qualquer um de seus discos dos anos 90. Michelle Branch canta em “I Lose My Heart” e Trisha Yearwood na regravação de “Breaking Apart” - o ultimo clássico de motel que Chris teve nos anos 90, presente em Speak of the devil. A presença das garotas fazendo dueto - e o papel da mulherzinha - faz pensar que talvez seja necessidade (lembre-se - as oitavas vocais já não são mais as mesmas), obrigação contratual, algum estilo ou apenas uma promessa cumprida pós-coito - o que faria o disco ficar mais divertido. Mesmo sem mudar a marca do gel que segura o topete, um disco de Chris Isaak ainda é melhor que 85% de tudo que é gravado atualmente por caras dos anos 80/90.  Giancarlo Rufato






CUEIO LIMÃO 
Paraguayo
(Urubuz! Records)


O hardcore do mato está de volta! Em seu terceiro disco os meninos do Cueio Limão abusaram de sua influência de fronteira e apresentam um visual que lembra um disco tradicional paraguaio, mas as referências aos vizinhos ficam por aí. Esse disco representa a vinda da banda para São Paulo e a produção mais profissional, capitaneada por Rafael Ramos. O resultado é claro: os instrumentos e vocais estão mais claros e audíveis, mas isso não quer dizer que eles começaram a falar mal do governo ou coisa parecida. Não. Continuam com as letras cheias de piadinhas, tirando o sarro de qualquer um que passar pela frente. É inevitável fazer uma referência aos Raimundos, basta ouvir “Desgraçada” (com letra de Lucas do Fresno) para achar uma das principais influências da banda. No geral, eles tocam hardcore variando no melódico, curto e grosso, punk rock. Um disco para quem quer se divertir, sem compromisso. Márcio Sno






CURUMIN
Japan Pop Show


Um dos brasileiros mais aclamados na Europa, o multi-instrumentista Curumin, apresenta seu segundo disco que faz uma ponte entre Brasil, Japão, Brooklin e Jamaica. Além do toque abrasileirado presente em suas músicas (é possível encontrar elementos de frevo, bossa nova, samba-rock), esse novo disco tem como base as batidas marcantes do rap, samplers e outros ruídos eletrônicos. Uma influência também notada com mais intensidade nesse lançamento é de Cassiano, conhecido músico e compositor dos anos 70 por lançar vários clássicos pra dançar coladinho. Sua presença é notada em “Compacto”, “Mistério Stereo” e “Esperança”. Curumin também tem o compromisso de colocar a galera pra dançar nas faixas “Saída Bangu”, “Kyoto”, “Caixa Preta”. Japan Pop Show mostra sentimentalidade brasileira com um quê de universal, um disco cheio de swing, ideal para ouvir aos sábados à noite e até mesmo para embalar festas. Boa pedida. Márcio Sno






THE DT'S
Live - Hot - Nasty
(Serpents Hole Recs)
 

Registro gravado ao vivo direto dos estúdios de uma rádio em Portland, captando o melhor e mais selvagem hard rock & soul produzido pelos competentes DT's e sua máquina sonora demolidora, capitaneados pelo patrão Dave Crider, e conduzidos pela voz notável da bela Diana Young - Blanchard. Mike Van-Buskirk e Matt Zielfelder, respectivamente, baterista e baixista, completam a turma de malucos sedentos por bom barulho. São 9 pancadas direto no ouvido, sem piedade ou pausa pra descanso, masterizadas pelo mago Jack Endino, que atualmente também trabalha nas novas gravações dos Sonics, e famoso por produzir a maioria das bandas de Seattle no auge do grunge. Live - Hot - Nasty tem uma ótima qualidade de gravação, mesmo para um disco gravado ao vivo, numa tacada só, o resultado é surpreendentemente bom. Destaque para a voz de Diana que fisga o ouvinte da primeira, April Holeso, à derradeira Too Much Woman. A moça cospe pregos quentes, enquanto Dave detona tudo com riffs de guitarra matadores e precisos, como sempre. Rusty James
 
