
Vez por outra, alguém diz que fulano faz "música
cabeça", e isso obviamente abrange o mundo do rock. Em geral, o tal
"cabeça" é considerado inteligente por somar duas ou três frases sem
falar algum palavrão ou derrapar na sintaxe. Bobagem.
Por Gravataí Merengue
A seguir, faço uma
lista de VERDADEIROS EXEMPLOS DO "ROCK CABEÇA". Vejam:

Lionel Nietzsche
Lionel Nietzsche foi um verdadeiro divisor de águas na
música cabeça. Não apenas contestou a filosofia roqueira de seu tempo, como
também resgatou os pré-socráticos, mas, principalmente, inseriu o "teclado
guitarra" como nenhum outro o soube fazer. Além de ensaios polêmicos sobre
o cristianismo, ele também se destacava pelo piano que sobe no meio do palco
giratório. Embora tivesse hábitos solitários, chegou a participar do "USA
For Africa".
* * *

Pink Freud
A banda foi a grande criadora da Psicodelianálise no
rock'n'roll. Suas músicas são chatas, absolutamente enfadonhas, mas não dá para
negar o talento acadêmico e o pioneirismo - ora genial, ora maroto - dessas
teses todas. Além do clássico "The Other Site of The Oedipus", há
outras obras-primas, tais como "Another Brick in The Fallus". Seus
shows são marcados por muitas luzes, pirotecnias, telões e discursos sobre a
inveja peniana por parte da mulher, bem como a idéia de que a religião seja uma
busca pelo pai, entre outras performances eletrizantes.
* * *

Darwin Gaye
Seus opositores diziam que ele sempre fez música para tocar
em motéis evolucionistas de quinta categoria, mas a verdade é que Gaye escreveu
seu nome na história após o lançamento desse disco aí de cima, cujo título,
aqui no Brasill, ganhou apenas o nome de "A Origem das Espécies".
Durante muitos anos a Igreja Católica proibiu a execução de suas músicas em
atos religiosos, mas recentemente já liberou nas festas de casamento,
principalmente quando noivo e noiva aparecem com aqueles óculos cafonas, paetês
e outras coisas que se tornaram moda de uns tempos para cá.
* * *

Adam The Smiths
A banda britânica, de raízes escocesas, fez sucesso mundial
e se destacou por conta de suas letras. O cenário musical da época já era
composto por vários outros ícones, mas nenhum outro soube, como "Adam The
Smiths", a captar a essência natural das relações econômicas, bem como escrever
letras tristes para meninas supostamente inteligentinhas. Até hoje, a banda tem
seguidores que se dizem liberais, mas poucos são tão "liberais"
quanto o vocalista.
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Patricia Marx
Em princípio, as teses de Patrícia Marx se pareciam com as
da banda "Adam The Smiths", mas a ruptura veio ainda quando ela fazia
parte do "Trem Socialista da Alegria" (com Juninho Bill Engels e
outros). Já em carreira solo, ela lançou vários sucessos que até hoje embalam
as reuniões daqueles que são considerados "festivos de esquerda", ou
algo assim.
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Lenin Kravitz
Tudo aquilo que Patrícia Marx cantava de forma mais ou menos
teórica o poderoso Lenin Kravitz teve a audácia de pôr em prática. O
multiinstrumentista bolchevique cativava multidões com sua capacidade de
oratória e também em razão do cabelo, do piercing e da habilidade em comer
modelos famosas. Apesar de ter 1.61 (esticado, quase com cãimbra), é
considerado até hoje como um gigante do rock comunista de resultados.
* * *

Erasmo Carlos de Rotterdam
"O Elogio da Loucura Tremendona" talvez seja seu
trabalho mais conhecido, mas Erasmo Carlos de Rotterdam contribuiu sobremaneira
para a evolução da música cabeça. Digamos, em linhas gerais, que ele foi um dos
principais nomes da transformação do medievalismo em modernismo filosófico e
roqueiro. Nas Jovens Tardes de Domingo, que passara no Cantão da Basiléia, o
Tremendão produziu obras que, na época, eram consideradas transgressoras. No
final da carreira, porém, se dispôs a dissertações como "Dá um Close
Nela", feita para seu amigo Roberto (não aquele com apenas uma, mas o que
tinha três pernas, pelo menos na época).
* * *

Gravataí Merengue (Fernando Gouveia) tem um blog quase
sério e o outro definitivamente esculhambado; além desses dois, tem um outro de
crônicas. É advogado de formação, mas jura que é uma pessoa boa. Também
publicou dois livros online, evitando assim que se derrubassem eucaliptos
inocentes para encadernar páginas que ninguém nunca leria.
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sério)
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