myspace.com/thedts






EDDIE
Carnaval no Inferno


Desde que surgiu o manguebit, talvez o Eddie seja uma das bandas mais originais e competentes de Pernambuco. E nesse quarto disco, os meninos de Olinda se afirmam como uma banda madura, demonstrando criatividade muito interessante quando mistura frevo, samba, rock, samba-rock, eletrônico e mais o que couber na sua música, resultando numa sonoridade leve e que faz muito bem aos ouvidos e que agrada da dona de casa aos moderninhos da Rua Augusta. Não espere que por serem frutos do manguebit que vai encontrar uma reunião de alfaias misturadas a guitarras. Talvez aí seja o grande diferencial do Eddie. Eles buscam a originalidade em seu som, mas desconfio que já encontraram, pelo fato de fazerem um som tão particular. As letras falam sobre relacionamentos complicados e se você estiver com problemas conjugais elas podem servir de consolo ou mesmo a ajudar tomar certas atitudes. Algo que é a marca da banda são os vocais sombrios de Fábio Trummer que dá um clima muito bacana e que encontrou na voz de Karina Buhr (Comadre Fulôzinha) uma parceria perfeita nas músicas “Bairro Novo / Casa Caiada” e “Eu Tô Cansado dessa Merda”. Além de venderem o disco em formato físico, também disponibilizaram para baixar no site http://sombarato.org, o que tornam as coisas mais fáceis. Um dos melhores lançamentos de 2008/2009, sem mais palavras. Márcio Sno






FACE TO FACE
Shoot the Moon: The Essential Collection
(Coqueiro Verde)


Essa coletânea foi lançada originalmente em 2005, quando a banda se separou. E oficialmente lançada aqui em comemoração à primeira tour sul americana do Face To Face e, consequentemente, no Brasil, no ano passado. O que dizer de uma coletânea? É a seleção dos grandes sucessos de uma banda relativamente antiga e que fazem o público cantar em coro quando tocadas ao vivo. É isso. Essa coleta abre com o maior hit da banda, “Disconected”, e a partir daí são só pauladas, uma atrás da outra. Para deixar amantes de hardcore californiano e de punk rock muito felizes e também para quem perdeu os shows deles por aqui (pois tocaram praticamente todas). Chame seus amigos, abra umas cervejas, ligue o som e be happy! Márcio Sno






FIDELIS
Fidelis
(independente)


Banda carioca com uma pegada índie-rock e um vocal que soa a lá BRock-80. Tal junção colocaria a banda na programação de qualquer rádio pop-rock. São seis sons cantados em português, dessas as canções “Diz” e “Anteontem” são destaques assim como as mais pesadas do cd. O disco foi gravado no próprio estúdio da banda e talvez esse seja um dos motivos do entrosamento do quinteto com o material aqui apresentado alem da boa qualidade de gravação. Michael Meneses

myspace.com/bandafidelis 






FOO FIGHTERS
Greatest Hits
(Sony)


O envolvimento de Dave Grohl com o Them Crokeed Vultures praticamente abafou o lançamento dessa coletânea.  Sem nenhuma contestação, o Foo Fighters é um dos mais rentáveis grupos de rock dessa última década.  E veio colecionando hits e cifras em velocidade astronômica.  Com isso, souberam tirar proveito de sua boa trajetória em dois lançamentos "ao vivo", e agora, num terceiro round, chega esse Greatest Hits.  Mesmo que sempre falte essa ou aquela música predileta, até que o grupo soube escolher bem o repertório ao fazer um "The Best Of" de extrema qualidade.  Um raciocínio lógico pode afirmar que FF em Greatest Hits é uma justa e obrigatória releitura de mais de uma década de história de um dos ícones de uma geração do rock.  Destaque para a versão suave e acústica de "Everlong", citada duas vezes no disco.  Bruno Eduardo






THE GUTTER TWINS
Adorata EP
(Itunes)


Aviso: clichê a seguir - Todo disco que tenha o nome de Mark Lanegan nos créditos é disco do ano.  O segundo lançamento de Greg Dulli (Afghan Whigs, The twilight Singers) e Mark Lanegan neste ano não foge a regra estabelecida desde Song for the deaf do Queens Of The Stone Age. O EP de covers e sobras Adorata foi lançado no ultimo dia dois de setembro via Itunes e sua renda será em beneficio à Fundação criada em homenagem à Natasha Schneider (www.natashashneider.org), vocalista da banda Eleven e tecladista do Quens Of The Stone Age que morreu vítima de câncer este ano. É do Eleven (banda que contava com Jack Irons – baterista que gravou dois discos com o Pearl jam) a canção Flow like a river, um chiclé dançante levado à base de um riff de slide distorcido e que ficou fiel à gravação original de 2003. A marca do Gutter Twins aparece em Down the line do bardo sueco José González e em Belles da obscura banda folk Vetiver, duas canções originalmente acústicas que receberam texturas de guitarras inéditas para os trabalhos destes artistas. Se vivêssemos num mundo perfeito, a versão de Duchess, presente em Scott Walker 4 tocaria em qualquer Fm, seria trilha de novela. Como consolo deve entrar na lista de todo mundo que gosta de música pop. Outros destaques são o cover de Deep Hit Of Morning Sun presente em Evil Heat do Primal Scream e a tradicional St. James Infirmary, uma sobra de Ballad Of  Broken Seas primeiro álbum de outro projeto de Mark Lanegan com a cantora-delicia Isobel Campbell. Se Saturnalia - lançado pela dupla no começo do ano - já tinha lugar reservado na lista dos grandes lançamentos de 2008, Adorata garante o Gutter Twins como um dos grandes nomes deste século. Giancarlo Rufato



HOJE VOCÊ MORRE
Nada É Tão Ruim Que Não Possa Piorar
(Atalho Discos)


A primeira impressão que dá ao ouvir o som do HVM é que o vocal está numa sala de tortura da época da ditadura dando seus últimos gritos de protesto antes de lhe darem um tiro em sua cabeça. Mandando um crossover (às vezes caindo para o metalcore), esses baianos não perdem tempo de tocar e gritar nas 12 faixas (ops, na verdade são 13, pois tem uma escondida). Para se ter um referencial, o som dos caras é uma mistura dos cariocas do Confronto com os vocais da paulista Magüerbes. Com muito gás do começo ao fim, imagino que os shows desses cabras sejam algo próximo do começo do fim do mundo.
Sabe aquele dia em que nada dá certo e você voltando pra casa, pega ônibus lotado, chove lá fora, as janelas fechadas, o trânsito todo parado? Essa é a trilha sonora para esse momento! Ah, muito bom o grito de “satanás” na introdução de “A bebida entra e a verdade sai”.  Márcio Sno

myspace.com/hojevocemorre






INCUBUS
Monuments & Melodies
(Epic)
 

No fim dos anos 90, eles eram erroneamente definidos como mais um grupo nu-metal.  Nunca foram.  O Incubus sempre fez um rock com doses altíssimas de ecletismo que beirava eventualmente o progressivo.  Além disso, possuem músicos talentosos que faziam a fórmula funcionar sem qualquer esforço.  Pois bem, com uma sequência regular de bons discos, eles conseguiram sem muito alarde arrebatar uma grande legião de seguidores e chegam com esse lançamento para comprovar a boa carreira.  Monuments & Melodies é um disco duplo que traz uma coletânea dos maiores hits e alguns b-sides.  Curiosamente aqui não está o melhor do grupo, mas como a maioria desses caça-níqueis, as mais óbvias nunca faltam.  Para quem quiser conhecer melhor a banda, de uma atenção a qualquer disco deles.  Mas quem não tem nada a perder, pode gastar um tempinho aqui, sem grandes riscos.  Bruno Eduardo




INDEX
Aposta
(In Dubio Records)


Essa banda faz um som, no mínimo curioso. OK, é hardcore melódico. Mas eles viajam em vários setores desse estilo. Fazem protesto, falam de amor, discutem problemas internos e também inserem alguns elementos diferentes na composição em algumas faixas (“Aposta” talvez seja a maior referência) e vocais que passeiam entre o melódico e o gritado. Possuem um instrumental muito competente, com destaque à bateria de Batô, que faz umas viradas de tirar o fôlego. E ainda tem duas guitarras duelando com um baixo pesadão no meio. Um bom disco que é bacana de se ouvir. Isso ao vivo deve ser muito interessante!  Márcio Sno

myspace.com/indexrock



THE JANCEE PORNICK CASINO/THE MARLONES
100% Hot
(Gagarin Beat)


Imagine uma jam session com Ramones e Cramps tocando “The Number Of The Beast”, do Iron Maiden, com toques de folk. É assim que o The Jancee Pornick Casino abre o disco. No lado A apresentam seu rock sujo colocam o tanto de elementos que acharem necessários e, por isso, é possível encontrar jazz, surf music, psychobilly, punk rock, garage, só para citar alguns. “Nossa, isso deve ser bizarro!”, pensaria você. Porém, não chega a esse ponto, pois o americano e os dois alemães conseguem dosar bem as influências nas composições. E num mundo onde nada se cria, tudo se copia, o som do TJPC é um oásis num deserto de repetições de fórmulas musicais. No lado B, os franceses do The Marlones são mais centrados no que fazem, ou seja, seguem numa linha mais reta, mas nem por isso menos interessante. O som é quase uma Arctic Monkeys  e colabora para manter o alto astral desse 10” EP. É para aumentar o volume e esquecer da vida. E de tudo que já se ouviu.  Márcio Sno

www.janceewarnick.com
myspace.com/themarlones
http://www.gagarinbeat.com




JUVENTUDE MALDITA / FINAL FIGHT
Quem De Medo Corre, De Medo Morre 
(Rebel Music)


Boa parte das bandas punk acha que pelo som que faz, a gravação pode ser de qualquer jeito, sem se preocupar muito com quem vai ouvir. Ainda bem que esse caso foge à regra e é apresentado um disco bem gravado e, felizmente, audível. O punk rock que o Juventude Maldita faz nos transporta nos áureos anos 80, mais precisamente a bandas como Cólera, Garotos Podres e Psychic Possessor. Apesar das letras que denunciam, protestam e jogam merda no ventilador, por outro lado passam mensagens positivas e oferecem propostas para mudanças. Destaque para a bem sacada versão de “Break the law” do Judas Priest, que batizaram com o sugestivo nome de “Foda-se a lei”. Final Fight faz um hardcore cantado em inglês com toques de melódico e Operation Ivy e com umas guitarras à la Aerosmith (em “Back in the junkyard”). O bacana desse split é que apresenta duas bandas com sonoridades e linguagens diferentes, ficando bem claro quem é quem. Um bom disco.  Márcio Sno

www.rebelmusic.com.br






MADAME MACHADO
Sem pedir pra entrar!


Ska tem aquela forma básica de guitarra tocando curtinho, baixo com maior destaque e o naipe de metais. A partir daí cabe a cada banda colocar seu ingrediente favorito ao som e às letras. O Madame Machado optou em investir também no hardcore, às vezes até se esquecem do ska, como em “Faz-Not”, que fecha o disco. As letras falam de aventuras amorosas e as confusões que elas podem proporcionar, sempre contadas de forma irreverente. Porém não perdem a oportunidade de protestarem, como na eco-sustentável “Surf na Privada”, que denuncia a sujeira nas praias cariocas. Bom disco, que chega a impressionar pelo fato de ser o primeiro da banda. Márcio Sno

www.madamemachado.com.br







TUMULTO/SIGN OF HATE
Metalurgia
(Split – independente)


CD Split com duas bandas que fogem do eixo SP/RJ/MG, o quinteto Tumulto responde de Foz do Iguaçu/PR enquanto o quarteto Sign of Hate atende de Aracaju/SE. Conduto uma coisa ambas têm em comum e foi determinante para uni-las no split, pois ambas já têm seus nomes fincados na atual cena thash nacional. Lamentável apenas é saber que elas poderiam ter um maior reconhecimento se o fato do Brasil ter dimensões continentais não fosse uma barreira para tour’s pelo país. Com uma pegada thash-metal o Tumulto deve a produção de Frank Godzik (ex-Kreator e Sodom) o que foi bem a calhar em seus 6 sons do álbum, já o Sign of Hate aparece com 4 faixas e com um thash mais direcionado ao death metal. Michael Meneses

myspace.com/signofhate








THE NATION BLUE
Xmas Mix 2008


Quando se ouve esse disco, dá a impressão de se tratar de uma coletânea pois as músicas são muito diferentes entre si. Parece se ouvir algo de David Bowie, Green Day, Faith no More, Candiria, Kaiser Chiefs, Clash... na verdade, tudo se resume ao The Nation Blue, banda australiana que até já tocou no Brasil em 2007. A massa sonora do trio é tão forte, que às vezes o vocal parece desaparecer no meio de guitarras desesperadas, baixo sujo e uma bateria frenética. Como definir o som da banda? Não dá. Só ouvindo. E esse esforço será muito agradável. Márcio Sno

myspace.com/thenationblue







NUESTRO SANGRE
Massacrados Pela Ganância...Esmagados Pela Miséria
(Contra Ponto e Necrose Música)


A primeira impressão que dá ao ouvir o som do Nuestro Sangre é de que o vocal está com um microfone numa mão e um coquetel molotov na outra. Isso graças ao som furioso e as letras de protesto que ilustram as 4 músicas desse disco. O disco abre com a narração de um repórter falando sobre a violência policial, seguida de “Corja”, a mais lenta do disco. “Fim da linha” já chega pra destruir tudo de “Liberdade manipulada”, um metalcore que possibilita balançar a cabeleira em frente ao som. Pra fechar, vem “Pay-per-view de Satã”, que apesar de lembrar título de música do Gangrena Gasosa, também lembra no som! O que é um bom sinal.  A última música é seguida o áudio de uma reportagem sobre o hezzbolah (seria o Marcos Uchoa?), que vem como complemento à música anterior, que fala exatamente sobre grupos extremistas e a grande exposição da violência na TV. Não, não vou falar que a voz do Fábio parece com a do João Gordo. Tá, lembra. Um disco de perder o fôlego, mas peca por acabar muito rápido, até ler todo o nome do disco, já acabaram as músicas... Márcio Sno







OITAVADA
Corra mais na chuva
(Empire Records)


É muito bom ouvir sons de bandas de outro estado para ter contato com o sotaque da região e sentir como o estilo soa em outro canto do país. Mas o hardcore melódico parece que tem a magia de eliminar sotaques e de manter a mesma fórmula no jeito de se compor canções. Apesar de não trazerem elementos novos, os rapazes do Oitavada tocam direitinho dentro daquilo que propõem. As letras são recheadas de mensagens de amor e grilos de adolescentes, que devem atrair a garotada que conheceram o hardcore nas aberturas de Malhação. A banda tem um baita potencial para o sucesso, por conta das características acima mas, tirando o piano que colocaram em “Até lá”, não tem “nada demais acontecendo por aqui”. Márcio Sno

contato@oitavada.com.br




OVERLIFE INC.
Pior do Eu


Imagine uma fusão de Dead Fish na atual fase (mais rápidos) com vocais de Mukeka di Rato. É o que se consegue aproximar o som do Overlife Inc. Não que eles não sejam criativos, absolutamente. Essa referência é mais por conta do ótimo instrumental da banda, que é rápido, técnico e com arranjos muito bacanas. Enquanto isso, o vocal grita, apontando os problemas do mundo e colocando o dedo na cara dos culpados. É um contraste interessante. Destaque para a paulada curta e grossa de “Faca no peito, papel na mão e caneta”, de encher os olhos e ouvidos! Um dos melhores lançamentos do ano passado.  Márcio Sno

myspace.com/overlifeinc







REDSKADU
Promessas


Às vezes tenho impressão de que ouço um determinado som que eu já ouvi uma determinada vez (ou por várias vezes). E é isso que me passa o Redskadu que apresenta um punk rock (que constantemente cai no melódico) com letras que tratam de problemas amorosos, às vezes beirando ao brega, como em “Orgulhosa”.  A grande verdade é que a banda não apresenta nada de novo, aquele som básico, sem se arriscar em ser criativa. O vocalista precisa trabalhar mais a sua voz, pois muitas vezes desafina e isso às vezes até incomoda.  Que tal dar uma caprichada no próximo registro? Márcio Sno

www.redskadu.com.br








RELESPÚBLICA
Efeito Moral
(Works Music)


Depois de cinco anos sem lançar material inédito, a banda curitibana mais importante do momento volta ao cenário do rock em um lançamento independente. Dessa vez, a banda dispensou produtores e assumiu os botões. Esperava um disco mais experimental? Engana-se, esse é o mais pop deles, mesmo utilizando de uma série de estilos que colocam no Efeito Moral. Um pouco psychobilly, jovem guarda, folk, um bocado punk rock, rock paulista, rock gaúcho, um pitadinha de Nando Reis e Wander Wildner... O disco tem alguns momentos de fúria, como “Estamos aqui”, “Não seja otário, não!”, mas o ponto máximo mesmo fica com “Homem Bomba”, um punk rock à la Cólera que já tem até clipe. No restante do disco, a palavra de ordem é o amor. “Dê uma chance pro amor” é uma, “Tudo que eu preciso” (com a participação de Samuel Rosa), é outra e por aí vai. O curioso é que esse disco foi lançado em dois formatos: no tradicional CD e também em pendrive (que também tem o áudio do MTV Apresenta), talvez numa forma de adequar à extinção da forma arredondada de distribuição de som. No geral é um disco bacana, gosto de ouvir, é macio. Para ouvir à noite ao lado da pessoa amada, ou mesmo pra pensar na vida. Um disco de rock. O rock da Reles. Márcio Sno








THE SLEEPERS
Comeback Special


Comeback Special começa a rodar e o primeiro tapa vem com a faixa-título. Você jura, pelo timbre e levada da bateria, que vai entrar "Run To The Hills", do Iron Maiden...Logo pinta um riff que você juraria ser despejado por Angus Young, mas que nada, os Sleepers são nada mais do que uma garotada de Chicago que adora o velho e mais ordinário rock n' roll.  A pegada é aquela, algo como um cruzamento de New York Dolls com Rose Tattoo, sim aquela mesma escola que o velho Guns estudou nos anos 80 e felizmente não bombou de ano. Claro que também pinta uma nostalgia, uma saudade incrível de grupos como Georgia Satellites, Jason & The Scorchers, The Knack e até o velho Social Distortion... vai sem medo de ser feliz. Como os próprios moleques do grupo dizem: "Se o CBGB fosse um puteiro, os Sleepers seriam a banda da casa". Pra ouvir tomando cerveja, fazendo tatuagem ou jogando poquer.  Bento Araújo

myspace.com/thesleepersband 



SUPERGALO
#1


Antes de ouvir o Supergalo é importante que se esqueça que na banda tem gente dos Raimundos, Maskavo Roots e Rumbora (se você não sabia disso, esqueça também!), pois o que temos aqui, possui pouco ou nada das bandas citadas. Com pouco mais de 2 anos de estrada, o SG lança um disco daqueles pra tocar na rádio, bombar na MTV e agitar em festivais. Pode até parecer negativo, falando assim, mas não é. Fazem um som sem grandes novidades, mas bem executado e honesto. Sim, tem muitas letras de amor (“Escravo digital” chega ao extremo ao proferir “agora eu tô perdido na tua rede... Não tô pra ninguém, só pra você, baby”) e outras com mensagens estranhas (alguém pode me explicar como “se perde o descontrole”?). Mas também há coisas bacanas como “Bombando em Bagdá”, o primeiro hit da banda e “Nada!”, talvez o próximo sucesso. Um disco descompromissado. Um disco de rock. Márcio Sno

myspace.com/supergalo







THEM CROOKED VULTURES
Them Crooked Vultures
(DGC / Interscope)


Afinal, o que é rock and roll?  Vou dificultar a questão.  O que é rock and roll nos anos 2000?  Bem, eu não sei a resposta em sua sua extensão.  Mas posso dizer que esses caras sabem.  John Paul Jones (ex-Led Zeppelin), Dave Grohl (Foo Fighters) e Josh Homme (QOTSA) não economizaram palavras, ou melhor, notas, melodias e muito barulho – com qualidade – para mostrar em grande estilo, o significado da expressão “rock and roll”.  O que fica evidenciado nesse trabalho é o casamento cúmplice dos estilos de cada um deles.  Seja na sonoridade primitiva e cerebral de “Elephant” ou na quebradeira de “New Fang”, aumenta a força da máxima de que “o rock não morreu!”  Confesso que é bem difícil expressar tão resumidamente, o quão bom é este disco.  Mesmo porque, nesse tão pouco produtivo ano de 2009, o tal “supergrupo” – de qual andam chamando por aí – não apenas correspondeu às expectativas, eles simplesmente salvaram o ano.  O rock agradece.  Bruno Eduardo







THE VALKYRIANS
The Beat of Our Street
(Stupido Records)
 

Segundo disco do finlandeses Valkyrians, que apesar de sua nacionalidade disparam uma mescla de early reggae jamaicano, ska 2- tone britânico e soul music da melhor qualidade. Se no primeiro registro - High and Mighty (2006) - a banda liderada pelo competente vocalista Angster já impressionava por sua personalidade e técnica tanto nas composições próprias quanto nas versões escolhidas a dedo, em The Beat of Our Street consolidam-se como uma das bandas de ponta do atual cenário ska.  Nitidamente a intenção da banda é ir além do revivalismo, experimentações não faltam na nova empreitada. Óbvio que a batida contagiante caracteristica do rítmo jamaicano imortalizado pelos mestres Skatalites permeia o disco todo, mas há algo novo no ar respirado pelos finlandeses, se por um lado puxam o freio em baladas maravilhosas dignas de Slim Smith, caso de Queen of Hearts e Make Up Your Mind; por outro fazem a audiencia gastar a sola do sapato bicolor nas eufóricas Hold On Rudy e C'mon Officer. Destaque também para as brilhantes versões de Big Six, de Judge Dread, e Too Drunk To Fuck, dos Dead Kennedys - aqui executada de maneira única, transformada num rítmo jamais imaginado por Jello Biafra e sua turma, sem decepcionar ninguém.    Rusty James
 
myspace.com/thevalkyrians 






VÁRIOS
Brave new world
(Velho Rabugento)


Coletânea lançada pelo fanzine Velho Rabugento, que apesar do nome em inglês, todas as 10 bandas cantam em português. Com três faixas para cada banda, os sons ficam na linha hardcore e punk. Abre o disco Justiça com um punk-rock basicão com vocal feminino, gritando desesperadamente. Um depoimento retirado do documentário Estamira abre as faixas do Nerds Attack, que merecia uma produção melhor. O Halé apresenta um hardocre for fun, lembrando Os Cabeloduro no começo de carreira. Destaque para o hino “Cerveja é remédio pra tudo”. A melhor banda do disco. Delinqüentes mostra um hardcore com toques de crossover e arrisca um flamenco para denunciar a farra do boi. Também abrindo com um diálogo de Estamira, o Constante Estado de Medo toca um hardcore sujo que faz lembrar Gangrena Gasosa.  O INF.U.G.A. faz um punk-rock bem produzido, porém sem nada de novo. E isso é bom! O metalcore do Que Fim Levou Valdir? parece ser cantado em inglês, mas se esforçarmos um pouco, percebemos que falam na nossa língua. O vocal lembra Larry Antha do Sex Noise. Desespero, desespero! Isso que dá pra sentir ao ouvir o Filhos Bastardos, a banda mais rápida do disco. Se me falasse que os sons do R.A.I.V.A. eram um bônus do Brasil do Ratos de Porão, eu acreditaria. Fechando, o Subefeito manda um punk-rock “quase” melódico. Vocal de mineiro que parece de carioca. Dentro do estilo escolhido para a coletânea, o disco está de bom tamanho, pois as bandas foram bem escolhidas. O único problema é que o nível de qualidade de uma gravação para outra às vezes é gritante. Boa pedida.  Márcio Sno

velhorabugento@gmail.com




VÁRIOS
Panela Discos – Vol. 2


Coletâneas com várias bandas é sempre muito complicado. Em primeiros plano tem a importância de divulgar várias bandas ao mesmo tempo e cria a oportunidade de mostrar como anda a cena de determinados lugares, no caso, do Ceará. Mas... O problema das coletas é ter levar no pacote alguma coisa (ou várias) que não se está afim de adquirir. Essa regra é geral e são poucos os casos que a satisfação é 100%. O disco abre com a Calango Abacaxi que leva um rock ‘n roll com pegadas punk rock, com destaque para a boa guitarra João Henrique. Joseph K? faz um punk rock quase lembrando o Matanza, por conta das letras. Na faixa “Noites inteiras” o destaque vai para o excelente baixo que quase faz um solo. Com influências de Kiss, o Drive Sex faz um heavy metal de presença, mas não tente me convencer de que esse estilo fica bem se cantado em português. Tem um instrumental muito bom, mas se cantassem em inglês ficaria bem melhor. O Samhainfall vem na sequencia com seu metalcore com vocais que são uma espécie de duelo entre Phil Anselmo (Pantera) e Dave Mustaine (Megadeath). Não apresenta grandes novidades, mas são bons. O som segue com Inflame manda um heavy. Cantado em português. Por favor, mude para inglês. Depois conversamos. Para fechar, Os Malditos mandam um hard/heavy de responsa e se seguirem o exemplo de “A ameaça”, vão longe. Coletânea é coletânea. E vice-versa. Márcio Sno







VÁRIOS
Wassup Rockers Original Soundtrack
(Record Collection Music)


Larry Clark tem uma maneira peculiar de filmar e retratar o universo adolescente, sempre acompanhado de muita polêmica: a droga rola solta em Kids, os assassinatos em Bully e o sexo explícito em Ken Park. Dessa vez ele mostra o cotidiano de jovens latinos que moram nos Estados Unidos, andam de skate e têm uma banda de punk rock (que dá o nome ao filme). Assim como os outros filmes de Clark, esse também é muito ruim, com roteiro confuso, seqüência de cenas desnecessárias e estereotipação inconseqüente. Sem falar da incoerência de latinos conversando entre em si em inglês. Mas uma coisa acertou em cheio: a trilha sonora. Formada por bandas de punk rock, alternando no inglês e castelhano. O curioso é que algumas faixas foram mal gravadas (talvez para manter o “estilo punk de se gravar”). Destaque para a banda South Central Riot Squad e para a faixa “Stop these wars” do The Revolts, (mal) dublado pela banda da película. Uma trilha muito boa, que compensa o tempo perdido com o filme. Márcio Sno

myspace.com/wassuprockersfilm








VELHO ZIZA
Tempo D’vagar
(independente)


Velho Ziza é uma daquelas bandas cuja fonte para seus sons carregados de experimentalismo é a MPB e o rock dos anos 70, mesclando com elementos da MPB e do rock atual. Nada de muito peso, seja em relação às influencias de ontem ou de hoje. E não pensem que a falta peso ao som da banda faz desse disco ou da banda algo de difícil degustação, pois é justamente a viagem que o som provoca em quem o escuta o forte da banda. As melodias do Velho Ziza são tão boas que dariam ótimas trilhas sonoras em dezenas de filmes rodados em pequenas cidades do interior desse Brasil. Michael Meneses

myspace.com/velhoziza








VOX MORTEM
The Worst Creature
(Sucata Records)


Os cariocas do Vox Mortem apresentam nesse álbum um thash-metal trabalhado com algumas pitadas de crossover, que nos leva à uma viajem até a virada da década de 80/90, ou seja o auge da união Thash, Hard-Core, Crossover e afins. São dez faixas que mesclam letras em inglês e em português (soando bem em ambos os idiomas), além de guitarras com riffis pegajosos daqueles que dão gosto de ouvir. As músicas; “Scream God”, “Veias Abertas”, Princípio ao Caos”, e a faixa título dão o toque especial ao play. Pelo conteúdo apresentado no álbum, ficasse a certeza que logo o Vox Mortem estará representando bem o metal carioca. Michael Meneses

myspace.com/voxmortem








WEEZER
Raditude
(Universal)

O Weezer sempre foi marcado pela nerdice de sua música.  A intelectualidade juvenil de suas letras, os bons riffs de guitarra e as excelentes melodias vocais foram sempre o ponto de partida para a definição dos melhores álbuns da banda.  Não se sabe porque, mas essa química anda meio perdida.  Talvez tenha sido mesmo abandonada.  Após o bom Maladroit (2002), o grupo deu pista de que o veículo já estava sem direção.  Posteriormente com um excelente trabalho (Make Believe) e outro bem fraco (Red Album), os fãs ficaram sem saber o que esperar de Raditude.  E o Weezer não se supera. Não tão irregular quanto o trabalho anterior, o disco segue a mesma direção.  Talvez um pouco mais pop, podemos dizer que este é “mais um disco do Weezer” - seja lá como soe essa afirmação.  Bruno Eduardo

 





WOLFMOTHER
Cosmic Egg
(Modular)
 

Após invadir o mundo do rock com o hit “Woman” – que fez parte até do jogo Guitar Hero -, o Wolfmother sofreu uma mudança drástica.  O grupo foi praticamente todo limado, e de lá sobrou apenas o vocalista Andrew Stockdale.  A entrada de mais três novos integrantes culminou com o lançamento desse novo trabalho e a manutenção da sonoridade oriunda do heavy metal setentista foi um acerto indiscutível.  Se no primeiro disco o grupo estava mais para Sabbath, aqui eles bebem na fonte de AC/DC e Stones.  A música "White Feather"  fala por si mesma e comprova a afirmação.  Para quem procura um rock sem frescura ou virtuosismo desenfreado, vai acolher bem Cosmic Egg.  E antes de previsões estapafúrdias ou acenos megalomaníacos, basta afirmar: é apenas bom disco de rock.  Bruno Eduardo







YUN-FAT
Action Movie Stunts Get To Die
(Torto Fono Gramas)


Essa banda poderia ser mais uma fundindo o melhor da essência do Death Metal, Grind, e Hard Core. Contudo não apenas faz isso com estilo, como faz com originalidade, pois introduz a esses estilos Bossa Nova, sons de games e barulhos desconexos, tudo em perfeita sintonia nas dez faixas do disco. Essa fusão de sons que a princípio pode soar louca faz o diferencial do Yun-Fat. Confuso em relação a essa resenha? Vou clarear suas idéias fazendo uso de um trecho do próprio release da banda que diz uma verdade sobre a mesma e que deveria ser seguida pelos amantes de todos os estilos acima: “o Yun-Fat pode ser de difícil digestão, mas comprometer a sua música nunca esteve em seus planos”. A banda é Salvador/BA e isso faz de “Action Movie Stunts Get To Die” uma espécie de tropicália do metal. Michael Meneses

myspace.com/yunfat








ZANDER
Em construção
(Super Fuzz/Ideal Records)


Banda ou projeto é outra coisa. Por isso, é bom esquecer do termo “banda do Philippe”, pois o que temos aqui é algo bem diferente. O Zander faz um hard rock com uma pitada de hardcore melódico. O som é raivoso, as guitarras destoam dando até para dar uns stages diving nos shows. “Battlefield” tem umas guitarras que remetem a Joy Division e New Order. Talvez a mais interessante sonoramente falando. “Ar” abre com um baixo de tirar o fôlego.
Uma coisa que me incomoda na banda é que se parecem muito com Dance of Days, principalmente nos vocais e na faixa “Depois da enchente”. Tem quem goste dessa referência. Curiosidade: o disco foi lançado em formato SMD (semi metalic disc), formato semelhante  ao CD que torna o custo e venda mais em conta (R$ 5, com o preço impresso na capa). Márcio Sno

www.zanderblues.com







 
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